Não nasceu de mim, mas nasceu para mim!

whatsapp-image-2016-11-19-at-00-31-50Bem, vamos a minha história…. ❤

Mas antes de começar a relatá-la, gostaria apenas de adaptar a frase que está escrita na imagem que escolhi para ilustrar.

“Ser mãe e ser pai é toda pessoa que tem o coração permanentemente grávido de amor.”

Agora sim, rsrsrs!

Meus pais se casaram e depois de um tempinho começaram a tentar engravidar e não conseguiram, fizeram diversos exames, nos quais ambos seriam aptos a ter uma gravidez de forma natural, afinal não tinham nenhum problema detectado…
Mas durante 15 anos ficaram na tentativa de engravidar e simplesmente não conseguiam, e não tinham resposta para não conseguir, todos os exames de investigação tinham sido realizados, os dois tinham tudo para engravidar mas não engravidavam…
Até que a ginecologista da minha mãe, conversou com ela e disse que ela poderia optar por duas saídas, uma seria a fertilização e a outra seria a adoção…. Porém na década de 90 a ciência não lidava com fetos que tinham alguma anomalia, e minha mãe não queria correr o risco de precisar passar pelo aborto, ela queria o filho da forma que Deus mandasse, independente da criança ser fisicamente e mentalmente “perfeita” ou não…
Então, ela e meu pai preferiram recorrer a adoção ao invés da fertilização…
E foi assim que tudo começou a acontecer, meus pais entraram em lista de espera nos orfanatos, porém, como a adoção é burocraticamente complicada, eles esperam, esperaram, mas o retorno do tão sonhado filho(a) não chegava… E minha mãe começou a ficar muito abalada emocionalmente, ela sempre relatou que quando estava passeando ou resolvendo coisas do dia a dia, por onde ela passava procurava pra ver se alguma criança tinha sido abandonada na rua, e vendo que isso não estava legal, e que o sofrimento já estava se tornando insuportável, ela decidiu não ficar mais procurando e resolveu voltar aos estudos para que assim, mais adiante ingressasse na faculdade de Direito.

Até que finalmente eu cheguei para eles no dia 30/12/1992, véspera de ano novo!
Assim que minha mãe me pegou no colo pela primeira vez, eu, uma bebezinha de apenas 25 dias, abri um sorriso para ela! E foi ali que nosso encontro aconteceu e minha história com os meus pais começou…

Eu fui um bebê arco íris, cheguei depois de uma tempestade que precisou durar 15 anos, mas que se não tivesse durado isso tudo, eu não teria sido o arco íris deles!

Às vezes não entendemos o que nos acontece, não temos respostas imediatas mas precisamos procurar acalmar nossos pensamentos para que assim possamos elaborar nossas emoções!

E quando eu tinha 13 anos, minha mãe teve o primeiro infarto…
E fez um cateterismo para descobrir o porquê ela tinha infartado, e nesse exame, descobriram que ela tinha um problema congênito no coração, que foi formado de uma forma não comum a da anatomia humana… O normal em todas as pessoas é a veia do coração passar por fora, e ela tinha uma que passava por dentro do coração, ou seja, quando pressionada essa veia através de alguma emoção forte, ou esforço físico poderia causar um infarto… E foi nesse momento que a resposta chegou, se eu tivesse nascido dos meus pais, minha mãe teria morrido no parto… Porque o coração dela não iria suportar tamanho esforço durante a gestação e durante o parto…
Infelizmente ela veio a falecer em dezembro de 2013, aos meus 21 anos, de infarto fulminante!

Mas veja como é a vida, né… Surpreendente! ❤

Mãe de três!

