Não nasceu de mim, mas nasceu para mim!

whatsapp-image-2016-11-19-at-00-31-50Bem, vamos a minha história…. ❤

Mas antes de começar a relatá-la, gostaria apenas de adaptar a frase que está escrita na imagem que escolhi para ilustrar.

“Ser mãe e ser pai é toda pessoa que tem o coração permanentemente grávido de amor.”

Agora sim, rsrsrs!

Meus pais se casaram e depois de um tempinho começaram a tentar engravidar e não conseguiram, fizeram diversos exames, nos quais ambos seriam aptos a ter uma gravidez de forma natural, afinal não tinham nenhum problema detectado…
Mas durante 15 anos ficaram na tentativa de engravidar e simplesmente não conseguiam, e não tinham resposta para não conseguir, todos os exames de investigação tinham sido realizados, os dois tinham tudo para engravidar mas não engravidavam…
Até que a ginecologista da minha mãe, conversou com ela e disse que ela poderia optar por duas saídas, uma seria a fertilização e a outra seria a adoção…. Porém na década de 90 a ciência não lidava com fetos que tinham alguma anomalia, e minha mãe não queria correr o risco de precisar passar pelo aborto, ela queria o filho da forma que Deus mandasse, independente da criança ser fisicamente e mentalmente “perfeita” ou não…
Então, ela e meu pai preferiram recorrer a adoção ao invés da fertilização…
E foi assim que tudo começou a acontecer, meus pais entraram em lista de espera nos orfanatos, porém, como a adoção é burocraticamente complicada, eles esperam, esperaram, mas o retorno do tão sonhado filho(a) não chegava… E minha mãe começou a ficar muito abalada emocionalmente, ela sempre relatou que quando estava passeando ou resolvendo coisas do dia a dia, por onde ela passava procurava pra ver se alguma criança tinha sido abandonada na rua, e vendo que isso não estava legal, e que o sofrimento já estava se tornando insuportável, ela decidiu não ficar mais procurando e resolveu voltar aos estudos para que assim, mais adiante ingressasse na faculdade de Direito.

Até que finalmente eu cheguei para eles no dia 30/12/1992, véspera de ano novo!
Assim que minha mãe me pegou no colo pela primeira vez, eu, uma bebezinha de apenas 25 dias, abri um sorriso para ela! E foi ali que nosso encontro aconteceu e minha história com os meus pais começou…

Eu fui um bebê arco íris, cheguei depois de uma tempestade que precisou durar 15 anos, mas que se não tivesse durado isso tudo, eu não teria sido o arco íris deles!

Às vezes não entendemos o que nos acontece, não temos respostas imediatas mas precisamos procurar acalmar nossos pensamentos para que assim possamos elaborar nossas emoções!

E quando eu tinha 13 anos, minha mãe teve o primeiro infarto…
E fez um cateterismo para descobrir o porquê ela tinha infartado, e nesse exame, descobriram que ela tinha um problema congênito no coração, que foi formado de uma forma não comum a da anatomia humana… O normal em todas as pessoas é a veia do coração passar por fora, e ela tinha uma que passava por dentro do coração, ou seja, quando pressionada essa veia através de alguma emoção forte, ou esforço físico poderia causar um infarto… E foi nesse momento que a resposta chegou, se eu tivesse nascido dos meus pais, minha mãe teria morrido no parto… Porque o coração dela não iria suportar tamanho esforço durante a gestação e durante o parto…
Infelizmente ela veio a falecer em dezembro de 2013, aos meus 21 anos, de infarto fulminante!

Mas veja como é a vida, né… Surpreendente! ❤

Mãe de três!

