Não nasceu de mim, mas nasceu para mim!

whatsapp-image-2016-11-19-at-00-31-50Bem, vamos a minha história…. ❤

Mas antes de começar a relatá-la, gostaria apenas de adaptar a frase que está escrita na imagem que escolhi para ilustrar.

“Ser mãe e ser pai é toda pessoa que tem o coração permanentemente grávido de amor.”

Agora sim, rsrsrs!

Meus pais se casaram e depois de um tempinho começaram a tentar engravidar e não conseguiram, fizeram diversos exames, nos quais ambos seriam aptos a ter uma gravidez de forma natural, afinal não tinham nenhum problema detectado…
Mas durante 15 anos ficaram na tentativa de engravidar e simplesmente não conseguiam, e não tinham resposta para não conseguir, todos os exames de investigação tinham sido realizados, os dois tinham tudo para engravidar mas não engravidavam…
Até que a ginecologista da minha mãe, conversou com ela e disse que ela poderia optar por duas saídas, uma seria a fertilização e a outra seria a adoção…. Porém na década de 90 a ciência não lidava com fetos que tinham alguma anomalia, e minha mãe não queria correr o risco de precisar passar pelo aborto, ela queria o filho da forma que Deus mandasse, independente da criança ser fisicamente e mentalmente “perfeita” ou não…
Então, ela e meu pai preferiram recorrer a adoção ao invés da fertilização…
E foi assim que tudo começou a acontecer, meus pais entraram em lista de espera nos orfanatos, porém, como a adoção é burocraticamente complicada, eles esperam, esperaram, mas o retorno do tão sonhado filho(a) não chegava… E minha mãe começou a ficar muito abalada emocionalmente, ela sempre relatou que quando estava passeando ou resolvendo coisas do dia a dia, por onde ela passava procurava pra ver se alguma criança tinha sido abandonada na rua, e vendo que isso não estava legal, e que o sofrimento já estava se tornando insuportável, ela decidiu não ficar mais procurando e resolveu voltar aos estudos para que assim, mais adiante ingressasse na faculdade de Direito.

Até que finalmente eu cheguei para eles no dia 30/12/1992, véspera de ano novo!
Assim que minha mãe me pegou no colo pela primeira vez, eu, uma bebezinha de apenas 25 dias, abri um sorriso para ela! E foi ali que nosso encontro aconteceu e minha história com os meus pais começou…

Eu fui um bebê arco íris, cheguei depois de uma tempestade que precisou durar 15 anos, mas que se não tivesse durado isso tudo, eu não teria sido o arco íris deles!

Às vezes não entendemos o que nos acontece, não temos respostas imediatas mas precisamos procurar acalmar nossos pensamentos para que assim possamos elaborar nossas emoções!

E quando eu tinha 13 anos, minha mãe teve o primeiro infarto…
E fez um cateterismo para descobrir o porquê ela tinha infartado, e nesse exame, descobriram que ela tinha um problema congênito no coração, que foi formado de uma forma não comum a da anatomia humana… O normal em todas as pessoas é a veia do coração passar por fora, e ela tinha uma que passava por dentro do coração, ou seja, quando pressionada essa veia através de alguma emoção forte, ou esforço físico poderia causar um infarto… E foi nesse momento que a resposta chegou, se eu tivesse nascido dos meus pais, minha mãe teria morrido no parto… Porque o coração dela não iria suportar tamanho esforço durante a gestação e durante o parto…
Infelizmente ela veio a falecer em dezembro de 2013, aos meus 21 anos, de infarto fulminante!

Mas veja como é a vida, né… Surpreendente! ❤

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Mãe de três!

