Não nasceu de mim, mas nasceu para mim!

whatsapp-image-2016-11-19-at-00-31-50Bem, vamos a minha história…. ❤

Mas antes de começar a relatá-la, gostaria apenas de adaptar a frase que está escrita na imagem que escolhi para ilustrar.

“Ser mãe e ser pai é toda pessoa que tem o coração permanentemente grávido de amor.”

Agora sim, rsrsrs!

Meus pais se casaram e depois de um tempinho começaram a tentar engravidar e não conseguiram, fizeram diversos exames, nos quais ambos seriam aptos a ter uma gravidez de forma natural, afinal não tinham nenhum problema detectado…
Mas durante 15 anos ficaram na tentativa de engravidar e simplesmente não conseguiam, e não tinham resposta para não conseguir, todos os exames de investigação tinham sido realizados, os dois tinham tudo para engravidar mas não engravidavam…
Até que a ginecologista da minha mãe, conversou com ela e disse que ela poderia optar por duas saídas, uma seria a fertilização e a outra seria a adoção…. Porém na década de 90 a ciência não lidava com fetos que tinham alguma anomalia, e minha mãe não queria correr o risco de precisar passar pelo aborto, ela queria o filho da forma que Deus mandasse, independente da criança ser fisicamente e mentalmente “perfeita” ou não…
Então, ela e meu pai preferiram recorrer a adoção ao invés da fertilização…
E foi assim que tudo começou a acontecer, meus pais entraram em lista de espera nos orfanatos, porém, como a adoção é burocraticamente complicada, eles esperam, esperaram, mas o retorno do tão sonhado filho(a) não chegava… E minha mãe começou a ficar muito abalada emocionalmente, ela sempre relatou que quando estava passeando ou resolvendo coisas do dia a dia, por onde ela passava procurava pra ver se alguma criança tinha sido abandonada na rua, e vendo que isso não estava legal, e que o sofrimento já estava se tornando insuportável, ela decidiu não ficar mais procurando e resolveu voltar aos estudos para que assim, mais adiante ingressasse na faculdade de Direito.

Até que finalmente eu cheguei para eles no dia 30/12/1992, véspera de ano novo!
Assim que minha mãe me pegou no colo pela primeira vez, eu, uma bebezinha de apenas 25 dias, abri um sorriso para ela! E foi ali que nosso encontro aconteceu e minha história com os meus pais começou…

Eu fui um bebê arco íris, cheguei depois de uma tempestade que precisou durar 15 anos, mas que se não tivesse durado isso tudo, eu não teria sido o arco íris deles!

Às vezes não entendemos o que nos acontece, não temos respostas imediatas mas precisamos procurar acalmar nossos pensamentos para que assim possamos elaborar nossas emoções!

E quando eu tinha 13 anos, minha mãe teve o primeiro infarto…
E fez um cateterismo para descobrir o porquê ela tinha infartado, e nesse exame, descobriram que ela tinha um problema congênito no coração, que foi formado de uma forma não comum a da anatomia humana… O normal em todas as pessoas é a veia do coração passar por fora, e ela tinha uma que passava por dentro do coração, ou seja, quando pressionada essa veia através de alguma emoção forte, ou esforço físico poderia causar um infarto… E foi nesse momento que a resposta chegou, se eu tivesse nascido dos meus pais, minha mãe teria morrido no parto… Porque o coração dela não iria suportar tamanho esforço durante a gestação e durante o parto…
Infelizmente ela veio a falecer em dezembro de 2013, aos meus 21 anos, de infarto fulminante!

Mas veja como é a vida, né… Surpreendente! ❤

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Mãe de três!