15046268_1162257083854972_1320396800_nEu sempre achei que seria mãe de menino. Sempre! Quando eu fazia aquelas brincadeiras do colar quando era criança(balançando pra frente e pra trás é menino, se rodar menina) sempre aparecia pra mim 3 filhos: uma menina, depois menino, depois menina de novo. Quando eu engravidei a primeira vez com 17 pra 18 anos eu disse pra todos que era um menino, mas a minha intuição se confundiu com a minha vontade. Assim eu recebi meu 1°amor, minha filha Giovana. Aí veio a faculdade, o trabalho, a casa própria, o carro, o amadurecimento e os planos para outro filho(a) foram ficando cada dia mais esquecidos… Até que em abril de 2014 eu tive um sonho. Estava eu um campo enorme, muito florido, muito calmo, parecia um Céu, e um senhor vinha falar comigo. Ele dizia: “Tem um filho esperando por você. Ele é seu. Mas manda dizer que ele tem uma alma gêmea e que se você permitir que ele venha ela virá junto”. E eu respondia: ” Mas eu não quero ficar com 3 filhos, só quero 2 e eu já tenho uma filha, então eu posso escolher só o menino ou só a menina?” E ele disse: “Não! O filho é ele, mas ela vem junto com ele”. E eu acordei bastante impressionada. Pensei que se engravidasse seria um casal de gêmeos. No ano seguinte, em julho de 2015 eu e meu marido começamos a cogitar a idéia de aumentar a família e na mesma semana em que parei o remédio eu engravidei. Foi a maior alegria da minha vida, já que a gravidez da Giovana não havia sido planejada. Dessa vez seria tudo diferente! A notícia foi comemorada e festejada. No mês seguinte me encaminhei pra minha primeira ultra, eu estava com 8 semanas de gestação e muito apreensiva, contando que iria ver na tela 2 bebês. Quando o exame começou o médico me disse: “É um único embrião e ele não possui batimento cardíaco. É um aborto retido. Sinto muito”. A maior alegria da minha vida foi também minha maior tristeza. Como isso estava acontecendo? Deus, logo comigo?! Eu ainda carreguei aquele bebê morto 15 dias na minha barriga até fazer a curetagem, e decidi que outro filho nem tão cedo… Eu estava dilacerada e não queria que o próximo filho(a) “carregasse” minha culpa, meus medos, meus anseios, minha angústia, minha desesperança…. Mas eu nem respirei. Terminei meus exames, e grávida de novo no mês posterior. Mas já? Que aflição, quanto desespero. Deus me deu uma nova vida pra cuidar e amar. Eu até costumava dizer que eu engravidei de gêmeos sim, só que eles vieram com 1 mês de diferença. E os sonhos voltaram. Eu sonhava com menino, ora sonhava com menina, 4 ultras já realizadas e nada desse bebê mostrar o que era. Até que finalmente com 24 semanas….Surpresa!!!! É outra menina. Eu teria mais uma mocinha na minha vida. Eu e minha família já estávamos ansiosamente aguardando a chegada de Isadora. Algum tempo se passou e eu fui ao Centro da Cidade naqueles ônibus de viagem, a bateria do meu celular descarregou e resolvi tirar um cochilinho(coisas de grávida). Lá estou eu dormindo e mais um sonho chegou. Eu estava naquele mesmo campo e um menino lindo, apesar de não me lembrar bem de suas expressões, com asinhas de anjo corria na minha direção. Ele não falava, apenas sorria, mas uma voz vinha na minha cabeça: “Mamãe, eu precisava ser amado. Mas ela precisava nascer. Cuida dela”. Eu acordei com lágrimas nos olhos. O meu filho é um anjo e ele sabe que foi amado, que eu vou amá-lo eternamente. Um dia ainda quero carregá-lo no colo e brincar com meu menino nesse campo florido…
Eu moro no RJ e essa semana fez muito calor por aqui. Fui até a varanda do apartamento tentar pegar um ventinho com a Isadora que estava um pouco irritada. Ela atualmente está com 3 meses de vida. Após 5 minutos começou a chover bem forte, mas só do lado direito do Céu. Do lado esquerdo fazia sol e um arco-iris apareceu. Foi então que comecei a contar um pouquinho dessa história pra ela. Disse que ela tinha um irmão que era seu anjo da guarda, sua alma gêmea, e que ele foi muito amado. E ela representava pra mim aquele arco-iris no Céu. Aquele que não apaga a dor da tempestade, mas vem pra nos mostrar que a vida continua bela. Nesse momento ela sorriu, deu um pulinho no meu colo e eu tive a certeza que ela entendeu tudo que eu expliquei a ela.
Segundo a psicanalista Françoise Dolto, ao falar com os bebês eles apresentam alterações sintomáticas mostrando que sabem falar e que compreendem nossa linguagem. Portanto precisamos contar a eles suas histórias de vida, e várias vezes, assim a criança vai compreendendo aquilo que é explicado.
E vocês, conversam com seus bebês?

