Não nasceu de mim, mas nasceu para mim!

whatsapp-image-2016-11-19-at-00-31-50Bem, vamos a minha história…. ❤

Mas antes de começar a relatá-la, gostaria apenas de adaptar a frase que está escrita na imagem que escolhi para ilustrar.

“Ser mãe e ser pai é toda pessoa que tem o coração permanentemente grávido de amor.”

Agora sim, rsrsrs!

Meus pais se casaram e depois de um tempinho começaram a tentar engravidar e não conseguiram, fizeram diversos exames, nos quais ambos seriam aptos a ter uma gravidez de forma natural, afinal não tinham nenhum problema detectado…
Mas durante 15 anos ficaram na tentativa de engravidar e simplesmente não conseguiam, e não tinham resposta para não conseguir, todos os exames de investigação tinham sido realizados, os dois tinham tudo para engravidar mas não engravidavam…
Até que a ginecologista da minha mãe, conversou com ela e disse que ela poderia optar por duas saídas, uma seria a fertilização e a outra seria a adoção…. Porém na década de 90 a ciência não lidava com fetos que tinham alguma anomalia, e minha mãe não queria correr o risco de precisar passar pelo aborto, ela queria o filho da forma que Deus mandasse, independente da criança ser fisicamente e mentalmente “perfeita” ou não…
Então, ela e meu pai preferiram recorrer a adoção ao invés da fertilização…
E foi assim que tudo começou a acontecer, meus pais entraram em lista de espera nos orfanatos, porém, como a adoção é burocraticamente complicada, eles esperam, esperaram, mas o retorno do tão sonhado filho(a) não chegava… E minha mãe começou a ficar muito abalada emocionalmente, ela sempre relatou que quando estava passeando ou resolvendo coisas do dia a dia, por onde ela passava procurava pra ver se alguma criança tinha sido abandonada na rua, e vendo que isso não estava legal, e que o sofrimento já estava se tornando insuportável, ela decidiu não ficar mais procurando e resolveu voltar aos estudos para que assim, mais adiante ingressasse na faculdade de Direito.

Até que finalmente eu cheguei para eles no dia 30/12/1992, véspera de ano novo!
Assim que minha mãe me pegou no colo pela primeira vez, eu, uma bebezinha de apenas 25 dias, abri um sorriso para ela! E foi ali que nosso encontro aconteceu e minha história com os meus pais começou…

Eu fui um bebê arco íris, cheguei depois de uma tempestade que precisou durar 15 anos, mas que se não tivesse durado isso tudo, eu não teria sido o arco íris deles!

Às vezes não entendemos o que nos acontece, não temos respostas imediatas mas precisamos procurar acalmar nossos pensamentos para que assim possamos elaborar nossas emoções!

E quando eu tinha 13 anos, minha mãe teve o primeiro infarto…
E fez um cateterismo para descobrir o porquê ela tinha infartado, e nesse exame, descobriram que ela tinha um problema congênito no coração, que foi formado de uma forma não comum a da anatomia humana… O normal em todas as pessoas é a veia do coração passar por fora, e ela tinha uma que passava por dentro do coração, ou seja, quando pressionada essa veia através de alguma emoção forte, ou esforço físico poderia causar um infarto… E foi nesse momento que a resposta chegou, se eu tivesse nascido dos meus pais, minha mãe teria morrido no parto… Porque o coração dela não iria suportar tamanho esforço durante a gestação e durante o parto…
Infelizmente ela veio a falecer em dezembro de 2013, aos meus 21 anos, de infarto fulminante!

Mas veja como é a vida, né… Surpreendente! ❤

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Mãe de três!

