Eu ainda lembro e acredito que nunca vou esquecer

“E hoje fazem quatro anos que eu senti o pior sentimento que uma mãe pode sentir. Ainda lembro da espectativa de acordar pra fazer aquela ultra para saber se você viria como meu príncipe ou minha princesa. Lembro do semblante do médico dizer “volte daqui a 15 dias, ainda não há batimentos cardíacos”. Lembro do som  ensurdecedor dessas palavras. Lembro de contestar ” Dr. Semana passada existia batimentos, como pode?” Lembro duramente ele dizer “vamos esperar uma semana aí se não sair você vem fazer a curetagem”. Eu não entendia nada. Eu ” emburreci” por alguns minutos.
Eu só queria ouvir o coracaozinho do meu pequeno milagre de novo. Insistir em outra ultra, implorando a Deus mais um milagres, desses que a gente escuta nessas correntes da internet. Mas o que eu ouvi foi ” mãezinha, seu bebê ta morto”! Foi como tirar meu chão, meu ar, eu queria uma justificativa, um por que. E voltei para casa com você quietinho(a) em meu ventre.
Nossa, é impossível descrever a dor quando VC “nasceu”. Seus bracinhos e perninhas eram tão perfeitos… Doeu por muito tempo, os seus irmãzinhos tão guerreiros quanto você, também passaram por maus bocados, mas venceram e hoje alegram nossa vida, nos enchendo de amor de alegria. E sei que você teve cuidando deles e da mamãe todo esse tempo.
Ainda ouço de muita gente coisas como ” era só um feto” ou “era só um conjunto de células” ou ainda “você já tem outros filhos pra que fica lembrando o que perdeu?” e eu só peço RESPEITO! Era e é meu filho (a), só quem é mãe ou pai de anjo sabe o que estou falando. Precisamos ser fortes todos os dias, o amor de uma mãe vai além da vida. Provavelmente falarei sobre você o resto da minha vida!
“SEMPRE ACREDITEI EM ANJOS, MAS NUNCA IMAGINEI SER MAE DE UM DELES!” Obrigada por ter me escolhido e em tão pouquinho tempo me ensinar tanto. Obrigado por cuidar de nós aí juntinhos de Papai do céu.”
Relato da mãe Rosália Medeiros, que já teve a história da sua filha Giovanna publicada.  Hoje ela divide conosco como se sente 4 anos após a partida do seu pequeno anjo. E ter em seus braços dois arco-íris a Giovanna ,(2 anos e 7 meses) e o Gabriel Elijah (2 meses).
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João Paulo: meu “Peter Pan”

Queridos (as) seguidores (as)
Germana Barros é também co-autora do nosso livro “Histórias de Amor na Perda gestacional e neonatal”. Através do seu relato, ela nos conta de forma tocante como foi a perda do seu filho João Paulo, da dor eterna que ela causa, mas também como consegue suportá-la, transformando essa dor em muito amor pelo seu filho e por outras mães que passam por uma perda semelhante.
Leiam abaixo trechos desse emocionante relato.
“Conheci o verdadeiro amor através da maternidade… Mas a vida me golpeou e me fez também conhecer a pior dor do mundo. Ver meu filho partindo na minha frente é uma das cenas que jamais serão esquecidas. Mas o amor e todas as bênçãos que ele trouxe para minha vida são infinitamente maiores do que qualquer sentimento de dor e angústia.
…E foi para honrar a memória de meu filho que resolvi dar um sentido ainda maior ao nascimento dele: resolvi ajudar outras mulheres, criando um grupo de apoio. 
…Contra a correnteza do preconceito em torno do tema “morte”, paulatinamente caminhamos rumo à humanização da sociedade e também dos profissionais de saúde. Pedimos por mais amor, mais sensibilização, mais carinho!
…Tenham FÉ! E se permitam sorrir, chorar, gritar… Somos ÚNICAS, mas somos UMA. Dor compartilhada é dor diminuída.”
Para ler este relato completo e os demais presentes no livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”, acesse o link da loja Kindle da Amazon abaixo para comprá-lo na versão digital ou impressa.

