Não nasceu de mim, mas nasceu para mim!

whatsapp-image-2016-11-19-at-00-31-50Bem, vamos a minha história…. ❤

Mas antes de começar a relatá-la, gostaria apenas de adaptar a frase que está escrita na imagem que escolhi para ilustrar.

“Ser mãe e ser pai é toda pessoa que tem o coração permanentemente grávido de amor.”

Agora sim, rsrsrs!

Meus pais se casaram e depois de um tempinho começaram a tentar engravidar e não conseguiram, fizeram diversos exames, nos quais ambos seriam aptos a ter uma gravidez de forma natural, afinal não tinham nenhum problema detectado…
Mas durante 15 anos ficaram na tentativa de engravidar e simplesmente não conseguiam, e não tinham resposta para não conseguir, todos os exames de investigação tinham sido realizados, os dois tinham tudo para engravidar mas não engravidavam…
Até que a ginecologista da minha mãe, conversou com ela e disse que ela poderia optar por duas saídas, uma seria a fertilização e a outra seria a adoção…. Porém na década de 90 a ciência não lidava com fetos que tinham alguma anomalia, e minha mãe não queria correr o risco de precisar passar pelo aborto, ela queria o filho da forma que Deus mandasse, independente da criança ser fisicamente e mentalmente “perfeita” ou não…
Então, ela e meu pai preferiram recorrer a adoção ao invés da fertilização…
E foi assim que tudo começou a acontecer, meus pais entraram em lista de espera nos orfanatos, porém, como a adoção é burocraticamente complicada, eles esperam, esperaram, mas o retorno do tão sonhado filho(a) não chegava… E minha mãe começou a ficar muito abalada emocionalmente, ela sempre relatou que quando estava passeando ou resolvendo coisas do dia a dia, por onde ela passava procurava pra ver se alguma criança tinha sido abandonada na rua, e vendo que isso não estava legal, e que o sofrimento já estava se tornando insuportável, ela decidiu não ficar mais procurando e resolveu voltar aos estudos para que assim, mais adiante ingressasse na faculdade de Direito.

Até que finalmente eu cheguei para eles no dia 30/12/1992, véspera de ano novo!
Assim que minha mãe me pegou no colo pela primeira vez, eu, uma bebezinha de apenas 25 dias, abri um sorriso para ela! E foi ali que nosso encontro aconteceu e minha história com os meus pais começou…

Eu fui um bebê arco íris, cheguei depois de uma tempestade que precisou durar 15 anos, mas que se não tivesse durado isso tudo, eu não teria sido o arco íris deles!

Às vezes não entendemos o que nos acontece, não temos respostas imediatas mas precisamos procurar acalmar nossos pensamentos para que assim possamos elaborar nossas emoções!

E quando eu tinha 13 anos, minha mãe teve o primeiro infarto…
E fez um cateterismo para descobrir o porquê ela tinha infartado, e nesse exame, descobriram que ela tinha um problema congênito no coração, que foi formado de uma forma não comum a da anatomia humana… O normal em todas as pessoas é a veia do coração passar por fora, e ela tinha uma que passava por dentro do coração, ou seja, quando pressionada essa veia através de alguma emoção forte, ou esforço físico poderia causar um infarto… E foi nesse momento que a resposta chegou, se eu tivesse nascido dos meus pais, minha mãe teria morrido no parto… Porque o coração dela não iria suportar tamanho esforço durante a gestação e durante o parto…
Infelizmente ela veio a falecer em dezembro de 2013, aos meus 21 anos, de infarto fulminante!

Mas veja como é a vida, né… Surpreendente! ❤

Mãe de três!

