Não nasceu de mim, mas nasceu para mim!

whatsapp-image-2016-11-19-at-00-31-50Bem, vamos a minha história…. ❤

Mas antes de começar a relatá-la, gostaria apenas de adaptar a frase que está escrita na imagem que escolhi para ilustrar.

“Ser mãe e ser pai é toda pessoa que tem o coração permanentemente grávido de amor.”

Agora sim, rsrsrs!

Meus pais se casaram e depois de um tempinho começaram a tentar engravidar e não conseguiram, fizeram diversos exames, nos quais ambos seriam aptos a ter uma gravidez de forma natural, afinal não tinham nenhum problema detectado…
Mas durante 15 anos ficaram na tentativa de engravidar e simplesmente não conseguiam, e não tinham resposta para não conseguir, todos os exames de investigação tinham sido realizados, os dois tinham tudo para engravidar mas não engravidavam…
Até que a ginecologista da minha mãe, conversou com ela e disse que ela poderia optar por duas saídas, uma seria a fertilização e a outra seria a adoção…. Porém na década de 90 a ciência não lidava com fetos que tinham alguma anomalia, e minha mãe não queria correr o risco de precisar passar pelo aborto, ela queria o filho da forma que Deus mandasse, independente da criança ser fisicamente e mentalmente “perfeita” ou não…
Então, ela e meu pai preferiram recorrer a adoção ao invés da fertilização…
E foi assim que tudo começou a acontecer, meus pais entraram em lista de espera nos orfanatos, porém, como a adoção é burocraticamente complicada, eles esperam, esperaram, mas o retorno do tão sonhado filho(a) não chegava… E minha mãe começou a ficar muito abalada emocionalmente, ela sempre relatou que quando estava passeando ou resolvendo coisas do dia a dia, por onde ela passava procurava pra ver se alguma criança tinha sido abandonada na rua, e vendo que isso não estava legal, e que o sofrimento já estava se tornando insuportável, ela decidiu não ficar mais procurando e resolveu voltar aos estudos para que assim, mais adiante ingressasse na faculdade de Direito.

Até que finalmente eu cheguei para eles no dia 30/12/1992, véspera de ano novo!
Assim que minha mãe me pegou no colo pela primeira vez, eu, uma bebezinha de apenas 25 dias, abri um sorriso para ela! E foi ali que nosso encontro aconteceu e minha história com os meus pais começou…

Eu fui um bebê arco íris, cheguei depois de uma tempestade que precisou durar 15 anos, mas que se não tivesse durado isso tudo, eu não teria sido o arco íris deles!

Às vezes não entendemos o que nos acontece, não temos respostas imediatas mas precisamos procurar acalmar nossos pensamentos para que assim possamos elaborar nossas emoções!

E quando eu tinha 13 anos, minha mãe teve o primeiro infarto…
E fez um cateterismo para descobrir o porquê ela tinha infartado, e nesse exame, descobriram que ela tinha um problema congênito no coração, que foi formado de uma forma não comum a da anatomia humana… O normal em todas as pessoas é a veia do coração passar por fora, e ela tinha uma que passava por dentro do coração, ou seja, quando pressionada essa veia através de alguma emoção forte, ou esforço físico poderia causar um infarto… E foi nesse momento que a resposta chegou, se eu tivesse nascido dos meus pais, minha mãe teria morrido no parto… Porque o coração dela não iria suportar tamanho esforço durante a gestação e durante o parto…
Infelizmente ela veio a falecer em dezembro de 2013, aos meus 21 anos, de infarto fulminante!

Mas veja como é a vida, né… Surpreendente! ❤

Mãe de três!