15046268_1162257083854972_1320396800_nEu sempre achei que seria mãe de menino. Sempre! Quando eu fazia aquelas brincadeiras do colar quando era criança(balançando pra frente e pra trás é menino, se rodar menina) sempre aparecia pra mim 3 filhos: uma menina, depois menino, depois menina de novo. Quando eu engravidei a primeira vez com 17 pra 18 anos eu disse pra todos que era um menino, mas a minha intuição se confundiu com a minha vontade. Assim eu recebi meu 1°amor, minha filha Giovana. Aí veio a faculdade, o trabalho, a casa própria, o carro, o amadurecimento e os planos para outro filho(a) foram ficando cada dia mais esquecidos… Até que em abril de 2014 eu tive um sonho. Estava eu um campo enorme, muito florido, muito calmo, parecia um Céu, e um senhor vinha falar comigo. Ele dizia: “Tem um filho esperando por você. Ele é seu. Mas manda dizer que ele tem uma alma gêmea e que se você permitir que ele venha ela virá junto”. E eu respondia: ” Mas eu não quero ficar com 3 filhos, só quero 2 e eu já tenho uma filha, então eu posso escolher só o menino ou só a menina?” E ele disse: “Não! O filho é ele, mas ela vem junto com ele”. E eu acordei bastante impressionada. Pensei que se engravidasse seria um casal de gêmeos. No ano seguinte, em julho de 2015 eu e meu marido começamos a cogitar a idéia de aumentar a família e na mesma semana em que parei o remédio eu engravidei. Foi a maior alegria da minha vida, já que a gravidez da Giovana não havia sido planejada. Dessa vez seria tudo diferente! A notícia foi comemorada e festejada. No mês seguinte me encaminhei pra minha primeira ultra, eu estava com 8 semanas de gestação e muito apreensiva, contando que iria ver na tela 2 bebês. Quando o exame começou o médico me disse: “É um único embrião e ele não possui batimento cardíaco. É um aborto retido. Sinto muito”. A maior alegria da minha vida foi também minha maior tristeza. Como isso estava acontecendo? Deus, logo comigo?! Eu ainda carreguei aquele bebê morto 15 dias na minha barriga até fazer a curetagem, e decidi que outro filho nem tão cedo… Eu estava dilacerada e não queria que o próximo filho(a) “carregasse” minha culpa, meus medos, meus anseios, minha angústia, minha desesperança…. Mas eu nem respirei. Terminei meus exames, e grávida de novo no mês posterior. Mas já? Que aflição, quanto desespero. Deus me deu uma nova vida pra cuidar e amar. Eu até costumava dizer que eu engravidei de gêmeos sim, só que eles vieram com 1 mês de diferença. E os sonhos voltaram. Eu sonhava com menino, ora sonhava com menina, 4 ultras já realizadas e nada desse bebê mostrar o que era. Até que finalmente com 24 semanas….Surpresa!!!! É outra menina. Eu teria mais uma mocinha na minha vida. Eu e minha família já estávamos ansiosamente aguardando a chegada de Isadora. Algum tempo se passou e eu fui ao Centro da Cidade naqueles ônibus de viagem, a bateria do meu celular descarregou e resolvi tirar um cochilinho(coisas de grávida). Lá estou eu dormindo e mais um sonho chegou. Eu estava naquele mesmo campo e um menino lindo, apesar de não me lembrar bem de suas expressões, com asinhas de anjo corria na minha direção. Ele não falava, apenas sorria, mas uma voz vinha na minha cabeça: “Mamãe, eu precisava ser amado. Mas ela precisava nascer. Cuida dela”. Eu acordei com lágrimas nos olhos. O meu filho é um anjo e ele sabe que foi amado, que eu vou amá-lo eternamente. Um dia ainda quero carregá-lo no colo e brincar com meu menino nesse campo florido…
Eu moro no RJ e essa semana fez muito calor por aqui. Fui até a varanda do apartamento tentar pegar um ventinho com a Isadora que estava um pouco irritada. Ela atualmente está com 3 meses de vida. Após 5 minutos começou a chover bem forte, mas só do lado direito do Céu. Do lado esquerdo fazia sol e um arco-iris apareceu. Foi então que comecei a contar um pouquinho dessa história pra ela. Disse que ela tinha um irmão que era seu anjo da guarda, sua alma gêmea, e que ele foi muito amado. E ela representava pra mim aquele arco-iris no Céu. Aquele que não apaga a dor da tempestade, mas vem pra nos mostrar que a vida continua bela. Nesse momento ela sorriu, deu um pulinho no meu colo e eu tive a certeza que ela entendeu tudo que eu expliquei a ela.
Segundo a psicanalista Françoise Dolto, ao falar com os bebês eles apresentam alterações sintomáticas mostrando que sabem falar e que compreendem nossa linguagem. Portanto precisamos contar a eles suas histórias de vida, e várias vezes, assim a criança vai compreendendo aquilo que é explicado.
E vocês, conversam com seus bebês?