15046268_1162257083854972_1320396800_nEu sempre achei que seria mãe de menino. Sempre! Quando eu fazia aquelas brincadeiras do colar quando era criança(balançando pra frente e pra trás é menino, se rodar menina) sempre aparecia pra mim 3 filhos: uma menina, depois menino, depois menina de novo. Quando eu engravidei a primeira vez com 17 pra 18 anos eu disse pra todos que era um menino, mas a minha intuição se confundiu com a minha vontade. Assim eu recebi meu 1°amor, minha filha Giovana. Aí veio a faculdade, o trabalho, a casa própria, o carro, o amadurecimento e os planos para outro filho(a) foram ficando cada dia mais esquecidos… Até que em abril de 2014 eu tive um sonho. Estava eu um campo enorme, muito florido, muito calmo, parecia um Céu, e um senhor vinha falar comigo. Ele dizia: “Tem um filho esperando por você. Ele é seu. Mas manda dizer que ele tem uma alma gêmea e que se você permitir que ele venha ela virá junto”. E eu respondia: ” Mas eu não quero ficar com 3 filhos, só quero 2 e eu já tenho uma filha, então eu posso escolher só o menino ou só a menina?” E ele disse: “Não! O filho é ele, mas ela vem junto com ele”. E eu acordei bastante impressionada. Pensei que se engravidasse seria um casal de gêmeos. No ano seguinte, em julho de 2015 eu e meu marido começamos a cogitar a idéia de aumentar a família e na mesma semana em que parei o remédio eu engravidei. Foi a maior alegria da minha vida, já que a gravidez da Giovana não havia sido planejada. Dessa vez seria tudo diferente! A notícia foi comemorada e festejada. No mês seguinte me encaminhei pra minha primeira ultra, eu estava com 8 semanas de gestação e muito apreensiva, contando que iria ver na tela 2 bebês. Quando o exame começou o médico me disse: “É um único embrião e ele não possui batimento cardíaco. É um aborto retido. Sinto muito”. A maior alegria da minha vida foi também minha maior tristeza. Como isso estava acontecendo? Deus, logo comigo?! Eu ainda carreguei aquele bebê morto 15 dias na minha barriga até fazer a curetagem, e decidi que outro filho nem tão cedo… Eu estava dilacerada e não queria que o próximo filho(a) “carregasse” minha culpa, meus medos, meus anseios, minha angústia, minha desesperança…. Mas eu nem respirei. Terminei meus exames, e grávida de novo no mês posterior. Mas já? Que aflição, quanto desespero. Deus me deu uma nova vida pra cuidar e amar. Eu até costumava dizer que eu engravidei de gêmeos sim, só que eles vieram com 1 mês de diferença. E os sonhos voltaram. Eu sonhava com menino, ora sonhava com menina, 4 ultras já realizadas e nada desse bebê mostrar o que era. Até que finalmente com 24 semanas….Surpresa!!!! É outra menina. Eu teria mais uma mocinha na minha vida. Eu e minha família já estávamos ansiosamente aguardando a chegada de Isadora. Algum tempo se passou e eu fui ao Centro da Cidade naqueles ônibus de viagem, a bateria do meu celular descarregou e resolvi tirar um cochilinho(coisas de grávida). Lá estou eu dormindo e mais um sonho chegou. Eu estava naquele mesmo campo e um menino lindo, apesar de não me lembrar bem de suas expressões, com asinhas de anjo corria na minha direção. Ele não falava, apenas sorria, mas uma voz vinha na minha cabeça: “Mamãe, eu precisava ser amado. Mas ela precisava nascer. Cuida dela”. Eu acordei com lágrimas nos olhos. O meu filho é um anjo e ele sabe que foi amado, que eu vou amá-lo eternamente. Um dia ainda quero carregá-lo no colo e brincar com meu menino nesse campo florido…
Eu moro no RJ e essa semana fez muito calor por aqui. Fui até a varanda do apartamento tentar pegar um ventinho com a Isadora que estava um pouco irritada. Ela atualmente está com 3 meses de vida. Após 5 minutos começou a chover bem forte, mas só do lado direito do Céu. Do lado esquerdo fazia sol e um arco-iris apareceu. Foi então que comecei a contar um pouquinho dessa história pra ela. Disse que ela tinha um irmão que era seu anjo da guarda, sua alma gêmea, e que ele foi muito amado. E ela representava pra mim aquele arco-iris no Céu. Aquele que não apaga a dor da tempestade, mas vem pra nos mostrar que a vida continua bela. Nesse momento ela sorriu, deu um pulinho no meu colo e eu tive a certeza que ela entendeu tudo que eu expliquei a ela.
Segundo a psicanalista Françoise Dolto, ao falar com os bebês eles apresentam alterações sintomáticas mostrando que sabem falar e que compreendem nossa linguagem. Portanto precisamos contar a eles suas histórias de vida, e várias vezes, assim a criança vai compreendendo aquilo que é explicado.
E vocês, conversam com seus bebês?