15046268_1162257083854972_1320396800_nEu sempre achei que seria mãe de menino. Sempre! Quando eu fazia aquelas brincadeiras do colar quando era criança(balançando pra frente e pra trás é menino, se rodar menina) sempre aparecia pra mim 3 filhos: uma menina, depois menino, depois menina de novo. Quando eu engravidei a primeira vez com 17 pra 18 anos eu disse pra todos que era um menino, mas a minha intuição se confundiu com a minha vontade. Assim eu recebi meu 1°amor, minha filha Giovana. Aí veio a faculdade, o trabalho, a casa própria, o carro, o amadurecimento e os planos para outro filho(a) foram ficando cada dia mais esquecidos… Até que em abril de 2014 eu tive um sonho. Estava eu um campo enorme, muito florido, muito calmo, parecia um Céu, e um senhor vinha falar comigo. Ele dizia: “Tem um filho esperando por você. Ele é seu. Mas manda dizer que ele tem uma alma gêmea e que se você permitir que ele venha ela virá junto”. E eu respondia: ” Mas eu não quero ficar com 3 filhos, só quero 2 e eu já tenho uma filha, então eu posso escolher só o menino ou só a menina?” E ele disse: “Não! O filho é ele, mas ela vem junto com ele”. E eu acordei bastante impressionada. Pensei que se engravidasse seria um casal de gêmeos. No ano seguinte, em julho de 2015 eu e meu marido começamos a cogitar a idéia de aumentar a família e na mesma semana em que parei o remédio eu engravidei. Foi a maior alegria da minha vida, já que a gravidez da Giovana não havia sido planejada. Dessa vez seria tudo diferente! A notícia foi comemorada e festejada. No mês seguinte me encaminhei pra minha primeira ultra, eu estava com 8 semanas de gestação e muito apreensiva, contando que iria ver na tela 2 bebês. Quando o exame começou o médico me disse: “É um único embrião e ele não possui batimento cardíaco. É um aborto retido. Sinto muito”. A maior alegria da minha vida foi também minha maior tristeza. Como isso estava acontecendo? Deus, logo comigo?! Eu ainda carreguei aquele bebê morto 15 dias na minha barriga até fazer a curetagem, e decidi que outro filho nem tão cedo… Eu estava dilacerada e não queria que o próximo filho(a) “carregasse” minha culpa, meus medos, meus anseios, minha angústia, minha desesperança…. Mas eu nem respirei. Terminei meus exames, e grávida de novo no mês posterior. Mas já? Que aflição, quanto desespero. Deus me deu uma nova vida pra cuidar e amar. Eu até costumava dizer que eu engravidei de gêmeos sim, só que eles vieram com 1 mês de diferença. E os sonhos voltaram. Eu sonhava com menino, ora sonhava com menina, 4 ultras já realizadas e nada desse bebê mostrar o que era. Até que finalmente com 24 semanas….Surpresa!!!! É outra menina. Eu teria mais uma mocinha na minha vida. Eu e minha família já estávamos ansiosamente aguardando a chegada de Isadora. Algum tempo se passou e eu fui ao Centro da Cidade naqueles ônibus de viagem, a bateria do meu celular descarregou e resolvi tirar um cochilinho(coisas de grávida). Lá estou eu dormindo e mais um sonho chegou. Eu estava naquele mesmo campo e um menino lindo, apesar de não me lembrar bem de suas expressões, com asinhas de anjo corria na minha direção. Ele não falava, apenas sorria, mas uma voz vinha na minha cabeça: “Mamãe, eu precisava ser amado. Mas ela precisava nascer. Cuida dela”. Eu acordei com lágrimas nos olhos. O meu filho é um anjo e ele sabe que foi amado, que eu vou amá-lo eternamente. Um dia ainda quero carregá-lo no colo e brincar com meu menino nesse campo florido…
Eu moro no RJ e essa semana fez muito calor por aqui. Fui até a varanda do apartamento tentar pegar um ventinho com a Isadora que estava um pouco irritada. Ela atualmente está com 3 meses de vida. Após 5 minutos começou a chover bem forte, mas só do lado direito do Céu. Do lado esquerdo fazia sol e um arco-iris apareceu. Foi então que comecei a contar um pouquinho dessa história pra ela. Disse que ela tinha um irmão que era seu anjo da guarda, sua alma gêmea, e que ele foi muito amado. E ela representava pra mim aquele arco-iris no Céu. Aquele que não apaga a dor da tempestade, mas vem pra nos mostrar que a vida continua bela. Nesse momento ela sorriu, deu um pulinho no meu colo e eu tive a certeza que ela entendeu tudo que eu expliquei a ela.
Segundo a psicanalista Françoise Dolto, ao falar com os bebês eles apresentam alterações sintomáticas mostrando que sabem falar e que compreendem nossa linguagem. Portanto precisamos contar a eles suas histórias de vida, e várias vezes, assim a criança vai compreendendo aquilo que é explicado.
E vocês, conversam com seus bebês?

Um ano de Lacuna

Queridos (as) seguidores (as)
Hoje trazemos trechos de mais um relato dos mais de 60 presentes num livro que traz diversas histórias de dor e amor de mães, pais e avós que passaram pela perda gestacional ou de um recém-nascido, e também textos de profissionais de saúde que lidam com a morte quando o que era esperado é o nascimento. Um livro emocionante e tocante, que pode ajudar ainda muitas pessoas passando pela mesma perda.
Os relatos e textos completos podem ser lidos no livro, que está a venda nas versões digital e impressa na loja Kindle da Amazon, pelo link abaixo:
Trechos do relato do co-autor do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal” – Daniel Costa Braga, um pai que passou pela perda do seu filho.
“I want to believe!
Em 23 de setembro de 2014, há praticamente um ano, eu perdi meu segundo filho, com quinze semanas de gestação. Na madrugada daquela noite, no hospital, quando finalmente minha esposa conseguiu dormir, me vi sozinho, sentado em uma cadeira de tubos metálicos, totalmente encurralado pela minha dor. Eu precisava dar um sentido para aquilo, achar um conforto em alguma explicação; porém, com uma parte da história eu sabia que não conseguiria lidar. Imediatamente, usei um artifício que já havia utilizado anteriormente na minha vida: apaguei momentaneamente minha memória. Criei uma Lacuna na história e comecei a psicografar um texto que ressignificaria o que aconteceu, trazendo paz para minha alma e esperança para o futuro. O texto, que encaminho ao final deste, foi escrito em um celular, entre as três e cinco horas da manhã do dia 23, naquela mesma cadeira tubular, e foi encaminhado aos amigos e familiares, que deram muito apoio na época.”

Nosso livro na Amazon!

Queridos (as) seguidores (as)

Agora, além da versão digital do nosso livro “Histórias de amor na perda gestacional e neonatal”, a versão impressa também está disponível para venda na Amazon, com entregas para todo o Brasil.

