Não nasceu de mim, mas nasceu para mim!

whatsapp-image-2016-11-19-at-00-31-50Bem, vamos a minha história…. ❤

Mas antes de começar a relatá-la, gostaria apenas de adaptar a frase que está escrita na imagem que escolhi para ilustrar.

“Ser mãe e ser pai é toda pessoa que tem o coração permanentemente grávido de amor.”

Agora sim, rsrsrs!

Meus pais se casaram e depois de um tempinho começaram a tentar engravidar e não conseguiram, fizeram diversos exames, nos quais ambos seriam aptos a ter uma gravidez de forma natural, afinal não tinham nenhum problema detectado…
Mas durante 15 anos ficaram na tentativa de engravidar e simplesmente não conseguiam, e não tinham resposta para não conseguir, todos os exames de investigação tinham sido realizados, os dois tinham tudo para engravidar mas não engravidavam…
Até que a ginecologista da minha mãe, conversou com ela e disse que ela poderia optar por duas saídas, uma seria a fertilização e a outra seria a adoção…. Porém na década de 90 a ciência não lidava com fetos que tinham alguma anomalia, e minha mãe não queria correr o risco de precisar passar pelo aborto, ela queria o filho da forma que Deus mandasse, independente da criança ser fisicamente e mentalmente “perfeita” ou não…
Então, ela e meu pai preferiram recorrer a adoção ao invés da fertilização…
E foi assim que tudo começou a acontecer, meus pais entraram em lista de espera nos orfanatos, porém, como a adoção é burocraticamente complicada, eles esperam, esperaram, mas o retorno do tão sonhado filho(a) não chegava… E minha mãe começou a ficar muito abalada emocionalmente, ela sempre relatou que quando estava passeando ou resolvendo coisas do dia a dia, por onde ela passava procurava pra ver se alguma criança tinha sido abandonada na rua, e vendo que isso não estava legal, e que o sofrimento já estava se tornando insuportável, ela decidiu não ficar mais procurando e resolveu voltar aos estudos para que assim, mais adiante ingressasse na faculdade de Direito.

Até que finalmente eu cheguei para eles no dia 30/12/1992, véspera de ano novo!
Assim que minha mãe me pegou no colo pela primeira vez, eu, uma bebezinha de apenas 25 dias, abri um sorriso para ela! E foi ali que nosso encontro aconteceu e minha história com os meus pais começou…

Eu fui um bebê arco íris, cheguei depois de uma tempestade que precisou durar 15 anos, mas que se não tivesse durado isso tudo, eu não teria sido o arco íris deles!

Às vezes não entendemos o que nos acontece, não temos respostas imediatas mas precisamos procurar acalmar nossos pensamentos para que assim possamos elaborar nossas emoções!

E quando eu tinha 13 anos, minha mãe teve o primeiro infarto…
E fez um cateterismo para descobrir o porquê ela tinha infartado, e nesse exame, descobriram que ela tinha um problema congênito no coração, que foi formado de uma forma não comum a da anatomia humana… O normal em todas as pessoas é a veia do coração passar por fora, e ela tinha uma que passava por dentro do coração, ou seja, quando pressionada essa veia através de alguma emoção forte, ou esforço físico poderia causar um infarto… E foi nesse momento que a resposta chegou, se eu tivesse nascido dos meus pais, minha mãe teria morrido no parto… Porque o coração dela não iria suportar tamanho esforço durante a gestação e durante o parto…
Infelizmente ela veio a falecer em dezembro de 2013, aos meus 21 anos, de infarto fulminante!

Mas veja como é a vida, né… Surpreendente! ❤

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Mãe de três!