Perda perinatal: apoio emocional é prevenção

Queridos (as) seguidores (as)
O texto abaixo contém trechos do relato da psicóloga clínica – Gabriela Casellato – que é uma das co-autoras do nosso livro coletivo “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”.
Em seu texto, Gabriela fala da sua opção por atender casais enlutados pela perda gestacional e neonatal e da dificuldade da sociedade em reconhecer essas perdas.
“A sociedade mede a dor pelo tamanho do caixão.” − Shoerokee Else
…Algumas pessoas, ao longo da minha jornada profissional, ainda demonstram estranheza e um tanto de desconforto com minha escolha por esta área de atuação dentro da Psicologia Clínica. “Por que lidar com tanto sofrimento?”, “Que coisa mórbida!”, “Você deve se cansar de ouvir meu choro e minhas queixas!”. Tais indagações refletem o quanto as pessoas ainda temem lidar com o sofrimento e se iludem com a ideia de que a melhor forma de enfrentá-lo, é tentar suprimi-lo ou banalizá-lo.
…Ao receber o convite para participar desta publicação, me senti desafiada, pois cabe a mim falar que este luto dói, é complexo, sutil e profundo, frequentemente solitário e estigmatizado pelo fracasso diante da cobrança social com relação à maternidade, mas ao mesmo tempo, apontar para a ideia de que o luto é sim, um processo normal e esperado porque nos vinculamos, investimos emocionalmente e construímos relações, independentemente do tempo de relação, ou da idade de quem se foi.
…E é esse o sentido desta publicação: ninguém pode tirar sua dor, mas pode te ajudar a enfrentá-la com muitos recursos, entre eles, os depoimentos que aqui se encontram, as informações sobre luto que já existem em tantas publicações e sites sobre o tema do luto, além do suporte psicológico especializado, suporte espiritual e comunitário…”
Para adquirir o livro nas versões impressa e digital, clique no link da laje Kindle da Amazon abaixo e você poderá ler este texto na íntegra e outros mais de 60 relatos de muito amor sobre a perda gestacional e neonatal.

Minha Estrela no céu

Queridas mamães!

Aqui quem escreve é uma mamãe muito saudosa, em processo de recuperação após a separação física do seu grande amor. Eu tenho 29 anos e vou resumir a minha história.

Com 12 anos, fui diagnosticada com útero bicorno,ou seja,meu útero é totalmente dividido em dois. Um ano antes de começar a tentar engravidar, fiz uma bateria de exames (alguns deles dolorosos) para termos certeza do formato e volume. Sempre convivi com o medo de nunca gestar, porém os exames deram bons e em maio de 2016 paramos com o anticoncepcional.

Começou aí a maior expectativa das nossas vidas. Todo mês, eu e meu marido torcíamos muito pelo positivo. Ele sempre calmo e otimista, eu sempre  nervosa e ansiosa. Foram1 ano e 3 meses esperando. Nesse período, passei por problemas de ovulação, uma hemorragia uterina após indutor de ovulação, uma biópsia onde foi diagnosticado uma infecção uterina… comecei o tratamento da infecção mais  ou menos pelo dia 20 de julho. Com10 dias de tratamento, tive uma infecção intestinal, depois mais 20 dias de antibiótico. O tratamento terminou 19 de agosto.

Dia 21 de agosto, eu com a menstruação atrasada,resolvo comprar um teste de farmácia. Nunca me passou pela cabeça, nunca desconfiei, não tinha sintomas…e…dois risquinhos!!! Positivo!!! Mais um teste de farmácia…positivo de novo!!! Exame de sangue…positivíssima!!! Grávida, muito grávida, gravidíssimos!!!! Sou mamãe! A espera acabou!! O amor da minha vida chegou!!!

Dia 22 fizemos ultra som: 6 semanas de amor na barriga da mamãe e um coração batendo forte!!! Eu não tocava o chão ao caminhar, sorria boba…o papai não acreditava,chorou quando viu !!! Mas não estava tudo tão bem,tinha coágulos na parede do útero…

Comecei então repouso e medicação, muita reza e conversa com meu pequeno amor…”aguenta firme,vamos lutar juntos, a mamãe faz qualquer coisa por você ‘…

Dia 25  a tarde, um sangramento…corremos para a médica, mais um exame e você estava lá!!! Forte,cresceu, tão amado, tão lindo!!! Mas na madrugada do dia 26 de agosto, após muitas cólicas, muito sangue, você se foi. Recebemos a notícia da pior maneira possível, uma medica totalmente despreparada, sem coração…

Perdi meu chão, eu quis morrer. Como assim meu bebê amado não estava mais lá? Como assim ‘saiu tudo com o sangue’, como ouvimos…e os planos que tínhamos? E as roupinhas que ganhamos? E tudo que sonhei nesse 1 ano fica onde? Guardo onde?

A luta, meninas, é no dia a dia. Ninguém quer tocar no assunto e os que tocam, é pra dizer logo você terá  outro….