São mais de 60 textos e relatos de mães, pais, avós, profissionais de saúde sobre o tema da perda gestacional e neonatal. São mais de 60 histórias de dor, mas também de muito amor, contadas de forma sensível, tocante e emocionante.

“Este livro foi escrito especialmente para aqueles que se sentem diretamente afetados pela perda gestacional ou neonatal, e desejam se reconhecer na exteriorização dos sentimentos humanos ligados à temática.

Nele, vocês vão encontrar diversos relatos de quem vivenciou esse tipo de drama, com as mais variadas causas, histórias, sentimentos e emoções, como uma espécie de coletânea. Com a intenção de dar visibilidade e voz ao luto destas famílias, tão silencioso e silenciado na nossa cultura, bem como trazer esperança para quem também perdeu o seu filho, pois os depoimentos são de dor do luto, luta e amor!

O livro foi organizado em ordem alfabética pelo nome dos autores dos relatos, podendo ser lido de acordo com a identificação e anseio do leitor. Cada história é única, singular e para aproximar ainda mais o leitor do nosso autor, decidimos vincular uma imagem, foto ou ilustração em cada experiência, transmitindo toda sua beleza, poesia e delicadeza. Optamos por trazer também os relatos de quem acompanha as mulheres e casais que vivenciam a perda de profissionais de saúde, psicólogos, enfermeiros, doulas, dentre outros. Com isso, desejamos apresentar a importância de um atendimento empático, sensível, acolhedor, respeitoso, que preserve e assegure a autonomia e dignidade humanas.
Este livro foi organizado pelas integrantes do projeto Do Luto à Luta: Apoio à perda gestacional e neonatal. São mulheres que vivenciaram tal drama ou são sensíveis à causa: Clarissa Lupi, psicomotricista; Cristina Hodge-Bohm, designer gráfica e ilustradora; Dayana Lima, produtora de projetos sociais e artísticos; Erica Quintans, psicóloga; Flávia Camargo, advogada; Helena Aguiar, psicóloga hospitalar; Juliana Gregório, psicóloga; Larissa Lupi, psicóloga idealizadora e fundadora; Lotte Ten, parteira; e Maíra Fernandes, advogada.
O projeto é sem fins lucrativos e visa oferecer apoio e suporte àqueles que se sentem diretamente afetados e mobilizados pela perda, através dos encontros presenciais mensais em grupo; compartilhamento de relatos nos posts do Facebook, blog, Instagram e iniciativas como a publicação de um livro; campanha fotográfica, audiências públicas, dentre outras ações psicoeducativas e coletivas, com o objetivo de promover uma sensibilização social e melhorar a assistência prestada nesses casos.
Desejamos genuinamente, com a publicação deste material, servir de inspiração para quem está imerso na dor do luto, mostrando caminhos possíveis de ressignificação, de busca pelo sentido, motivados pelo anseio de perpetuar o amor pelos filhos perdidos. Por fim, pretendemos chamar atenção para a importância da existência de material sobre o tema, pois a partir das emoções deflagradas e dos relatos sensíveis de quem atende essas famílias, torna-se evidente a necessidade de um maior cuidado com a perda gestacional e neonatal.”
Introdução do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal” escrita por Angela Maria Rocha

Adquira já seu exemplar pelo link abaixo.

 

 

 

Pra sempre meu Bento

Dia 22-07-17 mais ou menos as 14:20 eu senti a maior dor física e emocional de toda a minha vida. Eu não havia me preparado pra aquele momento, não pra que ele fosse como foi. O baque estrondoso de toda a situação veio acontecer de verdade na madrugada do dia 23-07-17 quando olhava pela janela e via o céu chorar em cima do Recife. Não questionei Deus, não perguntei “porque eu?”. Sabia o que estava me acontecendo antes mesmo do diagnósticos dos médicos e entendi pela segunda vez o que minha mãe sempre me falou “mãe sente, mãe sabe das coisas” e que saber? Sabe mesmo, assim como tive certeza que estava grávida no começo, eu sabia o que estava acontecendo.
Entrei em trabalho de parto na sexta-feira, dia 21 de julho de 2017, porém as dores eram bastantes sutis e achei no início que era apenas meus músculos se adaptando para melhor acomodar meu filho. Durante a madrugada as dores se intensificaram e percebi que havia algo de estranho, logo meu cérebro avisou, tô em trabalho de parto. Chamei minha mãe e falei pra ela o que estava sentindo e ela como eu no início acho que era apenas os músculos. Tentei voltar a dormir porém não consegui, o fato de achar que era trabalho de parto gritava em minha mente. Chamei minha mãe e decidi ir ao hospital de madrugada mesmo. Estava em trabalho de parto e com 4 cm de dilatação e a bolsa ja estava em grande parte na vagina.  Então rezei a Deus, a Nossa Senhora e a minha vózinha para que recebesse  de volta meu anjo.
A única coisa que me doí é o fato de não  ter o segurado nenhuma vez, isso me dilacera, me doi de tal forma que não consigo explicar. Planejei como contaria aos familiares e amigos o sexo do meu bebê, estávamos todos bastante ansiosos para descoberta. Minha intuição falhou aí, em todos os sonhos que tinha sempre via uma menina, mais na realidade carregava um menino. Bento, abençoado, louvado, minha maior benção.
Bento veio e passou pouco tempo comigo, apenas 19 semanas e 7 dias exatamente. Me ensinou tanto, me fez sentir tanta coisa, me mudou de um jeito que nada nem ninguém no mundo foi capaz. E agora meu coração tem um imenso vazio e ao mesmo tempo é preenchido por tão imensurável amor. Vazio por ele se foi, e preenchido por que ele existiu. Em meio a toda dor, física e emocional ele estava comigo e eu com ele. Como em despedida ele me deu de presente suas mexida,  mais do que todas desde que comecei a senti-lo. E Bento se foi, precocemente, deixando em mim sonhos inacabados, planos que não vão acontecer.
Porém sei que agora no céu além da proteção imensa de meu Deus e Nossa Senhora, tenho meu anjinho mais especial cuidando sempre de mim. Deus não dá uma fardo maior do que possamos carregar. E a dor ta sempre aqui, dia após dia. Doendo da alma até os nervos, e nada no mundo pode cicatrizar essa ferida.
“Bento meu filho, você foi e é a coisa mais linda da minha vida. Você veio pra colorir meu mundo cinza, você me preencheu e me transbordou de amor. Você sempre estará comigo, gravado em meu coração. Um dia nos encontraremos e eu poderei te segurar e acalentar em meus braços. Com amor de sua mãe”
Bento passou pouco tempo em minha barriga, mas ficou gravado pra sempre em meu coração e em minha alma.
Relato da mãe Mariana Estevam

