Meu guerreiro Super Samuel

2 anos de casados e resolvemos quer era a hora de ter um bebe para alegrar nossa casa nossa família. Em maio de 2016, parei o anticoncepcional. Em agosto de 2016, descobri minha gestação. Foi nossa maior alegria. Em dezembro descobri o sexo. Nosso príncipe Samuel.
Nossa alegria se tornou preocupação. Com 22 semanas, descobri que meu bebe só tinha uma artéria umbilical única. Fui direcionada para alto risco, sendo que meu bebe não pegava peso. Cada mês que ia chegando, a cada ultrassom, ele sempre estava com peso menor do que outras gestações normais .
Mas chegou o momento. Com 34 semanas, fazendo exame de rotina, ele estava com oxigénio muito baixo, já estava em sofrimento. Então chegou o dia dele nascer. Uma Cesária muito rápida, uma mistura de alegria e medo. Ele nasceu com 1448 kg 39 cm. Lindo. Me senti realizada .
Com 10 dias de vida, descobrimos que ele tinha cardiopatia.  Artéria do coração invertida. Meu sofrimento e o super guerreiro entramos em ação. Foi feito cateterismo.  Devido a esse procedimento. o rim dele parou. Foi feito diálise durante 1 mês.  30 dias de angustia, dias que davam resultados e dias que não .
Ate que graças a Deus ele vence essa etapa. Mas não faltasse, juntou água no pulmão. Tivemos que fazer dreno. Meu filho chegou a 2 kg só de liquido, inchaço. Mas venceu.
Agora estamos aliviados e poderíamos pensar na resolução do problema cardíaco.  Teríamos que inverter as artérias, mas não deu tempo. Com 57 dias de vida, uma madrugada de 12 de abril 2017, recebemos a ligação do hospital para irmos ate la .
No caminho ate o hospital, nosso coração acelerado junto com paz. Chegamos la e a noticia. Os médicos disseram: fizemos tudo que podíamos, mas o coração parou ….
Veio um filme na minha cabeça que meu sonho de levar para casa foi embora. Eu não sabia o que eu ia fazer. A dor o desespero tomou conta de mim.  Eu só queria pega-lo, sentir seu último cheiro, me despedir dele .
Hoje dia 21 de setembro, já faz 5 meses que ele se foi para um lugar onde não tem sofrimento, não tem dor alguma e é isso que me conforta.
Sempre será meu eterno Super Samuel.
Relato da mãe Giuliane Souza
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Sou mãe de três

Boa noite, me chamo Dayane, tenho 32 anos, e passei pela perda gestacional. Sou mãe da Sofia de 5 anos, do Rafael de 1 ano e 8 meses, e do meu anjinho que partiu com 9 semanas de vida intra-uterina. Gostaria de compartilhar a minha historia com vocês.

O dia 02/08/17 estará marcado pra sempre na minha vida. Nele eu vivi o momento mais tenebroso da vida de uma mãe. Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo, parecia um pesadelo daqueles que a gente tenta acordar e não consegue.
Voltando um pouco na minha historia, em meados de julho eu descobri que estava grávida. Uma gravidez não planejada. A noticia me levou ao desespero. Como eu seria mãe pela terceira vez? Tive muito medo, rejeitei aquela novidade, vi meus planos indo embora. Fiquei calada por uns dias, ate que resolvi contar a meu marido e uma amiga. Através das palavras e apoio deles comecei a me tranquilizar, a enxergar as coisas de uma outra forma. Meu marido ficou radiante com o fato de ser pai novamente. Contamos a novidade a minha filha mais velha, de 5 anos, e ela ficou muito surpresa e feliz. A reação dela foi como um balsamo pra mim. A partir dali começamos a curtir o bebê.Fizemos uma oração entregando a gestação e o nosso filho a Deus, exatamente como fizemos com os outros dois filhos. Passei a acariciar a barriga, conversar com ele. Começamos a falar sobre a chegada do novo bebe, como seria o seu quarto, a rotina. Enfim, o bebe já fazia parte da nossa vida!
Até que chegou o dia 02/08/17 e tudo se desfez. Era um dia normal de trabalho, uma terça feira, quando comecei a sentir uma dor muito forte. Dei uma pausa no trabalho, tentei repousar achando que a dor iria passar, mas ela so aumentava. Conforme a dor se tornava mais intensa, crescia no meu coração uma angustia e um medo. Eu sabia que tinha alguma coisa errada, mas achava que era so comigo, pensava que o bebe estava bem. Liguei para o meu esposo ir me buscar e me levar a emergência. Chegando a emergência  da Perinatal de Laranjeiras fui prontamente atendida e diagnosticada. Nunca mais vou esquecer o olhar daquela médica buscando palavras pra me contar que uma gravidez tubária havia interrompido o desenvolvimento do bebe. Era necessário uma cirurgia para remover a trompa que havia se rompido, e com ela o meu filho que havia partido. Naquele momento o mundo parou. Como assim, eu não gestaria mais aquele bebe, nao o amamentaria, não cuidaria dele. Isso nao entrava na minha cabeça.
A equipe médica entrou em contato com meu obstetra, Antonio Piragibe, que me direcionou a equipe do Dr Alexandre Pedrosa e Diogo Rosa. e, aqui, quero destacar o meu profundo agradecimento e admiração por esses profissionais. Eles foram atenciosos, gentis, respeitaram a minha fragilidade fisica e emocional. Eles fizeram de tudo para tornar esse momento menos doloroso possível. Eu serei eternamente grata! Quem dera todas as mulheres tivessem a oportunidade de serem atendidas por pessoas tao maravilhosas como eu fui. Passei pelo procedimento cirúrgico para remoção da trompa. Enquanto estava no hospital me recuperando, e até quando vim para casa, não conseguia acreditar e aceitar o que havia acontecido. Uma parte de mim nutria uma esperança de que o bebe estava la. Varias vezes, me vi acariciando a barriga. Até que, uma semana depois do procedimento, eu menstruei. Agora, diante daquele fato, eu vi que o meu bebe não existia mais dentro de mim. A partir dali, eu comecei a viver a luto.
Quando tive alta do hospital, fui pra casa e contei a minha filha. Ela me abraçou, disse que me amava, e não tocou mais no assunto. Viveu o luto dela em silêncio. Se expressava através de desenhos onde me representava grávida. Depois de 10 dias, ela quebrou o silêncio e compartilhou com a professora o ocorrido. Hoje, ela fala do bebe com muita naturalidade, mas como se falasse de alguém muito presente na vida dela.
Hoje, consigo falar sobre assunto sem constrangimento. Ainda choro a perda do meu filho, sinto a sua ausência que não será preenchida, ainda que eu tenha outros filhos. Apesar da dor, meu coração e cheio de gratidão a Deus, por seu amor, cuidado e por ter me permitido gerar esse bebe. No pouco tempo que passamos juntos esse bebe me ensinou que o amor supera o medo, que  vida é cheia de surpresas, boas e ruins, e que devemos viver todas elas.  Me ensinou que demonstrar fragilidade não significa fraqueza, e sim humanidade, que me aproxima mais de Deus e das pessoas. Esse bebe me mostrou uma outra maneira de ver e encarar a vida.
Quero terminar esse relato, com uma pequena carta:
“Alice, esse seria o seu nome, escolhido por sua irmã Sofia. O único nome que ela pensou, pois ansiava por uma menina que brincasse de boneca com ela. Você adoraria conviver com A sofia e o Rafael, eles seriam os melhores irmaos do mundo pra voce. Eu e seu pai já imaginávamos vocês três correndo pela casa. Imaginávamos como seria o seu rosto, seu cabelo, a rotina com você. Tudo que pensávamos incluia você. Mas as coisas não sairam como planejado. A vida e assim, cheia de situações que fogem do nosso controle. A sua passagem tao breve mudou tanta coisa em mim. Me deixou mais sensível, mais madura, mais grata, e tantas outras coisas que ainda vou descobrir. Agradeço a Deus por ter gestado você, e te agradeço por ter mudado a minha vida. Te perdi no mundo fisico, mas te tenho na eternidade.
te amo, pra sempre,
Mamãe. “
Relato da mãe Dayane Robaina

