Não nasceu de mim, mas nasceu para mim!

whatsapp-image-2016-11-19-at-00-31-50Bem, vamos a minha história…. ❤

Mas antes de começar a relatá-la, gostaria apenas de adaptar a frase que está escrita na imagem que escolhi para ilustrar.

“Ser mãe e ser pai é toda pessoa que tem o coração permanentemente grávido de amor.”

Agora sim, rsrsrs!

Meus pais se casaram e depois de um tempinho começaram a tentar engravidar e não conseguiram, fizeram diversos exames, nos quais ambos seriam aptos a ter uma gravidez de forma natural, afinal não tinham nenhum problema detectado…
Mas durante 15 anos ficaram na tentativa de engravidar e simplesmente não conseguiam, e não tinham resposta para não conseguir, todos os exames de investigação tinham sido realizados, os dois tinham tudo para engravidar mas não engravidavam…
Até que a ginecologista da minha mãe, conversou com ela e disse que ela poderia optar por duas saídas, uma seria a fertilização e a outra seria a adoção…. Porém na década de 90 a ciência não lidava com fetos que tinham alguma anomalia, e minha mãe não queria correr o risco de precisar passar pelo aborto, ela queria o filho da forma que Deus mandasse, independente da criança ser fisicamente e mentalmente “perfeita” ou não…
Então, ela e meu pai preferiram recorrer a adoção ao invés da fertilização…
E foi assim que tudo começou a acontecer, meus pais entraram em lista de espera nos orfanatos, porém, como a adoção é burocraticamente complicada, eles esperam, esperaram, mas o retorno do tão sonhado filho(a) não chegava… E minha mãe começou a ficar muito abalada emocionalmente, ela sempre relatou que quando estava passeando ou resolvendo coisas do dia a dia, por onde ela passava procurava pra ver se alguma criança tinha sido abandonada na rua, e vendo que isso não estava legal, e que o sofrimento já estava se tornando insuportável, ela decidiu não ficar mais procurando e resolveu voltar aos estudos para que assim, mais adiante ingressasse na faculdade de Direito.

Até que finalmente eu cheguei para eles no dia 30/12/1992, véspera de ano novo!
Assim que minha mãe me pegou no colo pela primeira vez, eu, uma bebezinha de apenas 25 dias, abri um sorriso para ela! E foi ali que nosso encontro aconteceu e minha história com os meus pais começou…

Eu fui um bebê arco íris, cheguei depois de uma tempestade que precisou durar 15 anos, mas que se não tivesse durado isso tudo, eu não teria sido o arco íris deles!

Às vezes não entendemos o que nos acontece, não temos respostas imediatas mas precisamos procurar acalmar nossos pensamentos para que assim possamos elaborar nossas emoções!

E quando eu tinha 13 anos, minha mãe teve o primeiro infarto…
E fez um cateterismo para descobrir o porquê ela tinha infartado, e nesse exame, descobriram que ela tinha um problema congênito no coração, que foi formado de uma forma não comum a da anatomia humana… O normal em todas as pessoas é a veia do coração passar por fora, e ela tinha uma que passava por dentro do coração, ou seja, quando pressionada essa veia através de alguma emoção forte, ou esforço físico poderia causar um infarto… E foi nesse momento que a resposta chegou, se eu tivesse nascido dos meus pais, minha mãe teria morrido no parto… Porque o coração dela não iria suportar tamanho esforço durante a gestação e durante o parto…
Infelizmente ela veio a falecer em dezembro de 2013, aos meus 21 anos, de infarto fulminante!

Mas veja como é a vida, né… Surpreendente! ❤

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Mãe de três!