Gostaria de compartilhar este relato como forma de superação…

almofada-melhor-escutar-familia-em-tirasMe chamo Natália, tenho 32 anos e estou atravessando um momento extremamente doloroso. Hoje fazem 20 dias que descobri que um sonho tão lindo e tão desejado acabou de forma tão repentina.
Dia 12 de junho, antes mesmo de constatar o atraso menstrual, eu sabia que estava grávida! Já sentia que o momento havia chegado e com ele um vendaval de expectativas e alegrias! Pois bem, contei para o meu esposo, família, amigos, trabalho e até no Facebook! Tinha que compartilhar essa alegria! Me dei o prazer de receber todas as energias boas que uma notícia de vida garante!
Marquei consulta de pré natal, fiz todos os exames e tudo bem! Ansiosa pela hora que constataria o amor que crescia em mim, a ecografia! O médico solicitou que fosse realizada com 8 semanas, onde é possível ouvir o coração que é o primeiro indicativo do que eles chamam de gravidez viável. Ecografia marcada  (14/7/2017) fui com meu esposo, não dava para disfarçar a ansiedade e a expectativa do momento! Me despedi dos colegas de trabalho dizendo: gente se eu não vier na segunda é porque estarei em choque por descobrir 2 bebês! Ainda não sabia que de fato não apareceria na segunda…
No momento da eco, o médico desconfiado perguntou se eu tinha certeza da data da minha última menstruação, seguramente disse que sim, que estava no acompanhando os ciclos super certinho! Neste momento, começa o pesadelo! Ele me disse que pelo exame, o embrião estava com tamanho de 6 semanas e sem batimentos ao invés de 8 semamas e que tanto poderia estar diante de uma gravidez não viável como de uma ovulação tardia e sugeriu que a eco fosse refeita em 7 dias, onde obrigatoriamente deveria haver batimentos… fiquei extremamente confusa, refiz de todas a formas os cálculos, mas ainda havia esperança!
No dia seguinte voltamos para o consultório e meu médico me acalmou, ele disse que estava tudo em perfeita ordem para uma gestação de 6 semanas, embrião, saco gestacional, vesícula vitelinea… mas não descartou a necessidade de confirmarmos se estava mesmo tudo bem! Disse que seria repetida a eco com 7 semanas e alguns dias, e para que eu me acalmasse, faríamos um BHCG de controle, onde os resultados poderiam ser interpretados da seguinte forma: 1 se os níveis de hormônio estivessem na quantidade para o tempo gestacional e aumentassem no controle, poderia FICAR TRANQUILA;  2 se a quantidade de hormônios diminuísse, confirmaria o diagnóstico de GESTAÇÃO NÃO VIÁVEL- Aborto retido (sem sintomas).
Mais uma vez ansiedade e esperança! Fiz o primeiro exame no sábado dia 15/7, 32 mil! Na segunda dia 17/7, cheguei ao hospital, fui direto no laboratório! Enquanto aguardávamos o resultado (que demoraria 1h40min), eu e meu esposo ainda fazíamos planos para o Bebê que ainda esperávamos… após o tempo entrei no consultório, meu médico olhou o primeiro exame e disse que estava tudo ok com a quantidade, mas o segundo exame ainda não aparecia para ele no sistema! Confiante, pediu que eu não me preocupasse, fosse para o trabalho e apenas mandasse para ele o resultado do segundo exame  (parecia ter certeza que estava a tudo certo mesmo)! Saímos do hospital, e de minuto em minuto eu e meu esposo tentavámos buscar o resultado pelo celular!
Sei que pouco tempo depois, já a caminho do trabalho, confirmei o único resultado que a gente não queria… tinha reduzido mais de 2mil! O sentimento? Um vazio, parecia que via um filme sem áudio! Meu esposo retornou o carro e voltamos para o hospital, para saber o que seria da gente a partir dali! O médico super entristecido confirmou o diagnóstico devastador! E assumiu ali o protocolo para Aborto Retido! Perguntou se eu estava de jejum, pois o procedimento de curetagem necessitava disso, por causa da anestesia… Como não estava, foi marcado para a quarta feira seguinte…
Eu, continuei como se estivesse em um filme, de terror, sem som, por longos minutos fiquei pensando que estava desengravidando e como seria vivenciar esse momento tão ruim… família, amigos, eu mesma (ainda me sentia grávida)sei lá!
Saibam que ali apenas se confirmou o sofrimento… Na quarta, eu cheguei ao hospital, para fazer o procedimento, chamado AMIU (aspiração manual intra uterina) e concordo com alguns artigos que eu li sobre as pessoas e profissionais que não são preparados para lidar com esse tipo de evento, onde percebi que não havia nenhuma empatia pelo que estava me acontecendo ali! Resumindo, adormeci, não senti dor e acordei em uma sala de recuperação. Neste momento, a ficha não caiu, ela explodiu na minha mente, se havia esperança, sobriedade ou a confusão que fosse, tudo parou e foi inundado por um vazio, um sentimento de fracasso, impotência e perda que não dá para medir! Ali ao meu lado, estava um casal que tinham acabado de receber sua filha linda e saudável nos braços, eu não conseguia olhar para eles, tinha medo de ver a felicidade… só chorava e pensava em sair dali o mais rápido possível!
Tive alta no mesmo dia, e vim para casa me recuperar! Hoje me sinto fisicamente em perfeita ordem, emocionalmente como um vaso que se quebrou e foi colado, os cacos unidos graças ao amor da minha família e amigos, principalmente do meu esposo, que tenho consciência que ele teve que disfarçar por vezes sua dor para amparar a minha! O que dizer agora? Que estou literalmente juntando os cacos, onde para alguns pode parecer dramático e desmedido, já que na vida tudo se impõe uma medida. Por exemplo, quando me perguntam se estou bem… (clássica e perfeitamente compreensível, já que as pessoas as vezes não sabem o que dizer, eu também não saberia) eu penso que sim, já que há coisas tão piores quanto essa perda que são passíveis de enfrentamento por qualquer um! Avalio (medindo) o seguinte, todos que eu amo, inclusive eu, estão com saúde e força para seguir? Sim, então estou bem!
Não tem como sair dessa situação da mesma maneira que se entra, pelo amor que senti em mim e das pessoas, pelas expectativas que foram criadas, pela intensidade dos sentimentos incrivelmente bons e os potencialmente devastadores. Ainda choro, quando penso no ocorrido, mas acredito que isso faz parte do processo de recuperação emocional… ainda não consegui olhar as imagens da eco, vi só o laudo, tenho medo da tristeza, mais sei que vai passar!
Para o futuro, espero em Deus, que sabe a hora certa para todas as coisas, ainda que nossa mente não consiga entender! Se tentarei de novo? (Outra pergunta daquelas!) Sim, mas agora com um outro sentimento, o medo, que farei o possível para que ele não me atormente!
Para você que leu até aqui, obrigada! Fiquemos em paz com Deus! Amém!
Relato da mã Natalia Oliveira