A Missão de Moisés

DESCOBRINDO A GRAVIDEZ
Comecei a passar mal no dia 11/02/2017. Sentia meu estômago ruim, como se tivesse comido algo que não tivesse me feito bem. Forcei vomito, pois só assim eu ia melhorar, vomitei mas não passou. Segui assim nos próximos seis dias, tomando sal de frutas com epocler, boldo, água com limão e bicarbonato, mas nada melhorava. No dia 18/02/2017, fiz o teste de farmácia para desencargo de consciência, já que algumas pessoas disseram que era gravidez. E o resultado deu POSITIVO. Fiquei sem reação, fechei os olhos e quando abri duas listras rosa, chorei, fui até a sala dei um beijo no meu esposo e o restante do dia foi mandando mensagens e ligando para amigos avisando na novidade. À tarde nossos amigos Mário, Sônia (avós do coração) e Valdesino chegam para comemorar meu niver que tinha sido no dia 16/02/2016. Saímos para comer uma pizza a noite, foi maravilhoso. Na segunda feira dia 20/02/2017 fui ao laboratório Araújo Barboza para fazer o exame de sangue para confirmar e deu POSITIVO.

QUEM FOI O PRIMEIRO A SUSPEITAR DA GRAVIDEZ
Foi o vovô do coração Mário. Em uma ligação durante a semana eu relatei sobre o mal estar que sentia e ele me disse: fica tranquila, daqui nove meses você melhora.

PRIMEIRA CONSULTA
A primeira consulta foi no dia 24/02/2017 com a enfermeira Jozabel no PSF Alvorada. Estava pesando 64kg e 1.65m de altura, pressão 110×70 e 8 semanas e três dias de gestação. Consegui fazer meu pré-natal neste PSF. Pois o médico que estava em nosso PSF não me trazia confiança devido a ter atendido meu esposo no hospital com fortes dores abdominais e disse que teria que fazer um ultrassom para saber, mas que parecia pedra nos rins, no outro dia meu esposo teve que fazer uma cirurgia de apendicite às pressas. Também chegou ao meu conhecimento de que nosso posto teria fechado por motivo de construção.

SEGUNDA CONSULTA
No dia 21/03 tive consulta com Dr. Rhian no PSF. Foi uma consulta tranquila e agradável. Estava com 12 semanas, 65 kg, pressão 90×60 e batimentos do bebê de 144. Ele ficou surpreso por ser meu primeiro filho com 31 anos. Relatei a ele alguns fatores que nos levaram a ter nosso bebê com esta idade.

PRIMEIRO ULTRASSON
O primeiro ultrassom foi no dia 03/04/2017. Estava com 14 semanas de gravidez, pesando 63kg dando uma diferença de mais ou menos 2 kg da pesagem do PSF. Foi o ecográfico obstétrico com doutor Flaviano em Sabinópolis, foi minha primeira consulta com ele para iniciar meu pré-natal. Lucas e Vinha estavam presentes conosco, e eu ansiosa porque pensava que conseguiríamos saber o sexo do nosso bebê. Mas não foi desta vez. O coraçãozinho batia muito rápido, até assustei, É maravilhoso escutar.

No dia 18/04 tinha consulta marcada no PSF com a enfermeira, mas quem me atendeu foi novamente o Dr. Rhian. Estava com 16 semanas de gestação, pesando 65.5kg, pressão 100×60 e os batimentos do nosso bebê 138. Nesta consulta não estava me sentindo bem devido a dores de cabeça constantes que eu estava sentindo. Ele disse que eu só podia tomar paracetamol. Minha rinite alérgica já estava começando a me afetar devido ao tempo que já começava a esfriar. Também escutou o coraçãozinho do nosso bebê que como sempre batia bem forte.

No dia 08/05 consultei em Sabinópolis com Dr. Flaviano, as dores de cabeça continuavam fortes, me incapacitando alguns dias de realizar minhas atividades, mas novamente ouvi que só podia tomar paracetamol. Estava com 19 semanas de gestação, pesando 66kg dando uma diferença de mais ou menos 3kg da balança do PSF, pressão 100×80 e batimentos do nosso bebê 158. Pensei que no ultrassom já poderíamos ver o sexo do nosso bebê, mas para nossa surpresa ele estava com o cordão umbilical entre as perninhas, o que aumentou nossa ansiedade, mas o médico foi mexendo, mexendo e deu 80% de chances de um menino… passamos a imaginar MOISÉS, mas ainda sem certeza. Deus estava me ensinando a descansar e deixar de lado a ansiedade.

PRIMEIRA VEZ QUE SENTI NOSSO BEBE MEXER
Foi dia 10/05/2017, como não tive certeza se era ele, pedi que mexesse dinovo e ele mexeu. Foi a sensação mais gostosa do mundo. Chamei meu esposo para sentir também, mas ele não conseguiu.

No dia 16/05 tive consulta no PSF com a enfermeira Ana Maria. Foi tudo bem, apesar da balança do posto acusar que eu tinha engordado 4kg. Ela assustou, me pesou novamente e deu o mesmo peso. Eu não acreditei na balança, mas foi este o peso que ficou marcado. Ela disse que minha alimentação não tinha mudado e que estava achando estranho aquele ganho exagerado de peso dentro de 1 mês apenas. Estava com 20 semanas de gestação, minha pressão estava 110×70, 15cm de altura uterina e batimentos do bebê de 152.

