Gostaria de compartilhar este relato como forma de superação…

almofada-melhor-escutar-familia-em-tirasMe chamo Natália, tenho 32 anos e estou atravessando um momento extremamente doloroso. Hoje fazem 20 dias que descobri que um sonho tão lindo e tão desejado acabou de forma tão repentina.
Dia 12 de junho, antes mesmo de constatar o atraso menstrual, eu sabia que estava grávida! Já sentia que o momento havia chegado e com ele um vendaval de expectativas e alegrias! Pois bem, contei para o meu esposo, família, amigos, trabalho e até no Facebook! Tinha que compartilhar essa alegria! Me dei o prazer de receber todas as energias boas que uma notícia de vida garante!
Marquei consulta de pré natal, fiz todos os exames e tudo bem! Ansiosa pela hora que constataria o amor que crescia em mim, a ecografia! O médico solicitou que fosse realizada com 8 semanas, onde é possível ouvir o coração que é o primeiro indicativo do que eles chamam de gravidez viável. Ecografia marcada  (14/7/2017) fui com meu esposo, não dava para disfarçar a ansiedade e a expectativa do momento! Me despedi dos colegas de trabalho dizendo: gente se eu não vier na segunda é porque estarei em choque por descobrir 2 bebês! Ainda não sabia que de fato não apareceria na segunda…
No momento da eco, o médico desconfiado perguntou se eu tinha certeza da data da minha última menstruação, seguramente disse que sim, que estava no acompanhando os ciclos super certinho! Neste momento, começa o pesadelo! Ele me disse que pelo exame, o embrião estava com tamanho de 6 semanas e sem batimentos ao invés de 8 semamas e que tanto poderia estar diante de uma gravidez não viável como de uma ovulação tardia e sugeriu que a eco fosse refeita em 7 dias, onde obrigatoriamente deveria haver batimentos… fiquei extremamente confusa, refiz de todas a formas os cálculos, mas ainda havia esperança!
No dia seguinte voltamos para o consultório e meu médico me acalmou, ele disse que estava tudo em perfeita ordem para uma gestação de 6 semanas, embrião, saco gestacional, vesícula vitelinea… mas não descartou a necessidade de confirmarmos se estava mesmo tudo bem! Disse que seria repetida a eco com 7 semanas e alguns dias, e para que eu me acalmasse, faríamos um BHCG de controle, onde os resultados poderiam ser interpretados da seguinte forma: 1 se os níveis de hormônio estivessem na quantidade para o tempo gestacional e aumentassem no controle, poderia FICAR TRANQUILA;  2 se a quantidade de hormônios diminuísse, confirmaria o diagnóstico de GESTAÇÃO NÃO VIÁVEL- Aborto retido (sem sintomas).
Mais uma vez ansiedade e esperança! Fiz o primeiro exame no sábado dia 15/7, 32 mil! Na segunda dia 17/7, cheguei ao hospital, fui direto no laboratório! Enquanto aguardávamos o resultado (que demoraria 1h40min), eu e meu esposo ainda fazíamos planos para o Bebê que ainda esperávamos… após o tempo entrei no consultório, meu médico olhou o primeiro exame e disse que estava tudo ok com a quantidade, mas o segundo exame ainda não aparecia para ele no sistema! Confiante, pediu que eu não me preocupasse, fosse para o trabalho e apenas mandasse para ele o resultado do segundo exame  (parecia ter certeza que estava a tudo certo mesmo)! Saímos do hospital, e de minuto em minuto eu e meu esposo tentavámos buscar o resultado pelo celular!
Sei que pouco tempo depois, já a caminho do trabalho, confirmei o único resultado que a gente não queria… tinha reduzido mais de 2mil! O sentimento? Um vazio, parecia que via um filme sem áudio! Meu esposo retornou o carro e voltamos para o hospital, para saber o que seria da gente a partir dali! O médico super entristecido confirmou o diagnóstico devastador! E assumiu ali o protocolo para Aborto Retido! Perguntou se eu estava de jejum, pois o procedimento de curetagem necessitava disso, por causa da anestesia… Como não estava, foi marcado para a quarta feira seguinte…
Eu, continuei como se estivesse em um filme, de terror, sem som, por longos minutos fiquei pensando que estava desengravidando e como seria vivenciar esse momento tão ruim… família, amigos, eu mesma (ainda me sentia grávida)sei lá!
Saibam que ali apenas se confirmou o sofrimento… Na quarta, eu cheguei ao hospital, para fazer o procedimento, chamado AMIU (aspiração manual intra uterina) e concordo com alguns artigos que eu li sobre as pessoas e profissionais que não são preparados para lidar com esse tipo de evento, onde percebi que não havia nenhuma empatia pelo que estava me acontecendo ali! Resumindo, adormeci, não senti dor e acordei em uma sala de recuperação. Neste momento, a ficha não caiu, ela explodiu na minha mente, se havia esperança, sobriedade ou a confusão que fosse, tudo parou e foi inundado por um vazio, um sentimento de fracasso, impotência e perda que não dá para medir! Ali ao meu lado, estava um casal que tinham acabado de receber sua filha linda e saudável nos braços, eu não conseguia olhar para eles, tinha medo de ver a felicidade… só chorava e pensava em sair dali o mais rápido possível!
Tive alta no mesmo dia, e vim para casa me recuperar! Hoje me sinto fisicamente em perfeita ordem, emocionalmente como um vaso que se quebrou e foi colado, os cacos unidos graças ao amor da minha família e amigos, principalmente do meu esposo, que tenho consciência que ele teve que disfarçar por vezes sua dor para amparar a minha! O que dizer agora? Que estou literalmente juntando os cacos, onde para alguns pode parecer dramático e desmedido, já que na vida tudo se impõe uma medida. Por exemplo, quando me perguntam se estou bem… (clássica e perfeitamente compreensível, já que as pessoas as vezes não sabem o que dizer, eu também não saberia) eu penso que sim, já que há coisas tão piores quanto essa perda que são passíveis de enfrentamento por qualquer um! Avalio (medindo) o seguinte, todos que eu amo, inclusive eu, estão com saúde e força para seguir? Sim, então estou bem!
Não tem como sair dessa situação da mesma maneira que se entra, pelo amor que senti em mim e das pessoas, pelas expectativas que foram criadas, pela intensidade dos sentimentos incrivelmente bons e os potencialmente devastadores. Ainda choro, quando penso no ocorrido, mas acredito que isso faz parte do processo de recuperação emocional… ainda não consegui olhar as imagens da eco, vi só o laudo, tenho medo da tristeza, mais sei que vai passar!
Para o futuro, espero em Deus, que sabe a hora certa para todas as coisas, ainda que nossa mente não consiga entender! Se tentarei de novo? (Outra pergunta daquelas!) Sim, mas agora com um outro sentimento, o medo, que farei o possível para que ele não me atormente!
Para você que leu até aqui, obrigada! Fiquemos em paz com Deus! Amém!
Relato da mã Natalia Oliveira
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