Ninguém se prepara para um dor dessas

 

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Sempre tive aquele instinto materno aflorado porém o tempo foi passando e a ideia de ser mãe foi deixando de ser prioridade. Em julho de 2015 conheci o Lucas e não nos desgrudamos mais. Além de amor ele é também meu melhor amigo e parceiro. Somos o tipo de casal que sempre “se bastou” porém com o passar dos anos a vontade de ter filhos entrou em pauta nas nossas conversas de casal. Em março de 2018 terminei um mestrado que foi muito penoso emocionalmente e em abril descobri que estava grávida. Foi tudo muito rápido. Brincávamos que a Giovanna estava apenas esperando a mamãe terminar o mestrado para vir ao mundo. Acabei não trabalhando durante a gestação e me dediquei 100% para a minha guriazinha,tudo para que a Giovanna viesse bem. Era a primeira neta nas duas famílias e era muito esperada por todos. Passávamos os finais de semana lendo, vendo documentários, fizemos cursos, queríamos estar preparados para a dor do parto, o bebê que chora a noite, a cólica, o cansaço nos primeiros dias após o nascimento. Só não nos contaram que ninguém está preparado para a perda, para a morte de um filho.
Durante toda a gestação nunca tive nenhuma intercorrência. Todas as ecografias normais, nada que causasse alguma preocupação. Nossa única preocupação era se ela nasceria antes ou depois do Natal já que a nossa data provável do parto era dia 24/12/18. “Coitadinha, vai ganhar apenas um presente!” diziam os amigos, mas não nos importávamos, sabíamos que ela nascer era o maior presente. Com 38 semanas e 4 dias tivemos consulta com a obstetra. Estava tudo perfeito, era só aguardar a hora que ela quisesse nascer, já que desde o início eu queria tentar um parto natural. No dia seguinte a Gigi não se mexeu como fazia todos os dias. Passei o dia todo monitorando e nada. Entrei em contato com a obstetra e fui para emergência. Lá fizemos o cardiotoco e lá estava ela, coraçãozinho a mil. Naquela noite após a ida ao hospital lembro que ela mexeu a noite toda na barriga. Os dias seguintes também foram normais porém na terça-feira 18/12 a Gigi não mexeu. Como havia feito anteriormente, fiquei monitorando e nada. Entrei em contato com a obstetra e fui para a emergência. Só pensava que ela estava brincando conosco novamente. Que tudo ia dar certo e que talvez ela voltasse conosco dessa vez para casa. Infelizmente isso não aconteceu. Ao chegarmos na emergência ninguém conseguia achar o batimento. Fui levada para uma sala com o ultrassom. Pedi que chamassem meu marido e quando uma segunda médica chegou na sala senti que algo não estava bem. Ao colocar o aparelho da eco só ouvi um “sinto muito”. Depois disso tudo virou do avesso. É muito difícil acreditar que a vida muda assim, num instante. Entrei grávida, feliz, realizada. Saí vazia, sem a minha filha e com uma dor que sinto todos os dias, uma dor que nenhum medicamento tem o poder de melhorar.
Pedimos que a obstetra fosse ao hospital e ela ficou tão chocada quanto a gente pois não havia nenhum indicativo que fizesse com que a Giovanna tivesse indicação para um parto antecipado. Nenhum exame teve alteração. Nada explicava o que tinha acontecido.
Nossa médica pensou em problemas no cordão ou na placenta e durante o parto se viu que havia nenhum problema. Fizemos a necropsia e nem ela respondeu as nossas dúvidas. Não sei se é mais fácil quando existe uma explicação para isso mas a dor que sentimos hoje é algo indescritível. Por mais que a família esteja por perto, que os amigos tentem consolar, nada adianta. Os dias são verdadeiras montanhas russas, onde um dia estamos bem e do nada aquele choro vira pranto. Espero que com o passar do tempo a dor amenize e que onde a minha amada filha estiver, que esteja bem.
Depoimento da mamãe Camila Ribas Smidt