15046268_1162257083854972_1320396800_nEu sempre achei que seria mãe de menino. Sempre! Quando eu fazia aquelas brincadeiras do colar quando era criança(balançando pra frente e pra trás é menino, se rodar menina) sempre aparecia pra mim 3 filhos: uma menina, depois menino, depois menina de novo. Quando eu engravidei a primeira vez com 17 pra 18 anos eu disse pra todos que era um menino, mas a minha intuição se confundiu com a minha vontade. Assim eu recebi meu 1°amor, minha filha Giovana. Aí veio a faculdade, o trabalho, a casa própria, o carro, o amadurecimento e os planos para outro filho(a) foram ficando cada dia mais esquecidos… Até que em abril de 2014 eu tive um sonho. Estava eu um campo enorme, muito florido, muito calmo, parecia um Céu, e um senhor vinha falar comigo. Ele dizia: “Tem um filho esperando por você. Ele é seu. Mas manda dizer que ele tem uma alma gêmea e que se você permitir que ele venha ela virá junto”. E eu respondia: ” Mas eu não quero ficar com 3 filhos, só quero 2 e eu já tenho uma filha, então eu posso escolher só o menino ou só a menina?” E ele disse: “Não! O filho é ele, mas ela vem junto com ele”. E eu acordei bastante impressionada. Pensei que se engravidasse seria um casal de gêmeos. No ano seguinte, em julho de 2015 eu e meu marido começamos a cogitar a idéia de aumentar a família e na mesma semana em que parei o remédio eu engravidei. Foi a maior alegria da minha vida, já que a gravidez da Giovana não havia sido planejada. Dessa vez seria tudo diferente! A notícia foi comemorada e festejada. No mês seguinte me encaminhei pra minha primeira ultra, eu estava com 8 semanas de gestação e muito apreensiva, contando que iria ver na tela 2 bebês. Quando o exame começou o médico me disse: “É um único embrião e ele não possui batimento cardíaco. É um aborto retido. Sinto muito”. A maior alegria da minha vida foi também minha maior tristeza. Como isso estava acontecendo? Deus, logo comigo?! Eu ainda carreguei aquele bebê morto 15 dias na minha barriga até fazer a curetagem, e decidi que outro filho nem tão cedo… Eu estava dilacerada e não queria que o próximo filho(a) “carregasse” minha culpa, meus medos, meus anseios, minha angústia, minha desesperança…. Mas eu nem respirei. Terminei meus exames, e grávida de novo no mês posterior. Mas já? Que aflição, quanto desespero. Deus me deu uma nova vida pra cuidar e amar. Eu até costumava dizer que eu engravidei de gêmeos sim, só que eles vieram com 1 mês de diferença. E os sonhos voltaram. Eu sonhava com menino, ora sonhava com menina, 4 ultras já realizadas e nada desse bebê mostrar o que era. Até que finalmente com 24 semanas….Surpresa!!!! É outra menina. Eu teria mais uma mocinha na minha vida. Eu e minha família já estávamos ansiosamente aguardando a chegada de Isadora. Algum tempo se passou e eu fui ao Centro da Cidade naqueles ônibus de viagem, a bateria do meu celular descarregou e resolvi tirar um cochilinho(coisas de grávida). Lá estou eu dormindo e mais um sonho chegou. Eu estava naquele mesmo campo e um menino lindo, apesar de não me lembrar bem de suas expressões, com asinhas de anjo corria na minha direção. Ele não falava, apenas sorria, mas uma voz vinha na minha cabeça: “Mamãe, eu precisava ser amado. Mas ela precisava nascer. Cuida dela”. Eu acordei com lágrimas nos olhos. O meu filho é um anjo e ele sabe que foi amado, que eu vou amá-lo eternamente. Um dia ainda quero carregá-lo no colo e brincar com meu menino nesse campo florido…
Eu moro no RJ e essa semana fez muito calor por aqui. Fui até a varanda do apartamento tentar pegar um ventinho com a Isadora que estava um pouco irritada. Ela atualmente está com 3 meses de vida. Após 5 minutos começou a chover bem forte, mas só do lado direito do Céu. Do lado esquerdo fazia sol e um arco-iris apareceu. Foi então que comecei a contar um pouquinho dessa história pra ela. Disse que ela tinha um irmão que era seu anjo da guarda, sua alma gêmea, e que ele foi muito amado. E ela representava pra mim aquele arco-iris no Céu. Aquele que não apaga a dor da tempestade, mas vem pra nos mostrar que a vida continua bela. Nesse momento ela sorriu, deu um pulinho no meu colo e eu tive a certeza que ela entendeu tudo que eu expliquei a ela.
Segundo a psicanalista Françoise Dolto, ao falar com os bebês eles apresentam alterações sintomáticas mostrando que sabem falar e que compreendem nossa linguagem. Portanto precisamos contar a eles suas histórias de vida, e várias vezes, assim a criança vai compreendendo aquilo que é explicado.
E vocês, conversam com seus bebês?