15046268_1162257083854972_1320396800_nEu sempre achei que seria mãe de menino. Sempre! Quando eu fazia aquelas brincadeiras do colar quando era criança(balançando pra frente e pra trás é menino, se rodar menina) sempre aparecia pra mim 3 filhos: uma menina, depois menino, depois menina de novo. Quando eu engravidei a primeira vez com 17 pra 18 anos eu disse pra todos que era um menino, mas a minha intuição se confundiu com a minha vontade. Assim eu recebi meu 1°amor, minha filha Giovana. Aí veio a faculdade, o trabalho, a casa própria, o carro, o amadurecimento e os planos para outro filho(a) foram ficando cada dia mais esquecidos… Até que em abril de 2014 eu tive um sonho. Estava eu um campo enorme, muito florido, muito calmo, parecia um Céu, e um senhor vinha falar comigo. Ele dizia: “Tem um filho esperando por você. Ele é seu. Mas manda dizer que ele tem uma alma gêmea e que se você permitir que ele venha ela virá junto”. E eu respondia: ” Mas eu não quero ficar com 3 filhos, só quero 2 e eu já tenho uma filha, então eu posso escolher só o menino ou só a menina?” E ele disse: “Não! O filho é ele, mas ela vem junto com ele”. E eu acordei bastante impressionada. Pensei que se engravidasse seria um casal de gêmeos. No ano seguinte, em julho de 2015 eu e meu marido começamos a cogitar a idéia de aumentar a família e na mesma semana em que parei o remédio eu engravidei. Foi a maior alegria da minha vida, já que a gravidez da Giovana não havia sido planejada. Dessa vez seria tudo diferente! A notícia foi comemorada e festejada. No mês seguinte me encaminhei pra minha primeira ultra, eu estava com 8 semanas de gestação e muito apreensiva, contando que iria ver na tela 2 bebês. Quando o exame começou o médico me disse: “É um único embrião e ele não possui batimento cardíaco. É um aborto retido. Sinto muito”. A maior alegria da minha vida foi também minha maior tristeza. Como isso estava acontecendo? Deus, logo comigo?! Eu ainda carreguei aquele bebê morto 15 dias na minha barriga até fazer a curetagem, e decidi que outro filho nem tão cedo… Eu estava dilacerada e não queria que o próximo filho(a) “carregasse” minha culpa, meus medos, meus anseios, minha angústia, minha desesperança…. Mas eu nem respirei. Terminei meus exames, e grávida de novo no mês posterior. Mas já? Que aflição, quanto desespero. Deus me deu uma nova vida pra cuidar e amar. Eu até costumava dizer que eu engravidei de gêmeos sim, só que eles vieram com 1 mês de diferença. E os sonhos voltaram. Eu sonhava com menino, ora sonhava com menina, 4 ultras já realizadas e nada desse bebê mostrar o que era. Até que finalmente com 24 semanas….Surpresa!!!! É outra menina. Eu teria mais uma mocinha na minha vida. Eu e minha família já estávamos ansiosamente aguardando a chegada de Isadora. Algum tempo se passou e eu fui ao Centro da Cidade naqueles ônibus de viagem, a bateria do meu celular descarregou e resolvi tirar um cochilinho(coisas de grávida). Lá estou eu dormindo e mais um sonho chegou. Eu estava naquele mesmo campo e um menino lindo, apesar de não me lembrar bem de suas expressões, com asinhas de anjo corria na minha direção. Ele não falava, apenas sorria, mas uma voz vinha na minha cabeça: “Mamãe, eu precisava ser amado. Mas ela precisava nascer. Cuida dela”. Eu acordei com lágrimas nos olhos. O meu filho é um anjo e ele sabe que foi amado, que eu vou amá-lo eternamente. Um dia ainda quero carregá-lo no colo e brincar com meu menino nesse campo florido…
Eu moro no RJ e essa semana fez muito calor por aqui. Fui até a varanda do apartamento tentar pegar um ventinho com a Isadora que estava um pouco irritada. Ela atualmente está com 3 meses de vida. Após 5 minutos começou a chover bem forte, mas só do lado direito do Céu. Do lado esquerdo fazia sol e um arco-iris apareceu. Foi então que comecei a contar um pouquinho dessa história pra ela. Disse que ela tinha um irmão que era seu anjo da guarda, sua alma gêmea, e que ele foi muito amado. E ela representava pra mim aquele arco-iris no Céu. Aquele que não apaga a dor da tempestade, mas vem pra nos mostrar que a vida continua bela. Nesse momento ela sorriu, deu um pulinho no meu colo e eu tive a certeza que ela entendeu tudo que eu expliquei a ela.
Segundo a psicanalista Françoise Dolto, ao falar com os bebês eles apresentam alterações sintomáticas mostrando que sabem falar e que compreendem nossa linguagem. Portanto precisamos contar a eles suas histórias de vida, e várias vezes, assim a criança vai compreendendo aquilo que é explicado.
E vocês, conversam com seus bebês?