Hoje vivo a saudade de 1 mês sem o meu pedacinho de céu. Ele veio por um período muito curto, mas o suficiente para me tornar a mulher mais feliz do mundo, a mamãe mais orgulhosa, mais completa. Hoje, quando olho pra trás ainda dói, sempre vai doer. Sempre vou ser mãe dele, não pude ver crescer, não soube o sexo, nunca saberei o que gostaria de comer, de brincar…

Minha pequena Estrela no céu, saiba que você tem aqui na terra a mamãe mais feliz do mundo por ter te recebido. Você me ensinou a amar mais do que a mim, me ensinou a ter esperança, ser corajosa e sempre acreditar em Deus. Obrigada por ter escolhido a minha barriga. Você fez a mamãe muito feliz e ainda faz,quando lembro de ti. Prometo ser o mais forte possível para me acostumar com a saudade e  peço que sempre me ilumine. Ajude a mamãe a se preparar para, quem sabe a tua volta, ou para receber meu bebê  arco-íris, que será tão amado como você. Sempre vou ser sua mamãe. Sempre vou te amar. Sempre vou sentir saudades.

Com todo amor que possa existir no mundo, sua mamãe!

(autora não identificada)

Nosso encontro

“Nosso encontro” é o título de mais um emocionante relato do nosso livro coletivo – “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”. Abaixo, seguem trechos do texto da co-autora do livro – Fernanda Ramalho, tia da Beatriz.
No livro, que está a venda no loja kindle da Amazon pelo link abaixo, você também encontrará os relatos da mãe e da avó da Bia.
“De repente, assim de surpresa, recebo a notícia:
– Estou grávida!
Era minha irmã mais velha. E nesse momento, sem saber explicar como e nem por quê, fui tomada da emoção mais forte que já senti em minha vida:
– Vou ser tia!
…No dia 20 de janeiro de 2015, recebi a notícia de tirar o fôlego: Bia está a caminho!
Mesmo a oitocentos quilômetros de distância, consegui chegar antes mesmo de minha irmã dar entrada na maternidade.
…Eu finalmente me realizava inteiramente como TIA da Bia. Uma menina perfeita, linda e dotada de um amor que transbordava em todos nós! E esse amor foi tão imenso e tão puro, que realmente transbordou. Em menos de 24 horas de sua chegada, precisamos nos despedir… E ela se foi.
mudou minha vida e meu coração.
…Só tenho a agradecer, e espero o dia em que poderemos nos reencontrar. Enquanto esse dia não chega, aproveito intensamente tudo que ela nos deixou: amor, união, compreensão, força, coragem, esperança, família, vida e fé. Nunca entendi tão bem o significado dessas palavras como entendo agora!
Obrigada, meu amor. Te amarei para sempre!”

Nosso ganho é maior que a nossa perda

Meu nome é Daiane Ap. Santos Resende, moro em Carmópolis de Minas – MG,casada com Guilherme Resende, sou mãe do João Guilherme, meu anjinho que hoje olha por nós lá do céu.
No exame de TN (translucência nucal) foi dado o diagnóstico de Acrania/anencefalia, meu mundo sumiu debaixo dos meus pés, nunca tinha escutado falar antes, nunca vi um caso assim antes, nem mesmo na internet, porque simplesmente nunca procurei. Então aí começou a minha luta, com uma frase medicinal “incompatível com a vida” e com a possibilidade segundo a mesma de a gestação não se conseguir chegar a termo, eu segui a diante depositando tudo a Deus, vivendo intensamente, e preparando tudo absolutamente normal para esperar meu bebê, pensava que o que fosse possível a mim, humana e mãe, tinha que fazer, e o impossível somente Deus! Chegamos as 40 semanas e fomos para a maternidade, João nasceu as 14:34 por meio de uma cesareana pesando 2,780 e medindo 47 cm, nasceu com um forte choro, meu Guerreiro, não precisou de nenhum aparelho em seus primeiros 2 dias de vida,  veio a precisar depois de oxigênio, mas eu via a sua luta constante pela vida, desfaleceu em meus braços na noite anterior a partida, e renasceu em meus braços com o mesmo choro forte da primeira vez, passou sua última noite no meu cantinho. Um médica do hospital me falou sobre o grupo do luta a luta. A nossa luta estava ainda mais intensa, na manhã seguinte enquanto tomava um banho meu anjo bateu asas, ele não queria partir em meus braços e nem me deixar a lembrança de como partiu, veio o nosso luto.
Para quem foi dito que não teria mais 7 meses de convivência gestacional, e sim uma incompatibilidade com a vida, teve suas 40 semanas e 5 dias de vida para nos provar que a luta pela vida vale a pena, ainda que ela seja um sopro, 5 dias que valeram um vida, nossos momentos vividos serão eternamente lembrados…foi breve?  Não, foi a vida do nosso João! Há pessoas que vivem uma vida inteira e não conhecem o verdadeiro amor, eu vi ele nascer, mas não vi ele morrer, simplesmente porque o amor não morre! Ele renasceu para outro mundo nos deixando seus ensinamentos de amor, confiança, luta e esperança!
A nossa luta hoje é o aprendizado, estamos aprendendo a conviver com a saudade do sonhado menino, nosso João 💙 ” como disse Bráulio Bessa sabiamente sobre a saudade: se a saudade além de ferir matasse, com certeza eu já teria falecido, mas nem morto eu teria lhe esquecido, nem a morte dava fim a esse impasse, cada vez que a minha alma se lembrasse pediria a Deus de forma insistente que ele desse um jeitinho diferente pra juntas nós dois por toda eternidade, porque quer saber quanto custa uma saudade, tenha amor, queira bem e viva ausente”… João você lutou para viver, hoje a vida me insiste em lutar para viver sem você 💙 te amo até o céu! (🌌15/08/2017 👼20/08/2017)
Mãe do João com GRATIDÃO!
Relato da mãe Daiane Santos