Depoimento sobre a perda de um filho!

img-20161201-wa0004Em maio do ano de 2016 procuramos um especialista de infertilidade, pois estávamos tentando engravidar há mais de 2 anos e nada. Nessa consulta, foram solicitados vários exames e diagnosticada uma endometriose. Com  o tratamento indicado, passei por uma laparoscopia para que pudesse ser feita a limpeza dessa endometriose. Para nossa surpresa, em agosto no meu primeiro ciclo mestrual depois da cirurgia la estava nosso positivo. Ficamos tão felizes, pois nosso sonho estava a caminho.
Infelizmente com 4 semanas tive meu primeiro aborto, não foi preciso passar por cirurgia, pois meu organismo eliminou o embrião que segundo os médicos tinha má formação. Mas como assim meu organismo eliminou aquilo que mais desejavamos? Mil coisas se passaram pela minha cabeça desde incapacidade a não era a hora certa.
Seguindo orientações médicas, no seu próximo ciclo já pode engravidar. Não dei muita importância para isso, pois algo me dizia que não iria dar certo mesmo e mais uma vez para minha surpresa em novembro menstruação atrasada, seios doloridos e um teste de farmácia onde aparecia duas listrinhas rosas – meu Deus chegou meu positivo!
Fizemos tudo certinho, consultas com obstetra exames e mais exames. Tudo ia perfeitamente bem com o nosso pacotinho de amor, até que chegamos a 20 semana e algo começou a sair dos planos. Uma hipertensão apareceu do nada e de forma avassaladora foi levando nosso sonho embora. Os dias iam passando e eu já não sentia meu filho, meu Heitor, mexer. Como assim eu não podia fazer nada, ninguém podia fazer nada ? Fizemos de tudo, repouso absoluto, dieta severa e rigida medicação e controle como eu fiz esse controle.
Mas no dia 11 de maio de 2017, tivemos a pior noticia que pais podem ter. Vamos ter que tirar esse bebê daí hoje, para salvar a sua vida! Não, eu queria meu filho, não acreditava que aquele pesadelo estava acontecendo com a gente. Queria ficar em uma bolha esperando tudo aquilo passar. Faltavam apenas 4 meses, passa tão rápido. Mas às 22:30 minutos chegava ao mundo o amor da minha vida. Nunca imaginei um amor tão grande assim. Mas não conheci meu menininho nesse dia, tive que ser sedada para evitar complicações. Foram 3 longos dias de visitas a UTIneo onde meu pequeno herói fazia a maior força para sobreviver, tinha apenas 28 semanas e eu o conhecia há apenas 3 dias e morreria por ele.
Não pudemos fazer nada, não seguramos nosso Heitor com vida, não trocamos sua primeira fralda, não demos o seu primeiro banho, nem tão pouco amamentei meu menininho. A tão absurda noticia chegou que ele não havia resistido…. Meu Deus não! Porque ele se foi, como vou seguir em frente agora?? Porque meu Deus, o Senhor me deu ele e agora o levou de volta sem termos tempo de nos despedir, sem termos tempo de dizer o quanto ele era amado, o quanto foi planejado e esperado?!
Perder um filho em qualquer fase da vida é uma dor surreal, que destrói, corrói a alma de uma maneira que você nunca mais é a mesma pessoa. Infelizmente eu e meu marido passamos por essa dor 2 vezes. Há quase 4 meses, nosso mundo parou, nossa vida parou estamos sobrevivendo essa dor que é a perda de um filho.
Os depoimentos que leio nessa página tem me ajudado muito a seguir em frente, agradeço do fundo do meu coração
Esta foi uma sintese dolorosa dessa parte da minha vida.
Abraços
Jackeline Antonio