DESCOBRINDO A PIELONEFRITE (INFEÇÇÃO DOS RINS)
No dia 06 de Junho de madrugada acordei para ir ao banheiro fazer xixi e percebi um pouco de sangue quando limpei. Fiquei assustada e chamei meu esposo, ele disse para esperarmos o dia amanhecer e observar. O dia amanheceu meu esposo foi trabalhar, levantei pouco depois de ele sair, e medi minha temperatura que parecia um pouco alterada e estava em estado febril, 37.8. Estava sem fome naquela manhã, assei um pão para tentar comer, só conseguir comer dois pedaços, tomei uma dipirona e assim que tomei acabei vomitando, me sentei para fazer xixi e percebi uma quantidade maior de sangue, agora na calçinha. Fiquei apavorada, liguei para meu esposo que disse que era para eu ligar para meu pai me buscar. Eu disse que não ia preocupa-lo, pois minha mãe tinha uma cirurgia no dia seguinte. Ele disse então que ligaria para meu sogro me buscar para ir ao hospital. Arrumei-me e meu cunhado Wirk me levou. Minha Irma que me acompanhou na consulta, pois era complicado para meu esposo sair do serviço. O médico me atendeu, Dr. Felipe, muito bom obstetra. Ele me examinou e detectou uma infecção já muito avançada, chamada Pielonefrite, infecção de rins. Disse que me internaria, pois no estado em que estava medicação via oral já não adiantaria. Disse também que o coraçãozinho do nosso bebe estava muito acelerado, 188 batimentos e que isto era risco de parto prematuro que eu deveria ficar de repouso. Fiquei muito nervosa, liguei para meu esposo explicando a situação. Na hora do almoço ele foi ao hospital ver o que podia fazer, ficou o tempo que pôde. Às duas horas da tarde subi para o quarto. Não tive direito a acompanhante, pois disseram que era somente para quem já estava em trabalho de parto. Chorei muito, mas com o tempo me acalmei e a partir daí comecei a receber a medicação para tratar a infecção. Como estava muito preocupada com o bebe, liguei na clinica para adiantar minha consulta com Dr. Flaviano meu ginecologista que estava marcada para a próxima segunda, Conseguiu marcar para quarta feira.
Na quarta feira meu esposo me tirou do hospital com autorização e me levou para fazer um ultrassom, onde descobrimos que era nosso príncipe Moisés. Estava tudo bem com nosso príncipe. Lá o coraçãozinho já estava estabilizado e era monitorado várias vezes ao dia no hospital pelas enfermeiras.
Relatamos ao Dr. Flaviano sobre a infecção, ele assustou, pois meus exames de urina não detectaram. Ele me explicou minha condição naquele momento e eu fiquei muito assustada. Ele disse que eu teria que manter repouso absoluto até as 34 semanas. Disse que se nosso bebê nascesse até as 26 semanas que ele não escaparia. Ate as 34 semanas, que sobreviveria mais teriam que leva-lo para fora, pois aqui não teria recurso e que a partir daí já conseguiriam mantê-lo vivo aqui. Um medo muito grande tomou conta do meu coração, mas mantive a fé em Deus. Saímos da clinica e voltamos direto para o hospital, me despedi do meu esposo com meu coração doendo, pois ficar longe dele, dormir sem ele é muito ruim, não temos este costume. Depois que ele foi embora, comecei a mandar mensagens para nossos amigos contanto que era nosso príncipe e que se chamaria Moisés. No dia seguinte a tia Roselídia esteve no hospital e nos levou vários presentes para nosso príncipe.
Fiquei até na sexta feira ao meio dia. Fomos para casa da minha sogra, almoçamos e de lá fui para casa da minha mãe. Conversei com ela sobre ficarmos este tempo na casa deles, mas não deu certo por motivos que não vem ao caso agora. Passamos o fim de semana em nossa casa, no domingo tive que voltar ao hospital porque estava sentindo pontadas no pé da barriga, fui atendida pelo Dr. Nilton, ele disse que eram normais e me passou também um xarope para tosse.

O REPOUSO ABSOLUTO
Na segunda fomos para a casa dos meus sogros, onde me receberam com carinho, apesar de minha sogra não estar bem de saúde. Foram 49 dias muito difíceis.
Eu ficava a maior parte do tempo dentro do quarto, pois não tinha ninguém para conversar. Foram poucas as vezes que sai. Neste período recebi algumas visitas de amigas, poucas, mas que fizeram diferença neste período difícil. Nosso pastor que ia visitar minha sogra, algumas vezes orou conosco também. Meu esposo, como sempre amoroso, cuidadoso, carregou tudo nas costas. Trabalhava o dia todo, e dia sim dia não ia a nossa casa olhar nossa cachorrinha, pois ela não podia estar conosco onde estávamos. Aos fins de semana íamos a nossa casa, ele lavava as nossas roupas e voltávamos para a casa dos meus sogros. Tinha dias em que eu chorava muito, a angustia era muito grande.
Preocupava-me com meu esposo, pois era muito cansativo para ele, ainda estávamos no fim de período da faculdade, eram muitos trabalhos para fazermos, ele chegava do trabalho tomávamos banho, entravamos para o quarto e ali ficávamos ate as dez ou onze horas da noite fazendo as atividades. Mas em nenhum momento o ouvi reclamar de nada. Apesar de toda angustia e medo, as dores da gestação, os enjoos, eu acreditava que Deus estava conosco, nos sustentando, e o suporte do meu esposo me ajudou muito também. Ele é um homem maravilhoso, eu o admiro muito, sua fé em Deus é tamanha. Orávamos juntos, agradecendo a Deus por tudo que Ele estava fazendo em nossa vida. Neste tempo o quartinho já estava montando, guarda-roupas, estante e berçinho, tudo branquinho com detalhes mais escuro de madeira.

MAIS UMA CONSULTA
Dia 13/06 tive consulta no PSF com Dr. Rhian. Estava com 24 semanas, uma tensão muito grande para atravessar as 26 semanas de risco, pesando 69.5kg, o mesmo da ultima consulta, acredito ser devido ao tempo que passei no hospital, pois não conseguia alimentar direito e vomitando o pouco que comia. A pressão normal como sempre, 110×70, altura uterina 18cm e batimentos do nosso bebê 160.

Meu estado de saúde estava um pouco delicado, a sinusite estava muito agravada, passei a ter que tomar remédios, cada consulta era um xarope, mais uma caixa de comprimido. Neste dia eu estava tão mal que consultei e ele me mandou para o hospital tomar uma medicação. Sai de lá com meu cunhado que me levou ao hospital, lá tive que passar por outro médico que me receitou outra medicação intravenosa e também mais um xarope porque eu estava tossindo demais.
Foram uns 20 dias de tosse constantes. Nosso príncipe passou a mexer muito com o passar do tempo, eu como não sabia fiquei preocupada e liguei para a Aline, uma amiga que me tranquilizou muito, disse que uma médica disse a ela que quando o bebê mexia demais era porque ele estava feliz, e é sinal de bebê saudável. Cada mexida dele nosso coração se alegrava. Ele recebia de nós todo carinho que podíamos dar. O papai babão beijava a barriga da mamãe, que se alegrava também, pois o carinho era para os dois, príncipe e mamãe.

MAIS CONSULTA
Dia 21/06 mais uma consulta em Sabinópolis, tudo bem com a gente, papai sempre nos acompanhando nas consultas que podia. E cada vez que escutávamos o coraçãozinho batendo, vendo ele dentro da barriga nossa felicidade aumentava, junto com a ansiedade de tê-lo em nossos braços. Estava com 25semanas, 70kg, pressão 100×70 e altura uterina de 25cm, os batimentos do nosso bebê em 168. Graças a Deus tudo bem.

