Gratidão é o que nos define!

Larissa venho acompanhando o de luto a luta ha quase 1 ano,e estava aguardando o momento que me sentisse preparada para contar nossa historia de amor para voces. Tive o prazer de gerar duas vidas em meu ventre e apesar de hoje nao ter a Julia fisicamente conosco,sou muito grata a Deus: por ter e amar minhas duas filhas!
Boa noite, me chamo Priscila sou casada há 17 anos e tenho uma filha de 10 anos. Nunca se passou pela minha cabeça, a ideia de um segundo filho, apesar dos apelos da minha filha. Pensava muito na atual situação que vivemos, queria poder da o melhor para minha filha, e em meio a tantas dificuldades financeiras essa foi a minha escolha.
No ano de 2015 estava trabalhando, minha colega de trabalho engravidou,rotina de trabalho se tornou desgastante. Eram mais de 12 horas de trabalho diariamente, até que minha chefe apareceu tmb grávida. Pronto já não tinha mais hora para sair,comer…Novembro de 2015 comecei a me sentir mal,não estava conseguindo me alimentar direito, fui ao médico fiz alguns exames. Não deram nada,estava para procurar um gastro, estava sentido MTA azia, um cansaço enorme, falta de apetite. Até que fui parar na emergência, e fui diagnosticada com infecção urinária: pronto ali estava o motivo de tanto mal estar. Imaginei eu! A médica me perguntou como estava a questão menstrual, eu estava menstruando normal mas sai daquela consulta com um pedido de beta.
Fui ao laboratório fazer o exame no dia seguinte, resultado do exame: positivo!!! Sim eu iria ser mãe mais uma vez! Não consegui acreditar, não estava nos meus planos. Como iria dá conta, como ia ser???
Até que após um turbilhão de sentimentos a ficha caiu, os problemas só piorarm,o trab se tornou insuportável, e ali estava eu. Crendo que Deus tinha um propósito que eu ainda não havia entendido na minha vida, o tempo passou descobrimos que mais um pedido da minha filha mais velha havia sido atendido: viria uma menina, uma bonequinha para tornar minha vida mais cor de rosa!
Chegou a época da morfológica, marquei em dois lugares tentei antecipar o exame. Estava agoniada para fazer este exame, em meio a minha gestação foi aquele surto de microcefalia. Tive dengue no início de 2016,etr que chegou o dia do exame. Nunca tive problemas, ansiedade, medo nada em meus exames mas naquele dia a sala de espera se tornou insuportável, o exame atrasou, eu rezava, chorei sem nem entender oq estava se passando. Entrei para fazer meu exame o médico me disse que ainda não estava na época, saiu com meu exame anterior, demorou um longo tempo até que decidiu iniciar o exame. Um silêncio tomou conta daquela sala,até que por fim meu mundo desabou: seu bebê está sem batimentos cardíacos…
Nunca soube qual era a definição: o mundo se abriu sob meus pés. Até aquele momento, pq realmente foi essa a sensação naquele momento. O chão me engolindo. Meus pensamentos congelaram, me senti dopatada em meio ao desespero.
Tanta coisa se passou após aquele exame, sentia que eu precisava a aprender a respirar novamente, passei a ver o mundo com outros olhos, a sensação de amputação ainda é muito forte. Mas força foi oq mais minha filha me trouxe, conheci pessoas, passei a seguir caminhos imagináveis. Me isolei do mundo, aprendi a costurar minhas próprias cicatrizes, a sangrar por dias e ter que me recompor.
Qndo perdemos um filho essa é a sensação: de ter que renascer para o mundo faltando um pedaço de si. Uma dor que achamos que jamais irá amenizar, uma dor indescritível, aprendemos literalmente a sentir a dor do outro. Só uma mãe enlutada entende a dor de outra mãe enlutada
Dia 1/03/17 irá fazer 1 ano que renasci para a vida,e hj somente um sentimento é maior que tudo: gratidão! Apesar de toda dor,vazio, amputação, solidão… Não é fácil conviver com sentimentos tão intensos e profundos. Mas não tem um só dia que eu nao agradeça por tudo que veio junto com a Júlia!
Me tornei uma nova pessoa, talvez alguém que tenha muito medo da vida mas que aprendeu que em segundos tudo pode mudar. E valorizar o hoje, o agora! Pq realmente: o depois, o amanhã pode não chegar. Assim como não chegou fisicamente para nós duas. Mas hoje eu não seria a mesma se não fosse a oportunidade de ter você: minha filha!

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