15046268_1162257083854972_1320396800_nEu sempre achei que seria mãe de menino. Sempre! Quando eu fazia aquelas brincadeiras do colar quando era criança(balançando pra frente e pra trás é menino, se rodar menina) sempre aparecia pra mim 3 filhos: uma menina, depois menino, depois menina de novo. Quando eu engravidei a primeira vez com 17 pra 18 anos eu disse pra todos que era um menino, mas a minha intuição se confundiu com a minha vontade. Assim eu recebi meu 1°amor, minha filha Giovana. Aí veio a faculdade, o trabalho, a casa própria, o carro, o amadurecimento e os planos para outro filho(a) foram ficando cada dia mais esquecidos… Até que em abril de 2014 eu tive um sonho. Estava eu um campo enorme, muito florido, muito calmo, parecia um Céu, e um senhor vinha falar comigo. Ele dizia: “Tem um filho esperando por você. Ele é seu. Mas manda dizer que ele tem uma alma gêmea e que se você permitir que ele venha ela virá junto”. E eu respondia: ” Mas eu não quero ficar com 3 filhos, só quero 2 e eu já tenho uma filha, então eu posso escolher só o menino ou só a menina?” E ele disse: “Não! O filho é ele, mas ela vem junto com ele”. E eu acordei bastante impressionada. Pensei que se engravidasse seria um casal de gêmeos. No ano seguinte, em julho de 2015 eu e meu marido começamos a cogitar a idéia de aumentar a família e na mesma semana em que parei o remédio eu engravidei. Foi a maior alegria da minha vida, já que a gravidez da Giovana não havia sido planejada. Dessa vez seria tudo diferente! A notícia foi comemorada e festejada. No mês seguinte me encaminhei pra minha primeira ultra, eu estava com 8 semanas de gestação e muito apreensiva, contando que iria ver na tela 2 bebês. Quando o exame começou o médico me disse: “É um único embrião e ele não possui batimento cardíaco. É um aborto retido. Sinto muito”. A maior alegria da minha vida foi também minha maior tristeza. Como isso estava acontecendo? Deus, logo comigo?! Eu ainda carreguei aquele bebê morto 15 dias na minha barriga até fazer a curetagem, e decidi que outro filho nem tão cedo… Eu estava dilacerada e não queria que o próximo filho(a) “carregasse” minha culpa, meus medos, meus anseios, minha angústia, minha desesperança…. Mas eu nem respirei. Terminei meus exames, e grávida de novo no mês posterior. Mas já? Que aflição, quanto desespero. Deus me deu uma nova vida pra cuidar e amar. Eu até costumava dizer que eu engravidei de gêmeos sim, só que eles vieram com 1 mês de diferença. E os sonhos voltaram. Eu sonhava com menino, ora sonhava com menina, 4 ultras já realizadas e nada desse bebê mostrar o que era. Até que finalmente com 24 semanas….Surpresa!!!! É outra menina. Eu teria mais uma mocinha na minha vida. Eu e minha família já estávamos ansiosamente aguardando a chegada de Isadora. Algum tempo se passou e eu fui ao Centro da Cidade naqueles ônibus de viagem, a bateria do meu celular descarregou e resolvi tirar um cochilinho(coisas de grávida). Lá estou eu dormindo e mais um sonho chegou. Eu estava naquele mesmo campo e um menino lindo, apesar de não me lembrar bem de suas expressões, com asinhas de anjo corria na minha direção. Ele não falava, apenas sorria, mas uma voz vinha na minha cabeça: “Mamãe, eu precisava ser amado. Mas ela precisava nascer. Cuida dela”. Eu acordei com lágrimas nos olhos. O meu filho é um anjo e ele sabe que foi amado, que eu vou amá-lo eternamente. Um dia ainda quero carregá-lo no colo e brincar com meu menino nesse campo florido…
Eu moro no RJ e essa semana fez muito calor por aqui. Fui até a varanda do apartamento tentar pegar um ventinho com a Isadora que estava um pouco irritada. Ela atualmente está com 3 meses de vida. Após 5 minutos começou a chover bem forte, mas só do lado direito do Céu. Do lado esquerdo fazia sol e um arco-iris apareceu. Foi então que comecei a contar um pouquinho dessa história pra ela. Disse que ela tinha um irmão que era seu anjo da guarda, sua alma gêmea, e que ele foi muito amado. E ela representava pra mim aquele arco-iris no Céu. Aquele que não apaga a dor da tempestade, mas vem pra nos mostrar que a vida continua bela. Nesse momento ela sorriu, deu um pulinho no meu colo e eu tive a certeza que ela entendeu tudo que eu expliquei a ela.
Segundo a psicanalista Françoise Dolto, ao falar com os bebês eles apresentam alterações sintomáticas mostrando que sabem falar e que compreendem nossa linguagem. Portanto precisamos contar a eles suas histórias de vida, e várias vezes, assim a criança vai compreendendo aquilo que é explicado.
E vocês, conversam com seus bebês?