Pra sempre josé Italo.

 

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Lutei muito pra ser mãe, casada a 5 anos em junho de 2018 descobri que Deus tinha mim dado um dos maiores presente, a maior felicidade que já tinha sentido na vida ser mãe, eu e meu esposo ficávamos ansiosos a cada dia a espera do nosso príncipe José italo. Agora em janeiro 7 meses de gravidez, tive um problema de saúde Onde qual mim Internei, sem imagina que iria perder o mais precioso motivo de nossas vidas, 13 dias numa cama, com pressão alta , diabetes, pre eclampsia, na terça feira dia 26, não sentia mas ele se mexer, quando bati a utrassonagrafia meu filho tinha vindo a óbito, eu precisaria ter o parto normal pois a cesariana colocava minha vida em risco. Mesmo assim a esperança de meu filho nascer vivo era grande, a meia noite meu filho nasceu de mim sem vida mas mesmo assim quis colocar nos braços sentir seu cheiro, por um pedacinho de tempo.

A dor ñ tem tamanho como queria meu filho comigo…
Tantos planos tantos sonhos,só queríamos construir uma família e amar sem medidas nosso príncipe. Um ser tão pequeninho e que passou pouco tempo junto de nós, mas foi o suficiente pra virar nossa vida do avesso e deixar um buraco enorme nos nós coraçãoes “papai e mamãe vai te amar pra sempre José italo
Sou Janaisa de juazeiro do norte casada com Adriano Nunes mãe do anjo José italo

Alice meu milagre.


