Mãe vem do amor

Meu nome é Erika tenho 21 anos, esse ano de 2017 foi um ano de uma grande surpresa, aos 18 anos fiz uma cirurgia para retirada de um ovário e uma trompa por causa de um cisto zigoto, por esse motivo e pelo outro também ser um ovário policístico achava que não poderia engravidar. 

Em janeiro no dia 25, depois da menstruação ter atrasado alguns dias, fiz um exame por encargo de consciência e para minha surpresa, deu positivo. Como tinha iniciado minha faculdade e não tinha um relacionamento estável fiquei bastante assustada e com muito medo do que poderia acontecer.

Meu sonho sempre foi ser mãe estava realizado esse sonho em um momento de dúvidas. Mas nada disso me importava mais, eu estava bastante feliz com a chegada do meu bebê corri para fazer todos os exames, conversava com ela na minha barriga e estava cheia de expectativa e a ansiedade para saber o sexo já não cabia em mim, foram tantos momentos de amor. 

Em um domingo de fevereiro começou meu primeiro sangramento, eu me assustei bastante não queria que nada de ruim acontecesse com meu bebê durante a semana depois de ir ao médico fiz minha primeira ultrassom e o coração do meu bebê estava batendo forte foi o momento que me tranquilizei por que ela estava bem dentro de mim, crescendo, já imaginava o sorriso, o cuidado, o carinho que nós iríamos proporcionar para ela.

As semanas continuaram e o sangramento não parou já estava frequente ao hospital não aguentava mais esperar, queria que o sangramento acabasse, queria que as 12 semana chegasse rápido para passarmos do período de risco, eu queria meu bebê comigo. 

No dia 24 de fevereiro quando todos estavam se preparando para o carnaval acordei na madrugada e senti que não estava nada bem, senti meu bebê indo embora e eu não podia fazer nada, como eu queria ter feito alguma coisa. Depois de enviar uma mensagem para o pai falando que já não estava me sentindo bem e que meu bebê tinha partido consegui dormir por algumas horas. Pela manhã fui novamente ao médico que fez todos os procedimentos e disse que o colo do útero continuava fechado, havia uma esperança ela poderia está lá viva. Decidi que a tarde iria fazer uma outra ultrassom para vê como ela estava. 

Na sala da ultrassom tinha várias mulheres já com a barriga enorme acompanhadas dos maridos, falando da chegada do filho. Enquanto eu estava sozinha com muito medo finque poderia acontecer naquele momento uma moça sentou ao meu lado com um sangramento igual ao meu e com todo respeito ao sofrimento daquela moça que era bem parecido com meu olhei nos olhos dela e disse que daria tudo certo, que o sangramento iria parar e logo ela estaria com bebê Dela nos braços. Mas era tudo que eu queria ter ouvido, as horas se passaram e eu fui a ultima a ser atendida para fazer o exame de ultrassom.

Ao entrar na sala de ultrassom e em meio às orações mentais, vi meu bebê na tela e a única coisa que eu pensava era que ela estava ali estava bem, até o ultrassonografista me falar da ausência dos batimentos cardíacos, eu pensava que poderia ser por causa do meu nervosismo da minha ansiedade, tentei respirar com mais calma, mas o coração Dela não estava mais batendo depois disso achei que ocorreria um milagre o coração iria voltar bater eu tinha certeza que ia. Não sabia mais nada naquele momento só olhava fixamente para a tela da televisão minha filha parada inerte, aquilo não podia está acontecendo. Ao final da ultrassom com pouca coragem e uma dor imensa no coração perguntei se ela estava morta por que não estava acreditando e então ele me falou que sim. Segurei o choro e sair da sala, quando desabei, desabei aonde não havia mais chão. Liguei para minha família, para o pai, para os meus amigos para comunicar a perda.

Horas depois comecei a sentir uma dor muito forte e o sangramento já havia aumentado foram momentos de angústia, de novo ao hospital mas agora com a certeza que ela não estava viva, e chegando no hospital onde passei vários dias da semana indo acompanhar o sangramento e a fala do atendente do hospital que me fez pensar; um dia a gente ganha e outro a gente perde. Eu não estava perdendo uma partida de futebol, não estava perdendo uma aposta eu estava perdendo meu filho sem poder fazer nada, absolutamente nada. 

Eu e o pai ficamos algumas horas no hospital, o atendimento demorou tanto que meu bebê saiu em uma bola de sangue ao meio de dores abdominais, no caso do hospital. Esses hospitais são ridículos eu não pude pegar meu bebê, nem deu pra vê-lá o banheiro estava sem luz, escuro. Minha reação sem pensar de imediato foi da descarga, eu sofro muito com isso ainda. 

Dia 24 tinha passado voltei para casa agora sem meu bebê, chorei e todas as roupas dele na minha mão chorei por não poder fazer nada, chorei e chorei por ouvir que Deus sabia de tudo, chorei por não poder chorar por ter que ser forte, no momento que me sentia mais fraca, impotente e desamparada. Dia 25 de fevereiro um mês depois da descoberta do meu bebê, fui fazer a curetagem estava indo tirar meu bebê ou restos dele de mim. Eu e o pai ficamos no hospital até tarde, chegamos cedo esperamos por horas intermináveis, depois do procedimento fui para o corredor vê os bebês saudáveis que saiam das salas de parto, ouvir os choros e as famílias felizes que buscavam encontrar traços da mãe e do pai. 

Entrei em uma sala com outras mulheres que tinham ganhado o seus filhos e uma delas me perguntou; – seu filho também nasceu de parto normal ?, Eu meio sem voz respondi que eu tinha perdido meu bebê, a sala ficou em silêncio e eu fiquei como se tivesse parado no tempo, as condolências chegava mais eu não sabia o que responder. 

Queria ter tido a oportunidade de conversar com minha família com o pai de como aquilo foi doloroso e é ainda para mim, não tive oportunidade de falar com eles, queria ter falado que todos os dias penso nela e que penso no dia 24 de setembro que ela iria nascer, mesmo não sabendo o sexo por ultrassom eu sei que seria a Sol, minha filha. Hoje o que me resta é a saudades, alguns sapatinhos e as fotos da ultrassom. 

A sociedade não compreende a perda eles acham que não se pode dar amor a um feto de 9 semanas, eles não compreendem que ser mãe vem do amor e esse amor no meu caso foi desde a descoberta mesmo atordoada. Não quero outro filho como as pessoas falam, “você vai ter outro” , “você é muito nova”, ela não vai ser substituída por 10 outros filhos, ela sempre vai estar comigo no meu coração, minha princesa que a mamãe ama para sempre. 

Quero agradecer a oportunidade de relatar um pouco do que vivi. Agradecer ao apoio psicológico dos meus amigos que estão próximos e a minha psicóloga que me ajuda muito.

Relato da mãe Erika Divina

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