Muito além da dor da perda

Trechos do relato da co-autora do livro “Histórias de amor na perda gestacional e neonatal”- Claudia Pessi
“Meu amigo Pedro
Parto
Entrega
Desespero
Rompimento
Óbito
[…]
Eu e Pedro
Pedro e Eu
Não existe Eu sem Pedro
PEDRO, meu anjo guerreiro. As cinco palavras que se formam no acróstico de seu nome descrevem os sentimentos que embalam a nossa história. Talvez não necessariamente nessa mesma ordem, pois a ENTREGA veio antes de tudo. Mãe! E agora?! Descobri-me mãe! Eu que nunca tinha me visto nesse papel, acabava de me descobrir… Mãe!
…Diferentemente dos relatos que ouvia de mães que passaram por uma cesárea, a emoção e o amor vinham em doses homeopáticas. Não era isso que eu queria… Eu queria doses cavalares de amor entre mim e meu filho! Entreguei-me a essa relação maternal até a última gota. Apesar do desfecho, nosso parto foi lindo!
…Depois dessa experiência maravilhosa veio o DESESPERO. Pedro não passaria daquela noite, 15 de fevereiro de 2015. A experiência não foi tão boa para ele, talvez, que entrou em sofrimento durante o trabalho de parto. Como eu seguiria sem ele depois de ter me entregado por completo? Muito desespero. Tentei o ROMPIMENTO. Pensei: “Nem convivemos, talvez eu não esteja tão apegada”. Mas era impossível. E eu só tentava não pirar no desespero da possibilidade de viver sem meu filho, meu amigo Pedro.
Então, eu entendi uma coisa da qual eu duvidava: é possível amarmos uma pessoa com quem não convivemos – amar puramente, um amor completamente altruísta, sem a necessidade de troca; eu o amava mesmo sem saber se ele me amaria também, apesar de sentir o seu amor por mim. O amor é um sentimento construído, mas é platônico também!
…Até que chegou o ÓBITO, dia 18 de fevereiro de 2015. E foi no óbito que eu descobri que não era o fim. Não era o fim do Pedro, pois ele se fazia presente nos novos seres humanos. Não havia como voltar àquela vida sem o Pedro. Sua presença é muito forte. Não era o fim, e descobri que esse acróstico era permeado de outras palavras que não caberiam nesse texto, mas que se encaixam e construíram nossa história, formando nosso laço de AMOR. Amor foi o que ficou disso tudo. Costumo pensar que, se eu soubesse realmente que o Pedro conseguisse sentir uma terça parte do meu amor por ele, eu ficaria mais conformada.
…Em uma de nossas poucas fotos, parece que meu corpo foi feito para aconchegá-lo em meu colo, nosso encaixe foi perfeito, foi no único momento que tivemos depois de
não dividirmos mais o mesmo corpo! Às vezes passo horas do dia a admirar tamanha perfeição da natureza. Como é bonito e gostoso gerar e como é incrível parir, sentir a “dor do amor”. O Pedro fez eu me sentir a mulher mais poderosa do mundo, capaz de tudo, me fez leoa. O Pedro é a minha vida, faço tudo pensando nele e dedicado a ele!
Só tenho a agradecer ao Pedro, por tanto amor compartilhado, descoberta, ensinamento e crescimento. Te amo, meu amigo Pedro!”
Trechos do relato da co-autora do livro “Histórias de amor na perda gestacional e neonatal”- Claudia Pessi
Para ler a versão integral desse e de outros 65 relatos, clique no link da loja Kindle da Amazon abaixo para adquirir a versão digital do livro “Histórias de amor na perda gestacional e neonatal”. Em breve, a versão impressa também será vendida na mesma loja.
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