Sempre sonhei em ser mãe…

Olá! Bom dia. Em primeiro lugar, quero parabenizar a iniciativa pelo blog e o apoio às mulheres em nossa situação.
Para mim tem sido fundamental. Antes de conhecer o trabalho de vocês, achava que, como a sociedade me ensinou, eu não tinha direito ao luto, afinal, só estava grávida há 5 semanas.
Mas o sonho de ser mãe, esse já vivia dentro de mim havia anos.
Foram três anos e meio tentando engravidar. Me viraram de ponta cabeça,  fiz os exames mais doloridos e caros, me entupi de hormônios que causaram horrores no meu corpo. Mas nada mais dolorido que os exames negativos. Enfim, começamos a fertilização in vitro. Mais hormônios, três injeções por dia revelando o pior que há em você, como se fosse a pior TPM da vida. Os médicos disseram que a primeira FIV tem menos chances de dar resultado, mais diminutas ainda para mim, com uma reserva ovariana baixa. Mais um negativo. Segunda tentativa: negativo. E a terceira, negativo. Todos os negativos pelo mesmo motivo: não havia desenvolvimento das células e o embrião não se formava.
E então veio a opção de ovodoação – doação de óvulos. Soou estranho a princípio, mas depois me acostumei bem com a ideia. Para meu perfil, são de 6 meses a 2 anos até achar uma doadora compatível. Aliás, desde que houve uma mudança na legislação brasileira, a doação voluntária é proibida. Só é permitida a doação compartilhada.  Isso quer dizer que a doadora também deve estar fazendo um tratamento, seja para congelar seis óvulos para o futuro ou devido a algum problema de seu parceiro. A doadora também tem que ter o mesmo tipo sanguíneo que você. Só para facilitar.
Entramos na fila de doação em algumas clínicas  e dez meses depois, recebemos a ligação. Finalmente! Agora nada poderia dar errado. Exceto que tudo começou a atrasar. Disseram que o tratamento seria em Janeiro, mas já era fim do mês e nenhum contato da clínica. Disseram que a doadora estava atrasada. Grávida, pensei.
Mas aí, eu também estava atrasada.
Nove dias de atraso. E a médica pediu para que eu fizesse um teste de farmácia. Odeio fazê-los. Por mais que saiba que eu não posso engravidar, quando se faz xixi no potinho, por 2 minutos, existe a esperança de um tracinho virar dois tracinhos, e isso nunca acontece. Nunca.
Mas aí aconteceu. Apareceu a palavra GRÁVIDA no visor digital (moderno, não?).  Mandei o meu marido sair e comprar outro. Só pra ter certeza. GRÁVIDA.
Logo eu.
Achei que a alegria duraria para sempre, mesmo com uma pitada de preocupação. Tive  o prazer de contar para uma pessoa. E foi delicioso dizer “eu estou Grávida!”.
Queria gritar ao mundo, publicar na capa do Facebook e ser feliz para sempre.
Cancelamos o tratamento com a doadora na clínica, mesmo sem saber o que aconteceu com a moça. Perdemos dinheiro na  brincadeira, mas ok, o que importa é que estava grávida.
Mas aí, vieram três gotas vermelhas.  Uma na calcinha, duas no xixi. É normal, disse a médica nos tranquilizando. É devido à implantação na parede do útero. Ok. Mas aí vieram mais algumas durante a madrugada.
Como qualquer grávida preocupada de primeira viagem, achei melhor ir ao hospital.
A princípio, tudo normal. Sangramento comum nas primeiras semanas. Mas então veio a médica do ultrassom, mais seca, ditando os milímetros que encontrava dentro de mim: endométrio, ovário, nódulo, cistos . Até que preferiu escrever ela mesma a ditar os dados para a assistente que digitava.
Ainda ficamos 2 horas aguardando o resultado do exame de sangue. Terríveis 2 horas. Beta de 5.471, bem grávida.
Quando voltamos ao consultório, ao lado da jovem médica que nos atendeu, estava uma médica mais velha, a cara da experiência.
Foi então que veio a palavra: ectópica. O dicionário mental alertou: gravidez fora do útero que deve ser interrompida.
Explicaram as três formas de interrupção. Três procedimentos cirúrgicos, a escolher, com o risco de perder a trompa direita.
Mas tem que avaliar os riscos e acompanhar, ficar muito atenta à dor, já que existe o risco de rompimento da trompa e hemorragia interna.
Por fim, nossa médica decidiu esperar para que eu abortasse naturalmente  em repouso total até que tudo se dissolva junto ao meu sonho de ser mãe.
Obrigada
Relato anonimo
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