Samuel, como é grande o meu amor por você!

Samuel, amor da minha vida, luz dos meus olhos, meu pedacinho do céu, meu anjo, meu menino, meu filho do meio, hoje é o seu dia, o nosso dia 21 especial. Dois anos se passaram e até hoje não consigo mensurar o tamanho do amor e da saudade que sinto por você meu amor.
Amor e saudades que andam lado a lado, sem tamanho, impossível de controlar, impossível de medir, impossível não sentir.
Dois anos e não há um dia que não penso em você, dois anos em que te amo mais que a mim mesma, dois anos que um pedaço do meu coração bate no céu, dois anos que Sophia se tornou irmã mais velha e a melhor irmã do mundo, dois anos que você chegou, partiu e virou nossas vidas pelo avesso nos fazendo enxergar a vida por outro ângulo.
Hoje nós somos cinco, nossa família cresceu e o amor multiplicou. Gratidão por ser sua mãe! Você é um filho muito amado e sua memória será guardada e honrada para sempre. Nós te amamos daqui até a eternidade!
Feliz 2 anos no céu!
Em memória de Samuel – 21/11/2015.
Homenagem da mãe Erica Jordana Coelho ao seu filho Samuel

Nosso lindo arco-íris

Há um tempo atrás enviei minha historia e hoje quero repartir com voces a chegada de meu arco iris.

Descobri a terceira gestação no dia 12/09, bem no dia do meu aniversario. Não me cabia de alegria e tambem de medo que tudo fosse se repetir, mas, ao mesmo tempo, me apagava muito a palavra de Deus e suas promessas. Tive uma gestção tranquila até as 25 semanas, quando meu menino resolveu que queria nascer e tive que ficar de repouso absoluto.

O tempo foi passando e a expectativa de sua chegada só aumentava… com 34 semanas percebi que minha barriga parou de crescer, eu passava em consulta toda semana, pois minha primeira gestação foi bem tumultuada e minha princesa nasceu tb de 34 semanas. A medica sempre dizia o mesmo, que estava tudo bem, mais no fundo eu sentia medo de perde – lo. Fiz varios ultras e neles todos apresentavam um bebe de aproximadamente 3500kilos.

Com 39 semanas e muito angustiada como de costume, voltei na consulta e lá ele me disse que iria esperar mais uma semana, sai de arrasada, sentindo que não estava bem com ele, minha pressão acabou subindo e fui para o pronto socorro. Fui muito bem atendida e mais uma vez fui para o ultrassom, esse ja constava que meu bebe estava com 2500k e quase sem liquido. Quando voltei para passar com o medico, o plantão tinha trocado e o que me atendeu deste vez pediu para eu observar em casae voltar em 3 dias …… sai de la chorando muito, não dormi a noite, sentia que cada vez mais meu sonho estava indo embora e ninguém me ouvia.

No dia seguinte, era uma quarta feira, resolvi que não passaria de quinta e que ele teria que nascer  de qualquer forma. Ajeitei tudo em minha casa e a noite por conta propria fiz meu jejum, só pedia à Deus que colocasse um bom medico em meu caminho, pois não queria perder meu bebe. Levantei na quinta feira, como de costume levei uma filha na escola e de lá eu e meu marido fomos para o hospital. Lá encontrei uma medica abençoada que olhou meus exames e disse que ele ja deveria ter nascido e que seria aquela hora o parto!