Alguns dias a barriga endurecia só de um lado, trazendo um pouco de dor, o papai ia beijando a barriga e conversando com nosso príncipe até que ele se acomodava novamente. Era incrível a relação já existente entre nós três. Escutava música com ele, e as letras delas diziam muito ao meu coração e acredito que ele entendia também. Os dias foram se passando, a barriga ficando cada dia maior e pesada e nosso amor só crescia por aquele pequeno ser que alegrava nossa vida mesmo sem ainda vermos seu rostinho.
ALGUMAS COMPRAS…
Dia 22 de julho, saímos para comprarmos algumas roupinhas e coisinhas para o enxoval para algumas semanas a frente arrumarmos a bolsa para levar para a maternidade. Foi maravilhoso, cada coisinha linda que vimos, e aquelas coisinhas pequenininhas, já imaginava ele dentro de cada uma delas.
Chegamos em casa, abri tudo para ver, mostrar para minha sogra, e cada amiga que chegava eu abria dinovo para mostrar. Tudo muito lindo. Nosso príncipe continuava crescendo muito bem.
MAIS CONSULTA…
No dia 11/07 tive consulta no PSF também com Dr. Rhian, uma consulta muito demorada, tirei todas as dúvidas que tinha. Estava com 28semanas, já estava mais tranquila em relação ao nosso Moisés, pois as semanas de alto risco já haviam passado, agora a meta era passar das 34 semanas. Nesta consulta Dr. Rhian solicitou um ultrassom com Doppler, ele disse que não é um tipo de exame que pede a todas as grávidas, mas como minha gravidez era de risco, ele achava melhor fazer. Pediu também para que na próxima consulta ao ginecologista eu perguntasse sobre possíveis complicações ou as mesmas que tive nesta gestação em uma próxima gestação.
Minha próxima consulta com Dr.Flaviano seria no dia 26/07/2017, mas foi desmarcada porque ele ia entrar de férias sendo remarcada para o dia 10/082017.

OS ÚLTIMOS DIAS DELE
Em uma tarde de quarta feira, estava muito chateada, chorando muito, liguei para minha amiga Lucimara, ela prontamente foi lá, conversamos um pouco e saímos para tomar sorvete, passamos a tarde juntas, foi minha ultima saída com nosso príncipe em meu ventre. Passamos o fim de semana bem, no domingo meu esposo e meu sogro saíram para irem ao templo como iam todo domingo, fui para a sala assistir jogo, jantei e fiquei lá até que chegassem. Quando chegaram, comi alguma coisa para irmos deitar. Deitamos as 22h30 conversamos um pouco, oramos e daí a pouco Moisés começou a dar pontapés muito fortes, mexer em lugares que ele ainda não havia mexido, chegava a doer, eu até assustava, acabei dormindo algum tempo depois.

DESCONFIEI QUE TINHA ALGO ERRADO
Dia 31, acordei, tomei café e deitei novamente, não senti nosso bebê mexer a manha toda, bem diferente dos outros dias em que muitas vezes acordava de madrugada e começava a mexer. Na hora do almoço, comentei com meu esposo e ele disse que ele poderia estar dormindo. Senti minha barriga um pouco diferente, parecendo mais dura, comecei a me preocupar, mas tentei não ficar nervosa. Fomos até nossa casa buscar algumas roupas, depois meu esposo foi trabalhar. Eu entrei para o quarto fui assistir alguma coisa, mas continuava preocupada porque Moises ainda não tinha mexido. Conversava com ele, mexia na barriga e nada. Chamei minha amiga Valdilene no whatsapp e conversei com ela sobre a situação, ele me disse para fazer alguns estímulos na barriga e outras coisas para ver a reação dele, caso não acontecesse movimento para procurar o hospital. Assim fiz, todos os que ela tinha indicado e nada dele mexer. Comecei a chorar, fiquei muito nervosa. Liguei para meu esposo e ele disse para pedir alguém pra me levar no hospital.

Já não tinha mais batimento
As 16h30 pediu meu cunhado para me levar ao hospital, logo depois meu esposo ia para lá ficar comigo. Cheguei ao hospital, em alguns minutos fui atendida. Dr. Nilton foi quem me atendeu, ele me examinou e disse que o útero estava fechado sem sangramento e sem perda de líquido. Quando ele foi escutar o coraçãozinho, ele mexia, mexia e não falava nada, daí a pouco ele falou que o gel estava ruim e que ia buscar outro, quando voltou fez o mesmo procedimento e nada.
Eu imaginei que tinha algo de errado. Passado um tempo ele disse que não estava escutando o coraçãozinho dele e que era preciso fazer um ultrassom. Já sai da sala dele chorando, saímos do hospital em busca de um médico que fizesse o ultrassom, procuramos vários e com muita dificuldade conseguimos no Dr. Issa. Neste meio tempo, meu esposo ligou para nossa irmã Eleuza pedindo que orassem por nosso bebê, pois o médico na tinha conseguido escutar o coraçãozinho dele. Chegando ao consultório, fomos muito bem atendidos, ele conversou conosco para saber mais detalhes da gestação, olhou os ultrassons anteriores que levamos e depois foi fazer o ultrassom. Mediu a cabeçinha, o fêmur e neste tempo eu só pensava quero escutar o coraçãozinho dele só isso me importava agora. Depois ele falou agora vamos ver o coraçãozinho.

SURPREENDIDOS PELA MORTE QUANDO ESPERÁVAMOS VIDA.
Passado um tempo ele começou a balançar a cabeça negativamente e disse não tem batimento, infelizmente seu bebê esta morto. Não acreditei, comecei a chorar novamente e uma dor imensa tomou conta de mim. Meu esposo me abraçou, choramos juntos e ali recebemos a pior noticia de nossas vidas. Terminado o ultrassom voltamos a conversar e ele disse que não tinha nada de errado nem comigo nem com ele, que a possível causa da morte poderia ser ele ter dado um nó no cordão umbilical impossibilitando a passagem de oxigênio, mas que isto só seria possível saber depois do parto, visto que pelo ultrassom não consegue detectar. Perguntamos qual seria o procedimento seguinte. Ele explicou que seria feito o parto normal, que eles iam induzir o parto e possivelmente seria feito uma curetagem depois. Falei com ele que pensei que seria feito uma cesariana, ele disse que não se faz este procedimento em bebê morto. Um medo muito grande tomou conta de mim, imaginei: Vou passar por toda esta dor para depois não ter nosso filho nos braços? Meu esposo perguntou a ele quando teríamos que ir para o hospital, se seria naquele momento mesmo e tal, ele disse que teríamos uma semana para fazer o procedimento, que poderíamos ir naquela hora, no outro dia de manha, nós que iríamos decidir o melhor momento dentro deste prazo. Saímos do consultório entramos no carro e eu disse a mim mesma: eu não vou questionar a Deus nem porque nem para que! Ele sabe de todas as coisas. Meu esposo ligou para meu cunhado Wirk avisando do ocorrido, ligou também para minha mãe e eu liguei para minha Irma. Foi muito difícil dar a noticia. Meu esposo me perguntou o que eu ia decidir, falei com ele que iríamos no mesmo dia, só queria ir em cada, tomar um banho e que logo depois iríamos. Neste intervalo, chegamos na casa dos meus sogros, eles deram a noticia e fomos arrumar para tomar um banho e ir para o hospital.