15046268_1162257083854972_1320396800_nEu sempre achei que seria mãe de menino. Sempre! Quando eu fazia aquelas brincadeiras do colar quando era criança(balançando pra frente e pra trás é menino, se rodar menina) sempre aparecia pra mim 3 filhos: uma menina, depois menino, depois menina de novo. Quando eu engravidei a primeira vez com 17 pra 18 anos eu disse pra todos que era um menino, mas a minha intuição se confundiu com a minha vontade. Assim eu recebi meu 1°amor, minha filha Giovana. Aí veio a faculdade, o trabalho, a casa própria, o carro, o amadurecimento e os planos para outro filho(a) foram ficando cada dia mais esquecidos… Até que em abril de 2014 eu tive um sonho. Estava eu um campo enorme, muito florido, muito calmo, parecia um Céu, e um senhor vinha falar comigo. Ele dizia: “Tem um filho esperando por você. Ele é seu. Mas manda dizer que ele tem uma alma gêmea e que se você permitir que ele venha ela virá junto”. E eu respondia: ” Mas eu não quero ficar com 3 filhos, só quero 2 e eu já tenho uma filha, então eu posso escolher só o menino ou só a menina?” E ele disse: “Não! O filho é ele, mas ela vem junto com ele”. E eu acordei bastante impressionada. Pensei que se engravidasse seria um casal de gêmeos. No ano seguinte, em julho de 2015 eu e meu marido começamos a cogitar a idéia de aumentar a família e na mesma semana em que parei o remédio eu engravidei. Foi a maior alegria da minha vida, já que a gravidez da Giovana não havia sido planejada. Dessa vez seria tudo diferente! A notícia foi comemorada e festejada. No mês seguinte me encaminhei pra minha primeira ultra, eu estava com 8 semanas de gestação e muito apreensiva, contando que iria ver na tela 2 bebês. Quando o exame começou o médico me disse: “É um único embrião e ele não possui batimento cardíaco. É um aborto retido. Sinto muito”. A maior alegria da minha vida foi também minha maior tristeza. Como isso estava acontecendo? Deus, logo comigo?! Eu ainda carreguei aquele bebê morto 15 dias na minha barriga até fazer a curetagem, e decidi que outro filho nem tão cedo… Eu estava dilacerada e não queria que o próximo filho(a) “carregasse” minha culpa, meus medos, meus anseios, minha angústia, minha desesperança…. Mas eu nem respirei. Terminei meus exames, e grávida de novo no mês posterior. Mas já? Que aflição, quanto desespero. Deus me deu uma nova vida pra cuidar e amar. Eu até costumava dizer que eu engravidei de gêmeos sim, só que eles vieram com 1 mês de diferença. E os sonhos voltaram. Eu sonhava com menino, ora sonhava com menina, 4 ultras já realizadas e nada desse bebê mostrar o que era. Até que finalmente com 24 semanas….Surpresa!!!! É outra menina. Eu teria mais uma mocinha na minha vida. Eu e minha família já estávamos ansiosamente aguardando a chegada de Isadora. Algum tempo se passou e eu fui ao Centro da Cidade naqueles ônibus de viagem, a bateria do meu celular descarregou e resolvi tirar um cochilinho(coisas de grávida). Lá estou eu dormindo e mais um sonho chegou. Eu estava naquele mesmo campo e um menino lindo, apesar de não me lembrar bem de suas expressões, com asinhas de anjo corria na minha direção. Ele não falava, apenas sorria, mas uma voz vinha na minha cabeça: “Mamãe, eu precisava ser amado. Mas ela precisava nascer. Cuida dela”. Eu acordei com lágrimas nos olhos. O meu filho é um anjo e ele sabe que foi amado, que eu vou amá-lo eternamente. Um dia ainda quero carregá-lo no colo e brincar com meu menino nesse campo florido…
Eu moro no RJ e essa semana fez muito calor por aqui. Fui até a varanda do apartamento tentar pegar um ventinho com a Isadora que estava um pouco irritada. Ela atualmente está com 3 meses de vida. Após 5 minutos começou a chover bem forte, mas só do lado direito do Céu. Do lado esquerdo fazia sol e um arco-iris apareceu. Foi então que comecei a contar um pouquinho dessa história pra ela. Disse que ela tinha um irmão que era seu anjo da guarda, sua alma gêmea, e que ele foi muito amado. E ela representava pra mim aquele arco-iris no Céu. Aquele que não apaga a dor da tempestade, mas vem pra nos mostrar que a vida continua bela. Nesse momento ela sorriu, deu um pulinho no meu colo e eu tive a certeza que ela entendeu tudo que eu expliquei a ela.
Segundo a psicanalista Françoise Dolto, ao falar com os bebês eles apresentam alterações sintomáticas mostrando que sabem falar e que compreendem nossa linguagem. Portanto precisamos contar a eles suas histórias de vida, e várias vezes, assim a criança vai compreendendo aquilo que é explicado.
E vocês, conversam com seus bebês?

Gerando um anjo

” A experiência da perda de um filho é um mergulho no vazio infinito, um oceano de dor e assombro. Como mãe do Gabriel, ver sua frágil vidinha escapando pelas minhas mãos antes de seu nascimento foi um golpe alucinante, de uma dor latente, que paralisou meu corpo inteiro. O ar me faltou várias vezes, pois era surreal ver um bebê na minha frente e ele estar simplesmente estático e sem vida… Como era possível?” 

Essas são as frases iniciais do emocionante depoimento da co-autora do nosso livro coletivo Simone de Carvalho. Mais um capítulo do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal” , contando mais uma história de dor, mas também de muito amor.