15046268_1162257083854972_1320396800_nEu sempre achei que seria mãe de menino. Sempre! Quando eu fazia aquelas brincadeiras do colar quando era criança(balançando pra frente e pra trás é menino, se rodar menina) sempre aparecia pra mim 3 filhos: uma menina, depois menino, depois menina de novo. Quando eu engravidei a primeira vez com 17 pra 18 anos eu disse pra todos que era um menino, mas a minha intuição se confundiu com a minha vontade. Assim eu recebi meu 1°amor, minha filha Giovana. Aí veio a faculdade, o trabalho, a casa própria, o carro, o amadurecimento e os planos para outro filho(a) foram ficando cada dia mais esquecidos… Até que em abril de 2014 eu tive um sonho. Estava eu um campo enorme, muito florido, muito calmo, parecia um Céu, e um senhor vinha falar comigo. Ele dizia: “Tem um filho esperando por você. Ele é seu. Mas manda dizer que ele tem uma alma gêmea e que se você permitir que ele venha ela virá junto”. E eu respondia: ” Mas eu não quero ficar com 3 filhos, só quero 2 e eu já tenho uma filha, então eu posso escolher só o menino ou só a menina?” E ele disse: “Não! O filho é ele, mas ela vem junto com ele”. E eu acordei bastante impressionada. Pensei que se engravidasse seria um casal de gêmeos. No ano seguinte, em julho de 2015 eu e meu marido começamos a cogitar a idéia de aumentar a família e na mesma semana em que parei o remédio eu engravidei. Foi a maior alegria da minha vida, já que a gravidez da Giovana não havia sido planejada. Dessa vez seria tudo diferente! A notícia foi comemorada e festejada. No mês seguinte me encaminhei pra minha primeira ultra, eu estava com 8 semanas de gestação e muito apreensiva, contando que iria ver na tela 2 bebês. Quando o exame começou o médico me disse: “É um único embrião e ele não possui batimento cardíaco. É um aborto retido. Sinto muito”. A maior alegria da minha vida foi também minha maior tristeza. Como isso estava acontecendo? Deus, logo comigo?! Eu ainda carreguei aquele bebê morto 15 dias na minha barriga até fazer a curetagem, e decidi que outro filho nem tão cedo… Eu estava dilacerada e não queria que o próximo filho(a) “carregasse” minha culpa, meus medos, meus anseios, minha angústia, minha desesperança…. Mas eu nem respirei. Terminei meus exames, e grávida de novo no mês posterior. Mas já? Que aflição, quanto desespero. Deus me deu uma nova vida pra cuidar e amar. Eu até costumava dizer que eu engravidei de gêmeos sim, só que eles vieram com 1 mês de diferença. E os sonhos voltaram. Eu sonhava com menino, ora sonhava com menina, 4 ultras já realizadas e nada desse bebê mostrar o que era. Até que finalmente com 24 semanas….Surpresa!!!! É outra menina. Eu teria mais uma mocinha na minha vida. Eu e minha família já estávamos ansiosamente aguardando a chegada de Isadora. Algum tempo se passou e eu fui ao Centro da Cidade naqueles ônibus de viagem, a bateria do meu celular descarregou e resolvi tirar um cochilinho(coisas de grávida). Lá estou eu dormindo e mais um sonho chegou. Eu estava naquele mesmo campo e um menino lindo, apesar de não me lembrar bem de suas expressões, com asinhas de anjo corria na minha direção. Ele não falava, apenas sorria, mas uma voz vinha na minha cabeça: “Mamãe, eu precisava ser amado. Mas ela precisava nascer. Cuida dela”. Eu acordei com lágrimas nos olhos. O meu filho é um anjo e ele sabe que foi amado, que eu vou amá-lo eternamente. Um dia ainda quero carregá-lo no colo e brincar com meu menino nesse campo florido…
Eu moro no RJ e essa semana fez muito calor por aqui. Fui até a varanda do apartamento tentar pegar um ventinho com a Isadora que estava um pouco irritada. Ela atualmente está com 3 meses de vida. Após 5 minutos começou a chover bem forte, mas só do lado direito do Céu. Do lado esquerdo fazia sol e um arco-iris apareceu. Foi então que comecei a contar um pouquinho dessa história pra ela. Disse que ela tinha um irmão que era seu anjo da guarda, sua alma gêmea, e que ele foi muito amado. E ela representava pra mim aquele arco-iris no Céu. Aquele que não apaga a dor da tempestade, mas vem pra nos mostrar que a vida continua bela. Nesse momento ela sorriu, deu um pulinho no meu colo e eu tive a certeza que ela entendeu tudo que eu expliquei a ela.
Segundo a psicanalista Françoise Dolto, ao falar com os bebês eles apresentam alterações sintomáticas mostrando que sabem falar e que compreendem nossa linguagem. Portanto precisamos contar a eles suas histórias de vida, e várias vezes, assim a criança vai compreendendo aquilo que é explicado.
E vocês, conversam com seus bebês?

Mensagem a todas as super mães de anjos.

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Me chamo Cirlei Simões e sou mãe dos anjos Lara Elena e Lorenzo, algumas de vocês já leram minhas homenagens e declarações de amor aos meus filhos, em maio de 2016 eles nasceram e em poucos dias me deixaram com uma enorme saudade.
Mais hoje a minha homenagem vai para você, isso mesmo.. não é para mais ninguém
Minha homenagem vai para você mulher guerreira, mulher que sofre, que ama, que luta, que vive um dia apos o outro como se fosse o ultimo.
Pra você mulher especial que mesmo em meio a dor se faz forte (ou ao menos tenta)
Pra você que não esquece um minuto se quer do seu anjo e mesmo que não tenho aqui fisicamente sempre o terá na mente e no coração.
A cada dia leio e vivencio a minha historia novamente, sofro a dor de cada uma, porque só quem passou sabe o tamanho dela.
A cada dia me emociono e tento transmitir uma palavra de conforto, mesmo sendo eu mesma que também necessito.
Esse grupo me faz se senti melhor, me permite trocar experiencias com pessoas que conhecem minha dor e meus desabafos, pessoas que me entendem não que apenas olham para mim com olhar de dó.
Quero deixa aqui minha pequena homenagem a você e pedi que não desista
Não desista de viver, não desista de sorrir, não desista de sonhar, não desista de ser mãe, não desista de você mesma.
Sempre tem alguém que quer seu bem,  sua alegria e seu bem estar
Se não for por você que seja por essas pessoas e pelo seu anjo que certamente lutou para esta aqui com você, mais que de alguma maneira olha la de cima pra ti e transmite paz e o amor
Um dia não muito longe estaremos juntos e vai ser tudo muito lindo e especial
Força guerreira
Força mãezinha
Se vocês não desistirem é pra mim inspiração, pra também permanecer firme.
Com carinho