A INDUÇÃO DO PARTO
Dei entrada as 22hs na maternidade. Meu esposo manou mensagem para nossos amigos avisando do ocorrido, então começamos a receber mensagens de vários irmãos de vários lugares e igrejas, que diziam estar orando por nós. A meia noite começou com a medicação para induzir o parto, até então não estava sentindo nenhuma dor física. Fui examinada e nenhuma dilatação até o momento. Meu esposo foi dando a notícia para nossos amigos e irmãos da igreja. Logo depois tentamos dormir um pouco. Durante a madrugada uma mulher estava para dar a luz, ela gritava um pouco depois parava e cada grito dela eu tremia pensando que eu ainda teria que passar por tudo aquilo. O dia amanheceu e aconteceram 5 partos neste período um deles da minha amiga Val que me ajudou no dia anterior sobre os estímulos com nosso bebê. As 9hs da manha foi feita uma nova medicação e eu estava começando a sentir um pouco de dor. Escutava do quarto em que estava o processo de nascimento dos bebês, o médico e enfermeiros ajudando a gestante, falando para fazer força e daí a pouco escutávamos o choro dos bebês e a alegria da equipe em mais uma vida vindo ao mundo, imaginava como seria quando fosse minha vez. A tarde, umas 13h mais ou menos perguntei a meu esposo se eu poderia ir ver a bebezinha da minha amiga que tinha ganhado naquela manha e ele disse que achava que poderia. Saí do quarto e fui em direção ao quarto dela, cheguei lá e vi aquela linda menininha, de bochechinhas rosadinhas, a coisinha mais linda do mundo. Dei um beijo na mamãe e os parabéns. Por alguns segundo fiquei olhando aquele pequeno serzinho, totalmente dependente de cuidados. Comecei a chorar e achei melhor voltar para meu quarto. Aos pouco, amigos e familiares começaram a chegar para nos visitar, foram muitas visitas graças a Deus. As dores estavam aumentando um pouco mais ainda estavam suportáveis. A tarde passou e para meu esposo ir em casa tomar um banho minha amiga Lucimara ficou comigo entre 19h e 20h. Conversamos um pouco, oramos e ela sempre me dizendo o tanto que estava feliz por me ver do jeito que eu estava. Ali dentro do hospital eu estava aérea, meio sem ter noção ainda do que tinha acontecido, sem acreditar. O médico, Dr. Felipe que estava de plantão na terça feira esteve no quarto e me disse que quando a dor estivesse muito forte que era para eu falar com eles que seria injetada uma injeção que diminuiria a dor.
As 21h eu pedi ao meu esposo para chamar a enfermeira e falar que eu estava sentindo muita dor. Ela veio e aplicou a injeção e que o médico receitou mais uma medicação que seria feita as 23h30. Após aplicar a injeção que doeu muito, comecei a sentir meu coração muito acelerado e sentir um calor muito grande, estava fazendo muito frio e eu parecendo estar dentro do fogo. Pedi ao meu esposo para abrir a janela do quarto, retirei a coberta que estava com ela e não passava. Aos poucos comecei a sentir que eu estava muito sonolenta, eu comecei a fechar os olhos e escutava meu esposo conversando comigo mas não conseguia ter reação. A enfermeira obstetra esteve no quarto e disse que a injeção iria me fazer dormir, mas que o processo de contrações continuaria. Neste momento eu estava com 2cm de dilatação depois de 24h de procedimento. Quando comecei a acordar percebi que alguém fechava a porta do quarto então imaginei que estavam querendo fazer a medicação e que nos estávamos dormindo. Chamei meu esposo e pedi a ele que fosse atrás da enfermeira e disse que não estávamos dormindo que podia fazer a medicação, ela foi ao quarto e disse que o médico tinha suspendido a medicação, isto era umas 00h15. Depois disto eu apaguei por algum tempo. Dormimos mais um pouco depois acordei as 03hs sentindo dor novamente, aguentei até quase 5hs da manha e então meu esposo chamou a enfermeira novamente, que me examinou e disse que o processo tinha sido paralisado por causa da injeção que eu tomei na noite anterior, que continuava com 2cm de dilatação. Eu fiquei sem entender o que aconteceu, porque ela mesma me disse que a dor iria diminuir, mas que as contrações continuariam, eu só não ia sentir, e não foi o que aconteceu, foram 5hs de paralisação de uma dor que eu teria que ter sentido, mas que o procedimento fosse feito e assim tive que começar a sentir a dor toda novamente. Houve uma emergência no berçário o que atrasou a próxima medicação para dar prosseguimento ao processo. O Médico de plantão naquela quarta feira foi Dr. Danilo de Governador Valadares, ele foi ao quarto às 9hs da manha, me examinou e estava com 3 cm de dilatação. Ele disse que seria feita outra medicação e que talvez não precisasse de outra para que o parto acontecesse e que possivelmente aconteceria naquele dia mesmo. Neste momento chamei meu esposo para orarmos. Orei pedindo a Deus que não precisasse de outra medicação e que o processo tivesse fim ainda naquele dia. A medicação feita às 12hs, e as dores aumentando.
Quando vinham as contrações eu fazia o processo de respiração que eu tinha visto em um dos muitos vídeos que eu assisti durante minha gestação, e foi o que quando vinham as contrações eu fazia o processo de respiração que eu tinha visto em um dos muitos vídeos que eu assisti durante minha gestação, e foi o que me ajudou até chegasse o momento final das dores para o nascimento. Durante o horário de visita, foram várias contrações e algumas pessoas não tiveram sabedoria e começavam a me perguntar as coisas no meio as contrações, chegando a deixar meu esposo e eu nervosos. Minha irmã ficou comigo para meu esposo ir em casa tomar um banho. Ele voltou as 5h e as contrações já estavam vindo de 5 a 6 minutos. Ele fazia massagem na região lombar e eu no processo de respiração até que passe a contração que começou a durar um minuto e meio. Apesar do frio, decidir tomar o banho. Fui tomar o banho na sala de parto porque o chuveiro de lá a água é mais quentinha. As 19h30 a enfermeira esteve no quarto e disse que se eu quisesse tomar um banho para relaxar que eu poderia e que ia me ajudar. Era do lado do meu quarto e no caminho para lá tive umas três contrações. Fiquei uns vinte minutos no banho e as contrações continuavam. Acabei de tomar o banho e no caminho voltando para o quarto foram mais algumas contrações. Meu esposo ao meu lado o tempo todo me ajudando a passar por toda a dor. Depois do banho, umas 20h10 as contrações começaram a vir de 1 em 1 minuto, uma dor terrível, insuportável. Aguentei até as 21hs quando pedi meu esposo para chamar o enfermeiro que me examinou e disse que estava com 4cm de dilatação que ainda demoraria um pouco. Meu esposo perguntou na possibilidade de ainda acontecer naquele dia e ele disse que provavelmente sim.

O NASCIMENTO
As 21h45 eu falei com meu esposo, chama o enfermeiro porque eu não aguento mais, ele me disse que eu aguentava que eu era forte e eu disse a ele: Pode chamar, eu não aguento mais, esta na hora. Ele chamou o enfermeiro e com ele vieram mais duas enfermeiras e o cirurgião Dr. Francisco o mesmo que operou meu esposo de apendicite. O enfermeiro me examinou e disse que já estava tudo dilatado e assim que ele falou a bolsa estourou. Ninguém me disse o que eu tinha que fazer, mas novamente os vídeos me ajudaram. Eu sabia que aquelas seriam as ultimas dores que eu ia sentir e que eu tinha que fazer força. Neste momento eu já não conseguia mais fazer o processo de respiração e segurava a mão do meu esposo e apertava, segurava na cama e nada.
Abraçada ao meu esposo, veio uma contração e eu fiz força ate não aguentar mais, na segunda eu pensei tenho que fazer a maior força que puder e assim fiz foi quando nosso bebê nasceu. A maior dor física cessou. Senti mais alguma dor nos dois pontos que levei e logo depois perguntei se precisaria fazer a curetagem, o enfermeiro disse que não, que tinha saído tudo junto a placenta. Agradeci a Deus naquele momento por não precisar passar por este outro procedimento. Meu esposo perguntou como estava o cordão umbilical, pois o Dr.Issa disse que a causa da morte poderia ser o nó no cordão, mas o enfermeiro disse não tem nada de errado com o cordão. Neste momento entendemos que não precisávamos procurar por uma causa, foi a vontade de Deus.