Alice, minha princesa

Ontem o dia foi de dor – perdi minha Alice com 21 semanas de gestação.

Minha princesa foi diagnosticada com hidropsia fetal e hipoplasia do ventrículo esquerdo. Estávamos lutando e tudo ia bem. Me senti mal na quinta à tarde e fui para o hospital. Fiz um ultrassom e estava tudo bem, mas mesmo assim fiquei lá em observação por conta da dor de cabeça e tontura que estava sentindo.

Na sexta feira, às 11:00 da manhã, fiz um ultrassom e o coração da minha Alice estava fraco. O médico disse que mais tarde repetiria a ultra, pois devido a hipoplasia do ventrículo esquerdo, isso poderia acontecer. Às 14:30, repeti o exame e os batimentos estavam mais baixos ainda.

Então coloquei nas mãos de Deus e pedi que ele fizesse a vontade dele.Comecei a sentir uma forte dor nas costas e mais uma vez fizeram ultrassom.  Mas a notícia que me deixaria despedaçada chegou:  o coração da minha Alice não batia mais. O chão se abriu, senti uma dor na alma insuportável

A Alice veio mudar minha vida, pois eu estava em depressão profunda sem expectativa de vida e tentando me manter de pé pelo meu filho João Pedro, que precisava de mim. Quando recebi a notícia que seria mãe de novo, eu fiquei tão feliz! E, mesmo com toda luta que eu estava passando, o sorriso estava no meu rosto e no do meu filho João.

Mas hoje acabou  e não vou poder ter minha princesa em meus braços .

Relato da mãe Liliane Sales

Do fim ao recomeço

Queridos (as) seguidores (as)
Publicamos hoje trechos do relato da Liliane Morgado, co-autora do nosso livro coletivo “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”. ela conta como foi passar pela perda do seu primeiro filho, por todo o seu processo de luto, até estar pronto para se reabrir à vida novamente,
“Dia 11 de setembro de 2015 vai ficar marcado para sempre na minha memória. Tinha descoberto minha gravidez (programada, esperada, amada) uma semana antes, já havia marcado médico, estava pensando em nomes e em temas para o chá de bebê, a família e a maior parte dos amigos já sabiam.
…Foi o que fiz na manhã seguinte. Acordei, fui trabalhar e, quando fui ao banheiro, notei o sangramento. Pequeno, mas estava lá. Havia sentido dores como fisgadas na noite anterior, mas passaram, então achei que estivesse tudo bem. Não estava. Meu amigo me levou para o hospital, meu marido foi me encontrar e ficamos sabendo que havíamos perdido nosso bebê. Não importa o que dizem, fetos, embriões… A partir do momento em que temos o resultado positivo, o que está na nossa barriga é nosso filho.
…A todas que vivenciaram o aborto, um conselho: passem por todas as fases. Passem pelo luto, chorem, respeitem sua própria dor. E depois disso, abram-se à vida! Tentem de novo se for possível, adotem, reescrevam suas histórias. Recomecem! Essa experiência nunca vai ser esquecida, mas não deve ofuscar os momentos bons que vivemos e aqueles que ainda viveremos.”

