Obrigada por nos escolherem. Vocês nos tornaram pessoas muito melhores

Nossa história começa em meados de 2013.

Após 5 anos de casados, decidimos que era a hora de aumentar nossa família. Poucos meses depois, em dezembro do mesmo ano, recebemos a tão sonhada notícia: estávamos grávidos! A partir desse instante, passamos a viver um lindo sonho.

A primeira ecografia foi pura emoção. Escutar o coração do nosso bebê foi uma emoção indescritível.

As semanas foram passando e era chegada a hora da temida ecografia morfológica (TN). O exame iniciou muito bem. Descobrimos que seríamos pais de um menino, o nosso anjo Miguel. A médica seguia fazendo o exame, todas as medidas estavam normais. Até que ao final do exame, a médica muito cuidadosa, nos disse: só há uma coisa que está me preocupando muito: uma TN de 9 mm (quando o normal era até 2,5mm). Nosso mundo caiu. Fomos da alegria ao desespero em poucos minutos. Esse resultado podia indicar muitas coisas, entre elas, síndromes genéticas, más formações…

A partir daí passamos por um período de investigações. Biopsia de vilo, ecografias diversas, aconselhamento genético, consultas com especialistas em medicina fetal.

Até o aborto nos foi aconselhado, mas como somos espíritas, isso jamais passou por nossas cabeças. Tínhamos uma história para viver com o Miguel e iríamos até o fim.  Seguíamos esperançosos. Aquele ditado: 1% de chance, 99% de fé.

Com 20 semanas o diagnóstico: HDC (hérnia diafragmática congênita), uma mal formação no coração, além de más formações na face, mãos e pés. O médio nos disse: o caso é gravíssimo e as chances de sobrevida fora do útero é quase zero. Enquanto ele estivesse comigo, estaria bem. Mas ao nascer, uma grande luta iniciaria.

A partir desse dia, eu rezava e pedia a ao nosso filho que aguentasse o máximo no meu ventre. Sabia que se ele nascesse prematuro seria ainda mais difícil. Nossos dias oscilavam entre esperança, tristeza, dor, emoção. Meu marido, o melhor do mundo, sempre me apoiando, me dando forças para seguir.

Até que no dia 08/06/2014, um domingo frio e chuvoso, Miguel resolve vir ao mundo. Eu estava com 30 semanas. Acordei com contrações. O medo tomou conta de mim. Horas depois eu estava no hospital, já com 7 centímetros de dilatação.

Miguel veio ao mundo de parto normal. Ele não chorou ao nascer. Tinha dificuldade de respirar e o coração estava fraquinho. Minha médica (um presente de Deus) teve a delicadeza de colocar ele sobre mim antes de cortar o cordão umbilical. Foram alguns segundos ali juntinhos, mas foi o suficiente para dizer a ele o quanto ele era amado e desejado. O cordão foi cortado e Miguel foi imediatamente levado para a UTI. Menos de 5 minutos depois, meu marido que era enfermeiro naquele hospital, trouxe nosso Miguel já sem vida. Nesse instante senti uma dor de rasgar o peito. Meu coração dilacerado, em pedaços.

Voltar pra casa sem ele nos braços foi horrível. Os dias foram passando, tristes e sem vida. Meu sentimento era que eu nunca mais conseguiria sorrir, ser feliz.

Aos poucos fomos retomando nossa vida.

Um ano depois da partida do Miguel, outro exame positivo. A alegria voltava ao nosso lar: estávamos grávidos novamente.

Mas, infelizmente ainda não era a hora de realizar o sonho de aumentar nossa família. Já na primeira ecografia recebemos a notícia que a gestação não estava evoluindo, não havia batimentos.

A ferida que estava se fechando, abriu-se novamente. Meu peito voltou a sangrar. Meu mundo voltou a ser triste.

Todos os dias me questiono se eu tenho coragem de tentar novamente. Desejo de ser mãe se mistura com o medo de passar pela perda mais uma vez.

Agradeço por ter um marido maravilhoso, que me dá forças para seguir. Agradeço aos nossos familiares e amigos por todo o apoio. Agradeço à minha médica, Dra Christiane, por ser uma profissional competente e, acima de tudo, humana. Agradeço ao espiritismo por me ensinar e esclarecer que algumas dores são necessárias para nossa evolução.

Mas, meu agradecimento especial é para o meu Anjo Miguel e para “Estrelinha”. Obrigada por nos escolherem. Vocês nos tornaram pessoas muito melhores.

Todos os dias penso em vocês, meus filhos!

Nosso amor por vocês é eterno. Em breve nos reencontraremos.

Relato da mãe Sibelle Gonçalves Cruz

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