UMA DECISÃO IMPORTANTE A TOMAR
A enfermeira me perguntou se eu queria ver, eu disse que sim e de longe eu vi nosso filho, sem vida, eu não sabia que reação ter. Ele me perguntou: Você quer pegar? Eu disse sim. Ela o enrolou em um pano e entregou ao meu esposo que o colocou sobre meu peito. Eu comecei a chorar e falar meu filho, meu filho e passava a mão na cabeçinha dele, toda cabeludinha, olhei os pezinhos, grandinhos, depois peguei nas mãozinhas e neste momento a pelezinha da mãozinha dele começou a soltar na minha mão e eu não toquei mais nele. Olhei a boquinha, ela estava aberta, era pequenininha e vermelhinha. Ele era lindo, igualzinho ao sonho que tive com ele, só que com uma grande diferença, ele estava vivo. Passados alguns minutos meu esposo pegou ele e entregou a enfermeira que foi vestir a roupinha que tinhamos separado para ele, o primeiro macacaozinho que ele ganhou da tia Roselídia.

DEPOIS DO PARTO
fui tomar um banho. Logo depois a enfermeira voltou com nosso Moisés todo enroladinho em um pano do hospital, mas com a roupinha que levamos para vestir nele. Pós ele na cama perto de mim e eu só falava meu filho, meu filho. Depois levaram ele de nós. Foi uma noite complicada não sei se dormimos, mas o dia amanheceu e outra médica estava de plantão e logo que foi ao meu quarto disse que eu já tinha condições de alta. Eu teria que esperar os procedimentos para que a funerária viesse ao hospital pegar o corpinho para arrumar para o sepultamento. Meu esposo saiu para resolver e meu pai foi quem ficou comigo até o momento. Passado algumas horas o pessoal do univida ligou falando que já estava pronto o corpinho. Esperamos meu esposo para sair do hospital e irmos fazer o sepultamento de nosso Moisés.

A SAÍDA DO HOSPITAL DE MÃOS VAZIAS
Quando ele chegou uma enfermeira nos levou ate a saída do hospital e no caminho conversava com meu esposo, pois eu queria tirar uma foto do nosso filho. Ele muito relutante, não queria que eu tirasse, mas eu precisava fazer aquilo e fiz. De lá fomos até o carro da funerária onde vi nosso pequeno Moises dentro da urna, uma dor inexplicável. Chamei meu esposo e ali pusemos as mãos sobre aquele corpinho gelado e em meu pensamento disse as seguintes palavras: Deus nos deu, Deus levou. Seguimos para o cemitério e lá pela ultima vez vi o rostinho daquele que foi mais um instrumento de cura em minha vida. Aquele serzinho tão pequenino cumpriu sua grande e importante missão aqui na terra nestas 30 semanas e 6dias que esteve em meu ventre, trouxe muita alegria a nosso coração e nos uniu ainda mais com intimidade com Deus, muito amor, cumplicidade, carinho e respeito.

MAIS DOR
Depois do sepultamento fomos para casa (em meus sogros). Chegando lá fui ler a certidão de óbito de nosso príncipe, e uma revolta muito grande tomou conta de mim quando no lugar do nome do nosso filho estava escrito: NATIMORTO. Perguntei a meu esposo porque o nome de Moisés não estava na certidão e ele disse que quando a criança morre no ventre da mãe não coloca o nome na certidão, foi o que o rapaz do cartório disse a ele. Chorei muito, pois Moisés é real para nós, ele viveu mesmo que dentro do meu ventre. Para o mundo meu filho não existiu. Uma desumanidade para com os pais que desde a concepção já começam a pensar no nome do filho, e depois que descobre o sexo então, o nome é escolhido e como no nosso caso, Moisés é um nome que mexe muito com a gente. Foi escolha do meu sobrinho Bernardo. Meu esposo escolheria o nome se fosse menino e assim se deu. Tínhamos três opções para cada sexo e meu esposo gostou muito de Moisés. É uma ”segunda morte” do filho, desta vez causada pelo desprezo da ordem jurídica.”

VIVENDO A LUTA DO LUTO COM DEUS
Hoje acredito que de todas as dores pelas quais podemos passar, a dor do luto é a mais intensa. É uma dor imensurável, inexplicável. Dor que doe no peito, aperta, despedaça o coração e arranca lágrimas. Quando estamos vivendo o luto é impossível não sentir tudo isto, ninguém é de ferro. Mas precisamos crer, ter fé e exercê-la, e para isto devemos nos agarrar mais ainda a Deus, pois somente Ele é capaz de consolar, confortar e nos fortalecer no momento do luto, Ele enxugará de nossos olhos toda a lágrima. As amizades também nos ajudam muito neste processo, e não diferente, todas elas são providenciadas por Deus. São ligações, mensagens, visitas, orações, abraços e silêncios que nos ajudam a ficar de pé. Temos experimentado de forma sobrenatural o cuidado de Deus. Eu nunca me imaginei passando por esta situação, e posso dizer que estou admirada com tanto cuidado de Deus em nossa vida. Nunca exerci minha fé como agora e o meu pedido a Deus é que continue nos fortalecendo e curando as feridas de nossa alma. Não caminhamos sozinhos no deserto da vida, o Espírito Santo está conosco e intercede por nós. A morte faz parte do ciclo natural da vida e cabe a nós escolhermos ficar sofrendo e revoltados com Deus por não termos mais a pessoa ao nosso lado ou podemos agradecê-lo por ter nos dado o privilégio de no nosso caso ter nosso príncipe por 31 semanas. Na palavra de Deus diz; “Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57:15). O próprio Senhor Jesus chorou quando seu amigo Lázaro morreu. A Bíblia diz que ele “gemeu no espírito e ficou aflito”, e logo depois “entregava-se ao choro” (João 11:33,35), sendo assim é totalmente compreensível que sofremos com a morte.
Depois da partida de Moises, minha vida mudou mais ainda como já havia mudado depois que descobri a gravidez. Ainda esta recente e tem dias menos sofridos, dias sofridos e dias muito sofridos, choro muito em alguns dias e menos em outros, mas a certeza do sustento do Senhor é constante. Tem momentos que não consigo orar e começo a chorar me lembrando de nosso filhinho, então em um suspiro sinto que Deus sabe tudo que eu queria dizer e o que se passa dentro de mim. No momento em que saí do consultório com a noticia da morte de nosso filho, fiz um propósito comigo mesma, de que não iria questionar Deus sobre o porque nem o para que da morte dele, que aceitaria a vontade Dele mesmo em meio a tanta dor. E é isto que tenho feito, e confesso não é fácil, porque nossa carne , nosso lado humano tenta o tempo todo querer questionar e ai tenho vivido constantemente esta luta dentro de mim, e tenho vencido com a ajuda de Deus. “Tu contaste as minhas aflições; põe as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas no teu livro? Salmos 56: 8. Deus vê e recolhe todas as nossas lágrimas, e ele entende cada uma delas. Há se não for o Senhor.