“…Mas o tempo passa. Olho para minha filha, sua linda e maravilhosa vida, e decido seguir adiante, mesmo mutilada. Completamente mutilada… Percebo que a força não virá dela, mas de mim mesma. Neste mergulho visceral e cru, essencial e sóbrio dentro do meu coração, encontro o Gabriel, mas em forma de amor e desejo intenso de maternar um bebê: cuidar, acalentar, consolar, alimentar… Na verdade, é esta a fome que precisa ser alimentada, e eu tento encontrar um caminho para saciá-la.

..Decido criar uma comunidade de apoio para mães nas redes sociais, e passo a reviver o Gabriel em cada bebê que auxilio, que acompanho, ao compartilhar suas vidinhas com suas mães… O Gabriel finalmente renasce neste trabalho solidário. Ele está vivo, todos os dias, nas milhares de mensagens que recebo de todos os lugares do mundo.” 

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Meu amor virou anjo

Boa noite, Me chamo Cinthia Micaela tenho 22 anos!

Sou mãe de anjo.

Hoje após 7 meses criei coragem e resolvi falar sobre minha perda aqui pra vocês..tarefa difícil mas quero dividir, preciso!

Bom a 7 meses atrás acontecia no dia 14/09/2017 um turbilhão de sentimentos que mudaram minha vida..

Exatamente neste dia meu maior medo aconteceu..

Meu filho se juntou a Deus!

Bom ele se chamava Bryan Miguel tinha acabado de completar 4 meses no dia 11/09 do mesmo ano!

Eu e meu marido  tínhamos  uma rotina como de qualquer casal,eu tinha voltado a trabalhar  e o Bryan ficava com uma mulher na rua de baixo da minha casa!

Ela cuidava de crianças!

Era remunerada e cadastrada na smed!

Neste dia 14 agente se acordo eu arrumei ele e levei nela,como fazia desde que comecei a trabalhar…la pelas 10 hora no trabalho recebia a ligação dela,dizendo que meu filho não acordava! E que estáva lá o policial e os bombeiros…

Naquele momento eu pensei o Bryan morreu?

Sai correndo não querendo acreditar no que estava acontecendo meu marido que trabalha junto comigo pegou o carro e fomos na casa dela..chegando lá eu só vi os bombeiros indo com ele…que nem um reflexo vi de longe meu bebê a roxado..entao foramoa todos  pro hospital eu ali na angústia pra saber o que tinha acontecido..ninguem falava nada ou respondia eu chorava não acreditava no que estava acontecendo..a mulher chorando dizendo que ele tava bem e do nada começou a  ficar roxo eu sem entender e meu marido dizendo ele se engasgo tenho certeza!

O policial saiu na sala de espera e levou a mulher..meu marido tinha ido buscar os documentos e eu fiquei sozinha lá…entao a médica saiu lá e chamou..naquele momento o pior estava por vir…me arodearam pedindo pra me acalmar perguntando sobre ele se eu queria calmante..mas então eu disse doutora o meu filho morreu?

E aquela pergunta veio com a resposta em sim..me perguntava pq pq o que aconteceu me diz me explica pois ele tava ótimo? Ela bem lá de dentro com um copo de medida com aproximadamente uns 60ml de leite tirado do meu filho!

Sim ele se engasgo com o leite!

Aquilo me tirou o chão,o que eu mais cuidava o que eu mais tinha medo aconteceu..meu filho morto por negligência por descuido…ele Era tão calmo não incomodava não chorava era um príncipe..pensei pq pq não cuidaram dele direito ele era  tudo pra mim e o que era tão simples, fazer arrotar… não fazer por descuido por achar que não vai acontecer..pois é xinguei como xinguei aquela mulher eu desejei as piores coisas a ela mas depois de tudo e depois que a poeira  abaixo pedi perdão pra Deus..pois eu julguei alguém apenas por um ato e os outros?! eu fiquei pensando..ela é mãe também sempre cuidava dele bem ele sempre tava cheiroso,mudado,risonho  sempre feliz dava as mãozinhas pra ir com ela!

então ali naquele momento eu senti meu filho dizendo pra mim acalma mãe não pensa assim você não é assim você não é este tipo de pessoa então deixei nas mãos de Deus .

Eu estava julgando alguém que eu não tinha direito de julgar somente Deus sabe do nosso  hoje e do nosso amanhã hoje tento compreender a vida tento conviver com a dor pois não é fácil peço sabedoria todos os dias pra que eu possa e um dia perdoar e compreender!