“O livro fez eu perceber que não estou sozinha nessa caminhada e que há esperança.”


Nosso livro “Histórias de Amor na Perda Gestacional e Neonatal” já fez e ainda fhttps://forms.gle/QSCcgbTCfNiRTZdcAaz a diferença na vida de muitos pais que passaram pela perda.
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Valentina: a menina flor

Meu relato de parto começou dia 24.01.17 quando descobri pela primeira vez que uma listinha clarinha podia significar que eu já não andava sozinha, naquele dia depois de confirmar com o segundo exame que eu estava grávida, eu chorei como criança, tinha medo, muito medo, de tudo, de não dar conta, do que teria que abrir mão, do desconhecido e mesmo que esse desejo andasse comigo já a bastante tempo e por alguns anos ele foi protelado, ali estava o nosso positivo! A partir dali nunca imaginei o que nos aguardava pela frente, só posso adiantar que foi amor à primeira vista (ou melhor a primeira descoberta, porque a partir daquele dia já amava, antes mesmo de sentir as famosas borboletas no estômago).

Busquei todo conhecimento que pude, e logo nos primeiros meses achei meu anjo da guarda e que também disse que pra eu ter um parto normal que era meu desejo eu teria que lutar e claro, andar na linha já que eu tenho diabete e que por isso já era considerada uma gestação de risco (que na verdade é uma gestação onde vc precisa ter mais cuidados em relação a alimentação, exercícios, tempo de gestação e ter uma endocrinologista toda semana de olho em você, ou melhor, mas suas glicemias entre outras coisas que precisam de mais cuidados), me acostumei as idas ao médico toda semana e a prestação de contas (glicemia) no papel sendo chegada.

Tivemos vários planos de como contar pra família, conseguimos segurar até as 8 semanas se não me engano e através de uma cartinha contamos que nosso amor havia multiplicado e todos emocionados já se perguntavam quem estava vindo por aí, se seria uma menininha pra ter mais lacinhos na família do Marcelo ou se seria um menino. Depois de alguns meses descobrimos que viria uma princesa e o nome dela já estava escolhido, seria a nossa Valentina que a mamãe já sonhava antes mesmo de chegar.

Aos poucos fomos descobrindo que junto com ela chegaria várias amiguinhas, prima e primos e assim tinha muita gente pra compartilhar todas as descobertas, teve chá de fralda com várias barrigas e muita comemoração. Compras de vestidinhos, lacinhos e muitos mais muitos sapatinhos.

A mamãe como prendada que é, desenhou o projeto do quarto e começou sua montagem junto com o papai… e no dia 17 de setembro no dia que eles compraram o colchão que faltava no quarto, sinto como se tivesse feito xixi e meu short fica todo molhado eu paro, arregalo o olho para o Marcelo e digo: “Acho que chegou a hora!” ele se assustou, mas vimos que era somente um sinal que estava próximo já que não saia mais líquido, saímos da loja voltamos pra casa e deixamos tudo pronto, colocamos nossas coisas no carro e fomos para roda de gestante que estava marcada para aquele dia e no início da noite após avaliação já nos despedindo da nossa amada enfermeira Taiza lá no estacionamento a bolsa estourou de verdade, ela avaliou novamente e eu já estava com 3cm , como era primeiro parto mandou voltar pra casa tomar um banho quente, jantar e depois nos encontraríamos no hospital logo mais.

Mais tarde já no hospital após cardiotoco fui internada e ali ficamos em trabalho de parto a madrugada toda, briguei com a dor, dormi entre uma contração e outra (achei que isso não acontecia, mas acredite que vc descansa e muito nesse intervalo de 5 minutos), rebolei, agachei, me arrependi de querer parto normal e me empoderei novamente até chegar na tão sonhada hora de descer para sala de parto ali já estava com 8 centímetros de dilatação (já era aquela hora que não queria conversar tanto, só que tudo acabasse) e depois de  poucas horas e já quase no expulsivo um grande susto chegou, a médica já não escutava o batimento da nossa princesa, eu não entendi direito só lembro de escutar da médica falar comigo: “a Valentina precisa nascer agora, vamos lá!” E lá se foi mais 1 ou 2 forças e ela nasceu, na minha cabeça eu até escutei um choro mas depois eu entendi que ele jamais existiu.