A lei do direito de sofrer:

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Quando alguém se aproximar para criticar sobre o que eles pensam ser certo ou errado, não devemos nos sentir na obrigação de aceitar as respostas que podemos receber de algumas pessoas. É você quem está de luto e como tal, tem certos direitos q ninguém deveria tentar tirar.
A seguinte lista destina-se tanto para orientar inicialmente como passar pelo processo do luto e para decidir como outros podem ajudar ou não, filtrando apenas as respostas úteis, separando-as das ofensivas, incoerentes ou diferenciar as frases prontas dos sentimentos verdadeiros.
1. Você tem o direito de viver sua própria dor.
Ninguém vai reagir exatamente da mesma forma que você, então quando os outros se oferecerem para ajudar, não lhes permita dizer o que deve ou não deve fazer ou sentir.
2. Você tem o direito de falar sobre sua dor e seus sentimentos.
Falar sobre sua dor vai ajudar, procurar outros que lhe permitam falar tanto quanto precisa e que ouça quantas vezes forem necessárias. Se por vezes tem vontade de falar, também tem o direito de ficar calada, tem dias que tudo o que você quer e precisa é ficar em silêncio.
3. Você tem o direito de sentir uma infinidade de emoções.
Confusão, desorientação, medo, culpa, esperança, falta de fé, vontade de desistir e fé são apenas algumas das emoções que você pode sentir como parte de sua jornada. Outros podem tentar te dizer que o sentimento de raiva, por exemplo, é errado. Não dê ouvidos ou se preocupe de coração. Em vez disso, encontre ouvintes que aceitem seus sentimentos sem condições.
4. Você tem o direito de conhecer física e emocionalmente de seus limites.
Seu sentimento de perda e tristeza provavelmente vai te deixar sentindo fatigada, cansada de lutar para se manter aparentemente bem. Respeite o que seu corpo e mente estão dizendo. Descanse todos os dias, coma refeições equilibradas, não deixe os outros te obrigarem a fazer coisas que não esteja pronta para fazer ou que se sinta desconfortável, mas deixe-os ajudar de alguma forma.
5. Você tem o direito de experimentar “o fundo do poço”
Mesmo após um tempo de luto, quando você está quase terminando esse processo, uma forte onda de tristeza pode chegar e pode ser assustador, mas é normal e natural. Encontre alguém que entenda e deixe você falar sobre tudo isso.
6. Você tem o direito participar de um ritual.
O funeral faz mais do que reconhecer a morte de alguém amado, ele ajuda a receber cuidados, atenção e carinhos das pessoas. Mais importante ainda, o funeral é um caminho para você chorar. Se os outros te dizem que o funeral ou outro ritual como estes são bobos ou desnecessários, não escute.
7. Você tem o direito de abraçar sua espiritualidade.
Se a fé é uma parte de sua vida, manifeste de maneiras que se ajudem, se deixe ajudar por pessoas que entendem e apoiam as suas crenças religiosas. Se sentir raiva de Deus, encontre alguém para conversar que não vai ser crítico de seus sentimentos de dor e abandono.
8. Você tem o direito de procurar um significado.
Pode encontrar-se perguntando o por que ele ou ela faleceu? Por que desta forma? Por que agora? Algumas de suas perguntas pode ter respostas, mas outras não. E cuidado com as respostas clichê que algumas pessoas podem te dar. Comentários insensíveis do tipo:  Foi Deus que deu e Ele quem decide a hora de levar; Você tem que ser grato por ter morrido cedo; você é nova, logo terá outro; e outros deste tipo não são úteis e você não tem que aceitar.
9. Você tem o direito de defender e guardar como tesouro suas lembranças!
Elas e as  memórias são os melhores legados que existe após a morte de alguém amado, nunca esquecemos nem superamos, mas ao invés de ignorar suas memórias, encontrar pessoas com quem você pode compartilhá-las.
10. Você tem o direito de vivenciar o processo do luto ao seu tempo.
Omitir, ocultar ou reprimir sua dor não vai fazer com que ela passe rápido. Lembre-se, a dor é um processo, não um evento. Ser paciente e tolerante com você mesmo e evitar as pessoas que estão impacientes e intolerantes com você. Ninguém deve esquecer a morte de alguém amado, pois ela muda sua vida para sempre.