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Carta para meu bebê

Lilian Mello, co-autora do nosso livro coletivo “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”, escreveu uma linda carta de amor para o seu filho, que perdeu com 9 semanas de gestação. Esta carta virou um dos mais de 60 relatos do nosso livro e publicamos trechos dela abaixo.
“Oi, filho(a)
Você ficou conosco apenas nove semanas, mas você veio. Depois de eu tanto pedir para engravidar naturalmente, minhas preces foram ouvidas.
…Assim, filho(a), apesar da dor de saber que você foi embora, eu só tenho a agradecer, do mesmo jeito que fiz quando soube que você estava a caminho. Claro que não estou feliz como naquele momento, mas, como disse uma amiga muito querida quando eu falei que estava me acostumando à ideia de não ser mais mãe de dois, “continuo
sendo mãe de dois, cada um com sua história”. Você será sempre meu segundo bebê, que veio e foi embora para, entre outras coisas, me mostrar o quanto podemos fazer diferença na vida das pessoas por meio de pequenos e sinceros gestos.
 
Sem dúvida, vou chorar sua partida outras vezes, mas tenho certeza que ficará cada vez mais leve… Você pode ir em paz, filho(a). Eu amo você desde aquele momento mágico, às cinco horas da manhã, quando fiz o teste, e para sempre. Obrigada. Por tudo.”

 

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A luta por um milagre

A Luta por um milagre descreve muito bem o caminho de luta que a Liliana Oliveira, co-autora do nosso livro coletivo “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal” percorreu. Ela é mãe de 8 filhos:  dois príncipes e seis anjos. Abaixo, publicamos trechos do seu relato.
“Minha luta começou aos 25 anos, quando, depois de dois anos de tentativas para engravidar, tive um aborto em casa, sem mesmo saber que estava grávida! A partir daí, foram muitas idas ao médico, muitos exames e o diagnóstico era desanimador: para ser mãe, eu dependia de um milagre, pois meu marido tinha varicocele grau três e Oligospermia, e eu, ovários micropolicísticos com anovulação.
Em 2008, estava grávida novamente, desta vez do meu Matheus. Deu tudo certo, sem nenhuma intercorrência, nenhum problema, mas o medo de perder estava sempre presente no meu dia a dia. Em 2011, resolvi arrumar outro bebê, e Deus me presenteou com minha Rafaela que, com dezesseis semanas, também voltou para o céu. Sofri muito!
Em 2013, nasceu meu Samuel. Ele estava saudável, sem nenhuma intercorrência durante a gravidez também. Eles são a razão da minha vida. Até hoje eu relembro as datas de cada bebê que eu perdi; guardo as ultras com carinho. Amo cada um deles e tenho comigo a certeza de que, um dia, nós iremos nos encontrar.”

 

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O amor transforma a dor

Queridos (as) seguidora (as)
Os trechos que publicamos hoje são do relato da Juliana Soares, co-autora do nosso livro coletivo “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal. Uma história emocionante de amor entre ele e seu filho Enzo, por quem o amor superou a dor da sua separação.
“Ser mãe sempre foio meu maior sonho. Desde criança eu brincava com as minhas bonecas, ensaiando o dia em que seria o meu bebê. Fui crescendo apaixonada por esse universo da maternidade e sabia que, quando chegasse a minha vez, seria extremamente incrível e apaixonante.
…No outro dia pela manhã, um buraco se abriu e caímos lá dentro: nosso bebê, que estava ótimo e sem nenhum sintoma, era cardiopata. Enzo nasceu com Transposição das Grandes Artérias (TGA) e Comunicação Intraventricular (CIV), duas más formações no coraçãozinho e que teriam que ser operadas com urgência.
Depois da alta do CTI, passamos mais nove dias no apartamento entre medicações, desmame do auxílio de oxigênio e fisioterapias para fortalecer o coraçãozinho. Depois de 27 dias no hospital, o levamos para casa. Felicidade!
…Com dois meses e meio, depois de um mês e meio da alta do hospital, Deus o levou. Enzo partiu. 11 de setembro de 2014, o pior dia da minha vida, a maior dor, o maior desespero e a maior impotência. Em casa, no meu colo, me olhou pedindo socorro e eu não pude fazer nada.
…Sou muito grata a Deus pela permissão de ser mãe do Enzo, um milagre de Deus que viveu muito mais do que poderia, mas viveu para ensinar o amor e o caminho, viveu para transformar e colocar ordem no caos. Enzo é a prova do amor de Deus por mim. Ele me escolheu e me permitiu sentir o maior amor do mundo.
…O amor supera a dor. O amor é infinitamente maior, e por toda a minha vida vou sempre dizer: o Enzo é e sempre será a melhor parte de mim. Devo tudo ao meu filho e, por mais que seja difícil continuar sem ele, sou abençoada por tê-lo no meu coração e na minha alma…”