Depois que ela nasceu, ela foi direto pra equipe pediátrica ali do meu lado, ali tudo parecia cena de filme (se eu parar eu vejo essa cena, aqui agora), e vi vários cuidados, chamei ela, peguei nela, clamei por ela, pedi um milagre por ela, fiz tudo que podia por ela, estaria no lugar dela, não sei o que mais pensei naquele momento, o tempo parou e eu só pensava que era um grande pesadelo e que eu só queria que ali acontecesse um milagre. Nos juntamos eu, Marcelo e a equipe e rezamos e choramos acreditando que ela voltaria, mas depois de longos minutos ela já não estava mais ali, já não havia mais nada a se fazer …. a sala que estava cheia já não estava mais, lembro de não ter mais forças, de não acreditar… de deixar a médica e enfermeira cuidar de mim, de ver meu pequeno raio de sol ali do nosso lado e não poder fazer mais nada. O cordão da Valentina se rompeu alguns minutos antes dela nascer, por isso a falta de batimento quando a médica fez a última escuta, infelizmente é uma fatalidade que não tem como saber que acontece antes do parto, é uma emergência de parto onde quando acontece um corte geralmente tem uma hemorragia e o bebê muitas vezes sobrevive dependendo do tempo que isso acontece ou quando tem o rompimento (corte) que no caso é fatal já que ele não respiram sem o cordão. Isso tudo é com as minhas palavras e de acordo com o único estudo que achei, já que todo os médicos que eu conheço e os conhecidos nunca passaram por isso e nem conhecia algo assim (só a médica auxiliar que disse que já tinha visto isso em um plantão aqui mesmo em Brasília e que infelizmente teve o mesmo fim).  – arquivo que fala examente de rompimento de cordão – https://www.dovemed.com/diseases-conditions/rupture-umbilical-cord/ 

Lembro do melhor momento de poder pegar minha Valentina no colo, do cheirinho dela, do rostinho, testinha cheia de cabelinho e carinha de mamãe com um pedacinho do papai e ali fizemos nossa despedida e graças ao nosso anjo da guarda tivemos o nosso primeiro e último registro. A Taiza com toda sua sutileza me perguntou se eu queria segurar, se queria alguma foto para eu ver depois e assim foi feito e não tenho palavras para agradecer por isso, acho que fez muito diferença no depois.

Lembro de dizer que estava cansada de lutar e várias coisas que disse sobre mim e também das palavras de gratidão que também disse pra minha médica pra equipe que nos acompanhou até ali. Do cuidado em que tiveram em me colocar longe da ala da maternidade, do carinho das enfermeiras do hospital no meu cuidado na recuperação e até de alguns olhos marejados quando foram falar comigo, daquela moça que tentou desviar de todos os carrinhos de mães voltando pro quarto com seus bebês chorando na maca e que ainda assim nos deparamos com uma mãe subindo com seu tesouro, ali já me mostrava como seria depois de sair da maternidade, seria impossível fugir de todos os bebês, precisaria aprender a viver sem ela do meu lado.

O vazio do quarto era grande, porque sonhávamos em voltar pro quarto com chorinho, com muitos cuidados, mas o que tínhamos ali era vários abraços e colos dos nossos entes queridos que estariam ali para nós levantar e nos apoiar.

Como foi difícil!

O que dizer pra quem chegava, ou o que escutar em um momento tão delicado como esse, a minha experiência nunca será igual a de ninguém e mesmo que se um dia eu vivesse a mesma coisa, tudo seria diferente.

(Cheguei até a pedir desculpas por aquilo, como se de alguma forma eu tivesse culpa… até aprender que o que tínhamos sido escolhido para viver essa história, que a equipe médica e todos que estavam nos acompanhando iriam “aprender” algo com tudo isso)

E assim se passaram 3 dias nos hospital, dias de resguardo e de deixar-nos sermos cuidados sem ter que voltar para casa. Antes disso tínhamos uma despedida, a última despedida.