Eu quero deixar para as mamães um alerta sobre fazer regurgitar ou fazer arrotar a importância disso..eu não quero que isso aconteça com ninguém,as vezes a gente tá cansada acha vou por de ladinho que ele (a) arrota mas não gente façam arrotar eu perdi meu filho por descuido por “acharem” que nao ia acontecer e por fim aconteceu!

Muito obrigado por abrirem este espaço pra falar da nossa luta!

Relato da mãe Cinthia Micaela

Ser mãe possível de um filho real

Queridos (as) seguidores (as)

Sandra, Mariana, Joana e Giselle – 4 nomes que fazem parte de mais uma linda história de amor contada do nosso livro coletivo ” Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”.  Sandra Maciel é uma das co-autoras deste livro, onde relata como foi e é sua história com a maternidade como mãe de 3 meninas.

“…Vivi nove meses de alegria esperando o grande dia da chegada da minha filha. Com 38 semanas, comecei a sentir as primeiras contrações… O fato é que, quando o médico foi ouvir o coração da bebê… Ele não escutou nada. Não tinha batimento. Aquele coração que batia forte desde as primeiras semanas estava mudo.

…Mariana não sobreviveu a este mundo. Foi embora. Partiu antes de nascer. Tinha perdido minha filha, mas estava grávida, no nono mês de gestação, e precisava tirar a Mariana. Ela não iria nascer, porque já estava morta, eu teria um parto, mas não seria mãe. Ela tinha morrido. O sonho tinha acabado.

…Uma mãe tinha perdido um filho e foi buscar consolo no grande médium brasileiro, Chico Xavier. Ela dizia a ele, inconsolável: “Por que eu? Por que eu?”. E ele, com sua sabedoria, disse para ela: “Por que não você?”. Essa foi a história que sobrou daquele dia: “Por que não eu?”. Se eu não era melhor do que ninguém e as pessoas vivem coisas muito, mas muito mais difíceis e sobrevivem, eu também iria sobreviver. O que me restou com a perda da minha filha? Sobrou minha sanidade, minha saúde e o meu útero.

…Hoje, mais de dez anos depois da partida da Mariana e da chegada da Joana, depois de algumas tentativas de ter outro(a) filho(a), de algumas outras perdas, decidimos adotar um filho. E então, chegou para alegrar nossas vidas outra menina: a Giselle… De fato, existem muitos caminhos para a maternidade. Nesta vida, descobri alguns deles. E posso dizer que valeu muito a pena tentar!”

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Ainda não sei como me sinto!

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Eu tive três perdas, a última foi no dia 27/02/2018, recentemente.

A minha gravidez foi há 4 anos, em novembro de 2014. Não estava esperando, foi uma gravidez inesperada, mas assim que descobri, na segunda semana eu comecei a perder sangue, fui por várias vezes ao hospital, mas os médicos diziam que estava tudo bem e que eu voltasse pra casa. Fiquei por 10 dias com perda de sangue e ida ao hospital todos os dias. Até que uma sexta-feira em casa sozinha, depois de tomar banho, comecei a sentir uma dor muito forte, fui pra casa da vizinha que era no mesmo quintal e alí eu senti a maior dor que eu pensei em sentir. A dor física de perder um bebê. Eu não aguentava levantar e me joguei no chão de dor, a minha vizinha começou a pedir ajuda e a filha dela veio me ajudar a ir ao hospital. De repente aquela dor passou, como se tirasse com a mão. Alí eu percebi que meu bebê não estava mais dentro de mim. Fui para o hospital e lá recebi da forma mais seca todo o procedimento que seria feito. Eu estava sozinha, nunca tinha engravidado, nunca tinha perdido, meu esposo não podia passar a noite comigo e ainda tive que ficar no corredor na frente de outras mães que estava ganhando seus bebezinhos. Esse dia foi um trauma, eu só queria ir embora pra minha casa.

Quando fui pra casa, eu não queria falar sobre isso, eu não queria que me perguntassem, eu não queria ver mães e nem crianças. Eu queria esquecer que aquele processo tinha acontecido comigo.

Depois de 5 meses, eu tentei engravidar novamente, eu queria provar pra mim que eu tinha como ser mãe, que eu era capaz! Engravidei em Junho de 2015, mas dessa vez eu não tive tempo nem mesmo de fazer ultrassom. Eu comecei a perder sangue e alí mesmo nada se formou e não foi necessário nenhum procedimento médico.

4 anos se passaram, nesse meio tempo, logo que perdi pela segunda vez, meu esposo descobriu que tinha uma doença rara, um tipo de câncer que nem mesmo os médicos sabiam  o que era direito, ficamos 2 anos nessa luta e eu esqueci a minha dor, porque naquele momento a dor do meu esposo e da família era maior. Graças a Deus, a doença é rara e benigna, ele fez quimioterapia, teve recaída, mas se levantou.