Quanta aleria senti naquele momento!!!! meu bebe nasceu bem pequeno , com 2300kilos, foi amparado por uma excelente pediatra, que sou grata demais por cuidar com muito carinho de meus filhos. Foi um momento mais que abençoado, sentia medo e tanta felicidade juntos que em alguns momentos não sabia onde eu estava. A unica coisa que pensava em todos os minutos é que a promessa de Deus se cumpria. Ele tem um tempo para cada coisa, para cada um e que havia chegado o momento de completar novamente meu coração. Se eu esqueço daquele que Deus levou, jamais!!! Mas compreendo perfeitamente seus planos e livramentos, nada acontece sem Sua permissão.

Ver minha primogênita – Sophia – conhecendo o irmão foi algo maravilhoso, era algo que ela tambem desejava muito, meu esposo cuidando de nós com tanto amor só forteleceu ainda mai nossas vidas. Aquele momento de ir embora para casa com o sentimento de dever cumprido não sai da minha mente: vejo o corredor do hospital e nós 4 caminhando com muita alegria. E para completar, minha alta foi bem no domingo do dia das mães, caia uma chuva fina, foi mesmo para lavar a alma e quando entrei em casa, saiu um belo arco iris e aquele sol lindo.

Já sobre o meu bebe Leonardo, ele estava com 3 voltas do cordão no pescoço, sem liquido nenhum e teve uma perda de peso uterina de aproximadamente 1 kilo. Hoje ele esta com 6 meses, ilumina nossa casa e preenche nossos corações. Sinto o poder de Deus a todo momento, que Ele realmente é um milagre e que mesmo tendo um otimo plano de saude as coisas pra dar errado e destruir nossos sonhos acontecem muito rápido.

Relato da mãe Maria Mansette

Não vou poder te ensinar a andar porque você já nasceu sabendo voar

Me chamo Fatinha Gomes, tenho 25 anos e tentei engravidar por 2 anos seguidos. Então em março de 2016 veio o tão sonhado positivo. A felicidade tomou conta de mim do meu marido. Pena que nossa alegria durou apenas 1 semana: tive um aborto com 5 semanas de gestação.

Então outubro de 2016 senti muitas dores depois da menstruação e fui ao hospital, e chegando lá, descobri que estava grávida novamente. O medo tomou conta de mim, pois faziam 15 dias que eu achava que tinha descido a suposta regra. Com 2 semanas depois do positivo, veio outra perda. Uma dor sem fim.

Passou o tempo e em abril de 2017, tive novamente uma  gestação e foi interrompida  com 5 semanas novamente. Então desisti de tentar, e me dediquei a mim, entrei na academia, aprendi novos esportes e  em agosto de 2017 uma surpresa: regra atrasou e estava lá meu positivo.

Desta vez, tentei não deixar o medo tomar conta e seguimos em frente, mas com 7 semanas decobri um hematoma Subcorionico que não risco para o bebê, então vencemos o hematoma e as 14s+5dias senti muitas dores, fui ao hospital  2x e o bebe estava bem e nada de grave passava, mas a dor não passava. Foram 24hs de dor e os médicos me deram medicamento para expulsar meu bebe, sem me consultar, sem me explicar o que estava passando. Fizeram tudo escondido de mim, só vi que  era meu bebé quando a bolsa rompeu que veio a multidão de médicos em cima de mim, eu fiquei sem chão, estava te perdendo meu amor mais não podia fazer nada.