Quatro letras

Queridos (as) seguidores (as)

Estamos republicando trechos do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”, pois temos recebido agradecimentos de seguidores nos dizendo como as histórias e relatos os tem ajudado em seus lutos pelas perdas de seus filhos.

Hoje republicamos trechos do relato intitulado “Quatro Letras”, cuja autora é a escritora e colaboradora da nossa equipe Flávia Camargo.

“Logo no início das tentativas, em 2014, engravidei. Como tinha planejado tudo nos mínimos detalhes, assim que recebi o resultado positivo do teste, comecei a escrever cartas para o meu bebê com o objetivo de registrar sua história desde a época da concepção. Não tive enjoos e a gestação do Igor transcorria sem problemas. Eu me consultava periodicamente com a obstetra e a nutricionista, seguia adequadamente as recomendações e meus exames estavam ótimos. Só que fui surpreendida na 33a semana, e o que estava perfeito, se transformou no extremo oposto.

No dia 7 de janeiro de 2015, preocupada com o fato de o bebê estar quieto desde o dia anterior, dei entrada no hospital para fazer uma ultrassonografia. Eu me sentia muito bem e não teria buscado atendimento se não fosse unicamente por causa da diminuição dos movimentos fetais. Depois de um tempo, fiquei sabendo que ir ao hospital foi o que salvou a minha vida. Quando passei pela triagem da emergência, minha pressão estava 13×8 e, quarenta minutos depois, pulou para 24×7. Nesse pequeno intervalo, senti uma dor abdominal muito forte e meu fígado rompeu. O Igor precisou nascer imediatamente – com sete meses e meio – pesando 1,4 quilo e medindo apenas quarenta centímetros.

….

Mães e pais que perdem um bebê tão prematuramente tendem a se considerar culpados, mas eu decidi não adotar essa conduta, porque ela só pioraria as coisas. Estou certa de que não deixei de fazer nada que estava ao meu alcance e concedi a mim mesma o direito de não carregar uma culpa que não me pertence. Depois de um tempo, constatei que usufruir dessa liberdade e enxergar as coisas assim, foi essencial para manter o meu equilíbrio.

A morte do Igor nos fez descobrir que ser mãe e pai é maravilhoso, independentemente de quanto tempo essa experiência dure. Ele nos fez conhecer um amor incondicional, que não precisa ser retribuído para permanecer pulsando. Um amor que ultrapassa as barreiras físicas e nos faz enxergar além do efêmero e circunstancial. Esses aprendizados são muito preciosos! Perceber que as perdas também provocam ganhos é uma lição que podemos tirar até mesmo das situações mais duras da vida; assim, elas se tornam leves.”

Para comprar um exemplar do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”:

Versão impressa – está sendo vendida pela livraria online – O Livreiro Virtual.  Clique no link abaixo e terá acesso a diversas formas de pagamento e de entrega do livro:

 

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E para acessar a página da Flavia Camargo no Facebook, acesse: www.facebook.com/quatroletrasflaviacamargo

Minha melhor primavera!

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Era agosto de 2016, o mês que eu e meu ex-companheiro decidimos “deixar rolar”. Eu já tinha 29 anos e tinha um sonho muito grande de ser mãe. O médico disse que provavelmente demoraria até engravidar porque tomei anticoncepcional por muitos anos. Pura bobagem, início de setembro, junto com a primavera, eu já tinha uma pequena sementinha dentro de mim. Quando vi os dois risquinhos no teste foi uma confusão de sentimentos. Alegria, medo, ansiedade e aquela pergunta: será que vou dar conta?

Ficamos todos muito felizes, seria o primeiro neto dos meus pais mas no lugar da nossa alegria foi entrando a apreensão quando com 6 semanas tive um pequeno sangramento. Fizemos ultrassom e lá estava a sementinha, com o coraçãozinho batendo forte e essa foi a música mais linda que já ouvi na vida, o coração do meu bebê. Como sou sensitiva, sabia que era uma menina e já tinha até nome, Maria Luísa. Após essa ultrassom fiquei mais tranquila e estava esperando a data da outra em que confirmaria o sexo.

Porém, três noites seguidas sonhei que estava sangrando muito e como tenho muita sensibilidade, já sabia que havia algo de errado.

