Ressignificando a dor em luta e amor

Trechos de um relato extraído do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neaonatal”
Autora: Clarissa Rocha Lupi – co-fundadora do grupo Do Luto à Luta e irmã da Larissa Lupi
“Nossa… é um pouco difícil falar sobre isso agora. A cicatriz está marcada ainda no meu peito e ainda sinto muito a sua ausência. Apesar de já ter passado dez meses que te perdi, sinto um vazio e uma dor enorme ao lembrar de ti, meu anjo, meu bebê (é assim que
o chamo), pois ainda não sabíamos o seu sexo.
Eu já tinha um filho de três anos, amava meu marido, mas me sentia incompleta. Com o passar do tempo, o meu filho foi ficando cada vez mais independente e eu fui sentindo aflorar em mim o desejo novamente pela maternidade….
… e, para nossa surpresa, dois meses depois estávamos grávidos. Estava radiante, plena, feliz, sentindo-me finalmente completa. Gritando aos quatro ventos que seria mãe novamente.
Mas, infelizmente, essa felicidade durou muito pouco! Foram dez semanas aproximadamente, mas celebradas vigorosamente, tamanho era o meu desejo. Fiquei muito feliz, pois pude ouvir o seu coraçãozinho bater dentro de mim. Pude guardar a sua ultra e a mantenho até hoje como recordação palpável e visível da sua existência.
No dia 19 de fevereiro de 2014, o meu sonho se transformava num pesadelo assustador para mim. Lembro-me como se fosse hoje. Estava brincando com o meu filho no quarto, quando senti algo estranho escorrer pelas minhas pernas….
… Quase entrei em depressão; foram dois meses muito difíceis sem o meu bebê. Eu não tinha vontade de fazer nada! Busquei ajuda pelo meu filho, pois não estava conseguindo cuidar dele e isso estava acabando comigo. Fui para a terapia para aprender a lidar com o meu luto, com tanta dor, e ela me ajudou bastante a enfrentar esse luto. Mas eu sentia que a única coisa que acalmaria o meu coração era engravidar novamente. Esse era o meu maior desejo! Foi o sentido que eu encontrei para acalmar o meu coração materno, uma nova gravidez.
…Outra forma muito bonita que encontrei de ressignificar a minha dor foi ir do luto à luta, junto com a minha irmã gêmea, que também passou pela perda gestacional no mesmo ano que eu. Juntas, criamos um grupo de apoio que se chama Do Luto à Luta – Apoio à perda gestacional e neonatal para que pudéssemos, além de dar suporte aos familiares enlutados, buscar melhorar o atendimento das maternidades nesses casos específicos de perda gestacional.
Hoje, somos várias mulheres fortes, unidas e engajadas por esse propósito maior. Sinto-me muito feliz e orgulhosa de fazer parte dessa equipe e de poder ajudar tanta gente, e acredito que é esse o melhor caminho que poderia ter atribuído para minha história: ir do luto à luta juntas, com todas vocês da “Equipe do Luto à Luta” e com todos os familiares e profissionais de saúde sensíveis à nossa causa. Juntos somos mais fortes!”
Trechos de um relato extraído do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neaonatal”
Autora: Clarissa Rocha Lupi – co-fundadora do grupo Do Luto à Luta e irmã da Larissa Lupi
A versão digital do livro “Histórias de Amor na perda gestacional e neonatal” está disponível para venda na loja Kindle da Amazon pelo link abaixo. Em breve, a versão impressa também poderá ser adquirida no mesmo site.
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Um comentário em “Ressignificando a dor em luta e amor

  1. Obrigada pela criação desse blog maravilhoso, que, a cada dia, tem uma palavra de conforto e força para continuarmos em frente.
    Janaina Aquino
    #MãedeAnjo #AnjoMalú #dolutoaluta

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