Nossa História

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O projeto Do Luto à Luta: apoio à perda gestacional e neonatal começou a partir da experiencia pessoal de uma psicóloga e poetisa Larissa Rocha Lupi.
Ela passou por duas perdas gestacionais em um curto espaço de tempo.
A primeira da irma gêmea Clarissa e meses depois, por uma triste coincidência,  Larissa também vivenciou o mesmo drama.
A sua motivação para iniciar todo esse esse trabalho que resultou no Grupo Do Luto à Luta, foi observar que as mesmas situações desconfortáveis que experienciaram em uma maternidade particular, centenas de mulheres passam diariamente em hospitais do Brasil inteiro.
Os problemas são vários e vão de simples constrangimentos por receber parabéns do maqueiro ou o aviso de uma enfermeira desinformada de que o bebe já iria vir para o quarto, até questões de foro mais pessoal como o direito de escolha.
Esse, na verdade, é o grande cerne de toda essa questão. Não é dado o direito do livre arbítrio.
Não é feita, em nenhum momento, perguntas simples como:
Vocês desejam que o pai entre e participe desse momento?
Vocês querem ver o bebe? Segurá-lo?
Enfim. Vivenciar o luto.
Não. O que acontece hoje no Brasil são uma serie de procedimentos para que tudo termine o mais rápido possível. Como se a pressa diminuísse a dor. Pronto. Acabou. Seguir em frente.
Percebemos que a psicóloga, assim como sua irmã, colegas do grupo e milhares de mulheres querem ter o seu direito respeitado de sentir a sua dor e viver o seu luto.
Cada uma a sua maneira, de acordo com seus valores e crenças.
Como psicóloga, Larissa entende que essa é a maneira certa de se trabalhar um momento tão difícil.
Como mulher, se sente no dever de transformar sua dor em luta.
E como poetiza, deixou esse momento registrado no seu livro “A vida em Verso e Prosa”, na página 14, com o poema maternidade compartilhada.

“Quando a minha irmã gêmea estava vivenciando as dores e angústias da perda gestacional, imersa em sofrimento intenso, sem forças, logo me senti profundamente tocada e sensibilizada com o seu luto e quis demonstrar o quanto a apoiava e respeitava, através da exteriorização dos meus sentimentos. Não imaginava que meses depois eu viria a perder o meu bebê também. E escreveria uma poesia em especial para o meu anjo que já tem companhia.”

MATERNIDADE COMPARTILHADA
 Ao compartilharmos o desejo pela sua chegada já preparamos a sua doce morada
Ao compartilharmos os planos para te receber nunca pensamos em te perder
Ao compartilharmos o sonho pela maternidade sinto-me mãe de verdade
Ao compartilharmos a sua presença não vislumbramos a possibilidade da sua ausência
Ao compartilharmos o quanto sonhamos com o dia ao te embalar é impossível não te amar
Ao compartilharmos todas as mudanças advindas com a gravidez sinto que finalmente chegou a minha vez
Ao compartilharmos as transformações corporais, hormonais e emocionais percebo o quanto este momento é especial, sobrenatural, fora do normal.
No entanto, como compartilhar a interrupção de uma vida, que está sendo sentida, vivida e querida?!
Como compartilhar todo o amor, transformado em dor?!
Como compartilhar o sonho interrompido, as noites mal dormidas?!
Como compartilhar o sentimento de angústia pelos planos a sucumbir?!
Como compartilhar a nossa descrença na vida, no homem, a falta de desejo pelo que está por vir?!
É melhor o silêncio e a solidão?! Mas foi tudo compartilhado outrora, e agora?
Larissa Rocha Lupi
Para adquirir e ter acesso ao livro “A vida em verso e prosa”, em que a poesia acima foi extraída e diversas outras, basta acessar: http://almaliteraria.com.br/livros/a-vida-em-verso-e-prosa/

3 comentários em “Nossa História

  1. Nossa q bom q tem esse blog eu mto tempo a traz perdi gemeos e foi mto difícil então fiz uma página no face tentei e tentei engravidar passeu seis anos do meu primeiro casamento no fim o casamento acabou de tantas frustações e tentativas…ele acabou não me amando mas e acabou depois de meses separada encontrei outra pessoa q hj sou casada depois de seis meses engravidei lutei mto pra estar com meu bebê hj tem um aninho com a graça de Deus tenho ele mas ainda sim me dói mto a falta dos meus príncipes…achei interessante esse grupo pq a gente precisa mto de apoio mto mesmo pq não é fácil…

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  2. Que bom encontrar vocês e poder compartilhar minha dor e assim diminuir a solidão. Perdi meu bebe com oito meses de gestação pois peguei dengue. A dor parece ser infinita, mas ler histórias de mulheres que passaram por isso ajuda na recuperação. ALém disso o trabalho de vocês também é muito importante por levar esclarecimento a causa. As pessoas não sabem como lidar com esta situação e muitas vezes pioram ainda mais a situação. Por mais que saibamos que elas não fazem por mal, parece que levamos uma facada a cada comentario. O despreparo dos médicos e equipe também é gritante. Eu pelo menos, tive a sorte de poder contar com uma equipe esclarecida (Hosp São Luiz em SP) e hoje vejo que podia ter sido muito pior. Imagina se nao pudesse ter me despedido? imagina dividir espaço com uma mamãe feliz amamentando? Coisas pequenas mas de uma crueldade sem nome! Desejo sucesso e vida longa ao blog e ao trabalho de voces!