Me chamo Mayara, tenho 22 anos. Em março de 2018 descobri que estava grávida. Foi uma imensa alegria. Desde então começamos a fazer planos. A cada ultrassom era uma nova alegria em ver nosso bebê bem. Com 15 semanas fomos realizar um ultrassom para saber se era menino ou menina… No fundo eu sentia que era menina, e sim era nossa Alice que estava a caminho, mas a alegria acabou se tornando em angústia. A médica que estava realizando o ultrassom logo começou a me questionar se havia feito a translucência nucal e se havia dado tudo normal, disse a ela que sim, então ela me pediu um momento e chamou seu pai que também era médico da clínica e começaram a tirar algumas medidas e disseram que depois conversariam comigo. A partir dali já percebi que havia algo errado. Após o termino do exame o médico levantou a suspeita da nossa Alice ter microcefalia ou acrania (ausência da calota craniana), pediu que eu retornasse a minha médica. No dia seguinte fui na consulta com minha médica e relatei todo o ocorrido e ela pediu uma nova ultra para confirmar o diagnóstico. As notícias não foram boas, nossa pequena tinha acrania, que mais tarde desenvolveria anencefalia. Deram a nós a difícil decisão de interromper a gravidez ou continuar sabendo que nossa filha poderia ter minutos, horas ou dias de vida, ou até mesmo já nascer morta. Depois de 2 semanas conversando, meu esposo e eu decidimos prosseguir com a gestação, visto que não teria nenhum risco a minha saúde. Sempre tive muita fé que se Deus quisesse Ele poderia curar a Alice, mas que Ele fizesse a Sua vontade. No dia 08/11/2018 nossa Alice veio ao mundo por meio de cesárea. Minha menina nasceu, não chorou, então já pensei no pior e comecei a chorar, os médicos não me deixaram vê-la, levaram-na e mandaram meu esposo sair da sala de cirurgia. As horas na sala de recuperação pareciam eternas, ainda lá tive que tomar remédio para secar meu leite pois não poderia amamentar minha filha. Quando fui para o quarto soube que ela estava bem, estava na UTI, e tinha nascido a cara da mamãe rsrs.. No dia seguinte pela manhã já pude ir até a UTI para vê-la, foi impossível conter a emoção, minha pequena que poderia não ter aguentado estava lá, esperando por mim…Neste mesmo dia ela teve de ser transferida para outro hospital para receber maiores cuidados e pra meu desespero, teria que ficar no hospital pois não havia recebido alta. Meu esposo a acompanhou. No dia 10/11 recebi alta, fomo em casa antes de ir ao hospital e minha sogra estava lá com a nossa Alice, ela nos ligou desesperada pedindo que fossemos ao hospital, pois Alice tinha tido 2 paradas cardiorrespiratórias, mas graças a Deus foi só um susto. Após esse episódio eu pedia a Deus que se fosse para ela viver sofrendo que Ele a levasse, mas que se Ele fosse fazer isso que eu pudesse estar presente. E assim aconteceu. No dia 14/11/2018 meu esposo estava com ela no hospital e me mandou mensagem as 6:30 da manhã pedindo que eu fosse até o hospital pois nossa pequena estava tendo saturação(queda) na respiração, cheguei lá ela estava bem, peguei ela no colo, e em alguns minutos ela teve a primeira parada cardiorrespiratória em meu colo, meu coração se partiu ao ver o sofrimento dela, os médicos vieram e ela em seguida voltou ao normal, ela teve mais de 10 paradas cardiorrespiratórias. Naquele dia eu “briguei com Deus, questionei o porque Dele estar deixando ela sofrer daquela forma, sendo que eu pedia que Ele não a deixasse sofrer, que eu aprenderia a conviver com meu sofrimento, mas que não queria vê-la sofrendo. Nossa Alice estava lutando com todas as forças que tinha para ficar conosco, então eu me esposo começamos a falar pra ela que ela iria para um lugar melhor, onde ela não sofreria mais e que Deus cuidaria dela enquanto a gente não pudesse, e então as 12:09 ele a levou. Nossa guerreira viveu 6 dias.. Nesses 6 dias aprendi o que é o verdadeiro amor, o amor incondicional, sem medidas, amor que vai além das aparências, do físico, amor que deixa de lado as próprias vontades e sentimentos… o amor de MÃE… E hoje sou mãe de um lindo anjo… ALICE VITÓRIA.

Nossa princesa Alice

Queridos (as) seguidores (as)
Seguem abaixo trechos do relato da co-autora Cíntia Fernandes do livro “Histórias de amor na Perda gestacional e neonatal”.
Para ler o relato na íntegra e os demais capítulos do livro, você pode adquirí-lo de duas formas:

-Versão impressa – está sendo vendida pela livraria online – O Livreiro Virtual.  Clique no link abaixo e terá acesso a diversas formas de pagamento e de entrega do livro:

Meu nome é Cíntia, tenho 27 anos. Aos 25 anos, em março de 2013, descobri que estava grávida.
…Nas 27 semanas, eu comecei a me sentir estranha; nada físico, mas um sentimento de nó na garganta mesmo. Durante o dia anterior, fui comprar um vestidinho e algo me dizia para não comprar… Ignorei e achei que era o tal medo no fim da gestação. Como a sensação não passava, decidi ligar para a médica, disse que estava com um aperto no peito e que achava minha barriga um pouco menor. Ela disse que era neura minha, mas que poderia fazer uma ultra no dia seguinte, e assim eu fiz.
No dia 9 de agosto de 2013, começou o nosso pesadelo. Na ultra foi constatado que, apesar das 27 semanas, minha filha tinha peso de 21 e eu estava praticamente sem líquido.
…No dia 15 de agosto de 2013, eu falei que não queria companhia, queria ficar sozinha com minha menina e conversar com ela. Conversei muito e disse a ela que lutaria com todas as forças para que ela ficasse aqui, mas entenderia se não fosse sua hora. Naquele mesmo dia, às duas da tarde, fiz minha última ultra, a qual mostrou que eu estava em fluxo reverso e corria risco de vida. Portanto, o parto teria que ser feito o mais rápido possível.
… Alice tinha grandes chances de nascer sem vida ou ter pouco tempo. Entrei naquela sala sozinha, sem nenhum conhecido, nem mesmo o médico, já que a minha GO nos abandonou tão logo internamos. Às 20h35min do dia 15 de agosto de 2013, Alice nascia com 475g e 29 cm, apgar 8/9 e, para surpresa de todos, respirando sozinha, de olhos abertos e chorando. Falei com ela menos de um minuto e a levaram para a UTI.
…Alice ficou conosco por quatro dias; os avós a conheceram no dia 18 de agosto. E nesse dia, eu sabia que estava difícil para ela e me despedi da minha filha. Recebemos uma ligação às sete da manhã do dia 19 de agosto e fomos imediatamente para o hospital. Chegando lá, encontramos minha filha sem vida, depois de uma hemorragia pulmonar. A única vez que peguei minha filha no colo, ela já estava sem vida, a única vez que Luan a segurou, foi num pequeno caixão branco para o enterro do seu corpinho.
Eu, sinceramente, achei que era impossível viver após isso, mas não é. Alice sempre está conosco, é uma presença viva e constante em nossas vidas. Tatuei em meu corpo e não me nego a explicar quando alguém pergunta. É claro que ainda dói quando tenho que escrever ou falar que não tenho filhos, mas é uma dor que a gente tem de aceitar que vai carregar para sempre e aprender a viver com ela.
…Todos os dias peço para que ela ajude outros anjinhos que possam precisar fazer a passagem, e que ela me espere com todo o amor que nós duas temos uma pela outra.
Vivo e aproveito a vida que ela me deixou, para que possa chegar feliz ao nosso reencontro.”