Marquei uma ultrassonografia e fui com uma amiga, não contei para minha família porque para eles esses meus pesadelos não tinham lógica.

E infelizmente se confirmou o que eu mais temia. Quando olhei para a tela não vi o bebê se mexendo. Não vi coraçãozinho batendo. Não vi mais nada. Fiquei só na espera do médico dar aquela triste notícia e quando ele falou: “é, parece que aconteceu algo de errado aqui!”, eu respondi: “não bate né?” E ele balançou a cabeça negativamente.

Meu mundo desmoronou, fiquei sem chão, em choque, em desespero, revoltada, arrasada, me sentindo incapaz, insuficiente, despreparada, desnorteada, e o que mais vinha na minha cabeça era: “por onde que eu recomeço?”

Sim, recomeçar, porque a partir do momento que descobri estar grávida, minha vida mudou completamente. Meus hábitos, meus cuidados, meu zelo com aquele serzinho, meus sonhos, meus planos, meus projetos, nada mais era só meu, em tudo eu pensava mais nela do que em mim. E agora, o que fazer se ela resolveu partir?

Eu tive duas opções, fazer a curetagem ou esperar o corpo expelir. Apesar de não ter sido fácil, optei pela segunda opção e não me arrependi. Em uma tarde sozinha eu “pari” em casa. Sempre quis um parto humanizado e domiciliar mas não daquela forma. Estava sozinha em casa e assim ela se foi pra sempre. Senti como se houvesse um buraco no meu ventre. Desespero.

Apesar de já ter passado 2 anos, ainda não consigo lembrar de tudo sem chorar. Ainda dói. Ainda é difícil. Ainda sofro.

Meu bebê se foi com 10 semanas e sem uma causa definida mas me ensinou algumas lições e apenas uma certeza: um dia iremos nos reencontrar!

Gabriela Garcia, médica veterinária e mãe da Malu.

Meu príncipe Benjamin

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Ola me chamo Marina, tenho 33 anos.
A minha historia aconteceu a 3 meses atras, eu estava gravida do meu primeiro filho Benjamin, e o perdi com 8 meses de gestação. Ele morreu de anoxia intra uterina, o motivo dele ter morrido foi porque eu adoeci.
Tudo começou no dia do chá de bebê dia 24 de junho..eu tinha preparado tudo os comes e bebés, mas no meio do chá comecei a vomitar e fui para o hospital, chegando lá, fui examinada e no ultrassom foi constatado que não havia batimentos cardíacos do meu Príncipe Benjamin. Eu não lembro como recebi a notícia, pois do dia 24 ao dia 28 eu não lembro nada. Os médicos dizem que tive sepse do trato urinário ou de foco abdominal. Porque eles não sabem direito o que aconteceu, mas acho que foi uma infecção de urina, mas eu estava bem até então. Tinha feito meus últimos exames no dia 02 de Junho, mostrei para a médica e ela disse que estava tudo ok. Então se fiquei com infecção foi de uns dias para frente, mas não apresentou sintomas, eu não ia no banheiro toda hora nem sentia nada. Sei que entrei no hospital em choque séptico, a famosa infecção generalizada me pegou, fui da emergência para a UTI, mas antes disso fizeram o parto do meu anjo, mas foi parto fórceps pois na Cesária eu tinha o risco de perder o útero. Os médicos informaram meu esposo que eu poderia entrar em óbito também, imagina a aflição que ele não ficou. Eu não vi o meu bebê, pois eu estava desacordada, estava muito ruim. Meu esposo segurou nosso filho no colo, ele disse que se parecia com ele. Minha mãe diz que ele tinha a boquinha tao linda. Pois ela viu no enterro dele, que eu também não fui, pois fiquei 10 dias na UTI e 14 no quarto, no total 24 dias internada. Minha sobrinha sempre me diz que o Benjamin era lindo, me faz muita falta não ter visto ele. Ate o mês passado eu estava passando nos médicos pois sai do hospital com alguns exames alterados, e sempre que alguém que cuidou de mim me vê, diz que foi Deus quem me deixou viva, pois era para eu ter morrido, mas graças a Deus estou bem, pena que sai disso tudo de colo vazio.
Eu já tinha tudo preparado berço, fraldas roupas, tudo que se pode imaginar. Mala da maternidade pronta só esperando a chegada do Benjamin. Mas nada saiu como planejei.
Sofro muito com a ausência do meu Príncipe, pois ele foi tão sonhado. Ele foi um bebê muito ativo mexia muito, eu me divertia bastante com os chutes e as sensações dele mexendo em meu ventre, e foram isso que me restou lembranças 😦
As roupas estão aqui no mesmo lugar, eu as pego, cheiro, choro e vou vivendo um dia após o outro. É muito difícil não chorar, não ficar triste. Já fui duas vezes visitar o túmulo dele, levo flores e fiz uma promessa a ele, prometi que eu faria de tudo para ser uma pessoa melhor para poder estar com ele novamente quando Jesus voltar.
Mas não tem sido nada fácil superar isso, as vezes peço a Deus que isso seja só um sonho e quando eu acordar vai estar tudo bem, porque eu queria tanto ter meu Benjamin em meus braços. Eu amo meu filho ele é meu filho e sempre sera, mesmo que para alguns ele não tenha nascido, para mim ele nasceu sim, mesmo sem vida. E sou mãe dele e sempre serei.
Relato enviado pela mãe Marina Pereira