Meu coração ainda esta em luto, meu anjo Mateo sempre será lembrado, te amarei eternamente.
Relato da mãe Fátima Gomes

Matheus: meu presente de Deus

Joana D’arc é uma das co-autoras do nosso livro coletivo – “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”. Compartilhamos com vocês trechos de mais um lindo e emocionante relato sobre a perda do seu filho Matheus, com quem teve o privilégio de viver num só corpo por 9 meses.
“Há exatos dois anos e dez meses, você veio e nos deixou. Na verdade, você nem ficou direito neste mundo, que é ao mesmo tempo tão louco e tão belo. Sua vida se resumiu ao período em que eu e você éramos um mundo só: eu o seu; você o meu.
…Poucas vezes parei para perceber tudo o que me ensinaste e ainda ensina; uma das poucas certezas sobre isso é que sou mais forte do que supunha ser, graças à nossa espiritualidade e apoio dos amigos que queriam tanto o seu bem.
…És o nosso presente de Deus, nosso anjo, você veio para me ensinar a amar alguém acima e além de mim mesma, e até da morte, uma triste e dolorosa separação, mas que ao mesmo tempo traz o consolo de termos feito o melhor que pudemos da maneira que melhor soubemos fazer.
…Gratidão a Deus por ter me permitido receber e amar você. Por me revelar amigos que sentiram como se você fosse parte da família deles. Que me incentivaram a agradecer pela oportunidade de gestar você, no meu corpo e meu coração. Que nunca duvidaram da minha maternidade, como eu mesma duvidei; se amei você desde o momento que desconfiei estar grávida, como não ser sua mãe? Eu me tornei sua mãe desde o momento que pensava em ficar grávida e “descobri” estar, porque amei você a cada instante. Mesmo distante, ainda te amo. És o amo do meu amor por você; não viraste uma estrela, elas são muito distantes apesar de belas; viraste meu anjo, o anjo que carrego em meu coração, que sinto de alguma maneira presente, em mim e na minha vida hoje, que amo e sempre vou amar; ainda que tenha outros filhos, além da sua irmã que hoje recebe o amor que tínhamos guardados para lhe dar, a ela damos e daremos a quem mais vier por nós; nós nunca esquecemos de você, nosso anjo, nosso eterno amor, porque é assim que tem que ser, a cada dia enquanto viver, vou amar você, meu presente de Deus, meu anjo Matheus.”
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Otto, nosso pequeno príncipe e gigante Fukushi

“Fuku” significa “boa sorte” e Shi, “filho”. Então, Fukushi é “Filho da Boa Sorte, aquele que vem para ensinar e salvar os pais”
Assim Jeane Bandeira, co-autora do nosso livro coletivo “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”,  chamou seu filho no emocionante relato sobre como foi e é passar pela perda do Otto. Publicamos hoje trechos deste relato abaixo:
“…Dividir o peso das coisas tem um significado maior do que se imagina, pois eu e Rafa não temos que lidar apenas com a morte do nosso filho, temos que lidar com a nossa também. Algo morre dentro de quem perde um filho. Momentaneamente mata-se a esperança, mata-se a fé em alguma coisa, mata-se a própria vontade de existir. Eu sei o que é entrar em casa, olhar Rafa e ver nos olhos dele uma dor que é tão minha. Olhar o teto e tentar chorar baixinho para não acordar o outro e ter uma mão te procurando no escuro fazendo a mesma coisa. É ver que a gente tenta junto apaziguar nossas dores, crescer, evoluir, fazer com que a presença do nosso filho seja constante dentro dessa
casa, dentro de nós.
…Passado o estágio de letargia dos dias iniciais, em que eu tinha a certeza que teria um infarto, que eu não iria mais conseguir me levantar da cama, nem acordar um dia sequer sem chorar quando eu constatava que Otto não estava mais aqui; vi que no calendário passou um mês e constatei que, dentro de mim, foram séculos. Eu não sei descrever a
quantidade de emoções que vivi durante esse tempo. A perda, a revolta, a raiva. O amor, a solidariedade das pessoas queridas, o carinho, a forma como falaram do nosso filho. Eu ouvi muito: “Você é forte!” e cheguei à conclusão que não sou – eu me tornei. A ocasião me fez sê-lo, assim como Rafa, assim como nossas famílias, mas o que me fez chegar até aqui, aos trancos e barrancos, foi Otto.
…É uma dor que não passa, mas até dela eu sei que posso tirar algo de bom. Eu sei que ainda virão dias de raiva, de dor profunda. Isso faz parte do luto, faz parte de mim. Mas tenho certeza que dias bem melhoresvirão e que, em um deles, eu me pegarei rindo de uma coisa à toa e descobrirei novas cores nesse caminho que me façam feliz e mais leve.
Um dia a saudade deixa de pesar e vai ser apenas o amor eterno que fica – esse amor que me ensinou tantas coisas, esse amor que ninguém tira de mim. Ele veio e se foi, mas não sem antes criar laços, nos modificar, nos fazer melhores, mais humanos e mais felizes. E por sua breve passagem nas nossas vidas, eu e Rafa só temos a agradecer. Gratidão por você em nossas vidas, filho. Sempre!
Jeane Bandeira e Rafael Fernandes Guanabara
Os pais de Otto Bandeira Fernandes Guanabara, nosso amor maior.
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Setembro, sempre será inesquecível