Minha história!

Sou a Anna, mãe de 3 lindos pequenos. Meu mais velho nasceu em março/2015 de parto natural, com quase 41 semanas de gestação. Quando ele estava com 9 meses descobri uma nova gestação, que infelizmente com 9 semanas evoluiu para um aborto espontâneo, achei que seria o momento de maior dor na minha vida. Como não precisei fazer curetagem e nem tomar medicamentos, a dra falou que eu poderia engravidar novamente quando quisesse. 6 meses depois descobrimos uma nova gestação. Foi uma alegria imensa. Alegria maior ainda quando na 1ª ultrassom, vimos e ouvimos 2 coraçõezinhos batendo. Eram gêmeos!

Parei de trabalhar, fiquei em repouso em casa cuidando do meu bebê mais velho, nas ultrassons estava tudo ótimo, eram dois meninos a caminho, passou o 1º trimestre, tudo certo sem intercorrência,  apenas o cansaço mesmo. No 2º trimestre tive uma melhora de energia, apenas a barriga crescendo, última consulta de rotina com 28 semanas e havia engordado apenas 6 kg, os meninos eram enormes para a ig deles. A dpp era março/2017, exatamente 2 anos de diferença do mais velho.

Quarta-feira dia 28/12, dia que eu entrava na 29ª semana de gestação comecei a sentir dores de tp, conhecia as dores, meu mais velho nasceu de parto normal, eu sabia o que estava prestes a acontecer, e entrei em desespero. Corremos para o hospital e apenas 1 hora e meia de tp estava com 6 cm de dilatação.

Fui internada, tomei os inibidores, injeções de corticoides e tudo mais para segura-los na barriga mais um tempo. Mas as contrações não paravam e 1 semana após a internação eles nasceram de uma cesárea de emergência. Com 30 semanas, o G1 Lucca nasceu com 1.414 kg e o G2 Théo com 1.360 kg. Ambos necessitaram de reanimação e foram direto para a uti.

A tarde fui conhece-los, após o efeito da anestesia passar. Que dor não poder pega-los, mas eram lindos. Estavam entubados, mas tão lindos. Depois de 7 dias, os dois já estavam respirando sozinhos e era o último dia de antibióticos. Estavam bem! Sem tanta gravidade, melhorando, recuperando. Mas no 8º dia quando chegamos para ve-los, o Lucca já estava entubado novamente, com vários antibióticos, e em estado gravissimo. (Como assim? Fomos embora 23:00 e chegamos as 08:00 da manhã, na madrugada mudou tudo). E só foi piorando, os orgãos parando, nada dava efeito, resultado nenhum e no 12º dia dele, 16/01 às 22:30 da noite nosso bebê partiu.

No dia seguinte pela manhã após o enterro, voltamos para neo, afinal Théo estava lá, e precisavamos ser mais do que fortes. Chegando lá, Théo estava respirando com ajuda de aparelhos novamente, e a cultura deu positivo para bactérias, o desesperou foi tanto. Fomos vivendo dia a dia, dor a dor, e após 43 dias de internação Théo teve alta, com 2.020 kg, dia 16/02 às 11:00 fomos embora daquele hospital, sem 1 pedaço nosso, mas ainda assim vitoriosos, pelo Théo!

Exatamente 1 mês após a partida do Lucca, chegamos em casa. É uma dor sem fim. Uma saudade, uma falta.

Lucca te amamos tanto nenem, nos vemos na vida eterna meu anjinho! Você lutou tanto, sabemos. Sabemos também que está em um lugar que não tem sofrimento, só a cura. Rezamos tanto pela sua cura e que fosse feita a vontade Dele. Hoje nos basta aceitar essa vontade.

A foto com a incubadora fundo azul é o Lucca, e o bebê menor é o Théo, que hoje está com 8 meses.

Relato da mãe Anna Lívia Campestrini