“Para sempre Théo, menino da boquinha mais perfeita e dos traços mais doces!”  

Quem me conhece sabe o tamanho do meu sonho em ser mãe, e o quanto além desse sonho, era ser mãe de menino.

Théo sempre foi muito sonhado, e muito planejado! Desde 4 semanas de gravidez quando eu descobri o positivo, falava com a convicção total de que seria um menino… o meu tão sonhado menino… e algumas semanas ali pra frente fizemos a sexagem fetal e lá estava se confirmando o meu tão amado sonho!

Com 13 semanas, em uma manhã acordei rodeada de sangue, e ali logo pensei e disse ao meu marido, acho que tudo acabou, vamos ao hospital, e assim fomos, fizemos todos os exames possíveis e lá estava ele, firme e forte, graças a Deus nada tinha acontecido, era só um descolamento de placenta mais que em nada tinha atingido o Théo…

Nossa gestação foi super saudável e super acompanhada… Todos os meus sonhos com relação a ele foi concretizado! Quarto, carrinho, roupinhas… tudo!

Com 30 semanas de gestação, tudo estava pronto, até a mala de maternidade dele!

Com 33 semanas, em uma segunda-feira, senti fortes dores e uma sensação ruim na barriga… por orientação da minha médica fomos ao hospital, fizemos ultrassom, cardiotoco, mais uma vez tudo estava bem, e voltamos para casa. Porém naquela mesma semana, em uma sexta-feira, Théo não se mexia, pensei comigo, vou esperar até a hora do almoço às vezes é só uma preguicinha dele… Mais nada do Théo se mexer, então corremos ao hospital… E ali se confirmou que nosso tão sonhado e desejado Théo já não mais estava ali… Dormi com ele, e acordei sem ele… o motivo? Não existe! Théo era saudável! Perfeito!

Então ali de imediato a médica plantonista conversou conosco, e falou dos próximos procedimentos… Estariam induzindo o parto normal. Oi? Eu ouvi parto normal? Não! Pelo amor de Deus acabem logo com isso! Se eu pudesse faria ali uma cesária naquele exato momento para dar fim aquele sofrimento… Como se realmente fosse resolver…

Minha querida médica Dra. Janaína que já nos acompanhava chegou, conversou, me explicou e ok, aceitei começar a indução ao parto. Nossa querida Doula Erica também foi nos ver, e ajudou a me convencer que assim seria o melhor…

Sexta, sábado, domingo… Nada aconteceu! Meu corpo não correspondia a nada! Absolutamente nada! E devido a todo esse tempo, comecei a ter riscos para minha saúde… Então no domingo não tive outra opção, vamos para a cesária! Oi? Cesária? Mais e o parto normal? Infelizmente não mais seria possível!

Meu Deus! Quanto sofrimento! Quanta tortura!

