A história das minhas perdas!

Passei por 5 perdas gestacionais. A primeira em 01/2006, um aborto espontâneo, a segunda em 09/2006 uma gestação ectópica, em 05/2008 mais um aborto espontâneo, mesmo fazendo acompanhamento ginecológico para engravidar e todos os exames normais.

Em 2009, minha mãe teve um tumor cerebral chamado glioblastoma multiforme, e eu que estava tentando com afinco engravidar, deixei a vontade de ser mãe de lado para cuidar dela. E engravidei, sem esperar e só descobri na 17ª semana, fui feliz por um mês. Na correria de cuidar da minha mãe em estágio terminal, ficar no hospital com ela, nem imaginava que poderia estar grávida. E foi na segunda ultra que estava fazendo que a médica me disse que o bebê tinha problemas, tinha mal formação, higromas císticos por todo o corpinho, além da síndrome de Turner  que eu descobri na investigação genética.

Na 3ª ultra o bebe não tinha mais movimentos e me internei pra induzir o parto, fiquei novamente na maternidade, e a enfermeira me dizia o tempo todo que se eu expelisse o “feto” que eu não olhasse, de forma alguma para “aquilo”. Quando o bebe saiu, toquei a campainha e ela pegou a “fralda” com o bebe e o colocou em um vidro e deixou no quarto pra coleto da clinica que faria a investigação genética. Tudo de pior aconteceu aquele dia, desde ficar na mesma ala que as gestantes, até ter o bebe ali no quarto e vê-lo colocado no pote de vidro. Eu não tinha mais humanidade nenhuma. Perdi o bebe em 06/03/2010. Minha mãe faleceu um mês depois. Devastada por ter perdido tanto em pouco tempo, meu primeiro casamento acabou também.

Em 2016, depois de me casar novamente, começamos a pensar que aquela era a hora, eu estava bem, num relacionamento que me fazia bem, e fiz novamente todos os exames, e na primeira tentativa engravidei, o teste deu positivo, porém, comecei a ter sangramentos, os exames BHCG continuavam a subir e os sangramentos também. Como já tinha passado por uma ectópica, procurei o médico pra saber se poderia ser novamente, ele me disse que teria que aguardar pra ver. E assim depois de 5 dias de sangramento e cólicas, foi detectada no exame a trompa rota. Novamente, me internei as pressas, e passei por uma salpingectomia e com ela as possibilidades de ser mãe por vias naturais foram embora. Tudo isso na véspera do meu aniversário de 36 anos. A médica que fez o procedimento cirúrgico me disse em alto e bom tom que eu não ia mais ser mãe, se eu tinha consciência disso. E ainda entrou na sala dos médicos, que ficava ao lado de onde eu estava, perguntando se alguns dos médicos de plantão queria trocar com ela, porque a “mulher” que no caso era eu, estava chorando e ela detestava essas desesperadas sem condições que queriam por filho no mundo.

Acho que isso me diminuiu como ser humano, ontem fez um ano que eu passei por isso, e não imaginava que teria que enterrar esse sonho. Passei por muitas fases de não ter perspectiva, e a falta de sororidade das pessoas, algumas pessoas me disseram que algumas mulheres não nasceram pra ser mãe, que esse era o meu caso, outras diziam que eu não deveria ficar pensando nisso. Apenas meu marido que me deu a mão e disse que estava tão devastado quanto eu mas que me ver de pé era o objetivo de vida dele, e ele não me cobra filhos, disse que caminha comigo por onde for.

Li sobre a página de vocês no UOL, e me identifiquei com as histórias. Não sei se um dia isso vai passar. Mas vou levando como posso.

Relato da mãe Andreza Cunha

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