Ola, meu nome e Erika e assim como todas que acompanham essa pagina, passei por uma perda gestacional!
  Descobri minha gravidez com 1 dia de atraso em janeiro de 2016, tinha acabado de me recuperar de um serio acidente de carro.
  Engravidar nao foi facil, esperamos muito, mais de 10 anos, nesse tempo foram inumeros testes, varios medicos, ate que tive um diagnostico tardio de endometriose. Fiz a cirurgia e depois meu marido apresentou baixa mobilidade… fomos encaminhados para outro medico, porque o que estava nos atendendo nao deu muitas esperancas…
   Esse novo medico, porem, disse que nao via problemas, e nos tranquilizou. Ele disse que engravidar naturalmente ia ser muito dificil, e recomendou a inseminacao artificial… Fiz varias, e toda vez aquela angustia, pois o fator idade pesava muito, tinha 37 anos, e corria contra o tempo!
   Depois que descobri atraves de um teste de farmacia, fomos no dia seguinte ao medico. Ele ficou surpreso, pois era muito cedo ainda, estava com 4 semanas, pediu que voltassemos daqui 2 semanas… Quando voltamos, ele confirmou a gravidez atraves do ultrassom, porem foi nos dito que para 6 semanas, o feto era muito pequeno… o retorno foi em 2 semanas, atraves do ultra foi me dito que nao havia batimentos… Eu nao acreditei, achei que fosse morrer, eu queria morrer…
   O medico explicava para meu marido e eu lutando para nao desabar, disse que era comum na primeira gestacao, que provavelmente parou de se desenvolver na setima semana… Me senti inutil, fiquei com raiva de mim, do mundo, da vida…
   No dia seguinte era feriado aqui, entao o medico pediu para que fosse na sexta, colocar o remedio para abrir o colo do utero, fiquei 1 dia inteiro com meu filho na barriga sabendo que ele estava morto. Chorei tanto, era uma dor insuportavel no peito!
   Fiquei internada meio periodo, pra fazer a curetagem, moro no Japao, as coisas aqui sao diferentes, e um pais onde o aborto é permitido, o que faz com que nao seja precido ir a um hospital, a clinica mesmo se encarrega de fazer, e algo comum…
   Nao era permitido acompanhante, entao fiquei la sozinha… o procedimento foi rapido, acordei meio tonta, estava sangrando muito, a enfermeira foi boa comigo, mas avisou que teria que levantar e me vestir sozinha…
   Segurei o tempo todo para nao chorar… Quando voltei pra casa, eu desabei… Que dor horrivel, ninguem deveria sentir aquilo! Achei a vida injusta porque tanta gente consegue filho, e depois abandona, ou nao cuida direito…
   Passei 3 dias evitando falar com as pessoas, pedi um tempo para meus amigos, e so me comunicava por mensagens, e-mails, porque eu nao conseguia falar… Meu marido chegou num ponto de me mandar parar! Que era pra seguir em frente!
   Custou muito mas me levantei, voltei a trabalhar, mas sempre chorava, escondida, porque queria me mostrar forte!
   Logo que parou o sangramento, fui liberada para tentar novamente no mes seguinte, confesso que ja estava perdendo as esperancas…
   Nesse tempo, varias amigas engravidaram ou pariram…
   Quando chegou o mes de setembro, me doeu tanto, pois a data prevista era dia 16, aniversario de um primo proximo… comemoramos o aniversario dele, lembrando que meu filho nasceria por esses dias…
   O tempo passou, continuei me submetendo ao tratamento…  Foi-se o Natal,  Ano Novo… Era janeiro e tudo se repitiu, atrasei 1, 2, 3 dias… Nao contei a ninguem, fiz o teste e la estava meu positivo!
   Um misto de felicidade e medo! Medo de que acontecesse tudo de novo…
   Mas dessa vez a vida foi maravilhosa! Em setembro de 2017, no dia 21, como previsto, nasceu meu bebe tao esperado!
   Exatamente 1 ano! As vezes penso que meu bebe foi embora e voltou agora… Era pra eu ter um bebe em setembro!
   Apesar de comprido, essa e uma versao resumida do que passamos. Mas eu gostaria de passar uma mensagem de fe, persistencia, luta e amor!
   A dor e imensa, mas nao podemos desistir de nossos sonhos!
   Eu olho para meu filho e penso que valeu todo o esforco, as dores durante o tratamento…
   E quando o Noah nasceu, eu pensei na minha estrelinha, que ele ou ela esteja bem! Que nunca vou esquecer, e que sempre minha estrelinha vai ser meu primeiro bebe!❤
Relato da Mãe Erika Kajihara