Carta para o Dan….

Meu amor…

Há 1 ano mamãe achava que estava vivendo o momento mais difícil da vida dela, a dor mais dilacerante, o momento em que questionamos Deus e falamos que não é justo passar por tamanha provação. Doeu. Muito. Doi. Muito. Todos os dias. Mas hoje, apesar da dor e do choro, enxergo a maior lição de amor que você me deixou.

Nossa despedida, se é que tivemos uma, não começou no derradeiro dia 25 de julho… Mas no dia 24. Naquele final de semana você cansou a mamãe. Cansou porque dali uma semana faríamos o nosso Chá de Bebê, e confesso (e seu papai disso isso: “Um barrigão daquele andando no Alecrim…..”) foi cansativo procurar cada detalhe. Mas foi deliciosamente cansativo. Um cansaço de alegria e ansiedade. De vontade de te ver chegando logo.

Você sabe que mamãe não lida bem com perdas, não gosto. E te perder? E pior, saber que estava te perdendo? Nunca! Isso eu não aguentaria! Te sentir indo embora? Me despedir aos pouquinhos? Eu enlouqueceria! E ninguém conheceu a mamãe como você. Por 33 semanas e 4 dias fomos um so. Somente você sabia meus medos, minhas ansiedades. E eu te conhecia em detalhes antes de qualquer um. E você sabia tanto, me amava tanto, que cuidou direitinho de mim. Invertemos os papéis. Você cuidou de mim! Se despediu de todos ao longo do dia sem que soubéssemos. Às 21h30 mandou a mamãe para a cama, num cansaço absurdo, num sono poucas vezes visto… Brincamos ali pela última vez! Nos despedimos. Demos “Boa noite”… para o que imaginava ser apenas mais uma noite!

Às 5h do dia 25 de julho, quando pela primeira vez nos últimos 4 meses acordei “depois de você”, me senti sem chão. Uma dor no peito, uma falta de ar. Mas não era físico. Era na alma. Acordei e te procurei. Onde você estava? Ainda dormia? Tentei te acordar: caminhadas, água, comida… Nada! Eu já sabia! Uma mãe sempre sabe. Você tinha ido embora!

No hospital, exames, ultras…aquele silêncio… Sem batimentos. Óbito fetal. Nosso choro ecoava naqueles corredores. Médicos, enfermeiras e técnicas se olhavam…e nos olhavam.. Ali era lugar de vida. Eles deveriam, mas não sabiam lidar com a morte.

Passamos mais 4 horas e meia juntos. Não me lembro como. Para mim, foram minutos. Tanta gente ali. Tanto carinho e amor, alternados pela perplexidade com o que havia acontecido.

Apesar de tudo, eu sabia que viveríamos mais algumas provações. Uma sala de parto, uma gestante e o silêncio.  Um quarto, um pós operatório de uma cesárea e o silêncio. Sair daquele hospital sem você nos braços, sabendo que você havia saído em um caixãozinho branco. Isso eu esperei. Esperei o primeiro dia dos pais, das mães, das crianças, natal, meu aniversário, seu, do papai….. Mas descobri, na marra, o quanto o mundo é cruel.

Você tinha/tem nome. Mas na sua certidão tive que aceitar um frio “Natimorto”. Você existiu e existe, mas uma simples declaração sócio – econômica reduz a “Filhos? Sim? Nao? Idade?”

