Quando um bebê não vem…

Um dia alguém me falou pra eu te dar um nome, pois poderia ajudar a diminuir a minha dor. Ben, foi o primeiro que me veio à cabeça.

Sabe Ben, a tua ausência doeu muito. Foram dias difíceis pra mim, algo que jamais imaginaria passar quando soube que você estava à caminho.

Ah o dia que eu te descobri, senti algo terrivelmente incrível, foi como não saber se ria ou se chorava. Eu chorei, eu ri. Me vi tão feliz como eu nunca havia me visto. Era a surpresa mais esperada da minha vida! Parecia que eu sabia que algo não caminhava normalmente, e aproveitei cada segundo em que eu tinha certeza que te carregava no meu ventre. Foram os dias mais lindos da minha vida!

Mas no dia 4 de dezembro ficou tudo tão diferente… Precisei fazer uma ultra e pra minha surpresa, não te vi! Entre 5 e 6 semanas foi o que a médica me falou, aquilo me acalmou, mas não tanto, e foi a primeira vez que eu ouvi as piores palavras da minha vida. No dia 19 de dezembro confirmei o que eu não queria: gravidez anembrionária! Meu mundo caiu! “Como pode uma mulher não gerar o próprio filho?! Isso é impossível!” Mas para minha tristeza, era tão possível que aconteceu comigo! Eu custei pra acreditar que meu sonho tinha virado um pasadelo. Mas aquilo era real. Chorei até secar minhas lágrimas! “Como assim você não veio pra mim? O que eu fiz pra não te merecer?” Foram tantas perguntas que eu fiz a Deus, e todas sem respostas. Era uma dor que eu nunca havia sentido na vida, era como se tivessem arrancado um pedaço de mim.

Fiz de tudo, tentei de todo jeito esquecer aquilo tudo, mas não teve jeito, tive que viver a minha dor. A dor de um aborto. Foram inúmeras noites que eu dormi de tanto chorar. Chorar na rua, no meio de tanta gente estranha, era mais confortável pra mim. Tantas vezes cheguei no trabalho com o rosto inchado depois de tanto chorar no caminho e menti dizendo que era só o resultado de uma noite mal dormida. Vivi. Sobrevivi a minha dor. Uma dor que quem tá de fora jamais entenderá. Mas aprendi tanta coisa com você… Percebi quem são meus verdadeiros amigos, me fez ver ainda mais o cara incrível que eu tenho ao meu lado. Me fez ver a família maravilhosa que eu tenho, que quando eu mais precisei me fizerem carinho. Me fez ver a minha mãe! Ah a minha mãe, ela vira uma leoa quando precisa defender as crias.

Hoje eu fecho um ciclo na minha vida e inicio outro, o do reencontro com a minha felicidade, e com a ciência que as coisas jamais serão como antes.

Ah meu filho, e sabe qual foi a sua missão maior? Me fez provar do amor mais incrível que eu já senti na vida, o amor de mãe. Pode ter certeza que quando a minha hora chegar, vou saber aproveitar cada pedacinho desse amor. Eu posso não ter te gerado, ouvido o som do seu coração, posso não ter sentido o teus chutinhos, posso não ter visto o teu rostinho. Mas eu te gerei num lugar que nunca, ninguém vai te arrancar de lá: Te gerei no meu coração!

Com muito amor, sua mãe!

Relato da mãe Renata Freire

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Um comentário em “Quando um bebê não vem…

  1. Eu te entendo perfeitamente.
    Também passei por isso, mas infelizmente não tenho tive apoio afinal ” eu nem fiquei grávida, ninguém viu bebê ali, eu estava exagerando, etc, etc…”. Carrego até hoje essa cicatriz, 7 anos depois. Meu coração ainda sangra de saudade e porquês. Nãao, um filho jamais substituirá outro.
    Que Deus nos ajude e sempre nos dê força pq.ao.menos uma pessoa olha por nós.

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