Copyright ©  Dr. Alan D. Wolfelt 2007-2013
Trad. e adapt. por Flávia Rott

Aborto retido – a perda silenciosa

Esta é parte do texto que escrevi pra minha bebezinha Stella… A filha que não vi, mas, sei que tive por 18 semanas e 5 dias.

…A gente tinha plantado uma sementinha de amor e em alguns meses teríamos uma parte de nós nos braços. Logo veio a confirmação pelo exame de sangue e uma alegria contagiante nos impulsionou a contar a novidade aos pais, aos irmãos… Ah como foi bom esses dias!

E aí vieram os primeiros exames, o mal estar que a gravidez traz consigo, as orações pela saúde daquele serzinho que se formava, que pulsava como música dentro de mim… Até que o dia mais escuro chegou… Era domingo e eu já havia sentido aquela mesma dor há dois dias. Era uma dor suportável, porém incomodava e me inquietava. Já era a semana 20, metade do caminho estava percorrido e até então estava tudo bem com nosso grãozinho de gente.

Fui a maternidade pra ter a receita, afinal não poderia tomar qualquer remédio sem conhecimento de um médico e lá naquele lugar cheio de maezinhas felizes, outras nem tanto… La estava eu ansiosa por atendimento. Jamais imaginava que uma sombra cobriria meu dia, que meus olhos se encheriam da lágrima mais amarga que minha boca já havia provado, que as forças iriam se esvair pelos meus dedos e que não tinha mais nada a ser feito.

Não ouvir o tum tum do coraçãozinho foi o baque mais insuportável que eu poderia sentir em meio ao entusiasmo que já tomava meu coração de mãe. Foi um silêncio ensurdecedor. Meu mundo ruiu e eu me via em cacos estilhaçados num chão que se abria embaixo dos meus pés e não via mais nada, não pensava mais nada…

Passar uma noite naquele lugar sem a certeza do que estava acontecendo. Como havia se passado “20 semanas com tudo perfeito e como de repente aquela lacuna se abriu?

**

Amanheceu lá fora, apenas o mundo alem das janelas do terceiro andar, porque eu continuava no escuro, eu continuava sem luz, eu continuava sem saber o que tinha acontecido. Saímos uma a uma dos quartos, entramos no elevador e o destino foi uma salinha lotada de outras mulheres a caminho do ultrassom. Nunca ansiei tanto pra ouvir chamar meu nome em uma sala de espera de hospital. Ate que me vi naquela cama, onde das outras vezes eu me deitei cheia de expectativas, cheia de sonhos, sorrindo e agora as lagrimas banhavam meu rosto e meus olhos embaçados não enxergavam nada alem do medo da decepção. Alguns minutos e o olhar piedoso e a fala esmorecida da medica descreve o veredito: Gostaria de te dar outra noticia meu amor, mas, realmente não esta vivo!

Saí da sala desolada, perdida… Embora a esperança fosse minima, mas, ainda havia ate aquele momento. Voltar ao quarto foi um caminho longo, tenso… O elevador estava cheio, mas, parecia que havia somente eu e aquela família transbordando alegria pelo nascimento do mais novo membro, que estava ali diante de mim, pequenino, indefeso e totalmente inerte aos meus sentimentos. Aquela cena acabou de rasgar o meu coração, a lembrança do meu bebe imóvel naquela tela e a visão daquele bebe que acabava de vir ao mundo não saiam da minha cabeça. Meus soluços ecoam no elevador e os poucos segundos ate chegar no terceiro andar pareceram uma eternidade.

*

Ele estava sentado na cadeira de acompanhante ao lado da janela, cabisbaixo, certamente ansioso com a espera. Eu só me lembro das palavras “nós perdemos ele” repetidas várias vezes como um eco no vácuo. Se ele falou algo, meus ouvidos e minha mente não captaram uma só palavra. Eu só queria seu abraço porque uma parte de nós não pulsava mais.

Terça feira, 24/01/17, eu não vi como estava o dia lá fora, mas, eu sabia que pra mim não tinha sol, luz, vida, pois a morte ainda  rondava minhas horas, o espírito do meu bebe já estava de volta com o Eterno, mas, o corpo estava ali e precisava ser tirado.

Já era a terceira dose do indutor de dilatação e nada de sangramento. Definitivamente, eu olhava aquilo e pensava “ele (a) não queria ir”.

Deus o que eu preciso aprender com isso?
Porque meu bebê não virá mais?
Estas foram 2 das muitas perguntas que ocuparam minha mente nos dias que vieram…

Hoje estou aqui, já se passaram 4 meses, vivendo um dia de cada vez e uma saudade imensa de alguem que meus olhos físicos não viram. Se saudade do que não se teve tivesse tamanho, fita métrica nenhuma alcançaria a medida.