Era uma dúvida se faríamos ou não sepultamento, se avisaríamos aos amigos ou não. E eu pedi que sim! Avisasse a família e amigos mais próximos…. assim foi marcado para aquela quarta ensolarada. No último dia que dormi no hospital lembro de ter tomado remédio pra dormir pela pela primeira vez e que acordei cedo, mas não quis me levantar, que enrolei no banho, café da manhã e só cheguei a capela já quando estava quase acabando a despedida… lembro do acalento de ver tanta gente querida e do quanto eu me emocionei com cada abraço e da minha despedida ali ainda na capela, da roupinha que escolhi pra ela vir pra casa e que ali estava vestida pra sua despedida com luvinhas bordadas por mim, ela estava serena, dei meu último beijo e fomos cantando uma música que me lembrava minha infância e que meu coração na hora pediu.

Voltamos pra casa, fomos cuidados por algumas horas e depois ficamos ali no nosso cantinho só nós dois, nos fortalecendo e olhando pro quartinho cheiroso a casa inteira cheirava bebê, mas ali era para nós o cantinho da calma. E também o lugar que chorávamos, ou melhor eu chorava e chorei muito, porque o papai se chorava eu quase não via, como os papai se tornam fortes para nós amparar, sem dúvida o Marcelo foi minha fortaleza.

Eu e o Marcelo procuramos ficar sempre unidos e fortalecemos o nosso amor, a nossa amizade e nosso respeito um pelo outro com tudo isso.

Por muito tempo eu sentia o cheirinho dela ao meu lado e isso me deixava forte e às vezes também esse mesmo cheiro me fazia desmoronar. Mas acho que o que mais me fortaleceu foi falar dela, falar do nosso amor por ela, que jamais seria esquecido e que mesmo que outro bebê chegasse ela seria pra sempre a nossa primogênita  a nossa menina, a nossa Valentina.

O quartinho dela ficou intacto por quase 4 meses, todas as vezes que recebemos visitas mostrávamos como ficou e algumas até levaram uma lembrança da nossa pequena que tinha escrito: “se pudesse escolher, seria flor” e depois de algum tempo, senti vontade de guardar as coisas do quarto, tirar os lençóis do berço e a olhar cada coisinha que sonhei e ver ela usando. Juntei todas as fraldas para doar e algumas coisas que tivesse vontade e assim foi feito.

Através da Valentina conheci mães que sonharam com seus bebês e que não tinham a mesma oportunidade que nós e que aquelas fraldas ajudariam e muito, conheci mãe que tinha passado por perda de um bebê é que estava gerando 3 lindas meninas e que nos enchiam de esperança, conheci histórias e me fortaleci e continuei a desejar o tão sonhado positivo, já sabendo que meu corpo estava liberado só precisava saber quando o coração estaria pronto.

Sabíamos que fomos escolhidos por ela pra viver essa linda história de amor, pra ela ser recebida e amada pelo tempo que pode passar conosco e depois disso se tornar a nossa anjinha e estrelinha mais brilhante. Sou grata por poder ter recebido ela com tanto amor e saber ainda mais que através dela pude levar esperança, fé e resiliência para muitas pessoas ao meu redor, algumas que conheço e outras não.

Aqui algumas postagens que fiz  (https://www.instagram.com/p/BZm4wTTh2an/) falando para os amigos que nossa Valentina havia partido, foi a carta mais difícil da minha vida, mas foi nesses post’s que ao escrever também ia me curando, colando pedacinho por pedacinho. 

Alguns post’s:

 1 mes https://www.instagram.com/p/BaZs1WWha0R/ 

2 meses https://www.instagram.com/p/Bbwu-n5n0vh/

Quando completou um ano eu senti a necessidade de mostrar o quanto ela era linda, mostrar como foi o nosso encontro e assim eu fiz a postagem de aniversário do 1º ano https://www.instagram.com/p/Bn4a-XcBErn/ )

No seu segundo aniversário escrevi sobre seu cheiro e da saudade que sentia https://www.instagram.com/p/B2kz8mqjeb0/

Depois eu fiz algumas falando sobre ela e sobre a perda gestacional, me tornei referência das pessoas que me conheciam, troquei muitas mensagens com mães que passaram por algo semelhante, até pessoas de meu convívio social me contaram que já haviam passado por isso que eu jamais imaginaria, a muito tempo atrás era comum uma mulher perder um filho antes ou durante o nascimento e muitas delas não puderam nem viver o luto, se quer viram seus filhos, por isso para que a dor não seja maior do que a vivida, precisamos falar sobre perda gestacional e neoatal. Os nossos filhos viveram para nós seja por algumas semanas ou 9 meses no nosso ventre. É nosso direito chorar, é nosso direito ter na certidão óbito o nome dos nosso filhos e não escrito “natimorto” eles tinham nome, tinham e tem história.

