Precisamos falar sobre os abortos espontâneos…

Nenhuma mulher deveria passar por isso. Nenhuma mulher deveria sentir que precisa esconder ter passado por isso. Nenhuma mulher deveria ter que sofrer sozinha e em silêncio.

Você nunca viu o rostinho do seu bebê, nunca o segurou nos seus braços, nem sentiu o seu cheirinho, o seu calor, mas você já o amava mais do que tudo simplesmente por ele existir dentro de você, por ele dizer “mamãe, estou aqui” por meio dos enjoos, do cansaço, de desejos loucos e fora de hora por comidas estranhas, por você sonhar e criar mil expectativas da viagem mais legal, profunda e louca que existe: a maternidade.

Por amor a esses pequenos seres de luz que moraram dentro de mim por algumas semanas, eu parei de comer chocolate, de tomar café, de dançar. Pode parecer pouco ou “pequeno” para outras pessoas, mas eram coisas que eu gostava muito. Legumes, frutas e tudo o que é saudável passou a fazer parte do meu dia a dia. E eu brincava com eles, dizendo “bebê, só você para fazer a mamãe se alimentar melhor”. Mudei minha alimentação, mudei minha forma de enxergar a vida, refleti no que eu estava fazendo para deixar um mundo melhor para eles. Pela primeira vez, deixei de pensar só em mim, eu não estava mais em primeiro lugar na minha vida e o mais incrível era que eu não me importava mais com isso!!!

Escolhi nomes, me diverti pensando se seria um menino ou uma menina, se meu novo mundo seria todo azul ou rosa. Imaginei situações, aniversários, viagens, como seria a educação que eu daria a eles. Eu sabia que tinha muito a ensinar a eles, eu queria mostrar o mundo para eles, mas eu sabia que eles é que me ensinariam muito. Por algumas semanas, fomos trabalhar juntos, estudamos juntos, passeamos com o papai, visitamos vovô, vovó e titio.

Eu sonhei com sorrisos que nunca vou ver, com gestos de carinho que nunca vou fazer, sonhei com meus bebês no meu colo, mas esse dia nunca vai acontecer. Passar por um, por dois abortos espontâneos é muito cruel, é muito difícil, dor imensa. Para sempre um vazio.

Nenhuma mamãe deveria não ouvir mais o coraçãozinho do seu bebê nem sair da maternidade sem o seu bebê no colo ou na barriga.

Você não entende, busca respostas, se revolta, chora devastada pelas perdas, sua alma está aos pedaços. Mas você não deveria nunca passar por isso sozinha. Que todas as mamães possam ser acolhidas, compreendidas, apoiadas, ajudadas como eu fui e continuo sendo.

 Aos dois pequenos seres de luz que me transformaram em mãe, eu sou muito grata por terem me escolhido como mãe e por terem me ensinado tanto no pouco tempo em que estivemos juntos. Amo meus dois bebês com um amor tão grande que nunca tinha sentido antes. Eles serão para sempre meus dois primeiros filhos.

Que todas as mamães como eu não se sintam sozinhas nem desamparadas.

Daniela Maria Dominguez – mamãe de dois anjinhos, duas lindas estrelinhas no céu

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