Como foi duro, como está difícil ver que os dias passam e que a Stella não vai chegar… Ja chorei tanto que as lagrimas nem saem mais, papai tambem chora escondido e mamae sabe… Era pra VC ter chegado nestes últimos dias e nossa casa estaria repleta de novidades…

Que falta me faz! Papai e eu te amamos tanto…

Relato da mãe Tâmares Mendes

E continue a nadar, continue a nadar…

” ‘Viver’ é fazer o que nos agrada, como brincar no jardim, ler para mim mesma, subir ao alto da colina (…) Respirar somente não é viver.”

Eleanor H. Porter em: Pollyana.

 Quando eu era pequena minha mãe me deu este livro, Pollyana, de Eleanor H. Porter. A história de uma menina que via a vida sempre pela sua melhor perspectiva, jogando o “jogo do contente”.  Não importava qual fosse a situação, sempre havia uma forma de ver algo de bom nela. Inclusive na morte, na dor e na perda. Eu sempre achei essa história linda, mas um pouco forçada. Afinal de contas, como é possível ser contente o tempo todo? Minha mãe, sempre perspicaz, me deu esse livro na época que sofri um acidente que mudou todo o percurso da minha vida. Acho que a ideia dela era me mostrar que é possível sim ver luz no fim no túnel, reaprender a viver não importa o que tenha havido, ou mesmo aprender a conviver com a adversidade. E eu achava que havia aprendido todas essas lições. Mas hoje, fazendo um retrospecto e uma análise mais profunda, acho que a maior lição que aprendi é que a vida é muito dura quando precisa nos ensinar certas coisas. E ainda que a gente precisa ser forte e resistir, dando conta de tudo o que é possível, e talvez do impossível também. Foi nessa época em que comecei a lidar com cada situação adversa ou difícil como uma batalha, algo a ser conquistado, vencido e cumprido. Era preciso sempre seguir em frente. Usando um exemplo mais atual que o livro Pollyana, eu poderia dizer “continue a nadar, continue a nadar” (Procurando Nemo, da Disney).  Isso era (e é ainda, em tantos momentos) viver pra mim. Aprendi a levar a vida dando checks em tudo que era preciso ser feito: terminar a escola, fazer faculdade, arranjar um bom emprego, comprar uma carro, sair de casa. Check, check, check…

 Mas tempos depois, muitos anos depois, isso tudo começou a me incomodar. Gostaria de poder dizer que isso aconteceu porque dar checks deixou de ser suficiente. Mas a verdade não é bem assim. A verdade é que eu perdi o controle da minha vida. E isso aconteceu num momento muito único e muito especial, eu tinha tudo o que eu queria e sempre tinha sonhado, e o maior amor da minha vida ao meu lado.

Nessa época, se alguém me perguntasse uma palavra pra resumir minha vida, eu diria que era technicolor: colorida, e também diferente, intensa!

 Essa foto aí acima é de um momento desses bem intensos, um daqueles presentes que a vida dá e gente fica meio boba, meio deslumbrada. Nessa foto eu estava grávida. E imensuravelmente feliz. Sabe quando parece que tudo passa a fazer sentido? Ou melhor, sabe quando só o que faz bem passa a fazer sentido e se encaixar na sua vida? Eu tive a imensa alegria de saber o que é isso por algumas semanas. Era o momento perfeito para tudo isso acontecer, era esperado, era planejado, era muito desejado. E mesmo antes de descobrir-me grávida, eu já sabia que alguma coisa tinha mudado em mim. Eu estava mais tranquila, mais leve, mais distante do frenesi que me toma no fim das férias. Eu estava em paz. Sendo mega racional como sempre fui, fica difícil admitir, mas havia algo mais, além do meu próprio ser. Era uma energia muito diferente ao meu redor. Gostava de brincar que eu estava numa nuvem cor de rosa, porque não tinha como traduzir bem em palavras essa energia feminina que me envolvia. Ele era tão linda e tão intensa que muitas pessoas ao meu redor também foram capazes de sentir, e de me dizer isso. Só que um dia eu acordei, feliz como sempre acordava nessa época, mas senti falta de alguma coisa.  A luz tinha ido embora! Simplesmente tinha me deixado. Vazia. Eu sabia que algo não estava bem, e dois dias depois, na 2ª ecografia, lá estava um saco gestacional de 8 semanas sem um bebê. Ovo cego. Gestação anembrionada. Útero grávido. Mas vazio. E aí vieram as estatísticas: cerca de 30% das gravidezes diagnosticadas acabam em aborto espontâneo ou retido. Isso é normal (?!), cerca de 85% das mulheres que passam por esta situação engravidam normalmente e tem filhos saudáveis na próxima gestação (dados da OMS). E blá, blá, blá. Muitos relatos de mulheres na mesma situação, muitos livros, muitos artigos científicos e revisões bibliográficas, muitos meses depois. E a dor continou lá, e o vazio também. Saber disso tudo não diminuiu a dor. Saber que possivelmente a alteração genética é tanta que nem permitiu que um embrião se formasse adiantou ainda menos. Nada adianta porque nada disso é racional, é no emocional, na alma, onde reside a dor.