Estava decidida, não quero ver o fim de tudo isso… E quando mais uma vez a Erica nos explicou a importância de ver nosso filho mesmo sem vida, a importância disso para a elaboração do luto… Disse a ela, não sei, acho que não verei, mais prometo pensar…

Então no domingo, após Dr Janaína me explicar os riscos que eu estava correndo, ela disse que ligaria para a minha Doula Erica e logo me prepararam para a cirurgia. Juro! Isso durou 10 minutos! Não consegui pensar em nada, estava muito nervosa, me tremia inteira! Mais estava tranquila por pelo menos ter tentado fazer o melhor… a cirurgia começou, de um lado meu marido e do outro lado minha Doula querida… sim ela chegou em menos de 10 minutos… Théo nasceu, não o vi logo de cara, só ouvi minha médica falando, Erica vc vai lá? E lá se foi a Erica cuidar do nosso anjo! Estava muito ansiosa e muito nervosa, ouço a Dra Janaína me perguntar, quer ver o bebê? Eu não pensei e disse sim! Quando de repente Erica volta, com nosso pequeno nos braços! Naquele momento ela me trouxe a vida que eu ali tinha perdido, sim meu filho em seus braços sem vida, mais que por alguns segundos foi a minha vida de volta, uma vez que ali eu já tinha deixado de existir! Senti uma felicidade é uma tristeza juntos, ao mesmo tempo e em mesma intensidade! Eu sorria chorando!

Théo era lindo, perfeito! A cara da mãezinha dele! Bochechudo igual ao ultrassom! Que bebê lindo! Então, pude abençoar ele, e dizer o quanto eu o amava, o papai o pegou em seus braços, e assim nos despedimos!

Erica me conta que absolutamente todos que estavam envolvidos foram de uma extrema humanidade com nosso pequeno, até em bercinho aquecido ele ficou! Alguns choraram junto à nossa perda, e nos ajudaram a passar por tudo isso!

Hoje faz exatamente um mês que Théo nos deixou, ainda não sei o propósito que Deus quis para nossas vidas, mais sei que agora tenho um anjinho olhando por nós a todo momento!

Só tenho a agradecer meu amado marido Arnaldo que não saiu um minuto se quer do meu lado… Agradeço imensamente e por toda minha vida pela médica linda que eu tenho, Dra. Janaína Ribeiro, que largou tudo o que fazia para cuidar de nós! E a nossa querida e amada Doula Erica Lima, que eu jamais por toda minha existência vou conseguir agradecer por tamanho cuidado que ela teve com nosso pequeno!

“Para sempre Théo, menino da boquinha mais perfeita e dos traços mais doces!”

(Erica Lima)

Relato enviado pela mãe Aline Magalhães

Carta para uma mãe que perdeu seu filho

Queridos (as) seguidores (as)

O nosso livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal” traz mais de 60 textos e relatos, histórias de amor, de dor e aprendizado pelas quais passaram muitos pais, mães e profissionais da área de saúde e que hoje confortam outras pessoas que vivem este luto hoje.

Abaixo, divulgamos trechos do relato da  Adriana Pittella Sudré, mãe do Rafael, seu primeiro filho que partiu na 34ª semana de gestação.

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“O dia 27 de setembro de 2014 ficará para sempre na minha lembrança. Nesse dia, recebemos a notícia da morte do Rafael, ainda dentro do útero, na 34ª semana de gestação. Hoje, quase um ano e meio depois, ao relembrar tudo o que vivenciei desde aquele dia, é impossível não reconhecer a grande transformação que aquele momento me proporcionou. Quando recebi o convite para escrever o meu relato e transmitir uma mensagem de superação para outras mães que passaram pela mesma dor, não pude deixar de pensar em como teria sido bom ter recebido uma mensagem como esta, naquele dia tão triste. Assim, inspirada nesse pensamento, resolvi “voltar no tempo” e escrever esta carta que gostaria tanto de ter recebido:

“Hoje seu coração foi partido em mil caquinhos e um abismo se abriu sob os seus pés. Ouvir a notícia de que o coração do seu filho já não bate mais no peito é algo tão insuportavelmente doloroso, que faz com que toda a alegria e esperança desapareçam como bolhas de sabão que estouram ao simples toque. Sim, a dor é grande, incapacitante e parece infinita. Mas é uma dor transformadora e que vai te mudar para sempre.