Enviado pela Valcleide, mãe da Valentina.

Nosso livro e você

Queridos (as) seguidores (as)

Como muitos já sabem, em 2015 lançamos a pimeira edição do nosso livro Histórias de Amor na Perda Gestacional e Neonatal. Foi um livro coletivo, escrito a várias mãos e com muitos corações.

Já tivemos 2 outras edições e tiragens do livro em função do retorno positivio que tivemos. E queremos ouvir mais vocêss: saber se tiveram contato com o nosso livro e se ele teve algum impacto na sua história ou na história de alguém que você conheça.

O link abaixo tem algumas pesquisa curta e rápida. Com as respostas, queremos entender o valor e o impacto que o livro teve para os nossos leitores e também queremos expandir ainda mais o alcance e o suporte que esta obra pode dar a famílais que passaram ou estão passando pela perda gestacional e neonatal. Com o seu retorno, conseguiremos isso.

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Se puder respoder a este rápido questionário, ficarmeos muito gratos. Ou você pode deixar também seu retorno nos comentários neste post ou no nosso Instagran, onde o mesmo link estará disponivel na nsosa bio.

Segue também o link para a compra do livro na Amazon:

Um forte e carinhoso abraço

Equiep Do Luto à Luta

Historia do meu anjinho.

Olá! sou Amanda e vim contar do meu luto a luta para que assim como eu fui ajudada pela página, talvez possa ajudar. Depois de 02 anos sem tomar remédios veio o primeiro positivo da minha vida. Que nervoso, mesmo com 31 anos tantos medos surgiram. Com o tempo as coisas foram tomando forma, o primeiro ultrassom, ouvir o coraçãozinho. O Di não pode ir, mas cheguei e contei para ele com uma emoção tão forte. Logo passou mais 1 mês e caminhávamos para o 5° mês, passei na médica e após um longo exame ela me disse para marcar um ultrassom. Cheguei em casa e liguei pro Di contei da dificuldade de ouvir o coração do nosso baby e em menos de 30 minutos ele estava em casa, me levou no hospital e o diagnóstico tão cruel veio, nosso coraçãozinho dentro de mim não batia mais… Passei 05 dias e 21 comprimidos introduzidos para ele se apartar de mim, meu pequeno Sérgio em homenagem ao meu pai e meu sogro. Até hoje não voltei a engravidar, mas sei que sou mãe de um anjo, lá no céu.

Relato enviado pela Amanda, mãe de Sérgio.

