Trevo de quatro folhas

Amor de mãe é a mais elevada forma de altruísmo.

 

Olá amigos! Tenho 35 anos e meu esposo 47 anos, demorei 1 ano para retornar com meu relato, pois estava aguardando um desfecho. O final não foi dos melhores mas com muito aprendizado. Fiz questão de retornar pois foi um grupo que me ajudou bastante com orientações, fé e apoio. Em outubro de 2018 consegui engravidar, após 4 meses de tentativa, minha primeira gestação. Nos três primeiros meses uma gestação tranquila, poucos sintomas e o sexto sentido aguçado, sentia que algo não estava bem. Em janeiro de 2019 realizei o famoso exame de translucência nucal. Eu e meu esposo estávamos em festa para fazer o exame, felizes para ver nosso bebê, no entanto, o médico ficou sério e nos perguntou se sabíamos a importância daquele exame e que não estava nada bem e que as alterações eram: Translucência 12 mm, extremamente aumentada, coração do lado esquerdo batimento fraco, rim alterado e pulmão com água. O nosso chão desabou, não acreditava nos resultados e no médico, imediatamente o médico do ultrassom entrou em contato com meu obstetra e era o que eu queria, escutar meu médico, qual posicionamento ele nos daria. Meu médico nos ligou em seguida, dizendo que era grave, quais ricos para minha saúde e do bebê e que precisava fazer amniocentese, só que precisava esperar 15 dias para que o líquido da placenta estivesse com maior volume. A minha saúde estava ótima, nenhum exame alterado.