Saiba que a vida é cheia de coisas que nos fazem sofrer, mas o que fazemos a partir daí é que faz a diferença. Sim, você é forte e capaz de se reerguer, seguir em frente e aprender com a dor, apesar de agora tudo isso parecer algo tão distante. Não será uma tarefa fácil, mas você vai aprender que o abismo não é eterno, e que somos capazes de “juntar os caquinhos do coração”. Com o tempo a dor vai virar saudade, aos poucos, e será possível voltar a sorrir. Mas o choro às vezes será inevitável, e tenho certeza de que você chorará por ele até o fim da sua vida, pois o amor e a saudade são sentimentos eternos. Não se sinta culpada por chorar, pois as lágrimas expressam sentimentos, os quais sempre existirão, já que o amor não acaba com a morte.

Siga em frente, caminhando um dia de cada vez. Mas lembre-se de que você será sempre a mãe do Rafael, pois o título de mãe não é perdido quando se perde um filho, apesar do senso comum às vezes não reconhecer isso.

Portanto, quando a caminhada parecer impossível e a dor apertar no fundo do peito, lembre-se de todo o amor e aprendizado que a passagem do Rafael lhe proporcionou e use isso como força para seguir em frente. Você não será mais a mesma, pois esta dor tem um efeito transformador. Hoje será o primeiro dia de uma vida nova, cheia de aprendizado, superação e descoberta. Não tenha medo; você vai encontrar forças que nunca achou que existiriam. Um dia você vai ser capaz de “olhar para trás”, avaliar, ressignificar e ajudar outras pessoas. Acredite.”

 

Descansa em paz, meu filho João, mamãe te ama!

Com 18 semanas fui diagnosticada com placenta prévia uma gravidez turbulenta e muito repouso 24 semanas tive a primeira hemorragia 17 dias internada longe de casa da família voltei pra casa e conseguimos segurar até as 30 semanas as 5;30 da manhã minha bolsa rompeu e a hemorragia voltou com tudo fomos pra maternidade mas achando que seria mais uma hemorragia e em menos de 5 minutos João Felipe veio ao mundo com 39 cm pesando 1.580 foi entubado as pressas pois seu pulmãozinho não estava totalmente formado  em meio a toda essa turbulência o risco maior era meu pois  adquiri anemia no parto fiquei também depende do oxigênio enquanto tudo isso João estava estável na incubadora as 7 da noite depois de ter tomado a primeira bolsa de sangue tive força pra me senta em uma cadeira de rodas e ter nosso primeiro contato orei com ele acreditando no milagre de Deus voltei ao meu quarto descansei e as 11;20 voltei pra vê-lo já estava mais forte e fui até andando alegria imensa tomava conta de mim chegando na porta do berçário João estava tendo uma parada cardíaca me sentei ao lado de fora e esperei foi quando Deus me disse ;Filha entrega teu filho a mim.
Doloroso como eu senhor irei fazer isso me de forças João se estabilizou foi quando eu entrei e vi no olhar da médica que o João tinha piorado tinha somente 30% de chance Deus me deu forças pra viver aquela situação que nem eu achei que fosse tão forte foi então que as 11;30 da noite orei ao senhor e assim o entreguei ali fui pro quarto descansei e as 3:20 da manhã do dia 15/09 O senhor me deu o senhor o levou meu primeiro homenzinho meu pacotinho de amor meu anjo eterno João Felipe ele viveu 21 horas e assim Deus determinou seu tempo de vida trazendo muito amor e uma paz que excede todo entendimento.
Descansa em paz filho Mamãe ti ama.

Relato enviado pela mãe VivianeScreenshot_20180920-222028

Pra sempre, Alice

Queridos (as) seguidores (as)

Hoje publicamos trechos do relato da Raquel Couri, que faz parte do nosso livro Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal. Além de co-autora do livro, Raquel também é membro da nossa equipe desde 2015.

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” Vinte de março de 2015. Era véspera do início da primavera aqui nos Estados Unidos. E o nosso jardim não floresceu como imaginávamos. A nossa florzinha não chegou como planejado. Faltava tão pouco… três semanas… O nosso anjo foguetinho veio de surpresa, e também de surpresa nos deixou… Mas naquela noite, ela não se mexeu. Coloquei música para ela ouvir, pois adorava dançar na minha barriga. Não dançou. Era tarde, estava sozinha em casa com minha outra filha, Ana Carolina, de sete anos. Meu marido estava voando de volta do Brasil. E eu pensei: deve ser neura minha.