O dia em que o enxoval novo vai morar no brechó

 

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Hoje lembrei de Hemingway “Vende-se: sapatinhos de bebê nunca usados”

Há três anos resolvi que queria ser mãe. Engravidar nunca tinha sido o desejo, mas um dia a vontade chegou. Talvez seja o relógio biológico aos quase quarenta.

Como quase toda mulher olhei umas roupinhas. Um macacão vermelho para dar sorte. Um conjunto de sapo tão fofo. Uns dias depois um body, aliás, porque não dois? Com algumas semanas estava navegando na internet checando o enxoval básico. Comprei uma chupeta com termômetro rosa e um termômetro de testa azul. Quem será que vai vir, não é mesmo?

Outras semanas e mais uma visita na loja. Outro macacão, mais um conjunto de leão e um de girafa. Vantagem de resolver ser mãe mais velha: posso comprar sem pedir para ninguém!

Uma caixa de enxoval e a menstruação ainda insistia em vir todo mês.

Mudamos de casa e carregamos a caixa. Com dois anos já eram duas caixas de enxoval.

Parei de comprar roupinhas do mesmo modo que parei de controlar o ciclo menstrual.

Com três anos de tentativas e cansada de ouvir “uma hora vai dar certo” resolvemos como um casal que as roupinhas precisavam de uma criança. Aliás, como deveria ter sido desde o começo.

Hoje foi o dia do brechó. Curiosamente chamado O leãozinho, igual a roupinha que comprei.

As duas caixas de roupas foram avaliadas cuidadosamente pela funcionária simpática. Uma a uma. Demoradamente, talvez tempo demais para eu observar cada peça e lembrar da história.

– São novas? Sim, estão com as etiquetas.

– Nunca usou. Não…

O silêncio invadiu o brechó.

Eu e meu esposo demos as mãos. Perguntamos um ao outro se estava tudo bem. Estava quase t-u-d-o bem. Não era esse o plano quando cada uma daquelas peças chegou em casa, mas era o que tínhamos agora.

A funcionária simpática passa o valor. Aceitamos.

Ela sai para buscar o dinheiro e volta com olho vermelho. Disse que não iria perguntar o motivo da venda de tudo aquilo sem uso, mas só de pensar a história, não deu conta… Ela chorava. E muito.

Eu abracei a funcionária, disse que estava bem. Ninguém nasceu. Resolvemos que aquelas roupinhas lindas e desejadas precisavam de uma criança.

Ouvi, “Então está tudo bem. Uma hora vai dar certo”.

E assim sigo sem acolhimento da perda não gestacional…

Texto escrito pela nossa colunista mensal-médica-anestesista sensível Ursula Guirro.

Mãe de um anjinho

Me Chamo Mariana, tenho 26 anos, sou casada e tenho uma filha de 4 anos. Bom td começou em fevereiro do ano passado, quando, depois de tanto tentar engravidar, resolvi ir ao medico. Ao fazer alguns exames, descobri que tenho Hipo e com o tratamento logo engravidei em junho de 2016. Foi uma felicidade enorme em saber q dentro de mim tinha mais um sonho a se realizar.

Curti muito cada enjoo, mas no dia 22 de agosto, com apenas 8 semanas… Após uma ida ao medico, fiz o exame de ultrassom e logo costataram q meu bebe nao havia desenvolvido e ja nao tinha mais vida. Foi como se o mundo caisse na minha cabeça. No msm dia, fiquei internada e fiz a curetagem..

Mas segui confiante e logo me fortaleci, gracas a minha familia. Quando foi no comecinho de abril de 2017, minha menstruaçao atrasou. Aí veio aquele desespero , aquela angustia, aquela alegria – uma mistura de sentimentos e dois dias apos o atraso menstrual a confirmaçao com um exame de farmacia.. SIM  eu estava gravida. Que Alegria, meu Deus! Guardei em segredo por 3 meses pois tinha muito medo… mais logo pude contar e comemorar foi uma felicidade cada dia era uma vitoria. Eu estava curtindo muito. Fiz dois ultras e  tava td bem com o bebe.

