Sempre quis ser mãe!

Sempre quis ser mãe. Esse sempre foi o meu maior sonho e minha maior angústia também. Desde os 13 anos, sofria da síndrome dos ovários policísticos e sempre fui tratada com muito descaso pela maioria dos médicos, já que isso é algo considerado “normal” para a maioria das mulheres. Isso nunca foi aceito por mim. Rodei por muitos médicos até encontrar uma que tratasse com o devido cuidado que a situação merecia, e após vários testes, vimos que de fato eu não ovulava. Precisaria de tratamento. Com a falta de grana, de plano de saúde, estava para terminar a faculdade e os planos, ainda futuros, de casamento, deixei isso de lado por um tempo, porém, nunca menos sonhado ou desejado.
     Até que um belo dia, ao fim da faculdade, o relacionamento num outro patamar e entrando no mercado de trabalho como a veterinária que batalhei muito pra ser, tive a bela surpresa de um teste de farmácia positivo. Depois de muitas frustrações, um positivo! Era o meu tão sonhado filhote crescendo dentro de mim. Dalí pra frente, foi um misto de felicidade, insegurança, medos, expectativa, curiosidade, ansiedade……. e a prematuridade. Meu Pedro, com 21 semanas, decidiu me mostrar que sua missão estava completa. Entrei em trabalho de parto. A dor da notícia de que se meu filho viesse ao mundo, ele não sobreviveria, foi a dor mais funda que já senti, mesmo diante de todas as perdas que já sofri. Como assim o meu primeiro filho, tão sonhado e aguardado, não sobreviveria?! Aguentamos o quanto pudemos, até a madrugada seguinte…… o estourar da bolsa ecoou no meu coração, como nunca saberei explicar para alguém. Cada gota escorrida, era o meu sonho indo embora…… o meu menino indo embora….. num parto normal, sem medicamentos ou sedações, tive o meu Pedrinho…. optei por não vê-lo, mas ao acaso abri os olhos, e o vi, entre as minhas pernas, ligado a mim pelo cordão, através do reflexo da luminária no teto. Que dor. Foi o choro mais lacerante em que pude imaginar chorar um dia. Meu filho se foi, logo assim que veio ao mundo.
      Hoje fazem 28 dias em que pus meu filho no mundo e ele tão logo se despediu. E eu ainda sinto a sensação de desespero ao descer o elevador da maternidade sem nada nos braços. Nada nos braços, no ventre, ou nos seios, já vazios do leite. Todas as noites ainda me soam como AQUELA noite. Ainda me pego com a mão na barriga, esperando ele mexer. Ainda sinto dificuldade de olhar meu corpo no espelho.
      Não sei quando a sensação de vida interrompida vai passar. Ainda não sei como recomeçar a fazer planos. Que planos? Talvez em algum momento eu consiga ser paciente para aceitar que, no tempo certo, outro bebê virá, pra daí então eu ser mãe pela segunda vez, mas dessa vez, poder sentir meu filho quente, chorando, nos meus braços.
Relato enviado pela mãe Karina França
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