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De colo vazio, com o coração cheio

Olá! Você ainda não deve me conhecer, não é mesmo? Então farei uma breve apresentação! Meu nome é Marcela Cerqueira, tenho 30 anos (farei 31 daqui há alguns diazinhos), sou Publicitária, idealizadora do Blog e Canal Fala Marcela e sou casada (leia-se “juntei as escovas de dente) há pouco mais de 6 anos. Eu e o Bruno temos um relacionamento ótimo. Somos amigos acima de tudo, e isso faz toda a diferença em nossas vidas.
Recentemente ganhamos uma estrela no céu. Nossa pequena Dudinha está lá, olhando por nós. Busquei inúmeras formas de reescrever a nossa história, e conta pra você da maneira mais intensa e linda, a forma que representa tudo que vem sendo nossas vidas nesses últimos meses. Mas falhei! Então resolvi me apresentar com esse breve resumo e deixá-la com o texto que escrevi poucas semanas depois que a nossa filha foi brilhar. Ele tem um significado muito forte pra mim, e é impossível passar os olhos sobre as linhas e não sentir as lágrimas escorrerem pelo rosto:

Era um dia como outro qualquer, levantamos, tomamos café em casa, Bruno só quis o café, e eu como de costume comi torradas com manteiga. Fomos trabalhar, e na volta à casa, em uma conversa informal, decidimos: está na hora de termos um filho! Depois de esperarmos tanto tempo, o emprego perfeito, a casa dos sonhos, decidimos engravidar, mesmo contrariando tudo o que esperávamos…afinal, nunca é tarde para transbordar amor.

Primeira visita à médica cheia de euforia, uma lista imensa de exames, e os resultados? Tudo perfeito! Podem engravidar! E aí começou o medo: será que vou ser uma boa mãe? E se eu engordar muito? Meu corpo vai deformar? E se nada der certo? Calma. Respira. E vai dar tudo certo. E deu!  Em dois meses estávamos grávidos! Que alegria, que felicidade. O positivo mudou nossa vida. Na mesma hora virou uma chavinha e eu já me sentia e melhor mãe do mundo. Ainda com medos, claro, mas me sentia linda e plena. A cada evolução da gestação tudo era lindo e intenso. Meu maior orgulho era exibir minha barriga por aí. O buxinho se tornou meu cartão de visitas!

Quando descobrimos que era nossa menina, nossa Dudinha, tudo se transformou e ficou multicolorido. Foi lindo! Foi incrível! Nossa pequena Maria Eduarda estava crescendo dentro de mim, e esse sentimento é único e inexplicável.  Uma sensação de responsabilidade, associada a um amor incomparável.

Mas de repente, o medo passou a tomar conta. Pré o que? Pré-eclampsia! Uma doença que chega sem explicação, sem razão, e te torna dependente de remédios, exames, agulhadas. Mas tudo bem, seguimos firme na missão de cuidar da nossa pequena Dudinha. Sempre juntos, nós três, com muito amor e dedicação.

