Como anjos na terra!

Me chamo Mariana e a exatos dois meses e 12 dias perdi meus dois anjos mais que especiais para mim Luiz Arthur e Victor Hugo e a 1 ano e 9 meses perdi, a minha princesa Maria Alice.

Foi uma gravidez complicada e nada programada. Ao fazer os exames pré-operatórios para uma cirurgia desconfiei estar grávida. Por já ter perdido uma gravidez aos 5 meses de gestação simplesmente não quis acreditar no fato de estar novamente gravida. Enrolei, fiquei na dúvida, chorei e não teve dúvidas lá veio o resultado de estar novamente gravida.

Perdi meu chão chorei tanto, pois depois de passar pela experiência traumática de perder um bebe tudo o que não queremos é passar por tudo aquilo novamente. Com o resultado também veio a dúvida e a dor no coração. Por ser hipertensa sabia que minha gravidez seria de alto risco por isso uma das primeiras medidas foi reduzir a jornada de trabalho pela metade.

Comecei meus exames de pré-natal, meu anjinho estava lindo e forte. Nada de estranho até completar 3 meses. No ultrassom a medica detectou que um filho estava com acumulo de liquido e pediu um exame mais invasivo para saber se estava realmente bem com a criança. Fiz o exame e não foi constatado nada de mais apenas que talvez a criança viria a ter problemas com esse acumulo de liquido, o que logo após o parto poderia ser corrigido. Passam se os dias e uma dor na coluna insuportável me dominava. Todos os dias eu perguntava a outras gravidas se elas sentiam tamanhas dores, e elas diziam que não. Até que chegou o tão sonhado dia de saber o sexo.

Ao chegar para fazer o exame fomos eu meu pai e meu marido. Ao iniciar o exame a medica achou estranho pois o bebe não queria mostrar o sexo. Quando ela passou o aparelho mais para a coluna lá estava o motivo das minhas constantes dores de coluna eram gêmeos. Na hora meu pai começou a ligar para todos da família (isso tudo porque nosso combinado era fazer chá revelação), eu fiquei em estado de choque não conseguia expressar nenhuma reação e meu marido só pedia para que eu ficasse calma por conta da minha pressão. Devido ao estado de nervos de todos a medica pediu para que eu me acalmasse, tomasse uma agua e depois retornasse para vermos os sexos. Por uns 30 minutos permaneci sem expressar nenhuma reação, só me perguntava o tempo todo como faria para criar duas crianças. Meu marido me pedia todo o tempo para que eu me acalmasse e logo depois meu pai aferiu minha pressão que estava muito alta.

Me levaram para o hospital maternidade da minha cidade, lá me acalmei e só pedia a deus que me desse saúde pois a partir de então teria que cuidar de dois anjos. Depois de alguns dias consegui descobrir que estava à espera de dois meninos Luiz Arthur e Victor Hugo.

Ao continuar meu pré-natal passei a fazer consultas mais regulares a ginecologista, ao cardiologista e também a psicóloga por saber que a partir de então meu parto seria de alto risco.

Foi muito complicado controlar minha pressão. Foram várias internações até que tive um descolamento de placenta. Precisei ficar em repouso absoluto. Mai infelizmente não teve jeito minha pressão subiu muito e com 24 semanas fui internada por ter tido uma crise convulsiva. Foram dias terríveis de internação. Me sentia impotente, fraca e a pior das mães por não conseguir segurar meus filhos só mais um pouquinho.

No dia 2/11/2016 minha pressão subiu demais os médicos não conseguiram controlar e tive duas crises convulsivas seguidas. Para tentar salvar a minha vida e a dos meus pequenos foi feita uma cessaria de emergência. Meu pequeno Luiz Arthur não sobreviveu e veio a falecer.

Quando enfim acordei por conta das altas doses de medicação perguntei logo pelos meus filhos e só me diziam que estavam bem. Naquele mesmo dia quando pude receber visita eu sabia que algo estava errado pois ninguém conseguia me olhar nos olhos. Quando disseram que a assistente social do hospital queria falar comigo eu já sabia do que se tratava e passou um filme em minha cabeça de quando havia perdido minha pequena Maria Alice.

Eu não conseguia chorar, só tinha vontade de morrer e me culpava a todo tempo por não ter sido forte para ajudar os meus filhos. No dia seguinte o médico me perguntou se eu queria ver meu pequeno Victor Hugo e eu disse que não pois não queria me apegar e perde ló também. Três dias se passaram e eu tive alta. Saí do hospital sem ao menos ter conseguido forças para ver o meu pequeno. Me sentia a pior mãe do mundo pois naquele momento tudo o que ele mais precisava era da mãe dele ali juntinho com ele.

Tentei cheguei na porta da UTI neonatal e me debulhei em lágrimas. Simplesmente não consegui entrar. Na terceira tentativa eu consegui. Meu filho era tão pequeno, tão frágil que eu sabia lá no fundo do meu coração que ele não seria capaz de resistir e só me aguardava para ir pra um lugar melhor.

No dia seguinte pela manhã recebemos o telefonema do hospital e eu já sabia o que era. Sim meu filho meu pequeno havia me deixado.

A dor que sinto hoje é enorme. Parece que vai rasgar o meu peito. Nunca palavra alguma será o suficiente para explicar a imensidão desta dor. Eram meus filhos. Meus pequenos. Parte de mim que não fui capaz de ser forte para ajuda-los.

Só peço a Deus que um dia eu consiga dizer aos meus três anjos da guarda o quanto a mamãe e o papai amaram eles desde que soubemos da chegada de cada um deles.

PERDÃO

Filhos, perdão.

Um dia a mamãe acredita que irá poder perdi perdão a vocês por não ter dado chances a vocês de conhecer este mundo.

Um dia vou vou lhes mostrar o quanto eu e seu pai amamos vocês de desde que o concebemos. Do momento da descoberta que a mamãe não queria acreditar, das dores na coluna que você e  seu irmão me causavam brincando altas horas da noite, enquanto eu tentava dormir.

Dos enjoos, as idas ao hospital para ver vocês e do dia em que soubemos que o nosso amor era grande de mais e por isso tinham dois anjos a caminho.

Me perdoa filho….

Me perdoa por nunca ter tido vocês em meus braços

Me perdoe se não fui forte o bastante

Me perdoe por não ter tido se quer a oportunidade de ouvir vocês chorar

Me perdoe se não pude ver vocês darem o ultimo suspiro

Me perdoe porem fui humana de mais e não suportei esta dor

Um dia irei agradecer a vocês por terem me dado a hora de ser a mãe de vocês meus filhos !!!

( Dedico estas palavras aos meus três anjos da guarda Maria Alice, Luiz Arthur e Victor Hugo)

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