Meu anjinho da guarda

Descobrir que seria mãe foi o momento mais emocionante da minha vida, foi um misto de surpresa, medo, alegria e amor. Eu me sentia muito assustada, pois não sabia como seria minha vida, se seria uma boa mãe, se era o momento certo de ter um filho… no primeiro momento eu não aceitei muito bem a ideia, eu chorei muito, principalmente pelo medo, mas logo em seguida fiquei extremamente feliz com a novidade.
Já imaginava como seria meu bebê, como seria pegar ele no colo…Meus pais não aceitaram bem, pois eu estava terminando o último semestre da faculdade de enfermagem, mas logo em seguida ficaram felizes por mim. Meu ex-companheiro ficou extremamente feliz, ele queria muito ser pai. Foi em maio (mês do meu aniversário) que recebi esse presente do Papai do Céu. Fiz os exames, escutei o coração e foi o som mais lindo, seu coração era tão forte que eu sentia que tudo daria certo dali pra frente. Eu ia me esforçar e faria tudo pelo meu filho, para vê-lo feliz.
No dia 27/07/2017 estava com 14 semanas, fomos fazer a translucência nucal, eu estava muito nervosa, porque podia saber o sexo. Já tinha escolhido os nomes e queria finalmente te chamar pelo seu nome, mas não foi assim que aconteceu. A Dra. que fez o exame viu algo errado, uma malformação da parede abdominal: seu coração e intestino estavam para fora do corpo e a princípio o seu diagnóstico era grave. Eu entrei em pânico, não sabia o que fazer, o que pensar… ela nos disse que a princípio uma cirurgia extremamente arriscada poderia te salvar.
Nessa noite eu fiz uma oração pedindo a Deus forças, eu entendia a gravidade, mas não conseguia deixar de ter fé… nesse dia eu pedi a Deus que fosse feita a vontade Dele, eu queria muito mais do que nunca meu filho, me arrependia de qualquer pensamento que estivesse passado em minha cabeça logo no início quando eu descobri e tinha medo. Eu queria muito meu filho comigo….
Voltamos no dia seguinte para repetir os exames e então fomos encaminhados para um hospital de referência de partos de alto risco da minha cidade, fomos no mesmo dia (28/07/2017). Quando a dr. Daniela fez os exames e quando ela me olhou, eu sabia que algo estava errado. Ela me disse que sua malformação era incompatível com a vida extrauterina, fiquei sem chão. Doeu tanto ouvir isso. Eu queria que tudo aquilo fosse mentira, mas infelizmente não era. Ela gentilmente me deu um abraço com o maior carinho do mundo e disse que você veio ao mundo com uma missão diferente, missão essa que ainda iríamos descobrir. Que Deus nunca, jamais erra. Que você não era um erro e que você era perfeito do jeito que você era.