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  3. Nossa aqui encontro tantas histórias parecidas com a minha, dia 09/09/18 meu pesadelo e meu maior sonho começou, eu estava grávida dos gêmeos João Bryan e Bernardo, neste dia horrível comecei a sentir contração e com apenas 26s e 6d me desesperei comecei a sangrar e fui para a maternidade meus amores estavam nascendo João Bryan nasceu com 34 centímetros e pesando 0,770g foi logo para UTI’N e Bernardo já estava com os batimentos cardíacos fracos e pra piorar as coisas estava transverso e com a placenta prévia parcial que impedia que ele saísse minhas contrações sumiram e mesmo com soro com ocitocina não voltaram me levaram as pressas para sala de cirurgia quando veio uma contração o Dr. Conseguiu virar o Bernardo e veio mais uma contração o Bernardo nasceu com 35 centímetros e 0,860g mas infelizmente meu amor já nasceu sem vida eu entrei em desespero e pedi para carregar ele um pouco no colo e me despedi, deixaram e pude pegar meu bebê abraçar e fazer carinho uma primeira e última vez, mas tinha que lutar para que eu pudesse ajudar o João que estava na UTI e precisava de mim e um grande sonho surgiu, o sonho de sair dali com meu João Bryan bem, saudável e forte, os dias foram passando e eu chorava por não ter o Bernardo e por ter que ver meu João Bryan sofrendo se contorcendo com as agulhadas para que medicações e exames pudessem ser feitos, meu Deus era desesperador ver aquilo dia 13/09/18 finalmente consegui enterrar o meu Bernardo, não fui ao enterro pq tive que ficar com o João e tinha que tirar leite de 3 em 3 horas para ele os dias foram passando e só tinha notícias boas o João era forte e estava lutando para sobreviver ele sabia que eu precisava dele mais que tudo,enquanto isso eu seguia internada naquele Alcon de tortura, sim era torturante passar a noite ouvindo os bebês de minhas companheiras de Alcon chorando, era torturante vê-las amamentando, e era torturante vê-las recebendo visitas de pessoas feliz e eufóricas com achegada do bebê e o pior de todas as torturas era ouvir dos visitantes e da maioria dos enfermeiros, técnicos e médicos a pergunta que eu não queria ouvir “Cadê o seu bebê” e a respostas das outras mães “ela teve gêmeos” e minha resposta dolorosa era sempre ” um virou anjinho está no céu e o outro está na UTI” mais dias se passaram e eu estava sozinha, minha mãe tinha que cuidar do meu pai que é um bebê gigante por estar muito idoso, minha irmã ficou com meu filho pequeno ele tem 4 aninhos e meu esposo se envolveu em coisa errada por estar desesperado e não conseguir emprego e está preso, minha sogra e cunhados com suas mulheres estavam ocupados, enfim eu estava sozinha na maior parte do tempo, e quando tinha alguém comigo era minha amiga e ex do meu cunhado e minha mãe, irmã e amiga de trabalho ligavam preocupadas estavam comigo de longe, voltando a falar do meu amorzinho, dia 15/09/18 o João começou a ter intercorrência ele estava piorando e meu mundo desmoronou minha amiga Brena e minha prima Fran foram na maternidade ficar comigo mas não podiam me acompanhar Fran foi embora e Brena ficou até 22:00h e foi embora cuidar de sua filha pois ela tem apenas 1 ano, fiquei sozinha passei a noite inteira sozinha, chorando e orando, na madrugada eu já não sabia o que pedir de Deus depois de ver meu filho se contorcendo de dor de 30 em 30 minutos quando era furado para fazer gasometria e sabe um pouco depois ele sorria, nunca ouvi meu amorzinho Chorar mas o via sorrir, mas como eu falei eu não sabia mais se pedia para Deus levar meu amor para ele descansar e parar de sofrer ou se pedia para Deus fazer milagrosamente aqueles remédios funcionarem e meu amor melhorar, ele estava sofrendo tanto e isso me matava aos poucos, foi quando amanheceu dia 16/09/18 as 7:30h da manhã meu amor foi para o céu, e me vi ali morta por dentro e sozinha quando olhei para os monitores e vi tudo zerado entrei em desespero chorando em choque uma enfermeira me abraçando e me levando para fora da UTI sentei e só pedi para carregar ele no colo um pouco e me despedi ela entrou e falou com o médico que autorizou entrei e pude pegar meu filho no colo pela primeira vez e ali pensava que eu havia sonhado tanto com o dia em que pegaria ele no colo e pensava no quanto queria ter pego ele com vida, abracei meu filho com amor e chorei, nossa como dóia saber que aquela era a primeira e última vez que eu pegaria meu João Bryan, sai da UTI e logo vieram os médicos me dar alta foi tão rápido que não tive tempo de avisar ninguém peguei alta e me levaram do Alcon liguei para minha irmã e ela estava vindo me buscar ao chegar a assistente social não perdeu tempo em vim nos falar para fazermos logo o enterro pq “o bebê já estava na geladeira” foi desumano isso.
    Fomos para casa e começamos a correr atrás da parte burocrática para poder enterrar o meu anjinho até que dia 19/09/18 meu amorzinho foi sepultado, graças a Deus pude fazer o sepultamento com o nome do meu filho já que no caso do Bernardo não pude colocar o nome pq já havia nascido morto e ficou apenas como feto morto o que dói muito pq ele foi esperado e amado e demos um nome a ele desde o início.
    Eles foram desumanos comigo no momento de maior dor, hoje ainda dói muito e é difícil de aceitar, sei que tenho que seguir em frente mas esta sendo tão difícil.

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