Assimilar tudo que aconteceu ainda não foi possível. Estamos processando aos poucos. Uma das coisas doloridas após todo este trauma é que a gravidez é muito pública, todo mundo sabe que a gente tá grávida. Quando chega a hora do nascimento do bebê, a barriga some e então: cadê o bebê? Esta pergunta chegou a mim e em algumas vezes não consegui responder. Fiquei sem chão, não sou mais aquela grávida rechonchudinha, e agora quem eu sou? O pós parto somado ao luto é muito duro. Tive tudo que uma puérpera tem, o leite, a nova forma do corpo, mas não tenho Moisés aqui comigo. Sair na rua sozinha ainda não consegui. Ter que viver a vida e sair na rua e falar meu bebê morreu ainda doe demais. Falar ou não falar do luto são dois extremos, o primeiro é quando as pessoas acham que não se deve falar, não reconhecer que aquilo aconteceu. Isso machuca demais. Aconteceu, o vazio existe. O outro é o das pessoas que querem falar mas não sabem o que dizer e falam coisas que também machuca: “Foi melhor assim”, “imagina você ter um filho com problemas”, “ você pode ter outro filho”, “imagina se vivesse muito, ai você se apega e morre seria pior”. Isso não ajuda, o que ajuda de verdade é o que vem do coração, um abraço. Não posso ser cruel e dizer que todos são assim, não é verdade, tem algumas pessoas que tem sabedoria e nos dizem coisas que mesmo que nos façam chorar, acalmam nosso coração. Uma frase que me marcou muito, dita por uma amiga foi: “O mundo dele é VC!!

UM MÊS SEM NOSSO ANJINHO MOISÉS
A distância me impede de te ver mas não de te amar. Você será sempre meu amor além da vida. Eu fui sua morada por belas 31 semanas e você foi amado com todo amor que podíamos te amar. Um mês sem sentir suas mexidas que tiravam sorrisos de mim e do seu papai. Doe demais ainda tudo isto meu anjinho, mas tenho certeza de que esta dor amenizará e que o sustento de Deus é constante em nossa vida.
Esta música me faz lembrar muito você meu filho.
MEU AMOR VIROU GENTE – Arianne

Surpresa, você disse assim pra mim
Veio pra mudar a minha vida
Um amor tão puro que eu não conhecia
Veio existir em mim

Confesso, o medo me atingiu
Mas a cada dia que se passa eu sinto
Que meu mundo está ficando mais bonito
E é você, neném

Meu amor virou gente e me deixou assim
Cada vez que se mexe, brota um riso em mim
Meu amor virou gente e me deixou assim
Quando escuto o seu coração, uma lágrima cai de mim
Não vejo a hora de:

Olhar no seu rostinho
Saber se é parecido comigo ou com seu pai
Encostar você no peito, sentir o seu suspiro
Choro, o sono que não vou ter mais

Dentro do meu ventre você morou por 31 semanas e agora mora para sempre em nossos coraçoes <3.
Papai e mamãe vão te amar para sempre. Sua linda história marca nossa vida com uma experência única e pelo privilégio de sermos pais do anjo mais lindo que agora mora lá no céu.

Após uma semana Deus colocou em meu coraçao o desejo de criar um grupo de apoio a maes de anjos em nossa cidade, visto que nao tinhamos. Entao em conversa com amigas que passaram pela mesma provacao, nos reunimos e criamos o grupo MAG-MÃES DE ANJOS DE GUANHÃES. Ainda estamos no inicio, mais informaçoes posteriormente.

Deus tem me honrado.

Relato da mãe Romilda Ferreira Romano

 

O poder dos anjos

Queridos (as) seguidores (as)
Hoje trazemos trechos de um relato emocionante de uma avó – a avó do Lorenzo e do Lucas. Evani Wolff é uma das co-autoras do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal” e nos conta como foi passar pela perda do Lorenzo, filho da sua filha Paty.
“Quando a agente chegou, carregando o caixãozinho, eu não queria acreditar que pudesse ser verdade: ali dentro estava Lorenzo, o bebê da Paty, o nosso bebê. Tão desejado, tão esperado, tão amado. Não! Não podia ser verdade! E ela estava lá longe, no hospital, amparada pelo Jean.
…Eu não sabia então o que fazer pela minha filha. Como proceder? O que dizer? Como confortá-la? Como ajudar a minimizar sua tristeza e sua dor? Deus do Céu! Combinei então com meu genro de aguardá-los em casa. Eu ajeitaria tudo, providenciaria um almoço. A alta era prevista para as onze da manhã do outro dia.
…Pelo meio-dia, eles chegaram. Ainda sem saber o que dizer, abracei minha filha com toda a força, e ela me abraçou. E foi ela quem falou com o desespero e a dor, estampados em todo o seu ser: “Mãe! Não era assim, de braços vazios, que eu queria voltar para casa!”.
…Depois de perder quatro gravidezes e de perder o Lorenzo, e desenganada pelo diagnóstico do médico que então a atendia, de que ela não poderia ter filhos, conseguiu reverter tudo e alcançar o que sempre quis para si: ser mãe. Que exemplo para nós! Que exemplo para todos aqueles que conhecem a sua história!
…Lorenzo foi o anjo que veio para fechar um ciclo em nossas vidas. Lucas é o novo anjo que chegou para dar início a outro momento, cheio de luz, de bênçãos e de felicidade. A mim, o Lucas está ensinando aquilo que ainda me falta aprender nesta existência.”
Para ler este e outros 62 relatos na íntegra, você pode adquirir nosso livro coletivo – “Histórias de amor na perda gestacional e neonatal”- pelo link abaixo da loja Kindle da amazon. As versões digital e impressa estão disponíveis para venda.

O que não pode ser perdido (jamais)

Hoje trazemos uma linda contribuição da co-autora do nosso livro coletivo – Erika Pallottino, psicóloga do Instituto Entrelaços.
“A perda da perda.
Perda quando não falada.
Perda quando não validada.
Perda quando não legitimada.
Perda quando não pranteada.
Perda duas vezes quando não pode ser compartilhada.
A perda de um filho, de um sonho, de um casal que em dois torna-se um e que, ainda assim, quando perdida, não se permite ser pranteada.
Através da palavra, da linguagem, do choro e da comunhão de dor, o filho perdido pode (re)nascer. Na memória, no desejo, no circuito de fé, no amor nunca perdido, na esperança.
O luto, esse preço do compromisso, parte sombra do amor, acompanha os pais. Acompanha o bebê que não pode ser. Acompanha a despedida daquele que não aceitamos ter partido, muitas vezes, sem a chance de ter nos despedido.
O luto, dureza da emoção e do afeto, é a voz do amor que grita e pede para ter um lugar na história dessa família, que assim pode transformar o filho morto em vida.
Filho vivo do amor.
Luto, luta, força do viver. Desejo de ser. Força do sentir.
Luto como manifestação daquilo que não pode ser, mas já é, porque é fruto desse amor.
 