A vida de gravida seguia bem ate o dia 28 de junho de 2017. Senti uma dorzinha na barriga, fui no banheiro fazer xixi e pro meu desespero saiu sangue. Meu Deus, de novo nao.. mais segui confiante.  Fui ao ps, fiz um exame e la estava o coracaozinho batendo.. o medico me aconselhou a voltar no outro dia para fazer uma ultra. Ok. Naquela mesma noite, o bebe mexeu muito, ate achei q era fome kkk.. Fui dormir confiante. No outro dia, como foi orientacao medica, fui ao ps fazer a ultra super feliz e alegre, confiante q estava td bem. Fiz a ultra e logo fui encaminhada ao medico ninguem me falava nda a angustia e o medo tomo conta.. Apos ser chamada na sala, a confirmaçao daquilo q meu coraçao tanto temia: o meu bebe ja nao tinha batimento cardíaco.

Foi um desespero e naquele msm dia fiquei no hospital para o procedimento. Na mesma tarde foi colocado um comprido as 15 hrs para dilataçao do utero. As hrs foram passando e a dor do parto veio a cada min mais forte e mais forte.. Quando foi as 22hrs, a enfermeira veio pra colocar o segundo comprimido e meu nenem estava la. Ele ja tinha saído. Nao quis ver, nao quis saber. O choro vinha a cada momento, a vontade que td aquilo fosse mentira. Mas era real, era meu maior pesadelo acontecendo. Em 5 min a medica veio ate o quarto, tirou o meu bebe e levou para o laboratório. No outro dia de manha, foi feito a curetagem e a noite recebi minha alta.

Nossa, como essa dor nao tem fim. Estava td indo tao bem. O que aconteceu com meu bebe? Estava td sendo tao planejado. Eu iria fazer uma ultra e ia ter ate achar revelação. Ia ser td tao lindo…

No dia 10/07, voltei ao medico para pegar o laudo da biopsia do meu bebe. La estava escrito q tive um infarto na placenta e meu bebe era um menino. Era meu Luan, era meu maior sonho de mae. Queria poder viver naquele mundo azul. Mas a vontade de Deus era outra. Estou confiante. Será que meu sonho se de ser Mae novamente irá se realizar? Ainda nao sei, só nos resta esperar… E essa dor q nao passa, sera que um dia vai passar?….

Hj tenho um anjinho q cuida de mim a cada momento. Sei q ele esta bem e eu tb vou ficar bem. Afinal, tenho uma filha q depende da minha força. Um dia, o meu Milagre vem do jeito mais lindo, do jeitinho que Deus quiser. Eu vou esperar…

Relato da mãe Mariana Costa Araujo

Minha carta de despedida

Ontem dormi radiante porque te veria hoje pela manhã, numa ultrassonografia. Eu sabia que daria pra ver mais formadinho, coração mais forte. Eu estava tranquila, sem dor ou sangramento. Eu tive muito medo no início da gestação, depois de todo o sofrimento com as fertilizações in vitro, mas com 8 semanas, eu sentia que a fase mais perigosa estava passando.

Hoje de manhã, eu te vi e ouvi seu coração forte, me enchendo de orgulho. Que felicidade. Tinha aparecido um pequeno hematoma, mas você parecia tão bem.
De tarde, fui a emergência buscar um atestado para repousar enquanto esperava esse hematoma curar. Na repetição da ultrassonografia, senti caindo num abismo: seu coraçãozinho estava parando. Ali, na minha frente, na tela da sala de exame, ele estava cada vez mais fraco.

Meu filho, te assistir ir embora foi a pior dor que já senti. Mas saiba que você foi esperado e amado todos os dias. Trouxe alegria e amor pra nossa casa com sua breve vida. Mas nunca te esquecerei. Deus sabe o motivo de ter te levado, e um dia nos encontraremos.