Sonho de Icaro

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O sonho de Ícaro
Em 2016, meu esposo e eu decidimos ter um bebê, pois seria o primeiro neto de ambas as famílias. A cada mês ficávamos naquela ansiedade “esse mês vai acontecer”, mas nada do atraso, tentamos durante o ano todo de 2017, e todos os meses eu ficava ansiosa, chorava quando o atraso não acontecia. Então no final de 2017 para o início de 2018 decidimos fazer exames para saber se estava tudo bem. Fiz os primeiros exames e estava tudo certo, mas antes de concluir todo esse processo, veio o atraso e logo veio ansiedade de fazer o teste de gravidez, mas a frustração batia com medo de dá negativo, então esperei 15 dias para fazer. Após os 15 dias fiz o teste, fechei meus olhos, respirei fundo e pedi a Deus para que desse positivo e ele ouviu minhas preces. Nesse dia choramos de tanta felicidade, era uma alegria sem tamanho. Então começamos todo o processo de pré natal, exames e ultrassom. Nós desejávamos uma menina, mas Deus nos concedeu um lindo menino e lhe demos o nome Ícaro. Tudo estava indo perfeitamente bem, todos os exames, os ultrassom, foi uma gestação saudável, era nosso primeiro filho. Até que no mês de novembro tive uma infeção urinária, iniciei o tratamento com a medicação, mas minha pressão começou a ficar alta e eu fiquei muito inchada. Então antecipei a consulta com minha obstetra, ela me encaminhou para maternidade para tomar medicação para baixar a pressão, quando cheguei na maternidade fui atendida por outro obstetra, ele solicitou uns exames e um ultrassom para saber como o bebê estava. Fomos para a sala de ultrassom, pedindo a Deus para que ele estivesse bem. Mas, a notícia não foi boa, o diagnóstico deu pré eclampsia grave, e meu bebê estava sofrendo dentro de mim, ele estava recebendo pouco oxigênio e poucos nutrientes, então fui internada no dia 5 de dezembro. A partir desse dia começou toda nossa luta, todo o processo de medicação e exames, eu fazia ultrassom a cada 6 h, mas o bebê continuava sofrendo, foram 3 dias tomando medicação para baixar a pressão, pois estava muito alta. No dia 8 de dezembro de 2018, por milagre de Deus, eu tive uma melhora, mas ainda tinha que fazer outro ultrassom, fui para sala do exame e o médico fez a avaliação, meu bebê ja estava quase sem oxigênio e tiveram que me operar as pressas, então meu lindo anjo nasceu com 33 semanas. Ele foi levado direto para UTI para ser cuidado, pois estava com dificuldade para respirar. Seu pai ia visitá-lo todos os dias, a quem agradeço muito pelo apoio e companheirismo, sem o apoio dele e de minha mãe, eu não teria forças para suportar a dor que sinto. Mas, no dia 13 de dezembro de 2018 às 00:20, recebo uma ligação, era da maternidade, a médica pediu para meu marido e eu comparecer ao hospital. Fomos as pressas, pedindo a Deus para que não fosse nada grave e que estivesse bem. Quando chegamos lá recebemos a triste notícia, “seu bebê teve uma parada, um choque séptico, nós tentamos reanimá-lo mas não tivemos retorno”, nosso mundo caiu naquele momento, uma dor imensa tomou conta do meu peito, ficamos sem chão e nos perguntando porque isso estava acontecendo, não mereciamos passar por essa dor, foram dias de luta para no final sair sem nosso anjo nos braços, justamente no dia em que eu o carreguei pela primeira vez no colo e ele sorriu, mostrando reconhecer a voz de seus pais.
Hoje peço a Deus para que nos dê sabedoria e forças, para aliviar essa dor, pois a saudade que sentimos não tem explicação, mas agradeço a Ele por ter nos escolhido para ser seus pais, meu filho, papai e mamãe ama muito você para sempre.
Meu marido quem escolheu o nome Ícaro, a origem vem da mitologia grega. Ícaro era filho de Dédalo, um engenheiro, que criou asas com penas de pássaros e as colou com cera de abelha, o pai recomendou a Ícaro que quando ambos estivessem voando não deveriam voar nem muito alto (perto do Sol, cujo calor derreteria a cera) e nem muito baixo (perto do mar, pois a umidade tornaria as asas pesadas). Entretanto, a sensação de voar foi tão estonteante para Ícaro que ele esqueceu a recomendação e elevou-se tanto nos ares a ponto da previsão de Dédalo ocorrer. A cera derreteu e Ícaro perdeu as asas, precipitando-se no mar e morrendo afogado.

Relato enviado pela mãe Karoline

 

Minhas perdas

 

Olá me chamo Kelly e sou mamãe de 3 anjos meu primeiro bebê nasceu com 24 semana  estava tudo bem estamos muito alegre com achegada do Matheus mamãe e papai estava contando os dias para chegada dele E no dia que fiz 24 semana meu bebê nasceu com 630 gramas e 30 cm   fiquei muito feliz ao saber que ele estava estável fui ver ele depois de umas 2 horas e era o bebê mais lindo e ele viveu apenas 2 dias foram os dias mais felizes da minha vida  poder ver senti ele . ele segura meu dedo  e logo depois de 2 anos engravidei novamente achando que seria diferente  que daria tudo certo mais infelizmente perdi meu Miguel com 20 semana foram 3 dias tentando segura ele fazendo de tudo para que tudo ficasse bem mais infelizmente não foi a vontade de Deus e após 6 meses engravidei já sabendo que teria que fazer cerclagem pontinho no colo do útero  e novamente pensei agora meu bebê vai chegar com muita saúde e com 11 semana fomos fazer a tn e vimos que o colo estava abrindo e tinha dilatação fomos direto pra maternidade e fizemos a cerclagem de urgência . E correu tudo bem depois de 1 semana tivemos alta e fazendo o repouso  tudo certinho até que um dia sentindo dor fomos a maternidade e descobrimos que estava com 4 pra 5 dilatada e nossa luta começou aí enfrentamos tantas coisas juntos meu Davi Lucas estava lutando junto com a mamãe.  E a médica disse que que ele estava sem batimento e forçou meu parto sem pedir uma ultra foi mandando eu caminha mais eu só estava com 22 semana questionei com ela que não poderia caminha e depois de dias descobrimos que estava com o coração batendo sim  chorei tanto   estava com 10 de dilatação e estava em trabalho de parto a 3 dias e no mesmo  dia Davi Lucas nasceu tentando respira mais não resistiu . Hoje eu tenho 3 estrelinha no céu   e graças a Deus Deus vem me dando força a cada dia.