 E é muita dor, ela não passa, nem abranda. Só fica. Dia e noite, semana após semana. Mergulhada na dor. Mas, pra que? Lá no fundo eu sabia, mas era difícil admitir. Achei que dessa vez não era hora de superar a seguir em frente. Porque na verdade eu nunca superei nada! Só engoli e guardei numa caixinha, sem digerir. Pra mais tarde. Pra nunca mais, na verdade. E continue a nadar, continue a nadar…

 Porém achei então que dessa vez não, eu precisava viver essa dor, sentí-la em todo meu ser-corpo-alma. Achei que precisava mergulhar na dor para exterminá-la. No entanto, a verdade é que ela que me engoliu e em muitos momentos eu me afoguei. Passei muito tempo assim, com a vida em technicolor agora cinza. Em cinzas e em brasa, dependendo do dia. Mesmo as risadas, os bons momentos, o amor, os amigos, a vida tinha sempre nuances acinzentadas.

 Tem sido assim desde então, quase seis meses. Levei muito tempo percebendo que mergulhar no luto tão fundo que a luz deixe de te tocar é o mesmo que guardar tudo numa caixinha bem fechada. Não há luz, nem esperança nos dois casos. São diferentes versões da mesma coisa. E foi só quando admiti isso para mim mesma, que finalmente fui capaz de colocar a cabeça fora desse mar de tormenta. Imersa ainda, mas respirando na atmosfera ao menos. É um respirar difícil porque tenho a sensação física de que algo me aperta firmemente no tórax. Sei que minha capacidade pulmonar e meu diafragma vão bem, obrigada. Mas a sensação de asfixia se recusa a ir embora. E torna o respirar difícil. E o viver também.

 No fim das contas, acho que eu tinha mais umas lições pra aprender, ou talvez eu ainda não tivesse aprendido bem aquela lá do começo, de anos atrás. Acho que não aprendi a viver ainda. Por que, afinal de contas, o que é viver? É ter um organismo funcionando e presente no mundo, dando conta do que é preciso? É só isso?!

 Acho que não. Nessas últimas semanas com a cabeça fora d’água ando dormindo e acordando cedo com ânsia, com pressa, com necessidade de vida. Mas não da vida do cumpra-se, mas da vida do viva-se! Aproveite-se, deleite-se, tenha prazer. E aí hoje acordei com essa frase na cabeça:

 ” ‘Viver’ é fazer o que nos agrada, como brincar no jardim, ler para mim mesma, subir ao alto da colina (…) Respirar somente não é viver.”

 Decidi que preciso viver, porque entre me entregar à dor desprezando todo o resto de bom que vida tem e conviver com ela, aceitando que um dia há de passar e que ainda há muito por vir, fico com a segunda opção. Acho que prefiro mesmo jogar o jogo do contente, afinal de contas.

 É um caminho longo pois é uma releitura da vida, um re-olhar presente de fato no aqui e no agora. É um reviver. E continuemos a nadar.

 Relato da mãe Juliana Dissenha Bürer Rengel.

Obrigada, filha, por tudo o que você me ensinou

Trechos do relato da co-autora Carol Costa do livro Histórias de amor na perda gestacional e neonatal
Hoje trazemos trechos de um lindo relato da mãe Carol Costa sobre a perda da sua filha Helena. Um texto que mostra dor, mas também uma força movida por um grande e eterno amor.
“…Ela partiu antes que nascesse, às 39 semanas de gestação. Mas apesar de toda tristeza, o seu “nascimento-morte” foi repleto de beleza e amor. Em virtude de optarmos pelo trabalho de parto, eu e o meu marido nos unimos de uma maneira que jamais pudemos imaginar na despedida da nossa filha. Entendo que, ao despirmos nossas almas diante da dor, “casamo-nos” novamente. Sempre ouvi que não há nada mais doloroso do que perder um filho. Reconheço que o mundo é repleto de todo tipo de sofrimento, mas,
de fato, jamais pensei que enfrentaria algo assim.
…Tem sido curativo enxergar que minha experiência não é a mais difícil que alguém pode enfrentar, nem a mais fácil. Parei de sentir culpa por ainda sofrer, mas também cessei a prática de comparar minha dor com a de outra pessoa. Isso foi uma grande libertação, pois toda vez que olhava para o processo do outro, atrasava a minha cura e a tornava mais distante.
…Quando a levaram até o quarto, para a despedida, as palavras que lhe disse foram: “Obrigada, filha, por tudo o que você me ensinou”. Fico emocionada toda vez que me recordo, pois sei que nossa ligação está além de qualquer barreira física. Sei, também, que as “lições da Helena” não acabaram.
Há muito que aprender sobre fé, amor e desapego; agora, meu compromisso é dignificar essa separação, vivenciando um processo de luto saudável, e encontrar uma maneira de dar vazão a todo amor e carinho que tenho por minha filha.
…Amar sempre. Confiar sempre. Manter a alegria e valorizar todos os momentos ao lado daqueles que me são mais preciosos é um objetivo diário. Helena é luz e união; sua mãe, agora, uma mulher em construção.”
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A dor não reconhecida