Com 29 semanas o medo se aproximou ainda mais, junto a uma dor muito forte. E lá fomos nós, nós três, juntos. Chegamos à maternidade ainda sem entender o que estava acontecendo. Pra mim era só uma emergência, uma dor no estômago e nada mais. Para o Bruno, para ele era um medo terrível de perder a mulher e a filha. Em uma conversa por telefone com minha médica, Bruno já sabia o que estava acontecendo. E com uma calma dos deuses, me levou ao hospital sem dizer uma palavra. Era a Síndrome…Síndrome de que?? Síndrome de Hellp! Uma evolução da Pré Eclampsia, um caso aparentemente raro, que pode causar a morte. A morte. É a única certeza da vida, mas que medo temos dela né?

E mais uma vez seguimos firmes! Depilação, tira os piercings, transfusão de sangue, transfusão de plaquetas, mil agulhas, soro…até que uma anestesia geral me faz dormir. Duda nasceu. Ela nasceu! E eu acordei . Ufa, eu acordei. Contrariando todas as expectativas, eu acordei. Ainda sem entender o que estava acontecendo, sem saber da minha filha…ouço minha médica gritando “é a cara do Bruno, é a cara do Bruno!” Vi uma foto pela tela do celular, como era linda minha menina, que orgulho eu senti.

De repente me tiraram dali, fui pra cidade vizinha, onde eu ficaria na Uti por alguns dias. E a Duda? Também foi pro cantinho dela pra ser cuidada por anjos na UTINeo. Depois de longos três dias, eis que nosso encontro acontece. Minhas mãos ainda inchadas não cabiam nas luvas plásticas. Entrei naquela sala gelada, e a vi tão pequena, tão indefesa. Ela estava ali, dentro daquela incubadora, com tubos, agulhas, e ela estava ali. Tão linda minha menina. Uma verdadeira guerreira.

Mais três dias e eu tive alta, que tristeza, deixar a minha filha lá. Como pode uma mãe dar a luz e não levar seu filho pra casa? Cheguei em casa de braços vazios…que dor. Chorava pelos cantos, mas me confortava por saber que ela estava sendo cuidada, muito bem cuidada.

Começamos uma rotina intensa, casa-uti-casa-uti….e assim seguimos, nós três, juntos. Seguimos sem reclamar, sem questionar. Sabíamos que nossa Duda foi um presente, um presente de Deus para ser cuidado por nós. Fomos escolhidos por ele pra viver essa missão. Cada dia um sentimento diferente, uma verdadeira montanha russa. Mas cada toque, cada carinho, era incrível, era único!

“Mãe, pai, ela é um bebê grave, está passando por muita coisa!” Sabíamos disso, ouvíamos isso o tempo todo da equipe médica. Mas tínhamos decidido que cada momento ao lado dela seria só de felicidade. “Você vai sair daí, filha, continue firme. Vamos te levar pra casa.” Tantas conversas, tanto amor. “Estamos com você filha, te amamos mais que tudo.” Um toque no nariz, e ela franzia a testa, como quem diz…”Para, mamãe.” E eu me derretia de amores. E o bocejo? Era a coisa mais perfeita do mundo.

Numa noite, depois de um dia inteiro juntas, uma troca profunda de olhares de nós três, nós três sempre juntos. Ela nos olhou como nunca tinha olhado antes, fixou aqueles olhinhos em nossos rostos e ali ficou por um longo tempo que não soube mensurar. Foi mágico! “Que lindo né, amor? Ela olhou pra gente, ela nos reconheceu como seus pais!”

O dia amanheceu, levantamos e falamos “Mais um dia, mais um dia da nossa Dudinha. 22 dias!” Era assim sempre, a cada manhã agradecíamos por um novo dia de vida da nossa pequena. Até que uma ligação rompeu toda rotina. Não podíamos acreditar, não queríamos acreditar. Que dor, que dor! Como? Por que? Nós pedimos tanto, oramos tanto. Por que tem que ser assim? Não merecemos isso. Tantos questionamentos sem respostas. E aí veio o tão sonhado colo, com direito a abraços e beijos, de um jeito que jamais esperávamos. Que sensação estranha! Naquele dia morremos, enterramos o nosso sonho.  Literalmente arrancaram um pedaço de mim. Por que tem que ser desse jeito? Por que? Porque o lugar de uma estrela é o céu, e assim ela foi brilhar por nós.