Quando ele chegou bem cedo no outro dia, disse que estava preocupada. Ele brincou com ela e disse: deve ser saudade do pai. Ela não respondeu. Ligamos para a médica, que nos mandou ir rapidamente para o hospital. No caminho, eu já sentia. Tinha algo errado. Mas o desespero alimentava a enorme esperança de que tudo acabaria bem. Já tinha tido um alarme falso, e pensava que tudo ia dar certo de novo. Entrei no hospital e fui rapidamente atendida. A enfermeira correu para escutar o coraçãozinho dela. Nada. Tentou várias posições. Nada. Eu sozinha na sala com ela, enquanto o meu marido cuidava da burocracia. Ela se desesperou. Eu mais ainda. Pedi para que chamassem meu marido, e ela também chamou a médica. Já nervosa, a médica nem conseguia fazer o aparelho de ultrassom funcionar. Meu marido, já comigo, repetia: – Vai ficar tudo bem. Mas não ficou. Quando ela enfim ligou o aparelho, olhou para mim, balançou a cabeça e disse: – Sinto muito.

Naquele momento, dei entrada no inferno… Era impossível acreditar que era verdade. Era a vida nos torturando com os maiores requintes de crueldade. Eu, enterrar minha filha? Meu bebê? Não podia ser verdade. Decidi cremá-la. Mas, antes, ainda tive a oportunidade de passar algumas horas com ela. A enfermeira-anjo, que me acompanhou naquela noite, me disse que eu poderia ficar com ela até quando eu quisesse. Até quando? Dá para ser para sempre?

…Encostei a pele dela na minha. Precisava senti-la. E sim, cheguei a pensar que um milagre aconteceria e que ela acordaria. Depois de um tempo, uma única enfermeira, claramente desavisada, entrou no quarto e disse:

– Que linda a sua filha! Parabéns!

Com um punhal no peito, saíram as palavras mais difíceis que já pronunciei em qualquer idioma:

– Mas ela está morta.

Nesse momento, sabia que tinha chegado a hora de nos despedir. Foi o adeus mais dolorido da minha vida.

…Lidar com a minha dor já era quase impossível. Mas lidar com a dor da minha filha, era insuportável. Como explicar o inexplicável para ela? Como dizer para uma criança de sete anos que a irmã tão esperada não viria mais? Fizemos tantos planos…

…Começam os “nãos”: Não pode se desesperar! Não adianta ficar se perguntando o porquê. Não tem resposta. Não brigue com Deus – ele sabe o que faz. Não reclame, você já tem outra filha. Não se desespere. Ela precisa de você. Não se culpe. Não se preocupe, você terá outro bebê. Quem disse que quero outro? Quero a Alice! Não chore mais! Ah, não! Nem chorar posso? Me tiram minha filha, sem aviso prévio nenhum, sem nenhuma chance de reação, e não posso nem chorar? Ah, posso sim. Chorei muito. Chorei tanto que tive uma infecção no olho. Chorei em público, chorei escondida, chorei quieta, chorei gritando. Chorei e ainda choro muito.

…O vazio era interminável. Minha vozinha, mulher sábia, vivida e sofrida, me ligou. Ela perdeu três filhos! Meu Deus, como ela ainda está viva? Ela me disse: – Olha, vão te dizer que a dor passa, mas a saudade fica. Mas é mentira. A dor também fica. Mas ela muda de cor…

…Está difícil, é trabalhoso. Outro dia, chorando com minha mãe ao telefone, pedi para ela ligar para minha vó e perguntar onde ela tinha comprado a tinta para mudar a cor da dor, pois eu não estava encontrando. Minha mãe respondeu:

– Ela vai te responder que encontrará em Deus

E eu disse:

– Tenho falado direto com ele, mas acho que não me ouve.

E ela:

– Talvez você não esteja sabendo escutar.

…E hoje, se Deus me oferecesse a chance de voltar no tempo e não engravidar, mesmo sabendo de todo o sofrimento, eu escolheria ter você comigo de novo, Alice. Foram 36 semanas de uma convivência única que nós tivemos. E essas 36 semanas valeram por toda eternidade. Te amo, minha anjinha foguetinho.

Para sempre te amo. Pra sempre, Alice!”