Biel, nosso anjinho

A jornada até aqui foi longa e dolorosa demais para dizer que perdemos a batalha. .Os primeiros prognósticos foram superados. Você decidiu contrariar as estatísticas..Durante todos esses meses lutando bravamente, você surpreendeu. Evoluiu..Cada nova ultra, novo exame, demostravam sua perseverança e vontade de viver..Já era possível notar o quão especial você era. Não pelo seu problema, que nem os melhores médicos e exames conseguiram afirmar até aqui. Mas sim pela sua persistência..Passamos juntos por montanhas russas de sentimentos. Medos. Incertezas e mais incertezas. Alegrias nas pequenas conquistas. Esperança. Fé..Depois de 32 semanas e 6 dias juntos como um só, continuávamos planejando nosso futuro com você..Seu quartinho ainda não estava pronto. Você se apresou. E as incertezas nos atrasaram..O quarto da Nanda estava sendo planejado para brincadeiras compartilhadas. Murro de escalada, corda, balanço, desenho. Tudo pensando nos irmãos juntos..Porém, quando você avisou sua chegada, sentimos medo. Talvez prevendo, embora não acreditando, o que poderia acontecer. Ser prematuro só deixaria tudo ainda mais difícil para você..Tentamos adiar o máximo possível seu nascimento. Fizemos procedimentos. Planejávamos outro para essa semana..Sabíamos que enquanto estava aqui dentro, funcionávamos. Meu corpo completava o seu e trabalhávamos como uma máquina perfeita. Um sistema completo..Mas não deu tempo. Você nasceu. E seu sistema não se adaptou para trabalhar sozinho nessas 36h aqui fora..Mas mesmo assim você seguiu lutando. Até o final. Seus olhinhos se abriam e suas perninhas e bracinhos inquietos diziam o porquê de você ter vindo ao mundo..Fomos presenteados por conhecer seu rostinho e acariciar seu corpinho..O abraço, esse realmente não deu tempo. As máquinas que me substituíam atrapalharam..Enfim, muito obrigada por resistir lindamente. E nos ensinar que a vida é um sopro. Temos muito orgulho de você..Que papai do céu te receba e que agora você ilumine e abençoe sua irmã eternamente..Te amamos para sempre. E nosso Biel será sempre parte dessa família. .Sobre a dor. Essa, infelizmente, também permanecerá eternamente. Mas aprenderemos a lidar com ela..Os seios, cheios de leite, estão inchados e doloridos. Os pontos de uma cesária de urgência ainda não secaram. E as cicatrizes ainda estão se formando. Indicativos que nem corpo e nem alma ainda estão preparados para sua partida. Mas ficarão. O tempo cuidará disso.Aos familiares e amigos, nosso muito obrigada. Agradecemos todo o carinho. Sigam seus caminhos..Tentaremos seguir o nosso por aqui também. Com os ensinamentos e lições que você nos deixou..Hoje Biel nos guia com seu amor. Amanhã estará nos guiando também mar a fora..Obrigada filho..

Com amor: mamãe, papai e Nanda

A espera do meu arco-íris

No dia 19 de março de 2019, aniversário do meu marido, me preparava para ir dormir quando fui ao banheiro e vi o cordão umbilical já saindo de mim… Tinha perdido líquido durante o dia, mas como coincidia com meus fortes vômitos, achei que estava apenas fazendo xixi na calça. Chegando ao hospital, o médico, sem tato algum, logo disse que aquela gestação tornara-se inviável e que o “feto” que carregava comigo durante 17 lindas semanas deveria ser “expelido”. Foi muito triste e lembrar dessas palavras ainda faz meu coração doer. Eduardo era seu nome, um filho muito, muito desejado e já muito, muito amado. Três meses após sua partida, perdi um outro bebê… Uma gestação que não se desenvolveu. Jamais esquecerei dos meus dois anjinhos e ainda sonho em dar mais um irmão ao meu filho de 7 anos. Esse é hoje nosso maior desejo, nosso arco-íris.

Mamãe Renatta

Luto

Perder alguém que se ama é sentir o peito abrir sem anestesia, sem incisão aparente, sem cirurgia marcada, sem saber se o tempo vai cicatrizar, porque é desconhecida a origem do ferimento.

O luto saudável deve ser progressivo, vivido vagarosamente. O que se sente parece ser patológico, originário de uma dor aguda imensurável e intensa, que resiste em se transformar.

Quando se perde alguém o chão se abre, descobre o quanto se amou, o quanto deixou de amar, o quanto queria amar. Os sentimentos são colocados todos juntos, o coração acelera, descompassa, arde, pela frágil e impotente percepção da perda.

Sentir e olhar ao redor e não saber o que os outros estão sentindo, medo de não ser compreendido por estar sofrendo uma dor que em palavras não se explica. Mas o choro diz mais linearmente o que por dentro vaza e goteja, com o sentimento eminente vivido.

A intensidade de uma perda é medida pelo relacionamento que se tinha, ou o sentimento não se mede?
Alguém é capaz de mensurar o que o outro sente por dentro? A respeito de algo que nem ele mesmo está apto a compreender?
O tempo passa, mas não passa. Será que passou para o outro esquecer da dor que estou sentindo? Preciso dizer a ele que ainda tenho a mesma ferida, preciso dizer que a dor ainda arde aqui dentro. Mas melhor não dizer, talvez, ele já tenha se curado, e não quero proporcionar mais dor. Porém, quero falar da minha dor, mas não sei se devo.