Dias terríveis e doloridos se aproximavam. Como olhar pra tudo que era dela? Como encarar as pessoas? Nos recolhemos à nossa dor e ao nosso amor. Evitava a padaria, o mercado, o estacionamento, o restaurante, onde tantas pessoas me viam desfilar linda expondo a barriga que carregava com tanto orgulho. Como enfrentar o mundo agora? Como explicar o que aconteceu? Temos uma filha linda, que agora mora do céu. Eu e o Bruno vivemos nossa dor, acompanhada de um amor tão grande, de um orgulho gigantesco por saber que nossa filha foi uma verdadeira guerreira.

Os questionamentos ainda nos rondam…como será o chorinho dela? Será que ela ia andar ou falar primeiro? E o primeiro aninho? Será que ela ia gostar de andar de carro? Não sei, nunca saberemos. Mas temos certeza absoluta que a nossa Maria Eduarda será pra sempre a nossa primeira filha, a nossa primogênita, aquela que nos nomeou Pai e Mãe.

Sim, sabemos que podemos dar irmãos a ela, mas Duda jamais será substituída. Esse vazio vai sempre existir, e a saudade sempre permanecerá.  E de alguma forma seguiremos sempre juntos nós três, sempre juntos, de colo vazio, mas com o coração cheio. Dudinha para sempre.

Deus é Deus sempre, até quando menos esperamos ele sempre nos surpreende

Tudo começou quando descobri que estava grávida, desesperada nao sabia o que fazer, com um relacionamento que eu nao queria mais pensei em tirar o bebê, até que fui bater uma ultra e lá foi o Baque, era Gêmeos…

O desespero foi ainda pior,como eu iria tirar 2 crianças de mim, foi aí que desisti e fui me acostumando com a gravidez, até que um belo dia tive um sonho, que Deus falava cmg e falava que eu iria ter um menino pra eu colocar o nome de Samuel. Animada, achei que seria um casal, até que com 4 meses descobri que seria 2 meninas. A felicidade foi a mil….  Só faltava elas pra completar a família, pois nao tem nenhuma menina na família.

Até que com 5 meses, faltando pouco pra completar 6 meses, começo a sentir  dor. Fui para o hospital, aonde eu fazia pré natal e aonde eu iria ter elas.  Mas eles nao me atenderam, fui para outro hospital e tbm nao me atenderam só pq era Gêmeos. Com medo e sangrando, resolvi esperar meu pai chegar do serviço pra me levar no hospital público já q eu fazia particular e nao fui atendida.

Meu pai chegou as pressas do trabalho e me levou, quando fui pra sala a médica falou que eu já estava em trabalho de parto, que estava com 3 de dilatação, que se a bolsa estourar seria aborto espontâneo…  Fiquei com medo e desesperada de perder minhas pequenas. Foi aí que fiquei internada, cheia de dor.

Chegou a noite, o desespero começou: minha bolsa estoura. Aí começou a correria pra eu ser transferida para um hospital com mais aparelhos e que tenha UTI Neonatal​, de Mesquita fui parar em Padre Miguel, fiquei um dia internada lá e minha outra bolsa estoura.

19/11 nasceram minhas meninas, mas o medo nao parou por aí. Além de nascerem muito pequenas, elas tbm nasceram com infecção no sangue pq eu tbm fiquei e passou pra elas. Tomando antibiótico muito forte, assim começou nossa luta.