Dia 02/02/2018, fui ao hospital com ele para mais uma consulta de rotina e alí ja tinha percebido que minha menstruação estava atrasada, mas não queria fazer o teste. Meu esposo insistiu e então eu fiz. Uma grande e linda noticia, era positivo! Ficamos tão felizes, mas tão felizes, queríamos contar pra todo mundo e riamos e ao mesmo tempo queríamos esperar mais pra contar. Contamos para a família e todos ficaram tão felizes, até nomes já pensávamos. Estava tudo bem, sem sangramento, só muitos enjoos, mas era normal, era os sintomas que toda grávida tem e como eu estava feliz, porque estava tudo seguindo o ritmo, todos os sintomas. Fomos a primeira consulta de pré-natal e a médica me indicou a outro médico de risco já pra ficarmos tranquilos, passou remédios para os enjoos porque eu ja tinha perdido peso e vitaminas. Pediu os exames necessários. Tudo parecia perfeito! Vou ser mãe!

Então na primeira ultrassom no dia 27/02 descobri que meu bebê tão esperado, não estava dentro do saco gestacional, ele não tinha se formado, eu já estava de 8 semanas e 6 dias, ele tinha que aparecer, mas não estava lá.

Fomos pra casa e meu marido pedia que eu tivesse calma, que esperasse pra fazer outra mais pra frente. Mas eu ja tinha passado por isso e sabia qual teria de ser os próximos passos. Fomos ao hospital, mais exames e veio a noticia de que só tinha formado o saco gestacional.

Até agora, eu não sei como me sinto, não sei se tenho direito de sofrer já que o bebê não tinha se formado, mas existe uma dor tão funda e ao mesmo tempo é como se eu estivesse vazia, não tivesse nada dentro de mim, dentro do meu coração. Eu passei pelos mesmo procedimentos, curetagem, internação na frente da sala de parto. Mas desta vez, como se não bastasse a dor física, eles não fizeram a limpeza corretamente e eu tive que fazer a cureta de novo e passei novamente por toda a dor e tristeza. Na frente das mãezinhas, eu não chorava, porque eu não queria que elas ficassem tristes em um momento de tanta felicidade.

Eu já procurei uma psicóloga e estamos na fila para fertilidade .

Obrigada por lerem minha história.

Deus abençoe vocês sempre!!

Relato enviado pela mãe Sandra

Um anjo com o nome de Luiza!

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É difícil. Quase impossível! Levantar, respirar, reviver.

Ninguém pensa na morte, ou melhor, ninguém está preparado para ela! Ainda mais na gravidez, que é um momento de nascimento, de um filho e de uma Mãe. Muito menos nós.
No meu caso, perdi minha filha antes mesmo de nascer, porém, foi ali que me vi nascendo como uma Mãe, coisa que eu nem sequer imaginava ser.

Aos que me perguntaram ou ao menos se perguntaram o que houve: nós também não sabemos! Não sei nem se descobriremos o porquê, para que. Sem causa definida, sem horário, sem muitas explicações. Os batimentos cardíacos da nossa pequena Luíza pararam! E por um pequeno sangramento, sem dores, sem batidas, sem quedas nem nada, fui ao hospital e ali, nosso sonho acabou e começamos a viver uma realidade que virou nosso maior pesadelo.

Como eu e meu marido queríamos desde o início, embora induzido, comecei a sentir as dores das contrações, foram mais de 12 horas de sofrimento e o maior deles, não era o físico. No sábado, dia 24 de março de 2018, tive o parto normal, que tanto esperamos – só não esperávamos que seria nessa infeliz situação – e ali conhecemos nossa Luíza. Linda! Com a boca mais cor de rosa que já vi, formato igual ao que víamos nas imagens dos exames ultrassonográficos, igualzinha a boca do Pai! O nariz era meu. Não vi a orelha que disseram ser amassadinha como a minha e não vi também os dedos que eram cumpridos como os do Diego também. Enfim, naquele parto onde somente o meu choro se ouvia, nasceu, embora sem vida terrena, nosso maior amor. E logo se foi fisicamente, mas nos deixou tudo de mais lindo. E a saudade do que nem chegamos a viver juntas.

