Minha história de amor!

Gostaria de relatar minha história de amor… tudo começou em maio de 2015 quando depois de algumas tentativas, descobri que sofria de endometriose e em 29 de maio 2015 me submeti a uma cirurgia para remoção dos focos. Logo após a cirurgia continuei com dores intensas e me foi dado o diagnóstico de que se eu desejasse ser mãe, só poderia ser por meio da FIV. Naquele momento, mantive em mente que se fosse pra acontecer, seria de forma natural e me desliguei disso. Passei a cuidar mais de mim e com um programa alimentar e exercícios físicos.

Sempre conversando com Deus que se fosse pra eu ser mãe, que me permitisse engravidar ainda em 2015, pois já contava 38 anos e não gostaria de esperar mais.

Em janeiro fiz exames de rotina e prolactina deu alteradinha. Segui ainda sem fluxo menstrual, mas atribui a alteração hormonal que deu e no dia 02 de março 2016 a surpresa: meu pedido foi atendido, ESTAVA GRÁVIDA, dalí já fui fazer o Beta HCG e constatava que estava de 3 meses.
No primeiro ultra ja fiz a translucência Nucal e a confirmação estava entrando na 14° semana e daí pra frente todos US feitos sempre normais, pressão e exames de sangue… tudo tranquilo.
No sétimo mês tive síndrome do túnel do carpo e sofri muito com dores constantes nas duas mãos dia e noite. De agosto pra frente foi só desconforto. Fazia fisioterapia, acupuntura e nada resolvia. Comecei a inchar muito e me sentir mal.
Falei com a médica que me assistia, tentei de tudo pra ter Beatriz com 38 semanas, mas hoje vejo que não fui levada sério.
Dia 5/9/16 fiz US e estava tudo bem com a bebê, por que eu estava me sentindo um caco.
Marcada a cesariana pra 15/9/16, porém na 6/9/16 senti uma cólica leve pela manhã e passou. Dia 7/9/16 tive uma borra. Mandei mensagem para médica – era feriado – e mais uma vez fui ignorada, como não respondeu e a borra não evoluiu, eu pensei que fosse normal e relaxei. Dia 08/09/16 minha bebê mexeu pela última vez.
Na sexta não senti ela mexer, acordei triste e desconfortável. Por mais que soubesse que em  poucos dias teria minha filha nos braços, no fundo me sentia angustiada. Ainda na sexta, logo depois do almoço entrei em trabalho de parto.
Dessa vez a médica me atendeu e pediu que eu fosse até a clínica que ela atendia, mas já era tarde demais, minha Bibi já estava sem os batimentos cardíacos. Meu mundo caiu, fiquei sem chão, parece que inconsciente, pois eu não tinha real noção do que acabara de ouvir.
Fui encaminhada para o Hospital, sedada e me submeti a uma cesariana, já que não tinha a menor condição de um parto normal.
No hospital nenhum preparo, nem de médico, enfermeiros, funcionários, nada. Um descaso enorme com a minha dor.
A princípio, nenhuma causa aparente e isso agravava a situação do descaso com o qual fui acompanhada no final da minha gestação.
No dia seguinte fui conhecer minha bebê. Tão linda, parecia um anjo dormindo. Que tristeza sair daquele hospital de braços vazios.
Enquanto isso meu marido preparava o funeral que nem pude ir e junto com a nossa filha foi enterrado tudo o que planejamos viver com ela.
O momento mais difícil foi chegar em casa, quartinho todo pronto, montado com amor e sem Beatriz para ocupar cada espaço destinado a ela na nossa casa e na nossa vida.
Logo q se passaram 10 dias retornei em outra ginecologista, pois piorei muito. Tive hipertensão, hepatite medicamentosa, ácido úrico altíssimo, muito edema e tudo isso sem recompensa nenhuma o que machucava mais ainda. Quando me olhava no espelho, não me reconhecia. Via diante de mim uma mulher triste e acabada por dentro e por fora.
Procurei uma hematologista e qdo completou 60 dias da perda, eu iniciei a investigação fiz vários exames e apareceram algumas alterações genéticas para a trombofilia.
Confesso q senti um misto de alívio (pela explicação do que pode tê-la levado ao óbito) e ao mesmo tempo pesar (por talvez tê-la perdido pra uma coisa que tem tratamento, mas como não sabia da doença, minha filha se foi sem que pudéssemos evitar).
Não está sendo nada fácil, pois qualquer coisa que eu faça hoje me exige um esforço descomunal, mas estou tentando recomeçar da melhor forma possível apesar da dor e do vazio que me consomem diariamente.
2016 foi um ano especial, ano em que conheci a verdadeira felicidade e o amor na sua forma mais intensa e pura. Ano que me tornei mãe, não esperava que fosse de um Anjo, mas fui.
Nem que eu viva mil anos nessa vida eu conseguiria agradecer a minha filha tudo o que fez por mim em sua breve passagem por aqui.
A ferida ainda está aberta, mas sigo confiante de que o amor cura tudo e esse amor que temos uma pela outra há de me curar…
Relato enviado pela mãe Marina Dutra
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3 comentários em “Minha história de amor!

  1. Sinto muito por sua perda, perdi minha primeira filha de forma semelhante , sem assistência médica e também fiz cesárea, o coração dela havia parado de bater com 38 semanas, infelizmente não pude ver minha filha e depois de alguns meses descobri que foi uma trombose no cordão umbilical . Tenho trombofilia. Ainda dói muito! Não pude mudar de apartamento porque meu desejo era mudar de casa, de cidade, de vida, mas nada vai mudar o que aconteceu, a dor vai sempre existir, mas um dia se transformará em saudade. Minha Aurora e sua Beatriz sempre serão nossas filhas.

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    1. Olá Márcia! Olá mãezinha da Bibi! As nossas três histórias se encontram, parecidas ao extremo! A minha Malú também nasceu com 30 semanas e a gravidez foi muito tranquila até uma crise de eclâmpsia sem nunca ter tido pressão alta na vida. Tudo doi muito, mas na certeza de que as três estão brincando no céu e um dia nos encontraremos. #mãedeAnjo

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