23/11 foi o dia em fui ver elas na UTI, pq ficamos internadas juntas, e vejo minha pequena Sophia tendo convulsões, a médica falou Mãezinha ela ficou a noite toda assim,meu chão caiu ali,naquele momento fui pro meu quarto chorar sozinha me entra uma enfermeira e me conforta com uma simples palavra(Eu Estou Contigo) e saiu. Minha tia entrou no quarto e pedi ela pra chamar essa enfermeira,foi aí q minha tia falou Bianca nao tem nenhuma enfermeira aqui…

24/11 de madrugada, uma enfermeira me chama falando que a médica da UTI neonatal estava me chamando, fui com meu pai, chegando lá ela veio falar cmg que minha pequena Sophia nao aguentou as convulsões e morreu,meu mundo desabou,mas tentando ser forte por causa da outra me segurei. A base de calmante, fui dormir.

25/11, a enfermeira de novo me fala q a médica da UTI neonatal estava me chamando, dali já com a minha mãe falei a Sarah morreu tbm, já indo chorando a médica falou que ela nao aguentou o efeito do remédio por ser forte, nao fez as necessidades dela e ficou com a barriga inchada.

Na correria por esta fazendo os negócios pra o enterro de uma, liguei pro meu pai as pressas falando da outra, pois eu queria as duas juntas. Meu pai como sempre sendo um herói conseguiu. Mesmo estando mal, minha família e amigos me deram forças naquele dia. Nao fui pro enterro pois ainda estava mal. Pedi até alta pq nao iria aguenta ficar mais no hospital. Agradeço a atenção de todos do hospital – todos muito paciente comigo.

1 anos depois, descobri que estava grávida, ainda com medo nao consegui ter forças pra me anima com a gravidez. Ainda no começo, tive hematoma no útero risco de perder meu bebê  e com 15 dias de repouso graças a Deus o hematoma diminuiu. Meu esposo notando que eu nao estava feliz, foi me animando. Quando descobri o sexo que seria menino, já sabia que seria meu pequeno Samuel. Comecei a me animar quando completei 5 meses…

Mas como Deus sabe de todas as coisas, os meses foram passando, resolvi fazer o chá de bebê no dia 13 e com a lembrança do Facebook vi que o chá de bebê das minhas filhas tbm seria dia 13. Foi aí que começou: aconteceu tudo que eu nao queria. 23/11 fui para consulta do pré natal achando que iria agendar o parto, o médico me veio com a surpresa vc tem dia 24/11 ou 25/11 para ter seu filho. Minha mãe nervosa falou” nao teria outro dia nao? E o médico falou Nao…

24/11 o dia em que minha pequena Sophia completava 2 anos de morta, nasce meu Pequeno Samuel..Mas como nada  é fácil, aí comecei a luta com ele. Ao nascer, ele bebeu a água da bolsa e vai parar na UTI neonatal. O desespero tomou conta de mim de novo. Passar por tudo de novo, fora que recebi alta e meu filho ficou eu chorava todos os dias  por esta em casa sem meu filho.

Até que uma dia, fui visitar ele e ele nao estava na na sala que ele estava, e sim na outra sala q é quando a criança está melhorando 😍 tendo sempre muita fé Deus me dava forças todos os dias, até q chegou um dia que o hospital ligou pro meu esposo pedindo pra levar roupa pra ele. Desesperada sem saber o que houve, comecei a chorar, achando que ele tinha morrido. Foi aí que meu esposo foi às pressas pro hospital e viu que ele estava na última sala da UTI neonatal que ele iria Passar pra ter alta.

Foram 11 dias de luta e hoje, pela honra e glória do senhor, Meu Presente de Deus, Meu Pequeno Samuel, está comigo com 1 Ano de vida. Mas quem perde um filho, nunca esquece. 3 anos sem minhas meninas…

O dia de tristeza Deus transformou em alegria na minha vida 24/11 foi minha transformação de vida… Chorei muito, com a falta delas, mas quando cheguei em casa vi aquele sorriso no rosto dele que me deu forças para aguentar essa dor no peito……
Saudades sempre vou ter, mas o Deus todo poderoso amenizou minha dor……

Relato da mãe Bianca Lima