Te amo,
Da sua mamãe já com saudade,
Laura (Laura Magueli)

Letícia – nossa Alegria

Eu agradeço a Deus todas manifestações de força que venho recebendo neste um ano. Há um ano em 11/07 completei meus 30 anos, tão esperados 30. Meu dia amanheceu lindo e feliz, estava plenamente realizada nas minhas 32 semanas de gravidez. Meu dia não terminou da forma sonhada – na minha consulta de pré natal percebemos que nada estava bem e uma ecografia confirmou o que eu jamais queríamos acreditar: minha filha tinha morrido.

Bom tudo que se passou desde a confirmação da sua partida é vago – minha mente bloqueou. Lembro de termos implorado a Deus para ela viver. As horas que sucederam até o seu nascimento foram de muita dor e esperança, pois rezávamos e implorávamos a Deus um milagre que ao nascer ela chorasse e vivesse. Não foi o que aconteceu.

A previsão é de que, induzindo o parto prematuro, ela nascesse em alguns dias. Mas não, na manhã do dia 12/07, aniversário do papai Maikel, ela nasceu como um presente pra nós, sem vida, sem choro, uma sala de parto silenciosa, tudo que nenhuma mãe e pai planeja. Pudemos pegar, beijar o quanto deu, acariciar a nossa princesinha, mas não pudemos ficar com ela, aliás ela nem estava mais ali. Sabemos que ela ta no céu num lugar lindo muito melhor e que um dia vamos nos encontrar, mas não imagine ser fácil enterrar uma filha, tão amada, tão planejada e esperada.

Os dias foram passando em um misto de enorme saudade, saudade até do que não vivemos, raiva, pois em muito momentos me culpei, culpei o mundo e até a Deus. Nada disso trouxe paz. A paz veio vindo com as lembranças boas que ficaram, com a esperança de que a passagem da Letícia não poderia ter sido em vão.

Levamos mais de 7 meses investigando para então chegarmos ao diagnóstico de que a trombofilia causada pela SAAF em mim foi a causa – minha filha morreu e me salvou. Deveria ser o contrário e daria tudo para que tivesse sido assim, a ordem inversa da natureza é cruel.

De lá pra cá exige-se viver de outra forma, com outro significado.Nossa filha nos ensinou e continua a nos ensinar – temos um anjo no céu zelando por nós.

Então este ano ao completar 31 sou eu, mas diferente. Hoje é um dia especial 12/07 é a data dos meus dois amores, Pai e filha com mesma data de aniversário. Com um eu comemoro na Terra e a outra basta eu olhar pro céu. Comemorar aniversário pra nós dois é um pouco diferente agora. Os dias 11 e 12/07 nunca mais serão os mesmos em minha vida e do Maikel. Como ele me diz: acho que somos predestinados e quis Deus que nossos aniversários também ficassem marcados para sempre com a nossa anjinha Letícia. Passamos por uma tempestade e agora vamos atrás do nosso arco iris, a chegada de um novo ano pra nós é um novo cliclo, um recomeço.

“Quando a vida bater forte e a sua alma sangrar.
Quando esse mundo pesado lhe ferir, lhe esmagar.
É hora do recomeço. Recomece a lutar.
Quando tudo for escuro e nada iluminar.
Quando tudo for incerto e você só duvidar.
É hora do recomeço. Recomece a acreditar.
Quando a estrada for longa e seu corpo fraquejar.
Quando não houver caminho nem um lugar pra chegar.
É hora do recomeço. Recomece a caminhar.
Quando o mal for evidente e o amor se ocultar.
Quando o peito for vazio e o abraço faltar.
É hora do recomeço. Recomece a amar.
Quando você cair e ninguém lhe amparar.
Quando a força do que é ruim conseguir lhe derrubar.
É hora do recomeço. Recomece a levantar.
E quando a falta de esperança decidir lhe açoitar.
Se tudo que for real for difícil suportar.
É hora do recomeço. Recomece a sonhar.
É preciso de um final pra poder recomeçar.
Como é preciso cair pra poder se levantar.
Nem sempre engatar a ré significa voltar.
Remarque aquele encontro. Reconquiste um amor.
Reúna quem lhe quer bem. Reconforte um sofredor.
Reanime quem tá triste e reaprenda na dor.
Recomece! Se refaça! Relembre o que foi bom.
Reconstrua cada sonho. Redescubra algum dom.
Reaprenda quando errar. Rebole quando dançar.
E se um dia lá na frente, a vida der uma ré,
Recupere a sua fé, e recomece novamente.”

