Minha princesinha e estrelinha Gabriela

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Início de dezembro de 2016 – minha menstruação não veio. Fiz um teste de farmácia e deu positivo . Estava vivendo uma crise de depressão , ansiedade e pânico. Fiquei com muito medo. Mas ao mesmo tempo feliz. Procurei o psiquiatra e a obstetra e me tranquilizaram. Disseram que poderia me tratar de forma segura para o bebê. Não contamos para ninguém a princípio. Resolvemos esperar os 3 meses de “segurança “.

Estava usando as vitaminas e ácido fólico. A cada ultrassom meu coração disparava. No primeiro, ouvi o coração. No segundo, a translucencia nucal e no terceiro descobrirmos que era uma menina . Minha tão sonhada menina. Ia ter um casal. Há muito tempo não me sentia tão feliz. No mesmo dia, escolhemos o nome e comprei algumas roupinhas na maioria cor de Rosa.

Meu filho conversava com a irmã todos os dias e contou a novidade para todos os amiguinhos. Estava com 18 semanas. Meu marido tirou uns dias de férias e resolvemos passar 4 dias passeando numa cidade próxima , um balneário. Cada ultrassom perfeito o médico disse que as chances de algo ruim acontecer eram mínimas. Os exames de sangue perfeitos. Finalmente relaxei e curti aqueles dias.

Na quinta-feira estava de maiô e senti algo molhado entre as pernas , era um líquido transparente. Imediatamente entrei em contato com a obstetra que disse ser normal , era muco. Como não tinha sangue me tranquilizei. Voltamos para casa no domingo. Fiz cachorro quente para meu filho e meu marido. Não consegui comer, estava enjoada. Deitei e rezei para que não fosse nada mas se fosse que Deus me desse um sinal para correr para o hospital. Na madrugada de segunda-feira acordei com muitas dores na parte de baixo da barriga. Tomei um analgésico e não fez efeito. Acordei meu marido e meu filho e fomos todos para o hospital . Fui encaminhada para a obstetra de plantão. Ela fez um ultrassom e só via a cabeça. Tentou ouvir os batimentos cardíacos mas não encontrou. Foi batendo um desespero. Ela fez o toque e sentiu o corpo da minha bebê. Ela já estava no canal vaginal. Ela chamou outra obstetra que fez também o toque e confirmou. Por só ter 18 semanas minha menina não iria resistir e não havia nada que pudesse ser feito. Pedi para ligar para minha médica que foi correndo para o hospital.

Ela chegou e fomos fazer outro ultrassom e nada de batimentos cardíacos . Meu mundo parou , não podia acreditar. Meu filho feliz achando que a irmã ia nascer. Eu estava arrasada. Nem as contrações fortíssimas doíam tanto quanto meu coração. Fiquei na enfermaria até que o plano de saúde autorizasse minha internação. Quando fui para o quarto colocaram ocitocina no meu soro. E aí tinha que aguardar a saída da minha bebê . Chorei muito, mas sentia um amor imenso também. Passou a manhã e tarde. Por volta das 19:30 estavam no quarto minha mãe, meu pai e meu marido. Até que senti uma pressão , achei que precisasse urinar mas a enfermeira alertou que a bebê poderia sair. Então meu pai e meu marido resolveram sair do quarto. Quando cheguei ao banheiro, ela saiu. Senti ela quentinha saindo de mim. As vezes acho que posso sentir ainda. E então a amparei para que não caísse no chão. Não sabia se a olhava ou a entregava. A obstetra de plantão chegou e insistiu para eu vê-la. Então resolvi ver a minha bebê.

Era uma princesinha. Uma perfeição. Toda formadinha e delicada. Orelhas, nariz, boquinha, olhinhos… E as mãos com as unhas já comprinhas. As perninhas e os pés então. Me apaixonei. Era a cara do meu filho. Mamãe falou o quanto a amava e como queria cuidar dela. Minha mãe que ficou no quarto dividiu comigo esse momento de amor e sofrimento. Sorri, sofri, chorei e amei cada segundo com a minha bebê. Muita emoção. Minha mãe chorou muito também. A obstetra falou que eu era muito forte. Pedi para perguntar ao meu marido se ele gostaria de ver a nossa filha mas ele não quis. Então me despedi e a levaram. A placenta não saiu e fiquei com o cordão umbilical entre as pernas. Fiz bastante força mas não saiu. Próximo a meia noite a minha obstetra me levou para a sala de cirurgia. Fui anestesiada e retiraram a placenta.

Hoje sinto uma imensa saudade. Que vazio faz sua falta minha Gabriela. Gabriela minha quarta filha e minha terceira estrelinha.

Relato da Beatriz, mãe da Gabriela.

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