Ouvir que teria que interromper a gestação me tirou o ar, a força, a esperança. Foi uma dor indescritível…  Eu ainda a sinto todos os dias. A Dr. Daniela me disse para ir para casa, descansar e pensar o impensável.  Na segunda (dia 31/07/ 2017), teria consulta com a minha obstetra. Esse final de semana foi o mais difícil: eu sentia você mexer bem levemente, eu pedia a Deus forças pra enfrentar tudo isso, mas me sentia impotente. Meu ex- companheiro ficou todo o tempo do meu lado, ele sofreu tanto quanto eu. No sábado , eu fiz um pedido: pedi para Deus não me deixar decidir porque eu não teria coragem… decidi que iria aceitar o que Ele tinha preparado pra gente. Eu seria feliz e grata pelo tempo que Ele me desse com você.
No dia da consulta, seu coração parou de bater. Foi devastador, eu sabia que você poderia estar sofrendo, que você não poderia sobreviver e que teríamos pouco tempo, mas eu não queria acreditar que meu sonho de ser mãe tinha acabado. Fui no hospital no dia seguinte fazer os procedimentos e aconteceram momentos super complicados: uma enfermeira que estava grávida  e que também tinha perdido um bebê disse que era “assim mesmo, que Deus tira, mas também ele dá outro.” Como se um filho substituísse outro. Ouvi também que era “melhor assim enquanto ainda estava pequeno e que não ia doer muito.” Ninguém tinha noção do tamanho da dor que eu sentia. Foi horrível passar por tudo: as contrações, a dor e não ter você em meus braços. A médica plantonista fez um “exame” em você do meu lado e falou que “era por isso, pelas malformações” que eu tinha sofrido o aborto. Ouvir das enfermeiras que eu era a “curetagem”…como se fosse algo normal… Foram poucas as pessoas que me olharam, me falaram que tudo ia ficar bem. Que levaram em consideração que você existiu, era uma vida, a minha vida, meu filho.
Os primeiros dias sem você foram quase insuportáveis, meus familiares queriam me ajudar, mas eles tratavam como se você não tivesse existido… Além disso, não conseguia olhar pro meu sobrinho (de 5 meses) e não lembrar de você, de culpar Deus, de me culpar, de achar a vida extremamente injusta por ter me dado um presente e ter me tirado de maneira tão cruel!
Hoje a saudade aperta, olho suas roupinhas e sinto sua falta. A dor não diminuiu, mas ao poucos eu vou ficando mais forte, aprendendo que você é meu Anjinho da Guarda, que você que cuidará de mim ao contrário do que eu imaginei. Você é minha luz, meu filho amado e querido e pra sempre estará comigo. Não pude escolher seu nome, te pegar no colo, nem ver você dar seus primeiros passos ou ouvir suas primeiras palavras, mas saiba que você  me mudou de todas as formas possíveis: me ensinou o que é o verdadeiro amor. Nesses poucos meses que ficamos juntos eu aprendi mais com você do que jamais aprendi com alguém. Eu te amo além da vida e sei que algum dia ainda vamos nos reencontrar.
Relato de uma uma mãe de anjo