Bráulio Bessa

Relato da mãe Débora de Vargas Schütz

A narrativa de uma perda!

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Demorei um tempo em decidir escrever sobre a perda que tive. Talvez eu achasse que estivesse desmerecendo a dor de outras mulheres, como se a minha fosse pequena por eu ter dois filhos após o aborto. O que fez eu desejar compartilhar não foi apenas sentimento de luto, mas sim o medo, algo que muitas vezes suprimimos de nossa narrativa.

Medo de não conseguir engravidar novamente, medo de conseguir e perder novamente, o medo da espera. São tantos e são tão pessoais que enumerá-los é quase impossível.

A perda pode não ter me marcado enquanto aborto, apesar de eu lembrar da dor e sofrimento que senti quando não ouvi o coração batendo. O que me marcou foi o medo. O medo determinou todo o andamento da minha gestação posterior. Eu não consegui me conectar com o bebê no meu ventre porque a sombra da perda estava ali… Eu poderia perde-la a qualquer momento e queria me blindar da dor de amar aquela criança para ver esse desejo escorregar entre meus dedos.

Eu e meu companheiro estávamos decididos a ter nosso bebê. Oito meses depois, recebi os dois palitinhos do teste… Até chegar o fatídico dia 11 de setembro de 2012, o dia em que não ouvi um coração batendo, o dia que iniciou um sangramento, o dia que senti meus sonhos desabarem, assim como as torres gêmeas há mais de 1 década desabaram. Eu chorei minha dor. Eu chorei pela perda da ideia. Eu gritei pela espera. E eu fui ferida com aquela pergunta que os médicos pouco sensíveis adoram fazer: “O que você fez para provocar a perda?”. Eu não lembro a resposta que dei, mas acredito que deva ter sido tão enfática que o médico calou e não tornou a perguntar. Eu queria aquele bebê com tanta força que doeu ouvir a menção de que perde-lo foi minha culpa.

Ah… e aqueles que sabiam da perda vinham com o mesmo discurso que tanto conhecemos: “Você é jovem”, “Daqui a pouco vem outra criança”, desmerecendo minha dor por ter perdido tão cedo. E de fato engravidei rápido, sem tentar de fato, pois era 30 de outubro do mesmo ano que peguei um novo positivo. Eu não consegui ficar feliz. O meu luto durou minha gestação toda, em uma intensidade mais branda porém estava lá. Não porque eu não desejasse esse novo bebê, eu o desejava tanto que chegava a doer. Mas porque o luto e medo me faziam temer por esse bebê. Era quase uma relação de obsessão a cada nova fase, pesquisar e saber se estava tudo bem. A cada intercorrência fora do comum me fazia esperar o pior.

Era um alivio e felicidade saber que estava tudo bem, e dai a minha depressão – da qual trato faz alguns anos, batia à porta e me fazia ter certeza que eu não era merecedora daquela criança. Ela nasceu bem e o amor floresceu com a força que deveria ter.

Então minha perda determinou todo um percurso, aquele bebê não nascido que de tão pequeno era uma ideia, fortaleceu as sombras da minha mente. A perda em si é devastadora mas me preocupa mais é como lidamos com essa perda. Se eu pudesse dar um conselho a cada mãe que perdeu seu bebê seria para viver o luto para ele não se transformar em medo. Porque o luto entristece, nos derruba, porém ele diminui e nos acostumamos com a dor, talvez não com a saudade. Agora o medo… esse nos paralisa e impossibilita de vivermos com plenitude uma alegria pura e verdadeira.

Ao bebê que “não foi”, agradeço o aprendizado. Porque hoje consigo lidar com o medo muito melhor do que lidava antes. Foi uma lição longa e dolorida, mas aprendi, ainda que alguns anos depois.

Relato da mãe Daniella Talarico

Meu amor além da vida 

“Ele não foi planejado, mas foi muito amado desde o primeiro instante em que soubemos que eu estava grávida!”

Me chamo Tamiris e eu e meu esposo Rodrigo somos pais de um anjo chamado Bernardo!