Luto individual, luto interno, luto coletivo, luto compartilhado, luto com remédio, com nutrição de amor.

Falo de luto, falo porque preciso, porque sinto, porque a cura para a ferida durante o luto parece que não existe, mas sei que remédio em forma de gente existe. Remédio para suprir a dor da perda, de um outro ser que voou, mas que deixou o que recebeu em vida, como fruto para quem fica.

Luto, Tathiane Avila – @amamentacaotathianeavila

Travessia – Do Luto à Luta

Estamos finalizando as postagens de trechos e frases do nosso livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”. Esta será a última publicação com trechos dele.

Daqui pra frente, gostaríamos de ouvir de vocês, leitores do livro, como ele os ajudou e os marcou. Acompanhe nossas postagens pra saber mais sobre isso. Compartilharemos com nossos seguidores seu depoimento.

No post de hoje,uma poesia que está no nosso livro “Histórias de Amor na Perda Gestacional e Neonatal”, escrita pela fundadora do grupo Do Luto à Luta e idealizadora do livro coletivo.


Para ler os textos e relatos completos, adquira o nosso livro ” Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal através do link da loja Amazon abaixo:

O amor que preenche e multiplica

Depois de da chegada do meu grande arco íris, o Dante, era hora do meu coração sossegar e estar feliz por essa família perfeita que enfim renasceu. A perda da Catarina ainda é lembrada sempre e seremos eternamente gratos pelo amor que ela nos ensinou. Mas parecia que algo me cutucava. Ao final de 2018, resolvemos tentar nosso último embrião congelado, de sexo feminino, que esperar desde 2017. Infelizmente, os primeiros betas foram positivos, mas com 3 semanas começou a regredir e o embrião tão esperado não evoluiu. Sofri. Sabia que ali era nossa última tentativa. Mas não podia sequer pensar na tristeza sabendo o Dante já era nosso milagre.Mas Deus não brinca em serviço. Viajamos de férias, era janeiro 2019. E para quem não engravidou naturalmente por 5 anos, associado com trombofilia + reserva ovariana baixa, nunca passou pela minha cabeça que poderia acontecer agora. Sim! Voltei grávida após o primeiro ciclo depois da perda do nosso último embrião e descobri no retorno do médico. Não acreditamos. Meu marido quase desmaiou quando contei naquela noite. Chorei, gritei e ajoelhei agradecida por essa nova oportunidade. Mas de novo, Deus não brinca em serviço. E com 9 semanas, não havia batimento cardíaco. De novo comigo. Porque? 
Sofremos demais. Chorei um dia todo sem parar. Tive que me internar e fazer uma curetagem que mais precisa ter tirado a minha alma. Demoramos alguns dias para sorrir novamente. Decidi voltar a terapia. Olhei firme para o meu marido e, na exaustão de um sentimento único, oramos e agradecemos: já temos o que precisamos. Retornei a médica para ver minha saúde que ainda estava bagunçada de duas gestações seguidas e duas perdas. Ela me ajudou a melhorar minha saúde. E de novo, sem esperarmos, depois de uma viagem novamente, no frio e com muito chocolate, voltei grávida. Demoramos a nos concentrar: era o medo batendo na porta novamente. Não era possível que uma mulher que não engravida a tanto tempo naturalmente, engravide duas vezes no mesmo semestre. Mas, de novo, Deus não brinca em serviço e tinha gente na fila querendo vir e fazer viver uma explosão de amor na nossa família. Era mais um renascer, era a nossa Aurora. Lutamos juntos para ela chegar… desconforto praticamente a gestação toda, arritmia cardíaca, injeções, e um parto emergencial, de 36 semanas e 5 dias, com 3 voltas de cordão umbilical e contrações em meio a uma pandemia. Era 6 de março. Como somos gratos a uma nova oportunidade. Como ela é linda. Como ela nos escolheu. Gratidão ao universo! Só temos arco-iris em casa…

Com amor, Daiana.

Luto não reconhecido

Estamos finalizando as postagens de trechos e frases do nosso livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”. Serão esta e mais uma publicação. Mas a venda do livro continuará ativa pelo link divulgadao abaixo.

No post de hoje, trechos de um texto escrito pelas psicólogas Paula Leverone e Mariana Bayer do Instituto Trilhar.


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