Meu nome é Tais Vargas, tenho 28 anos, hoje dia 09 de junho faz um mês que passei por um dos piores momentos da minha vida, um aborto retido de 6 semanas e 3 dias.

Meu marido e eu queríamos muito ter um filho, já estávamos tentando há alguns meses, acredito que por nossa ansiedade acabamos pensando que talvez não pudêssemos ter filhos biológicos, fizemos exames e os resultados sempre muito bons.
Confirmamos nossa gravidez no inicio de abril, foi muito emocionante e confesso que não conseguia acreditar que seríamos pais. Nossa família e amigos ficaram super felizes e eu pude sentir muito o carinho e o cuidado deles com minha gestação.
Os nomes já estavam escolhidos a bastante tempo, mesmo antes de termos planejado aumentar a família: se fosse menino se chamaria Felipe, se fosse menina seria Laura. Esses nomes são especias pra mim, quando escuto ou até mesmo quando os pronuncio sinto algo diferente, não sei bem explicar, eles vem acompanhado de um afeto, mesmo não havido tempo de saber quem chegaria pra nos alegrar.
Estava tudo tranquilo com minha gravidez, não tinha enjoos, nem me sentia mal. Meu aniversário se aproximava, era dia 12 de maio, numa sexta feira, e domingo seria dia das mães, me sentia bem e entusiasmada para comemorar essas duas datas, até porque não tenho mais minha mãe comigo, e no ano passado foi super doloroso passar essas datas sem a presença física dela.
No dia 09 de maio, terça feira, logo após o meio dia, fui ao banheiro urinar e quando percebi tinha um pequeno corrimento com sangue, não era um fluxo de sangue muito grande e quando fui tomar banho para ir na minha médica vi que já estava parando, mesmo assim fiquei bastante nervosa e com medo. Graças a Deus, moramos próximos da família do meu marido, minha cunhada me acompanhou até minha médica, que pediu uma eco de urgência para ver o porque daquele sangramento. Eu não achava que havia perdido meu bebe, pensava que podia estar com uma ameaça de perda, um deslocamento de placenta, qualquer coisa que com cuidado e repousa pudesse resolver.
Durante a eco a médica parecia não estar encontrando nada, a expressão da minha cunhada era de seriedade, e eu estava na expectativa para ouvir pela primeira vez o coraçãozinho do meu bebe, pois na primeira eco que fiz não pude ouvir, o médico disse que era estava muito no inicio e nesses casos nem sempre é possível escutar os batimentos cardíacos.
A médica começou a fazer perguntas e ao final do exame, falou que meu embrião não tinha mais vida, naquela mesma semana eu estaria completando 10 semanas de gestação, porém o tamanho dele era de apenas 6 semanas. No momento me mantive forte e segurei as lágrimas, meu marido me ligou logo após e eu não queria contar nada, só conseguia dizer pra ele que em casa conversávamos. Na verdade, não tinha coragem de contar a ele, porque ter esse filho era o sonho da vida dele foi depois ter nos conhecido que brotou esse sonho em mim de me tornar mãe, acabei pedindo para minha cunhada contar a ele por telefone mesmo.
Chegar em casa com essa noticia é horrível, e os sentimentos são todos indescritíveis, não sabia como contar, não sabia o que pensar, tinha acordado grávida e no mesmo dia estava indo dormir sem meu bebe na barriga, em um único dia havia experimentado sensações de felicidade e dor em relação a maternidade. E os outros dias que se passaram foram bem piores, nossa, como foi difícil ver minha médica, ir ao consultório, que antes era de expectativa para nova consulta e agora era para decidir o que iriamos fazer.
Meu marido me deu muita força, deixou a dor dele de lado e cuidou integralmente de mim, decidi não esperar para começar o processo de limpeza do meu útero, porque psicologicamente pra mim seria insuportável, então internei dia 11 de maio, para acelerar essa limpeza, fiz uso de medicação, e posso dizer que a dor foi insuportável, muita contração, desesperador quando começaram os sangramentos e o sofrimento é muito grande porque ficamos na maternidade, escutando o choro das crianças que nasciam saudáveis e pudiam ficar com suas famílias, em um certo momento depois de ter perdido bastante sangue, acabei desmaiando, já não tinha mais forças…
O que eu menos queria naquele momento era realizar a curetagem, tinha muita esperança de que conseguiria eliminar o saco gestacional e todo o resto da minha gravidez apenas com uso de medicação, mas minha médica viu que ainda havia restos de placenta e que seria necessário realizar este procedimento, então com medo fui para o bloco, onde guardo lembranças muito tristes de quando minha mãe precisou ser operada e veio a falecer logo após. Realizei a curetagem no dia do meu aniversário. Vazio é a sensação que melhor define o que eu senti depois de tudo.
É muito difícil passar por tudo isso, o aborto acontece com muita frequência, mas não é debatido e divulgado na sociedade, e por conta disso acabamos ouvindo frases de consolo do tipo: “Não era nem um feto” ou “Não vai fazer um velório por causa disso né”, as pessoas são muito cruéis sem se dar conta.
Hoje faz um mês, não culpo ninguém, nem me revolto, sofro sim, e sei que tudo que passei nunca será esquecido, porém confio muito em Deus e sei que tudo tem um propósito mesmo que no momento não consigamos entender, quero muito agradecer a este grupo de apoio a tantas mulheres que assim como eu também passam por momentos de muito dor e muitas vezes acabam se sentindo perdidas em meio a tanto sofrimento e dúvidas, não vou desistir de ter meu filho comigo, a fé e a esperança de realizar este sonho junto com meu marido é o que mais motiva e da animo a minha vida.
Que Deus abençoe todas vocês.
Relato da mãe Tais Vargas

