Saudades sem fim

Meu nome é Fabiana, tem três meses que perdi meu filho Arthur Henrique. Ele tinha 9 meses e 15 dias. Desde de que nasceu, estava internado no hospital das clínicas em SP. Tive uma gravidez tranquila, até que com 35 semanas veio a pior notícia. Fui fazer a última ultrassom doppler colorido e foi constatado um liquido na barriguinha. No exame deu derrame pericárdico, quando eu tive que correr com o tempo, pois na minha cidade, mesmo tendo convênio / plano de saúde, não ia ter estrutura para o Arthur.

Tive que correr para o hospital das clínicas. Não foi fácil entrar lá. Foi muito difícil, mas consegui. Comecei a fazer acompanhamento lá no quarto – eles me internaram. Tive que fazer uma Cesária de emergência, pois o coração dele estava muito ruim . Eu ouvi seu choro uma única vez, quando ele nasceu. Depois nunca mais.

No terceiro dia, o Arthur foi entubado com frequências altas. Os médicos sempre diziam que qualquer momento ele iria embora. Com dois meses, o Arthur teve uma parada cardíaca de 5 minutos, levando a ter convulsões todos os dias. Arthur teria que fazer transplante de coração, pois ele sofria de miocardio não compactado – uma doença rara e muito grave. Ele está no livro de estudo do próprio hospital.  Arthur teve sequelas por causa das convulsões: não piscava, ficava meio que vegetando.

No terceiro mês, fez traqueostomia e gastro pra tentar tirar ele da entubação. Foi passando o tempo, Arthur só tendo infeccoes uma atrás da outra, não conseguindo sair dos aparelhos. Aí vem a outra pior notícia: Arthur foi tirado da fila do transplante por não ter uma qualidade de vida – a esperança foi embora.

Foi passando o tempo, Arthur nunca iria embora p casa. Ia ser transferido de hospital, onde os pacientes moram. Aí veio como uma faca no meu coração: Arthur nunca iria p casa, pois era totalmente depedente de aparelhos e de medicação para o coração. Várias bactérias, remédios na veia –  todos os dias era picado. Doía na alma ver aquela situação. Pedia tanto para  Deus pra ele melhorar ou que Deus fizesse algo de melhor na vida dele…

05/12 veio a reunião dos médicos e familiares – meu mundo desabou deste dia. Não tinha mais o que fazer. Arthur estava perdendo todos os recursos. Não tinha mais o que fazer… Eu ia perde-lo.  No dia seguinte, consegui dar o primeiro banho dele. Me senti muito feliz, pois nunca tinha dado. Todo dia tirando foto, todo dia com uma roupinha diferente.

Sexta-feira da mesma semana e dia 05, Arthur faz picos de febre de 40 graus, tomando vários remédios sem melhorar. Sábado vem a pior notícia: Arthur não aguenta e falece 10/12 10:56 da manhã, me deixando com um vazio gigante e hoje com o coração triste por ter perdido ele…

Deus me deu mais uma chance: estou grávida de dois meses. Estou muito feliz por contar mais uma história!  Obg ♡

Relato da mãe Fabiana Santos

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