Eu estou bem fisicamente! Já tive alta horas após o parto e logo vim pra casa. Sei que muitos ficaram preocupados em relação a isso.
Sei que nossa dor foi compartilhada por muitos. Sei que todas as mães sofreram junto comigo, sei que também pariram comigo! Sei que os que nos amam, choraram conosco. Sei que acompanhavam nossa tão esperada chegada da Luíza, que acompanhavam os posts, as roupinhas, os ultra-sons, que esperavam vê-la cheia de catioríneos em volta. Eu sei! Deus, eu e o Diego, sabemos o quanto ela foi amada por cada canto, por pessoas que não tem tanto contato conosco mas mesmo assim nos desejam o melhor. Nós sabemos e ela também soube. Ela foi extremamente amada e esperada por todos! Principalmente por Deus.

Eu não sabia muito sobre a gestação em si e como seria criar um filho. Estava loucamente preocupada e todos que me encontravam na rua e me perguntavam, viam minha cara de medo. Eu pensava que não teria instinto. Estava cansada, corpo exausto e ainda me falavam “calma, que depois só piora”. E eu não sabia o quão pior seria!
Reclamei dos enjoos e das dores no pé, nas costas… hoje, preferia meus pés calejados, inchados, preferia não conseguir andar por dor nas costas, do que viver essa dor que vivo.
Meu corpo está sangrando e mais ainda a minha alma!
Minha barriga está tão vazia, tão murcha e mesmo assim não se compara com o vazio do meu coração.
Pelos meus olhos, escorrem lágrimas de dor e no meu peito, as pontadas de tristeza são infinitamente maiores e mais doloridas do que as que sentia em meus calcanhares.

Eu não sabia o que era ser Mãe, até saber. Até viver. Até sofrer dessa forma.
Tiraram de dentro de mim, a minha parte mais linda e mais pura, a minha melhor parte. E eu nunca poderei viver com ela, apenas com a saudade.

Eu sei! Eu sei que vai passar. Eu sei que era um anjo. Eu sei que foi Deus quem quis assim e talvez eu nunca saiba ou entenda o propósito disso, mas aceito. Nesse momento, só preciso reaprender a viver, pois mesmo sem perceber, eu já vivia em função da minha pequena Luíza e como seria cada detalhe da sua chegada. Meus medos já eram por ela, e agora não sei mais o que fazer. Só preciso viver esse luto que nunca passou pela minha cabeça. É como se eu tivesse percorrido quilômetros em uma corrida, com feridas nos pés, dores, rasgos, com um super peso, tivesse escalado muralhas e agora, cruzei a linha de chegada. Em primeiro lugar. Porém, sem troféu. Sem medalha alguma. Sem ninguém assistindo. Eu sofri, eu pari e hoje não tenho minha filha no meu colo. Não tenho quem amamentar. Não tenho o que alimentar. Não tenho, por enquanto, sonhos e com o que sonhar. Apenas reaprender a viver. Apenas respirar.

Vou viver meu luto. Mas vou me reerguer!
Agradeço imensamente o carinho e amor de todos. Foram diversas mensagens de apoio e conforto de todos os lados. Agradeço ao meu marido Diego, que é minha força desde o início de tudo e quem não saiu do meu lado em nenhum segundo sequer. Minha Mãe, irmã, toda minha família e isso inclui a família Santos também! Meus amigos, que nos visitaram ou mandaram mensagens de amor. Aos que estavam longe, que também estiveram presente! Aos que não tem muito contato, mas mesmo assim fizeram questão de enviar seus sentimentos. Aos que oraram e zelaram por ela e por nós: meu eterno agradecimento.

Relato enviado pela mãe Mariana De Rosa

 

“A dor vai passar, o vazio não sei, mas o amor… nunca!”