Quando um bebê não vem…

Um dia alguém me falou pra eu te dar um nome, pois poderia ajudar a diminuir a minha dor. Ben, foi o primeiro que me veio à cabeça.

Sabe Ben, a tua ausência doeu muito. Foram dias difíceis pra mim, algo que jamais imaginaria passar quando soube que você estava à caminho.

Ah o dia que eu te descobri, senti algo terrivelmente incrível, foi como não saber se ria ou se chorava. Eu chorei, eu ri. Me vi tão feliz como eu nunca havia me visto. Era a surpresa mais esperada da minha vida! Parecia que eu sabia que algo não caminhava normalmente, e aproveitei cada segundo em que eu tinha certeza que te carregava no meu ventre. Foram os dias mais lindos da minha vida!

Mas no dia 4 de dezembro ficou tudo tão diferente… Precisei fazer uma ultra e pra minha surpresa, não te vi! Entre 5 e 6 semanas foi o que a médica me falou, aquilo me acalmou, mas não tanto, e foi a primeira vez que eu ouvi as piores palavras da minha vida. No dia 19 de dezembro confirmei o que eu não queria: gravidez anembrionária! Meu mundo caiu! “Como pode uma mulher não gerar o próprio filho?! Isso é impossível!” Mas para minha tristeza, era tão possível que aconteceu comigo! Eu custei pra acreditar que meu sonho tinha virado um pasadelo. Mas aquilo era real. Chorei até secar minhas lágrimas! “Como assim você não veio pra mim? O que eu fiz pra não te merecer?” Foram tantas perguntas que eu fiz a Deus, e todas sem respostas. Era uma dor que eu nunca havia sentido na vida, era como se tivessem arrancado um pedaço de mim.

Fiz de tudo, tentei de todo jeito esquecer aquilo tudo, mas não teve jeito, tive que viver a minha dor. A dor de um aborto. Foram inúmeras noites que eu dormi de tanto chorar. Chorar na rua, no meio de tanta gente estranha, era mais confortável pra mim. Tantas vezes cheguei no trabalho com o rosto inchado depois de tanto chorar no caminho e menti dizendo que era só o resultado de uma noite mal dormida. Vivi. Sobrevivi a minha dor. Uma dor que quem tá de fora jamais entenderá. Mas aprendi tanta coisa com você… Percebi quem são meus verdadeiros amigos, me fez ver ainda mais o cara incrível que eu tenho ao meu lado. Me fez ver a família maravilhosa que eu tenho, que quando eu mais precisei me fizerem carinho. Me fez ver a minha mãe! Ah a minha mãe, ela vira uma leoa quando precisa defender as crias.

Hoje eu fecho um ciclo na minha vida e inicio outro, o do reencontro com a minha felicidade, e com a ciência que as coisas jamais serão como antes.

Ah meu filho, e sabe qual foi a sua missão maior? Me fez provar do amor mais incrível que eu já senti na vida, o amor de mãe. Pode ter certeza que quando a minha hora chegar, vou saber aproveitar cada pedacinho desse amor. Eu posso não ter te gerado, ouvido o som do seu coração, posso não ter sentido o teus chutinhos, posso não ter visto o teu rostinho. Mas eu te gerei num lugar que nunca, ninguém vai te arrancar de lá: Te gerei no meu coração!

Com muito amor, sua mãe!

Relato da mãe Renata Freire