As provações são diárias. Ainda evito lugares, pessoas, ainda leio textos, ainda tenho pesadelos, ainda me desespero, ainda busco entender, ainda tenho vontade de fugir quando me perguntam por você…. Ainda não aprendi a ser eu sem você.

E acho que esse “Ainda” será para sempre meu companheiro, porque perder um filho é, de verdade, perder uma parte de você. E ninguém se refaz disso. Se aprende a conviver, mas a lembrança sempre estará ali: Viva. Porque ali existiu e existe amor. E você, meu amor maior do mundo, me deu a maior de todas as lições de amor: Você, meu filho, cuidou de nós até o último segundo, foi nosso herói, se despediu sem que soubéssemos. Isso é amor. Amor de mãe/pai/filho.

À Deus, por quem tanto roguei ao longo desses 365 dias, peço forças nos momentos de desespero, eles se tornaram parte de mim,  me derrubaram e me levantaram ao longo desse primeiro ano.

À você, meu filho, sonhamos todos os dias com o dia em que vamos nos conhecer!

Te amamos! Pra sempre!

Mamãe e Papai

Relato enviado pela mãe Mayara Acipreste

Meu Príncipe virou un Anjo

Meu nome é Carolina, tenho 19 anos, e hoje eu vim contar a minha história.

Tudo começou nas festas de final do ano de 2014/2015. Estava passando fim de ano com meu esposo, na época ainda meu namorado, e no dia 01 de janeiro de 2015 era pra minha menstruação ter vindo, e não veio… Era um sinal e já ficamos meio assim, mas não nos apavoramos. E os dias iam passando e nada da minha menstruação vir. Se passaram 17 dias e a gente na agonia. Quando no dia 21 de janeiro resolvi ir num posto de saúde fazer o teste de gravidez… E foi quando recebi a noticia da enfermeira que estava GRÁVIDA!

Naquele momento, foi um choque pra mim, eu tinha acabado de completar 17 anos, e ele ia fazer 19 anos, e nós tínhamos um pouco de medo da nossa família, como eles iriam reagir, enfim… Cheguei em casa, mandei mensagem para o meu esposo, dizendo que estava grávida. Claro, foi um choque pra ele também, mas até que levamos bem a noticia.

No dia seguinte, já iniciei meu pré-natal, estava com 7 semanas e 1 dia de gravidez, e a partir dali eu comecei a sentir os enjoos, que por sinal muito pouco, aquele sono infinito que a gestante sente, e fui levando a minha gravidez, que ainda era escondida, só eu e meu esposo sabíamos.

E quando eu estava com 3 meses, contamos para a nossa família, graças a Deus todos eles reagiram bem. Claro, vem aquele pequeno sermão, rs rs, mas nos deram muito apoio!
E aí parei de fazer o pré-natal no SUS e comecei a passar no plano de saúde, e o médico com quem fiz meu pré-natal me passou a primeira Ultrassom… Eu ia ver o meu pequeno pela primeira vez, ouvir seu coraçãozinho pela primeira vez. Estava com 17 semanas e 3 dias, e estávamos doidos para saber se viria um Arthur ou uma Alice, e o médico me disse que viria um menininho lindo. Naquele momento, fiquei tão feliz que acabei paralisando… Todos diziam que seria uma menina, mas sempre senti que eu carregava um menino lindo dentro de mim!

Foi uma gravidez muito tranquila, fazia o pré-natal certinho, tomava as vitaminas, eu era uma mãe muito preocupada, perguntava tudinho pro médico e tirava todas as minhas dúvidas. E aí foram se passando os meses, a barriga foi crescendo… E MUITO! Os chutes nas costelas, na barriga, as ondas na barriga de quando ele mexia, tudo aquilo me encantava, e a cada mexida dele, me fazia sorrir… E a todo momento, imaginava na hora meu parto, quando pegaria ele em meus braços, e ouvir o seu choro, e aproveitar cada momento. E foi o que eu fiz enquanto ele estava dentro de mim, aproveitei cada momento, cada segundo que ele esteve comigo!

No dia 07 de junho de 2015, fiz outra ultrassom, meu Arthur tava bem gordinho, tava com 960 gramas, e estava melhor do que nunca. O médico disse que estava tudo bem com o meu filho, e aquilo me deixava MUITO tranquila, tranquila em saber que meu filho estava bem, e que em pouco mais de 3 meses, teria ele em meus braços!

No final do mês de junho, eu viajei para casa do meu marido, na época meu namorado ainda… Ele morava em São Paulo, e eu na Baixada Santista, em Itanhaém. Ele não pode acompanhar a minha gestação de perto, devido á distancia, e também porque ele estava sem trabalho, mais sempre nos falamos por WhatsApp, e um ligava para o outro, enfim… Viajei para a casa dele, e tava tudo bem, o Arthur ouvia a voz do Pai e já começava a dançar na minha barriga, era tão lindo! E ai voltei para casa para fazer o chá de bebê, fiz o meu chá, tirei muitas fotos para sempre guardar aquele dia lindo comigo, e me diverti muito, foi um dia especial pra mim. E ai voltei para São Paulo para passar o resto das minhas férias escolares, porque na época eu ainda estudava, e fiquei até o dia 26 de julho. Nesse dia eu voltaria pra cidade onde eu morava, porque no outro dia eu tinha uma consulta de pré-natal, e fui no banheiro antes de sair, e vi que tinha algo estranho… Começou a sair de dentro de mim um corrimento amarronzado, e então falei pro meu marido e na hora fomos pesquisar na internet, e estava dizendo que era sinal de que queria nascer, mas até então não nos assustamos, porque eu não estava sentindo dor alguma, e o Arthur mexia muito.