Descobri minha gravidez no final de julho de 2016 e logo que iniciei o pré-natal já fiz o morfológico de primeiro trimestre.  Sim, eu já estava com 9 semanas quando soubemos da benção que teríamos. Tudo bem em todos os exames, isso mesmo em todos os exames, meu filho se desenvolvia bem, era uma alegria cada ultrassom, cada batida de seu coração derramava lágrimas de felicidade. Sim, mamãe boba, mamãe de primeira viagem.

Tudo corria super bem até que em janeiro, quando eu estava aproximadamente com 27 semanas de gestação, ao fazer o ecofetal descobrimos que nosso Bernardo era cardiopata – ele tinha como diagnóstico TGA (Transposição das grandes artérias ou grandes vasos). Desde aí, minha vida se desmoronou porque eu não acreditava que meu bebê tão pequeno, após o nascimento, já teria que passar por procedimentos cirúrgicos e ainda de grande risco! Não queria falar com ninguém sobre o assunto, pois eu fiquei muito, mas muito mal mesmo. Não conseguia comer, não conseguia dormir, nem parava de chorar, mas nós tínhamos que correr atrás de tudo pra que ele nascesse e já estivesse tudo pronto para sua cirurgia!

Assim fizemos. Corremos atras de médicos, brigando com convênio e eu tentando ficar bem porque o bebê precisava nascer com um bom peso para não ter mais complicações. A minha opção e a de meu esposo foi não comentar o caso para muita gente, justamente pra que não tocassem no assunto e eu não ficasse mal! E assim foi até antes do Bernardo nascer. Ele tinha apenas uma TGA considerada clássica, era só isso que dava para ver qdo ele ainda estava em minha barriga!

O parto foi dia 25/03. Nasceu lindo, pesando 3.500 kg com 49cm. Já nasceu com a saturação muito baixa e logo em seguida foi submetido a um cateterismo que ocorreu tudo bem. Fui visitar meu bebê na UTI a noite qdo pude me levantar. Ele era lindo demais, um verdadeiro anjo, eu me apaixonei ainda mais por ele.

Após o nascimento, repetiram os exames nele também e verificaram que além das transposição das grandes artérias, ele tbm tinha as coronárias anômalas, o que iria dificultar um pouco mais a cirurgia, mas eu sempre o entreguei nas mãos de Deus, e pedia que Deus cuidasse do meu filho, meu príncipe, meu primogênito, meu TUDO.

No dia 28/03, uma terça feira, ele foi para a temida cirurgia, quase 12 horas de cirurgia, quase 12 horas ele com o peito aberto, e no final do dia o médico veio nos dizer que a cirurgia tinha corrido tudo bem 🙏🏻mas que ele teria que ficar em ECMO (máquina que faz a função do coração e pulmões), pois o coração precisava descansar, ele ainda respondia bem. Porém na quarta e quinta feira após a cirurgia, o quadro começou a se agravar devido às temidas infecções. Na sexta pela manhã, retiraram ele da máquina e ele respondeu bem, o coração estava ótimo, a parte cirúrgica foi um sucesso, mas ele não respondia o tratamento das infecções e na sexta mesmo, dia 31/03, ele teve uma parada cardíaca. Os médicos ficaram por mais de 40 minutos tentando reanimar ele, ele respondia e parava, e eu em uma sala esperando todo o procedimento, desesperada,. Peguei na mão do meu esposo e falei: “Deus, ele é seu, o Senhor que me concedeu a graça de tê-lo, então Senhor seja feita sua vontade”. Eu entreguei ele nas mãos de Deus, para que Deus fizesse o melhor. E depois disso, todos os 10 médicos que estavam tentar reanima-lo vieram ao nosso encontro informar que infelizmente ele havia ido!

 É uma dor tão grande, foi um pedaço do meu coração foi sepultado junto com ele,  é uma dor imensurável, não há explicação para essa dor, só quem passa por isso, só quem perde um filho sabe realmente do que eu estou falando. Ele ficou comigo por 39 maravilhosas semanas e entre nós apenas 6 dias, mas o suficiente para se tornar inesquecível!!

