Mãe de sete!

Daniela Rodrigues, 32 anos. Mãe de sete.

 

No final de 2012, com 27 anos e em um namoro conturbado, eu nem pensava em gravidez. Mas ela aconteceu, por acidente, e mudou a minha vida. Foram 3 semanas até passar do desespero total para a aceitação do fato de que eu ia ser mãe. Quando passei a amar a ideia, no entanto, veio o aborto. Não podia imaginar que aquilo mexeria tanto comigo. Naquele momento decidi que engravidaria de novo, e teria que ser rápido, não podia esperar para ter novamente aquela sensação maravilhosa de ter uma vida em meu ventre.

O namoro acabou e logo iniciei outro. Fomos morar juntos sem nenhuma preocupação com contracepção. Por três vezes tive atraso e a felicidade de ver as duas linhas do teste indicando positivo. Em todas as ocasiões, fui do céu ao inferno em questão de dias. Não demorava muito para que meus pequenos partissem.

Não pensava em outra coisa. Dia e noite, pesquisava sobre gravidez na internet e tudo o que sentia fisicamente pensava ser um sintoma de gestação. Quando comecei a ter dores pélvicas e no ombro, além de muito enjoo, optei por não fazer exame para evitar outra decepção. Deixei passar. Algum tempo depois, fui levada às pressas para o hospital com sangramento intenso e dores fortíssimas no lado direito do abdome. Por causa do mau atendimento quase perdi a vida devido a uma gravidez ectópica, fui salva em cima da hora por um médico em férias que apenas tinha dado uma passada por lá.

Perdi a trompa direita e, tomada pela tristeza e pela desesperança, não consegui evitar que meu relacionamento ficasse abalado. Decidimos procurar ajuda especializada. Sem plano de saúde, gastamos tudo o que tínhamos, cerca de R$ 15 mil, em exames para investigar a causa da infertilidade – todos normais. Sem diagnostico, o médico indicou fertilização in vitro. Uma tentativa, com chances de 40% de dar certo, sairia por R$ 10 mil. Não tínhamos esse dinheiro, e eu mergulhei de vez na depressão. Chorava de manhã, de tarde e de noite. Minha família não podia me ajudar e também sofreu junto comigo. Minha mãe quase adoeceu de preocupação.

Em junho de 2015, já com o relacionamento por um fio, decidi que era hora de me reerguer e seguir com a vida. Em julho, fui visitar minha família no interior. Revi amigos, desabafei, ouvi conselhos e coloquei na cabeça que era hora de parar de insistir, era tempo de aceitar que eu não geraria um filho e teria que conviver com isso. Voltei pra casa mais serena e o casamento ganhou novo fôlego. Pensamento só no futuro!

Todo mundo dizia que quando eu relaxasse…

Pois então. O dia 2 de agosto foi a data da minha última menstruação. Peguei meu positivo descrente, esperando pelo pior em alguns dias ou semanas. Mas o pior não aconteceu. Ao contrário, o melhor estava guardado para mim, estava dentro de mim. Meu filhote, Benjamim, nasceu em 22 de abril de 2016, no dia do meu aniversário. Que presente! Hoje ele tem nove meses e enche nossos corações de amor e nossas vidas de alegria.

Com esse histórico não me preocupei em me prevenir depois do parto. Quatro meses depois veio mais um positivo inesperado. Meu Benjamim já estava encomendando um irmãozinho! Infelizmente, ele teve que partir na oitava semana, depois de nos presentear com o som do seu coraçãozinho batendo forte no ultrassom. Todos diziam: “mas agora você já realizou seu sonho, está com seu filho, não precisa ficar tão triste dessa vez”.

Só quem é mãe sabe… Um filho substitui o outro. Chorei e sofri demais, e ainda guardo a tristeza pela perda de cada um dos meus anjinhos. Não conto pra ninguém, porque ninguém entende. Essa dor é minha, me pertence, e a mantenho em segredo, preservada dos comentários insensíveis.

Sou a mãe mais feliz do mundo por ter meu pequeno ao meu lado hoje. Mas sou mãe também de anjinhos que viveram, por pouco tempo que tenha sido, dentro do meu ventre e me alimentaram com o maior amor de todos. E eu nunca poderei esquecê-los.

 

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