Lívia, saudades de tudo o que não vivi e poderia viver

Foi por acaso que descobri minha gravidez, mas nem por isso deixou de ser super desejada, nos trouxe uma imensa alegria, pois tanto eu como meu namorado na época, e hoje meu marido, estávamos passando por momentos muito difíceis com a saúde de nossas mães, e isso seria para todos da família, um enorme motivo para nos trazer ânimo e muita, mas muita felicidade.

Foi em uma noite de abril de 2016, que fiz o exame de farmácia e deu positivo. Na verdade fiz, mas achei que não estava grávida. Quando olhei, me faltou ar, e não sabia o que fazer, pois me preocupava com a minha mãe, que sempre se preocupou demais comigo, por conta do Diabetes tipo 1 que tenho, e vira e mexe vivia descompensada. Minha mãe, estava tratando de um câncer, e eu de maneira alguma queria preocupá-la.
O que fiz então, foi contar para o Rafael (meu marido) , e juntos decidimos no dia seguinte fazer um exame de sangue para confirmar, e só ai decisir o que faríamos. No dia seguinte, as 6 da manhã, eu estava no laboratório e aí veio a confirmação (POSITIVO), não cabia em mim de tanta alegria , e tinha a consciência que o cuidado com a minha saúde deveria ser redobrada.
Logo marquei todas as consultas que precisava, e descobri que minha pequininha estava com sete semanas. Quando completei três meses, resolvemos que ai sim contaríamos para a nossa família. Minha mãe ficou sim preocupada, mas também muito feliz e isso me acalmou. Minha sogra, no primeiro momento, achou que estávamos brincando, mas depois acreditou, e não se continha de felicidade, afinal era sua primeira neta. Quinze dias após a notícia, minha querida sogra passou mal, e nós perdemos. Foi um “baque e tanto” .
Meu marido sentiu muito, mas se apegou no fato que seria pai. Logo após ao que aconteceu, ele veio morar comigo, para que pudesse cuidar de mim e da pequininha mais de perto. Os meses foram passando, encontramos um endocrinologista, que nos acompanhou de perto e com excelência. Cada vez que fazia o ultrassom ,e escutava aquele coração perfeito batendo, e a médica dizendo que estava tudo perfeito, a felicidade e ansiedade para conhecer minha pequena só aumentava. Descobri as cinco meses, que Deus iria me mandar a Lívia. Quando cheguei no oitavo mês, tive uma dor muito forte de estômago, tudo o que comia, voltava. Por conta dessa dor que era forte demais, procurei um hospital, e o médico de plantão resolveu me internar. Entrei no hospital dia 18/11/2016, dia sim dia não, eles faziam ultrassom e minha pequininha estava bem, mesmo eu estando com tanta dor. Fiz uma endoscopia sem anestesia, pois jamais aceitaria tomar alguma medicação que pudesse fazer mal a ela. O médico disse, que o problema era a minha esofagite, e minha  bebê acabava empurrando meu estômago, onde me dava mais dor.
Tudo bem, eu ia aguentar a dor, afinal, ela estava bem e isso me dava uma força enorme.
No dia 26/11/2016, comecei a sentir muita falta de ar, cheguei até a delirar, e se não fosse meu marido ali me acompanhando, as coisas poderiam ser muito piores.
Passei sexta,sábado e domingo com essa falta de ar insuportável, e os médicos diziam que era tudo psicológico. Por fim, no dia 29/11/2016 as 11:30, quando eu já estava fora de mim, a médica de plantão resolveu ouvir o coração da minha pequeninha que no dia anterior estava perfeito. A última coisa que lembro, foi ela mechendo a cabeça como negativa do coraçãozinho estar batendo. Depois disso, me entubaram. Eu acordei de um coma dois dias depois, toda amarrada, entubada e com a notícia que minha filha tinha partido. Quando fomos tentar entender o que tinha acontecido, descobrimos que os médicos ficaram por dias sem aplicar insulina, o que ocasionou em uma cetoacidose diabética, que mandou ácido para o sangue da minha filha, e que por ser tão pequena não resistiu. Meu marido chegou a pegá-la no colo, mesmo sem vida, e disse que ela era perfeita e linda. Eu nem pude ver minha filha, muito menos me despedir. Acredito não ter dor maior que a perda de um filho. O que aconteceu comigo, é até um alerta para mães diabéticas, que por ventura tenham que ficar internadas e o hospital seja negligente no tratamento. Eu tinha a minha própria insulina ( diferente da que fornecem no hospital) , que eles ao me internarem, me proibiram de tomar, alegando que não teriam controle da medicação, e que por esse motivo aplicariam a insulina deles o que não aconteceu. A todo momento, diziam ao meu marido, que era tudo psicológico, e nos corredores do hospital, os comentários era que eu estava dando “piti” . Estou falando tudo isso, pois peguei o prontuário médico levei para o meu endocrino para que ele analisasse, pois nem eu nem meu marido, queríamos levantar algo falso. Ele com todo seu conhecimento, pode nos afirmar que foi negligência.
Por algum tempo, eu cheguei até me culpar, se eu poderia ter aguentado mais a dor em casa, sem precisar do hospital, e assim não cairía nas mãos de profissionais negligentes. Mas o hospital que fui, era até referência, e jamais poderia imaginar, que deixariam uma diabética sem insulina. Qualquer estudante de medicina, sabe que a insulina é essencial. Enfim, dois meses depois de tudo isso, perdi minha mãe. Foi um final de ano e começo de ano muito difícil. Esse último dia das mães, tentei nem lembrar o que se comemorava. Ainda tá difícil de aceitar tudo o que aconteceu, me apego no fato que minha princesa está sendo cuidada pelas duas avós.
Aproveito aqui, para agradecer todo o apoio da minha família e principalmente da minha filha Lavínia e meu marido Rafael, que todo o tempo esteve ao meu lado com todo o carinho, amor e cuidado.
Relato da mãe Adriana Diniz Silva
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