Não existe um segundo sequer que eu não penso nele, já questionei tanto Deus do porque de tudo isso, mas Deus é Deus e temos que aceitar. É insuportável tudo que eu sinto, e eu sei que essa dor jamais irá sairá de mim, pode passar o tempo que for o buraco em meu peito não fechará, podem vir mais filhos, eu creio que Deus me concederá, mas meu Bernardo será sempre único, insubstituível e inesquecível! 👼🏻💙

Eu amo alguém além dessa vida, meu filho, meu anjo, meu Bernardo!

Essa é minha história, meu Bernardo, meu primogênito está com Deus, é um anjo como todos os outros! E o que restou foi só a dor e a saudade, não é fácil mas Deus tem nos sustentado a cada dia!

“Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, e eu estou vivendo no mundo do Criador.”

Relato da mãe Tamiris Silva

Muito além da dor da perda

Trechos do relato da co-autora do livro “Histórias de amor na perda gestacional e neonatal”- Claudia Pessi
“Meu amigo Pedro
Parto
Entrega
Desespero
Rompimento
Óbito
[…]
Eu e Pedro
Pedro e Eu
Não existe Eu sem Pedro
PEDRO, meu anjo guerreiro. As cinco palavras que se formam no acróstico de seu nome descrevem os sentimentos que embalam a nossa história. Talvez não necessariamente nessa mesma ordem, pois a ENTREGA veio antes de tudo. Mãe! E agora?! Descobri-me mãe! Eu que nunca tinha me visto nesse papel, acabava de me descobrir… Mãe!
…Diferentemente dos relatos que ouvia de mães que passaram por uma cesárea, a emoção e o amor vinham em doses homeopáticas. Não era isso que eu queria… Eu queria doses cavalares de amor entre mim e meu filho! Entreguei-me a essa relação maternal até a última gota. Apesar do desfecho, nosso parto foi lindo!
…Depois dessa experiência maravilhosa veio o DESESPERO. Pedro não passaria daquela noite, 15 de fevereiro de 2015. A experiência não foi tão boa para ele, talvez, que entrou em sofrimento durante o trabalho de parto. Como eu seguiria sem ele depois de ter me entregado por completo? Muito desespero. Tentei o ROMPIMENTO. Pensei: “Nem convivemos, talvez eu não esteja tão apegada”. Mas era impossível. E eu só tentava não pirar no desespero da possibilidade de viver sem meu filho, meu amigo Pedro.
Então, eu entendi uma coisa da qual eu duvidava: é possível amarmos uma pessoa com quem não convivemos – amar puramente, um amor completamente altruísta, sem a necessidade de troca; eu o amava mesmo sem saber se ele me amaria também, apesar de sentir o seu amor por mim. O amor é um sentimento construído, mas é platônico também!
…Até que chegou o ÓBITO, dia 18 de fevereiro de 2015. E foi no óbito que eu descobri que não era o fim. Não era o fim do Pedro, pois ele se fazia presente nos novos seres humanos. Não havia como voltar àquela vida sem o Pedro. Sua presença é muito forte. Não era o fim, e descobri que esse acróstico era permeado de outras palavras que não caberiam nesse texto, mas que se encaixam e construíram nossa história, formando nosso laço de AMOR. Amor foi o que ficou disso tudo. Costumo pensar que, se eu soubesse realmente que o Pedro conseguisse sentir uma terça parte do meu amor por ele, eu ficaria mais conformada.
…Em uma de nossas poucas fotos, parece que meu corpo foi feito para aconchegá-lo em meu colo, nosso encaixe foi perfeito, foi no único momento que tivemos depois de
não dividirmos mais o mesmo corpo! Às vezes passo horas do dia a admirar tamanha perfeição da natureza. Como é bonito e gostoso gerar e como é incrível parir, sentir a “dor do amor”. O Pedro fez eu me sentir a mulher mais poderosa do mundo, capaz de tudo, me fez leoa. O Pedro é a minha vida, faço tudo pensando nele e dedicado a ele!
Só tenho a agradecer ao Pedro, por tanto amor compartilhado, descoberta, ensinamento e crescimento. Te amo, meu amigo Pedro!”
Trechos do relato da co-autora do livro “Histórias de amor na perda gestacional e neonatal”- Claudia Pessi
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