mãe de anjo

Até para começar a escrever esse relato é difícil… Faltam palavras…
Sempre sonhei com a maternidade, e sempre fui apaixonada por crianças. Estou com meu marido há 9 anos e desde maio/2016 decidimos tentar engravidar. Desde essa data a ansiedade tomou conta de mim. Minha menstruação sempre foi desregular, o que dificultava um pouco as coisas. A cada atraso era uma ansiedade enorme: “será que dessa vez foi?”. Mas era sempre uma decepção. Até que depois de 1 ano e meio de tentativas, fui a minha ginecologista, para ver se tinha algum problema para engravidar.
À princípio, ela me pediu os exames ginecológicos rotineiros, nada específico. E que voltasse com os resultados. Marquei os exames para 1 mês depois. Nesse tempo, conversei com meu marido e “desencanamos” de engravidar. Não seria o momento propício, pois nossos empregos estavam instáveis. Então, desencanei, relaxei, e não pensei mais no assunto gravidez…
Mas, uma semana antes dos exames, comecei a sentir sintomas típicos da TPM: dores nos seios, dor de cabeça, pequenas cólicas… Mas não associei a uma possível gravidez. Como minha menstruação estava atrasada (o que era normal pra mim), achei que estava tudo normal e, logo menstruaria.
Um dia antes do exame, resolvi fazer um teste de farmácia, apenas para que, caso as enfermeiras que fossem fazer os exames, não suspeitassem de gravidez. E para minha surpresa, os dois tão sonhados tracinhos, apareceram lindos e fortes naquele palitinho.
Eu não podia acreditar! Chorava e ria. Ria e chorava.
Ali tudo mudou! Tudo fez sentido!
Estava no trabalho e pedi ao meu marido que fosse me buscar mais tarde. Contei pra ele dentro do carro, com um sorriso de orelha a orelha. Ficamos os dois, rindo à toa.
Não consegui dormir aquela noite. Planejei meus próximos 10 anos na cabeça, como se tivesse o controle de alguma coisa…
No dia seguinte cedinho tinha os exames (Papanicolau, Transvaginal, os básicos). Avisei da suspeita de gravidez, e já fiz o Beta HCG primeiro, que só conseguiria pegar o resultado à tarde.
Fiz os outros exames e por último, fiz o Transvaginal, onde ouvi do médico: “Parabéns, já dá para ver o saco gestacional… Eu arrisco a dizer que vc está com 5 semanas…”, e me mostrou a tela, onde só vi um ponto… Mas era o meu pontinho!
Eu estava MESMO grávida!

Saí radiante da sala… Liguei para a minha médica, marcamos consulta para o dia seguinte. Fui, e ela me passou MUITAS informações sobre o decorrer da gravidez, e entre elas que seria normal sair uma “borrinha de café” na calcinha. O que já estava acontecendo comigo. Era bem pouco, bem escuro. Tudo normal, segundo a médica, mas já me receitou um remedinho para ajudar nisso tbm.
Sai do consultório processando a quantidade de informações que havia recebido da médica. Era mta coisa e tudo mto novo para mim. Mas estava amando tudo aquilo. Toda aquela mudança!
Passamos o dia com a família, contamos para os mais próximas, uma festa!
No dia seguinte, fui trabalhar, e a “borra de café” continuava lá. Aquilo me preocupava, mas resolvi não pensar mto. Era “normal”.
Durante a manhã, a quantidade de “borra” foi aumentando. Já não era só na calcinha, era na hora do xixi tbm. Fiquei preocupada, mas ela continuava marrom. Era “normal”.
Na parte da tarde fui ao banheiro novamente, e a cor havia mudado para vermelho sangue. Me desesperei.
Liguei para a médica, que me orientou a ir imediatamente para o hospital, e assim fiz.
Chegando na maternidade, um novo Beta HCG e um ultrassom. O Beta demoraria 1 hora e meia para ficar pronto. Nesse tempo, fui fazer o ultrassom. A essa altura eu só chorava, pois a “borra” já tinha virado um sangramento mais intenso. Mas a médica do ultrassom me tranquilizou dizendo: “tá tudo bem mamãe, o saco gestacional está aqui, sem sinal de sangramento…”
Eu não entendia aquilo, se estava tudo bem, pq eu estava sangrando… Mas ela insistia em dizer que estava tudo bem.
Ok, se estava tudo bem, me tranquilizei um pouco. Realmente estava mais aliviada. Esperei o resultado do Beta, para retornar com a médica que me atendeu primeiro.
Retornamos, ela olhou direto para o resultado do Beta e me olhou com cara de decepção. Disse que eu estava em um abortamento mesmo.
Mas como assim??? Não estava tudo bem com o ultrassom??? A confusão na minha cabeça só aumentava. E aí, ela me explicou que o Beta teria que ter dobrado, com relação ao meu primeiro. Ou seja, no primeiro exame, o Beta apontou uma referência de 2.400, o novo exame teria que ter dobrado, mas diminuiu pela metade, indo para 1.200.
Ela me explicou mais termos técnicos e outras coisas, mas eu não ouvia mais nada! A palavra aborto ecoava na minha cabeça…
Ela pediu mais alguns exames, para saber se haveria a necessidade de uma curetagem ou não. Felizmente não precisei. Ela me pediu pra ir pra casa e esperar. Simplesmente esperar meu corpo expulsar o “corpo estranho” dentro de mim (palavras da médica)!
Ela me explicou muita coisa, mas não lembro de mais nada. Eu não tinha chão, eu não sentia o chão.
Foi a sensação mais louca da minha vida.

