Príncipe da mamãe, João Lucas

Trechos do relato extraído do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”
Autora: Ana Ribeiro
“Me chamo Ana, tenho 33 anos e sou mãe de dois filhos, minha Isabela de 5 anos, minha fortaleza que segue comigo na terra, e meu menino João Lucas, meu anjo, que me acompanha do céu.
…Com 34 semanas, comecei a ter contrações ritmadas e me recomendaram tomar medicação para segurar o bebê e fazer repouso, pois se nascesse com esse tempo, o risco de contrair doença e falecer numa UTI seria enorme. Fiz tudo direitinho, pois era o melhor para meu filho. As contrações normalizaram e tudo corria bem. Até que, uma semana depois, meu filho, que até então fora sempre sapeca, parou de mexer.
…Malditos médicos que não ouvem o coração de uma mãe! À noite, me veio um mau pressentimento; algo não estava certo! Fiquei com medo de ele nascer antes, de correr perigo ou vir a ter problemas, mas jamais imaginei o que estava por vir. Assim que acordei, liguei para o médico, que de modo grosseiro, me disse que não podia ficar fazendo exame toda hora, que eu vi que estava tudo bem e que eu fosse ao hospital ouvir o coração como eu havia feito para me tranquilizar. E assim fiz. Chegando lá, seu coração não batia mais. Queria ir rápido para a maternidade, para chegar lá e eles tirarem ele logo para fazer uma massagem cardíaca, pois tinha esperança que só estivesse fraquinho. Mas não foi o que aconteceu. Em um ultrassom, foi confirmado o óbito; uma imagem que me trouxe o maior sofrimento da minha vida, junto com a imagem de meu bebê inerte e aquela linha contínua no monitor de um coração parado.
…Quis vê-lo, pude me despedir, sentir seu cheirinho, e pedi perdão se de alguma forma eu falhei. Em seguida o abençoei e não mais o vi. Ainda hoje, se fecho meus olhos, consigo sentir seu cheirinho, doce lembrança. Chegar em casa e explicar para minha filha por que voltei sem o João foi terrível; sofri o meu luto e o dela. Desfazer a mala da maternidade foi torturante. Sobreviver foi uma escolha.
…Sofro minha perda e acredito que isso não irá mudar, mas tento reagir e viver buscando ser feliz novamente, encaixando a saudade na vida que ficou. Eu, minha filha e meu menino merecemos isso. Quero ser motivo de orgulho para ele. Procuro em Deus, em estar junto daqueles que me fazem bem e com ajuda de uma excelente psicóloga, me fortalecer. Uma mãe quer o filho como for, mesmo com alguma deficiência em virtude da falta de oxigenação (possível causa a ser investigada). E apesar de me sentir assim, tenho fé que Deus age pelo bem e me conforto em saber que lá na eternidade, o meu filho está bem, feliz no colo dos Papais do céu. Maior amor não há!
Se pude tirar algo disso tudo, é que sou capaz de enfrentar qualquer coisa depois dessa perda que é inominável. Que temos de viver um dia após o outro, pois não sabemos o amanhã. Que Deus me ama e meu filho sempre viverá dentro de mim. Tenho certeza que, mesmo longe, estamos perto, pois algumas vezes em que chegou a bater o desespero por não tê-lo comigo, pedi a ele que me ajudasse a enfrentar a situação e fui confortada. Aguardo agora o momento de nos reencontrar…
João Lucas, príncipe da Mamãe, te amo para sempre!”
Trechos do relato extraído do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal”
Autora: Ana Ribeiro
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