A dor e a alegria extremas ao mesmo tempo

Tive uma gravidez programada. Na primeira ultra, a notícia: gravidez gemelar. Há exatos um ano, dia 5 de maio de 2016, descobria a gravidez gemelar. . Alegria, euforia, insegurança! Mas seguimos com muito responsabilidade, cuidados e protocolos.

Tudo corria bem, sem dores, enjoos, intercorrências, etc. Exames sempre todos normais. Sim. Eu sou neurótica e fiz muitos exames. Sempre tudo bem. Eis que com 35 semanas, vou fazer mais um e o médico para no meio e me manda urgente ao pronto socorro local.

Não. A maternidade dos sonhos não rolou. Ele falou que não recomendava perder tempo indo para um local mais longe, pois uma das meninas (sim, eram duas meninas) estava muito fraquinha e sem líquido. Em menos de duas horas do ultrasson, aconteceu a cesárea. Primeira gemelar nasce sem vida. A segunda fica quinze dias na UTI e hoje está em casa. Bem e rumo aos seis meses.

O sofrimento é muito grande. Digo que experimentei as dores e as delícias de uma vida em um único momento. Ter filho é muito bom. Eu não imaginava o quanto. Nem durante a gravidez. Só senti isso mesmo durante o parto. Dói demais sentir um filho nascendo sem chorar. Agradeço muito pela minha bebê comigo. Deve ser infinitamente mais doloroso voltar pra casa sem nenhum bebe.

Minha Nicole é minha bebê arco-íris instantânea. Mas gente, isso não significa que não há a necessidade do luto. Há. Ele é necessário. É preciso respeitá-lo. É preciso compreender que a dor existe e é normal que ela exista. Compreender que a dor e o sofrimento são normais, para mim, tem sido fundamental para seguir em frente. Acredito em Deus e não me revolto, apesar de me pegar muitas vezes questionando. Às vezes a dor volta….Tudo na gente dói…o corpo, a alma, a mente…Mas aos poucos essa dor dilacerante vai passando abrindo espaço para a saudade…. de repente volta com tudo…. mas as voltas vão ficando espaçadas… Não é sobre esquecer o que passou…. É sobre aprender, aceitar… e para isso, temos que falar sobre isso! Escrevo para mim. Escrevo para que saibam que a dor que dói aí, dói aqui também. E que essa dor é normal, é natural. É uma dor. Uma saudade sem fim. O luto pela perda neonatal ou gestacional precisa ser respeitado.

Relato da mãe Priscila Alonso

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s