 

Fui para casa, extremamente desolada. O sangramento só aumentava. E por volta das 22h, uma cólica muito forte tomou conta de mim. Fui ao banheiro, fiquei sentada, com muita dor. Até que meu corpo realmente expulsou o saco gestacional sozinho. Não vou entrar em detalhes de como aconteceu mas, voltei ao hospital, mais exames. E realmente o saco gestacional havia saído, naturalmente. 
A médica de plantão era outra, que foi muito mais atenciosa.

Pela contagem da minha última menstruação, eu estaria de 6 semanas e meia. Pelo ultrassom, eu estava com 4 semana. O embrião não desenvolveu, segundo a médica. Teve mais explicações, mas não me lembro. Não queria ouvir nada daquilo. Queria correr. Queria ter meu bebê na minha barriga. Queria passar por todas as fases da gestação. Mas eu só sentia um vazio!
Um ventre vazio.

Um colo vazio.

Um coração vazio.
Eu me sentia vazia.
Não tem outra palavra para definir, só essa: vazio!

Um sonho escapando pelas minhas mãos.
A coisa mais estranha e mais dolorosa que já senti.

 

Foi pouquíssimo tempo!
Pude “curtir” minha tão sonhada gravidez por 4 dias. Só 4 dias!
Descobri numa segunda-feira e perdi meu bebê na quinta.

Mas como foram intensos esses 4 dias.
Tudo que eu lia, sobre se sentir mãe desde o momento de ver os “dois pauzinhos” era verdade. Naquele momento eu já era mãe e já sentia um amor louco.
Não ouvi seu coraçãozinho bater, o que eu queria muito, mas eu me sentia mãe.
Eu entendi que foi melhor assim. Entendi que “não era pra ser”. Entendi que tudo tem o momento certo.
Não me revoltei. Continuo acreditando que Deus tem um proposito para cada um.
Mas a dor continua aqui.
Isso tudo aconteceu em Agosto/2017.
A data possível do parto seria agora, no dia 11 de abril de 2018. Essa semana.
Mas ninguém se lembra disso, só eu.
Ninguém toca no assunto, para não me deixar triste, eu sei.
Ou porque é “normal” perder um bebê logo no início de uma gravidez.
Ou porque eu estou sofrendo por “alguém” que nem se formou.
Enfim, virou assunto proibido aqui em casa. Ninguém fala disso.
Mas a minha dor continua aqui, e é uma dor imensurável. O vazio continua. Está chegando a data do parto, e eu não tenho meu bebê na minha barriga.

Tenho apenas a dor e o vazio.

 

Precisamos falar disso, e precisamos viver nosso luto! Independentemente da idade gestacional ou neonatal.
E por fim, queridas mamães que estão passando por isso, estamos juntas. Vai passar!

Relato enviado pela mãe Sibely

Quando desperta a vida

Renata Ghisleni de Oliveira escreveu um lindo depoimento sobre sua história de perda, mas também de muito amor pelo seu filho Caio. Trechos deste depoimento estão abaixo e o texto completo é parte do nosso livro coletivo ” Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”.  No seu depoimento, Renata fala como Caio a ensinou e a seu marido a darem um sentido a momentos de sofrimento, como o vivido quando o Caio partiu, 26 dias após nascer, prematuro de 23 semanas.

“…Ao completarmos 23 semanas de gestação, num domingo, a tranquilidade deu espaço para a preocupação, com um inesperado sangramento que rapidamente evoluiu para um trabalho de parto…

…Por ter nascido tão bem, Caio foi colocado nos braços da mãe e, apesar de não conseguir abrir os olhos ainda, devido à sua idade gestacional, ele passou a procurá-la com sua pequena mãozinha. Ali, mãe e filho se viram pela primeira vez com o coração. A ligação forte foi registrada em fotos – o momento em que Caio segurou com firmeza o dedo de sua mãe. É uma imagem que diz tantas coisas!

…Caio nos lançou na vivência da espiritualidade, no exercício da fé que não está ligada a uma religião específica, mas na crença de uma força divina que rege nossas vidas. Passamos a acolher os acontecimentos da vida como possibilidades que nos são oferecidas para crescermos, para aprendermos e sermos melhores.

…Na dimensão da espiritualidade, aprendemos que não existem acasos, coincidências, castigo ou punição. Existe possibilidade de crescimento, de escolhermos entre a escuridão e a luz. E é o caminho da luz que temos escolhido para nossas vidas, por nós, por todos e, especialmente, pelo nosso filho Caio.

…Não nutrimos sentimentos de pena, raiva ou culpa, pois aprendemos que a dor de não termos nosso filho fisicamente já é imensa, e buscamos não agregar outras dores à nossa caminhada. Miguel costuma dizer uma frase que repetimos muitas vezes: “Essa é a nossa
história e temos muito orgulho dela”.”

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