Nosso anjo Ceci

Boa Tarde,

Há 3 meses e 8 dias a minha Ceci virou o nosso anjinho. Tão desejada por mim e pelo papai, tão amada, vibramos quando soubemos que eu estava grávida, e em poucos meses mudou a nossa forma de enxergar a vida. Aos 5 meses de gestação, durante aquela ansiedade em descobrir o sexo, até então era chamada de “feijãozinho”, descobrimos que era uma menina e a médica sem menor sensibilidade nos disse que não estava achando a calota craniana. Surtamos, choramos, sabíamos que se fosse anencéfala não sobreviveria. No mesmo dia, fiz mais duas ultras com outros médicos, nessas eles me garantiram que não se tratava de anencefalia, mas sim supostamente uma microcefalia gravíssima e com um malformação na face. Mas como? Não tive zica, desde o início me cuidando, milhões de perguntas vieram.
Conseguimos, através da minha mãe e de alguns médicos, vaga no Instituto Fernandes Figueiras, que hospital maravilhoso! Fomos cuidados, tratados com carinho e respeito. Foram meses indo e vindo entre consultas e exames sem fim, ansiedade e medo sempre presentes, até que no dia 19 de janeiro de 2017, com 31 semanas, quando fomos fazer a ultra na medicina fetal da IFF para realmente termos o diagnóstico da nossa Ceci, ela já estava encaixada e seu coração já não batia mais. Como pais, naquele dia o nosso mundo caiu. Quando a gente descobre uma gravidez, se planeja em ver a casa cheia, e como planejávamos isso! Berço, quarto, roupinhas e não o caixãozinho do seu bebê. Foram 4 dias internada, ela nasceu no dia 20 de janeiro de 2017, às 08:52 com 1020 kg, através de um parto normal induzido. Nunca esquecerei a cena, passou um filme na hora, ela nasceu, eu olhei para o Bruno (o papai da Ceci), mas ela não chorava, a gente se olhou e não sabíamos o que fazer ou dizer. Liberamos o seu caso para estudo e estamos aguardando o resultado da necropsia, porque precisamos de respostas.
Quando descobri que a Ceci teria uma doença bem séria, parei a minha vida com maior prazer do mundo, era o momento dela e eu como mãe me preparava para recebê-la com toda a sua condição, estava no 9 período de Direito, estudando pra OAB, trabalhando. Com a sua partida, não é fácil seguir a vida, mas é necessário retomar, por mim e por ela, porque sei que o meu anjinho quer me ver bem.
A sensação de amputação, de vazio não passará nunca, mas tento preencher esse espaço vazio com o amor que ela deixou em mim. A minha Maria Cecília me fez renascer, me fez mudar a forma de encarar a vida. E quando passamos por situações como essas, precisamos entender o que Deus quer de nós. O que devemos fazer pra ajudar pessoas que passam pela mesma situação? Como ajudar? Como se ajudar?
O luto é um processo de autoconhecimento muito punk. Dói, sangra, a dor da alma se torna física, mas você tem que reagir de alguma forma, respeitando os seus limites e o seu momento. Depois que ela se foi sempre digo que vivo um dia após o outro, mais 24h. Perder um filho é a dor mais destruidora que um ser humano pode sentir. A gente fala sempre da dor mãe, mas tem um pai nessa história que sai destruído, que planejou, que sonhou…
Dafne Oia, mãe do anjinho Ceci
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