Nossa princesa Alice

Trechos do relato da co-autora Cíntia Fernandes do livro “Histórias de amor na Perda gestacional e neonatal”
“Meu nome é Cíntia, tenho 27 anos. Aos 25 anos, em março de 2013, descobri que estava grávida.
…Nas 27 semanas, eu comecei a me sentir estranha; nada físico, mas um sentimento de nó na garganta mesmo. Durante o dia anterior, fui comprar um vestidinho e algo me dizia para não comprar… Ignorei e achei que era o tal medo no fim da gestação. Como a sensação não passava, decidi ligar para a médica, disse que estava com um aperto no peito e que achava minha barriga um pouco menor. Ela disse que era neura minha, mas que poderia fazer uma ultra no dia seguinte, e assim eu fiz.
No dia 9 de agosto de 2013, começou o nosso pesadelo. Na ultra foi constatado que, apesar das 27 semanas, minha filha tinha peso de 21 e eu estava praticamente sem líquido.
…No dia 15 de agosto de 2013, eu falei que não queria companhia, queria ficar sozinha com minha menina e conversar com ela. Conversei muito e disse a ela que lutaria com todas as forças para que ela ficasse aqui, mas entenderia se não fosse sua hora. Naquele mesmo dia, às duas da tarde, fiz minha última ultra, a qual mostrou que eu estava em fluxo reverso e corria risco de vida. Portanto, o parto teria que ser feito o mais rápido possível.
… Alice tinha grandes chances de nascer sem vida ou ter pouco tempo. Entrei naquela sala sozinha, sem nenhum conhecido, nem mesmo o médico, já que a minha GO nos abandonou tão logo internamos. Às 20h35min do dia 15 de agosto de 2013, Alice nascia com 475g e 29 cm, apgar 8/9 e, para surpresa de todos, respirando sozinha, de olhos abertos e chorando. Falei com ela menos de um minuto e a levaram para a UTI.
…Alice ficou conosco por quatro dias; os avós a conheceram no dia 18 de agosto. E nesse dia, eu sabia que estava difícil para ela e me despedi da minha filha. Recebemos uma ligação às sete da manhã do dia 19 de agosto e fomos imediatamente para o hospital. Chegando lá, encontramos minha filha sem vida, depois de uma hemorragia pulmonar. A única vez que peguei minha filha no colo, ela já estava sem vida, a única vez que Luan a segurou, foi num pequeno caixão branco para o enterro do seu corpinho.
Eu, sinceramente, achei que era impossível viver após isso, mas não é. Alice sempre está conosco, é uma presença viva e constante em nossas vidas. Tatuei em meu corpo e não me nego a explicar quando alguém pergunta. É claro que ainda dói quando tenho que escrever ou falar que não tenho filhos, mas é uma dor que a gente tem de aceitar que vai carregar para sempre e aprender a viver com ela.
…Todos os dias peço para que ela ajude outros anjinhos que possam precisar fazer a passagem, e que ela me espere com todo o amor que nós duas temos uma pela outra.
Vivo e aproveito a vida que ela me deixou, para que possa chegar feliz ao nosso reencontro.”
Trechos do relato da co-autora Cíntia Fernandes do livro “Histórias de amor na Perda gestacional e neonatal”
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