História da nossa estrela Joana ,por Thaís e Douglas

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Eu e meu marido sempre sonhamos em ter um filho, na verdade, 2… Henrique e Joana.
Em 2018 Deus nos mandou a Joana, ficamos muito felizes, curtimos tanto essa guria… No sexto mês, fizemos a morfológica e aí começou nosso inferno, Joana estava com cistos no estômago, sai da sala aos prantos, meu marido mal também. E, de la pra cá foi um exame atrás do outro, todos desmotivando a gente. Na ressonância descobrimos que Joana tinha um tumor e que a situação não era favorável, ela poderia ter síndromes… Não nos importamos, já amávamos nossa pequena e acreditávamos no milagre.
Parei de trabalhar, fui pra minha mãe ficar em repouso absoluto, tudo para que minha filha ficasse aqui dentro o máximo possível. Exames, ultra, consultas toda semana… Que luta!
Dia 10.01.19 entrei em trabalho de parto, passei mal a noite toda, corremos para o hospital. Tive contrações, eu poderia ter normal mas pelo tamanho do tumor minha doutora optou por cesária. Me vi num misto de alegria, otimismo e tensão, o cenário não era positivo. Partimos para a sala de cirurgia e eu ansiosa para ver minha filha.
10h ela nasceu, eu pedi pra vê la, a enfermeira trouxe ela para mim, já sem vida, a visão mais linda que já tive, a boca do pai, uma bebê linda que eu não pude pegar nos braços, dar um beijo, só lembro de dizer ” Oi meu amor”.. E levaram ela. Depois disso foi só dor, chorar, sentir dor… Uma cesária sem um bebê é somente uma operação dolorida e triste, eu nunca me vi num estado tão degradante como quando voltei da cirurgia.
Perder um filho é perder um pedaço seu para sempre, ver meu marido sem nossa filha nos braços é uma dor que vou carregar por toda a vida. Perder um filho prematuramente é reticências, você fica apenas imaginando como poderia ter sido uma coisa que não será, tudo fica pelo meio do caminho.
Tudo é dor, remédios, cicatriz, sonda, banho, inchaço… Mas, colocar gelo nos seios enfaixados é de sangrar o coração. É de pedir para morrer.
Hoje, 21 dias depois de tudo, ainda luto contra a tristeza, ainda tento levantar a onda dos familiares, faço oimpossível por um sorriso do meu marido e sigo meu doloroso resguardo, cicatriz dói e a todo momento penso na Joana, minha filha e os motivos dela não estar aqui.
Pensamos em tentar de novo mas não agora, tudo foi muito traumático, triste e temos medo de recomeçar. Mas o tempo é o melhor remédio, vamos tocar a vida.
Posso dizer que o aprendizado foi gigante, a Joana veio pra mudar nossa vida, ela também nos mostrou a que veio, pessoas se reaproximaram, outras mostraram sua frieza, mas na maioria, nos surpreendemos com a humanidade sensibilidade e afeto dos próximos e dos nem tão próximos assim, isso foi uma grata surpresa, ver ajuda e oração vindo de todos os lugares.
Quero muito agradecer pela oportunidade de ter com quem dividir nossa história, ler os depoimentos me ajudou muito e espero que alguém leia minha história e não se sinta sozinho também.
Deus abençoe vocês.
Um beijo nosso e da nossa estrelinha.
Joana pra sempre.