No dia 27 de julho, fui passar na minha consulta, e nunca imaginei que seria a pior consulta da minha vida! Disse para o médico que estava saindo esse tal corrimento, e ele me disse que ainda tava cedo para ele nascer, porque eu estava com 33 semanas e 5 dias de gestação, e então ele foi me examinar… Não estava com dilatação nenhuma, ele fez exame de toque e nada. E então ele foi ouvir os batimentos do Arthur… Naquele momento eu só queria que Deus protegesse o meu filho, e que estivesse tudo bem, mas não estava. O médico não achava os batimentos dele, e naquele momento eu me desesperei, e pedi pra ele que salvasse meu filho de qualquer coisa. Na hora ele já pediu uma ultrassom de urgência, e eu estava desesperada, e a enfermeira tentando me acalmar, mais eu só iria me acalmar quando o médico dissesse que estava tudo bem com o Arthur. E aí fui para sala de ultrassom, e o médico estava muito quieto, e foi quando eu perguntei se estava tudo bem com o meu filho, e ai ele me disse que o meu médico me diria o que estava acontecendo… E ali eu tive a certeza que as coisas não estavam bem!

E naquele momento, depois que eu sai da sala de ultrassom, o meu marido me ligou pra saber se estava tudo bem, e eu disse que o médico não tinha achado os batimentos dele, e que tinha feito uma ultrassom de urgência, e eu senti a angustia que ele ficou só pelo tom da voz dele, e ai ele me disse para mim passar com o médico para ver o que ele diria, e então eu entrei no consultório… E foi ali que eu recebi a pior noticia da minha vida, que o meu filho tão amado por mim e pelo meu marido, não estava mais com a gente, e o médico queria entender o que realmente tinha acontecido, porque ele também ficou muito surpreso, e na hora ele já me encaminhou para a maternidade, para poder fazer uma cesárea. Meu marido me ligou quando sai do consultório, e dei a pior noticia da nossa vida, e ali o desespero tomou conta dele, a gente chorava muito, não sabíamos o que tinha acontecido, foi um choque muito grande.

Depois que eu dei a noticia pro meu marido, liguei para o meu avô ir me buscar e contei o que tinha acontecido, meu avô trabalhava perto da clinica em que eu fazia meu pré-natal, e na hora ele saiu da loja dele e foi me buscar… Fui para casa para arrumar minhas coisas, o que era pra ser o dia mais feliz da minha vida, se tornou o pior! Eu estava indo pra maternidade em Santos, e meu marido indo de São Paulo pra Santos pra nos encontrarmos lá. Chegando lá na maternidade, passei com outro ginecologista, e ele me disse que eu não poderia fazer uma cesária, não naquela situação, porque eu poderia contrair uma infecção pós-parto, e que teriam que induzir o parto normal. Às 16:30 hrs da tarde, os médicos colocaram o remédio para eu começar a entrar em trabalho de parto. Às 17:00 hrs eu comecei a sentir as primeiras contrações. Fiquei em trabalho de parto 5 horas e 15 minutos, e eu estava sentindo muita dor, e as enfermeiras fizeram exame de toque em mim e eu estava com 4 dedos de dilatação já, e uns 10 minutos depois, as 23:00 hrs daquele mesmo dia, a minha bolsa rompeu. E ai começou a correria de ir pro centro cirúrgico para o meu parto acontecer…

Chegando no centro cirúrgico, o médico e as enfermeiras já estavam lá, e ai me mudaram de uma maca para outra, e foi quando o médico começou a me dizer o que eu deveria fazer. E seguindo o que o médico me dizia, as 23:15 hrs meu Arthur nasceu, ele nasceu com 1,030 kg… Que vazio que eu senti, aquele silencio tão grande, sem ouvir o choro dele, eu só ouvia o meu choro e o meu desespero, e pedindo que meu filho voltasse, mas não era possível. Eu estava tão abalada que acabei dizendo ao médico que não queria vê-lo, a minha dor era tão grande que na hora eu optei em não ver ele, mas me arrependo muito!

Eu me recuperei bem do parto, não precisei levar pontos, pois meu Pequeno nasceu pequeno.

Eu agradeço todo apoio que recebi, especialmente o apoio do marido Allan, que esteve comigo a todo tempo, não me deixou 1 minuto se quer sozinha, esteve ali comigo o tempo inteiro, ele é o melhor homem do mundo!

Ainda não tivemos outro filho, vamos esperar o tempo de Deus, e a hora certa para termos outro filho. Vai fazer 2 anos, agora dia 27 de julho, que meu Principe virou um Anjo, e com a força que Deus nos deu conseguimos nos recuperar, mas sentimos muita falta do nosso filho.

Arthur, saiba que a Mamãe e o Papai te ama mais que tudo na nossa vida, você é o Nosso Anjo que nos guia! Eu te amo meu filho! ❤

Relato da mãe Carolina Lopes