Um filho. Um pai e uma mãe. São uma família desde sempre.
Assim serão para sempre. E a morte, neste cenário de amor, não tem força para fazer frente ao berço do amor que, na despedida de seu bebê, esses pais nunca deixarão de ser.”
Esta linda poesia e outros textos e relatos poderão ser lidos na íntegra no livro “Histórias de amor na perda gestacional e neonatal” , à venda nas versões digital e impressa na loja Kindle da Amazon pelo link abaixo:

Benjamin meu pequeno, filho da minha alegria

Há 36 dias atrás, eu ganhei o maior presente que uma mulher pode ganhar. No dia 31/07 meu pequeno Benjamin – meu caçulinha – nasceu de um parto prematuro (30 semanas – 7 meses), devido a um problema renal. Uma semana antes, no dia 24/07, fui fazer a primeira ultrassom do terceiro trimestre e estava bem tranquila, afinal tinha feito todas ultrassons e exames e tudo estava sempre bem.

Porém, nessa ultrassom, o médico percebeu que o líquido da minha bolsa estava menor do que o esperado e que meu filho Benjamin tinha um problema nos dois rins. Na hora fui encaminhanda para minha médica onde fui internada para tentar repor o líquido com soro e muito repouso. Durante a semana que fiquei internada, era feito ultrassom dia sim outro não, pra saber como o Benjamin estava e se o líquido tinha aumentado. Porém, a cada ultrassom, o líquido só diminuía.

Até que no dia 30/07 ele zerou. Nisso, uma equipe médica veio conversar comigo e meu marido para explicar (bem na lata) o real problema que estava acontecendo. Tive que ouvir deles que se fosse feito um parto cesaria tão prematuro, eu corria risco de perder meu útero ou sofrer uma hemorragia e não sobreviver ao parto. E que eles não sabiam se me colocaria nesse risco, pq devido ao problema renal do Benjamin, não sabia se ele ia sobreviver após o parto, que era uma decisão difícil,  pq eles os médicos sempre iriam priorizar a minha vida. Ou se não fizessem o parto, deixasse o Benjamin na minha barriga, ele podia morrer dentro de mim a qualquer momento. Após muita conversa, eu e meu marido decidimos pelo parto ciente de todos os risco.

Meu pequeno chegou nesse mundo as 15:32 do dia 31/07/2017 pesando 1.705 kilos e 38 centímetros – ele era um bebê grande para 7 meses.  Benjamin era cheio de garra e força de vontade, mesmo quando os médicos não acreditavam que ele ia conseguir, ele ia lá e mostrava sua força. Lutou muito nas duas primeiras semanas e se recuperou bem, ficou estável, saiu da incubadora e respondeu tão bem as tratamentos, que com 16 dias de vida eu pude pegar ele no colo pela primeira vez.

O problema dos rins dele ainda existia, ele tinha que ficar na diálice via abdômen o tempo todo, mas como ele estava respondendo bem, tínhamos Fé que ele ia aguentar com a força dele e ganhar peso para ir pra fila de transplante. Porém ontem, 05/09, após 35 dias de luta, força, orações, ensinamento, meu pequeno foi ao encontro de Deus.

Benjamin era lindo demais, perfeito, totoso,das bochechas gordinhas, de covinha no queixo e cabelos lisos bem pretinhos igual aos do pai. Era branquinho dos cabelos preto que eu chamava ele de meu moreninho.

Desde sábado 02/09, ele começou a piorar da parte respiratória, precisou voltar pro tubo de respiração e só foi piorando rápido demais. Ele estava com uma hipertensão pulmonar, problema esse que foi causado pela falta de líquido no útero. Nós sempre soubemos desse problema, mas ele estava estabilizado.  Porém ele voltou e muito mais forte e pior.

Fiquei ao lado dele todos os 35 dias lutando com ele. A noite de segunda para terça, eu vi meu filho começar a sofrer  pela primeira vez.  Ele respirava cada vez mais fraco, mesmo com tubo de oxigênio, mesmo com a maquina que estava ligada nele fazendo o máximo,  seu coraçãozinho ficou cada vez mais fraco, até que teve sua primeira parada cardíaca na madrugada.  Fiquei ao lado dele todo esse tempo, vendo os médicos tentarem reanimar ele e, após 11 minutos de parada, ele voltou. A partir desse momento, os médicos deixaram a gente ciente que eles estavam fazendo o máximo, mas meu pequeno não tinha mais força pra responder. Eu só coloquei meus joelhos no chão e orei pra Deus fazer a vontade dele. Não podia e não queria ver meu pequeno sofrendo mais daquele jeito. Pedi para os médicos se podia pegar ele no colo e mesmo ele ligado a vários aparelhos eles deixaram e colocaran ele nos meus braços fiquei com ele colo dando todo meu carinho, amor,cheirando ele, falando com ele e cantando as músicas que já sabia que ele gostava até ele dar seu último suspiro e ir para glória.

Não foi fácil ver ele indo nos meus braços e não está sendo fácil. É uma dor que rasga o peito perder um filho que foi tão desejado e amado. Mas me sinto grata por que viver com ele 35 dias, pq pude ver seu sorriso lindo, pude mimar ele com meu colo com carinhos no pé que ele gostava, pude levar meu filho mais velho para conhecer o irmão.

Eu pedi pra Deus mais um filho e Deus me deu, só o tempo que passei com ele foi muito mais curto do que desejámos e sonhávamos,  porém foi muito marcante cada dia ao lado dele que vou levar para sempre comigo no meu coração.

Benjamin veio para esse mundo e me mostrou uma grande garra e força que eu nunca vi. Como disse, dói muito, mas tenho que pegar essa força que meu pequeno me ensinou para continuar vivendo para  meu filho Carlos Eduardo.

Obrigada a todos por todas as mensagens de carinho desde o dia que ele nasceu. E obrigada amor Diogo Dantas por estar ao meu lado sempre, obrigada por me segurar, por ser minha rocha e viver esse lindo sonho de ter nosso filho com a gente por esses 35 dias – eu amo você.

Eu tenho dois filhos, dois anjos na minha vida um está aqui comigo e o outro está ao lado do pai, esperando nosso encontro novamente. Porque eu sei que um dia vou ver ele de novo e eu sou e sempre vou ser a mãe do Benjamin.

Relato da mãe Gleice de Lima

A dor é imensa, mas meu amor por você minha estrelinha, foi maior!

Foi tão bom te ter comigo, mesmo que o tempo tenha sido pouco…
Quando descobri que você viria, meu mundo ganhou ainda mais cor, foi no dia 04/08 que seu brilho me alcançou, minha estrelinha. E um amor inexplicável e imenso brotou espontaneamente em meu coração. Planos e mais planos já começaram a ser feitos, você teria um irmão mais velho que também já te amava e te esperava ansiosamente…
Mas logo a empolgação se tornou preocupação, e eu fiz de tudo que estava ao meu alcance para que você acha ainda viesse ao mundo, e te amei, como eu te amei… Mas Deus tinha planos maiores para você, para nós, e decidiu que você deveria brilhar no céu e de lá cuidar de nós todos. No dia 05/09 recebi a triste notícia que não haveria mais planos a se fazer, que sua luz já não estava mais comigo e doeu, meu Deus como doeu e ainda está doendo…
Independente de terem sido somente dois meses com você em meu ventre, você era meu bebê e sempre vai ser, seu coração hoje não bate mais, mas nem por isso eu vou te esquecer… Porque amor de mãe é assim, não precisa ver para amar, não precisa esperar nascer para chamar de meu filho… Só peço à Deus que me console diante dessa dor, só Ele pode! E a você minha estrelinha que nunca deixe de brilhar…
Relato da mãe Aline Aguirre