EM RESPEITO AO MEU ETERNO MAJOR TOM, UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA

Amor de mãe é a mais elevada forma de altruísmo. (1)

 

 

.16 de dezembro de 2019.

Começar a escrever sobre esse fim que também é um começo é angustiante. Fazem exatamente 10 meses e 15 dias que você nasceu e todos esses meses e dias menos 4, que você partiu. Bom, logo que meu Tomás morreu eu procurei várias páginas que falassem respeitosamente e amorosamente sobre a morte neonatal, sobre essa morte que é tão precoce e velada. Eu estava perdida, tinha me preparo 6 meses para ser mãe e para lidar simplesmente com os desafios da maternidade nesse mundo machista que sobrecarrega as mulheres que assumem esse papel. E do nada, me vem um diagnóstico, uma internação desesperada, o nascimento angustiante e por fim a vida interrompida de alguém que mal nasceu. Foi então que nessa busca desesperada por colo, consolo e respostas eu encontrei vocês.10 meses depois, cá estou eu para dividir minha história.

Bom, minha gravidez não foi planejada, tinha 21 anos, uma faculdade que eu estava começando, um namoro abusivo e muitos planos que eu tinha feito para realizar antes de pensar em ter um bebê. Mas, para a minha irresponsabilidade e completa surpresa, acabo engravidando e resolvo não interromper a gestação. Logo me apaixono pela ideia de nunca mais estar sozinha nesse planeta (porque desde a descoberta eu passei de singular para plural). A minha gestação foi saudável, tive um deslocamento na placenta que foi assistido e logo resolvido, tinha consultas periódicas e Tomás que na época eu carinhosamente tinha apelidado de “JOOORGUE” (KKKK SAUDADES) porque eu ainda não sabia o sexo (NA VERDADE EU SEMPRE SOUBE QUE UM MENINO TAVA ALI/AQUI DENTRO) se desenvolvia muito mas muito bem. Pulo para uma manhã de Sol de janeiro, aquele céu azul limpinho me convidava para aproveitar o dia. Vou ao banheiro e vejo vestígio de sangue saindo da minha vagina. Então corro imediatamente para a maternidade e tudo aconteceu tão rápido que hoje parece que eu fechei os olhos e acordei dentro de um pesadelo. Fui diagnosticada rapidamente com insuficiência istmo cervical (IIC) que é basicamente um problema no útero em que as mulheres nascem ou podem adquirir ao longo da vida e que não sustenta o bebê no útero conforme ele vai ganhando peso e em decorrência disso o colo dilata e causa o aborto tardio ou o parto do bebê prematuro. E NÃO EXISTE UM PRÉ DIAGNÓSTICO PARA IIC (PARA O MEU DESESPERO, ÓBVIO!!!!)

Resumão… Fico 25 dias internada, acamada na tentativa de segurar o bebê pelo maior tempo possível e acabo dando a luz no dia 1 de fevereiro. Tomás nasce vivo, o que para equipe médica já era algo muito improvável de acontecer. Além de vivo, Tomás chora ao nascer (pasmem) pois ele nem os pulmões tinha dado tempo de formar por completo. Enfim… Tomás nasce superando as expectativas. Ele tinha 550g e 34 centímetros para quase 24 semanas de gravidez (o que é perfeito, se ele estivesse se desenvolvendo no meu útero).Ele passa 4 dias internado na UTI e acaba não resistindo, quer dizer, ele resistiu muito, muito mesmo. O ser mais resistente que eu já conheci ao longo dos meus 22 anos. Na verdade, ele cumpriu o tempo dele e partiu pra casa. Me deixando como uma boa humana que sou, ARRASADA. Eu não entendia porque aquilo estava acontecendo com a gente. Eu não me perdoei por não ter conseguido abrigar meu filho tempo suficiente, já que ele era um bebê saudável até esse diagnóstico. E diante da morte do meu nenê amado mais que tudo, procurava resposta nas minhas ações do passado pra tá sendo castigada no presente. Eu enterrei a sua matéria em uma quarta feira de um dia de verão que amanheceu parecendo que ia se acabar de tanta chuva e trovoadas (sem exageros), moro no nordeste e não costuma chover assim nesse período do ano. Com certeza era São Pedro que também estava de luto ou então festejando pela chegada do meu rei.

Hoje, todo esse tempo se passou mais o vazio do colo é definitivamente inconsolável. Eu consegui me perdoar por aquilo que eu achava que tinha culpa e que não me cabia, e hoje convivo com o meu luto de forma harmoniosa. O que pega mesmo é quando a saudade daquilo que eu não tive tempo de viver com ele bate… aí o remédio é se permitir ficar triste e chorar e pronto. Porque o que não tem remédio, remediado está. E é óbvio que sempre eu serei uma mulher que carrega um vazio existencial.

A respeito do amor que eu senti pelo meu filho, eu vou nutrir ele para o resto dos meus dias em meu coração e mesmo que no futuro eu venha a ter outros filhos, Tomás sempre estará no minhas lembranças. Porque um filho não se apaga!

Último recado: Não me olhem com cara de pena, eu fui escolhida de alguma forma para passar por isso ainda no ventre de minha mãe. E vós digo, eu cumpri minha missão dignamente e dei toda condição e amor para que o meu filho também cumprisse a dele. A vida não é um conto de fadas e estamos fadados a lidar com momentos nem sempre tão favorável ao “feliz para sempre”. Eu não sou tão religiosa, mas ao longo dessa experiência eu procurei não desacreditar em Deus e no que o universo tinha escrito para mim. Porque ele é bom sempre!

 

Com amor e carinho, Agatha!

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