Saí daquele lugar acabada eu e meu marido, não sabíamos o que pensar, apenas precisava conversar com Deus, só chorava. Fui até uma igreja mais próxima e lá estava uma mulher na recepção que nos acolheu como um anjo, orou e tentou nos confortar, era Deus nos seus detalhes.
A espera desses dias foram torturantes, tive todos os pensamentos possíveis, vi que meu marido imediatamente assumiu o papel da racionalidade e tentava me tirar desse terrível pesadelo. Deus e nossos familiares familiares foram fundamentais, como necessitamos dessas âncoras, somente eu e meu marido não dávamos conta. Minha fé foi testada a todo momento, me sentia forte, esperançosa mesmo que 2% era a probabilidade de reversão, era nisso que me apegava, via relatos por aqui, me ajudando nesse processo. Orava com a mão na barriga, conversava com meu corpo, com o bebê, com minhas culpas.. É um momento que todos os nós vem a tona, rejeitava minha barriga, não queria que crescia. Me sentia fraca, muito importante a oração vinda de outras pessoas pois é um momento que nem sempre temos força, é uma luta. Meu esposo é cético, então era eu e essa rede de apoios. Recebi muitas orações, sou imensamente grata a cada uma delas. Principalmente a esse anjo que Deus nos deu, a moça da recepção da igreja, que me mandava mensagens, palavras de conforto e oração. Até a liberação dos exames e toda burocracia que envolvia o exame foram 20 dias.
20 dias que ficamos no vaco, sem reação, sem controle da situação, sem motivação, paralisados.
Escutava a voz de Deus.. Ele e Nossa Senhora Aparecida me carregaram no colo.
Um dia antes do exame senti um tremor na barriga que me deu esperança,era o bebê se mexendo. E finalmente fui fazer o exame, estava aflita, impaciente, nervosa. Quando entrei no consultório do ultrassom senti que não estava sozinha e sim munida com a força de Deus, simplesmente uma paz e serenidade invadiu o meu ser. O médico foi fazer o ultrassom e notou que não havia mais batimentos cardíacos. Meu marido chorou igual criança, que tristeza! Mas naquele momento tive muita força vinda de Deus e sabia que o melhor havia acontecido e que um anjinho ele acabava de receber em seus braços. Estava com 16 semanas e mesmo assim fizeram o exame de amniocentese. Dói um pouco sim o exame, mas é suportável. O problema maior acaba sendo o emocional. É um exame invasivo num momento de extrema sensibilidade. Foi feito exame como tentativa de diagnóstico e ajudar quem sabe uma segunda gestação.
Não tive sangramento, foi um aborto retido. Passei com meu médico e a recomendação era que no dia seguinte fizesse a curetagem. Não foi fácil passar a noite com meu filho sem vida na barriga, penso que isso poderia ser revisto como um procedimento urgente, mas por um outro lado sabia que aquele momento seria único em nossas vidas e aproveitei para me despedir. O processo de curetagem não é nada fácil, muito triste! Ver mamães ganhando seus bebês e eu ali numa tristeza profunda. Tive que passar por todo procedimento de indução de parto foi mais ou menos 12 horas até que tive as dores do parto sem a recompensa da vida. Muito choro e compaixão por todas as enfermeiras que me acompanharam. Infelizmente meu marido não pôde acompanhar, é permitido acompanhante somente no parto. São sugestões e reclamações que envolvi a maternidade. Foi recolhido alguns materiais para análise cromossômica. Foi identificado o Sexo masculino mas não era certeza pelo tamanho do feto.
Sentimos a necessidade de fazer um ritual de despedida e oração.
Compartilhamos com vocês um pequeno texto deste momento.
Você foi o fruto do nosso amor.
Planejamos a sua vinda e você veio no momento que tinha que ser.
Trouxe amor, conexão com o Divino, fé, alegria, pensamentos desafiadores a nós e a todos da família.
E Papai do céu te chamou para ser um anjo. Choramos a sua partida e estamos elaborando o luto pois te amamos.
O desejo que você ficasse e a fé era tão grande que quando você se foi seu bercinho (útero) não queria que você saísse dali.
Senti mesmo que por 15 semanas e 5 dias o que era amar uma filha. Você nos deu esse presente. Muita gratidão por nos escolher. Somos pais de um anjo!
Assim nós nos despedimos e te batizamos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Gabriela (mulher de Deus)! Você faz parte da nossa família. Para sempre em nossos corações!
Sopro de vida e luz , anjo de Deus… Um dia nos veremos. Siga em paz nosso trevinho da sorte.
Nos abrimos a um novo ciclo de vida que vem de Deus nosso Pai que é perfeito e com muito amor.
Nos abrimos e recebemos todo bem e abundância do Universo!
O sentimento é que sou capaz de enfrentar qualquer coisa depois dessa perda inominável, que temos que viver intensamente todos os dias pois não sabemos o amanhã. Que Deus me ama, senti amada por Deus.
Após alguns dias tivemos o resultado e o diagnóstico foi Síndrome de Turner, era uma menina, a Gabriela. Com isso fomos encaminhados a uma geneticista, muito concorrida essa especialidade para consulta e fomos conseguir após 5 meses. Já me sentia pronta para ter outro bebê mas precisávamos aguardar. Feito toda investigação e concluído que foi ao acaso. Tivemos inúmeros momentos de crescimento e fortalecimento na fé e digo a todas mamães que estão passando pela mesma situação tenha fé em Deus independentemente da religião, ore que ele te atenderá, a oração de uma mãe é poderosa e atendida. Peça oração pois nem sempre temos força! Falo isso mesmo não tendo um final feliz (para alguns) mas vejo que a felicidade está em ver que Deus escolheu o melhor para nossas vidas. E aqui estou na tentativa de engravidar novamente, tenho fé que Deus vai me dará um novo presente.
Deus abençoe nossas vidas mamães ♥️

3 comentários em “Trevo de quatro folhas

  1. Passei uma situação semelhante à sua. Perdi meu filhinho que já estava morto no meu útero aos nove meses de gravidez. Fiquei muito revoltada na época, mas Deus foi tão misericordioso que não me desamparou nunca, e acabou me mostrando o porquê daquilo tudo. Hoje só agradeço a Ele pelo presente que transformou minha vida durante aqueles nove meses. ❤ meu anjinho, nunca o esquecerei.

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