Um arco-iris entre o amor e a dor!

Há um bom tempo não escrevo sobre os meus sentimentos, acho que está
tudo tão bagunçado que fica difícil colocar no papel.
Desde que soube que estava acompanhada novamente e agora por dois
meninos, não consegui organizar meus pensamentos e sentimentos! Sim
está uma bagunça, uma confusão mesmo! ” Pensar” que eu estava em um
processo de ressignificação e entendimento da maior das perdas, a
perda da minha filha Lara, tão querida e tão amada, quando soube dessa
nova chegada, mais dois filhos, simplesmente me causou uma explosão de
emoções. Sim, agora sou mãe de três!!!
Por mais que muitos não entendam, eu sou mãe e a gravidez é o momento
mais concreto que conheço da maternidade até hoje. Talvez por isso
ainda esteja tudo tão confuso, as comparações são inevitáveis…
Engravidei novamente menos de dois meses depois da partida da Lara.
Passei o natal com ela no meu ventre, aniversários em família, e tudo
agora se repete com Lucas e Gabriel, comecei o ano grávida da Lara e
termino este mesmo ano grávida de gêmeos, meus bebês arco-íris!
Vivo hoje uma dicotomia que perturba, quase enlouquece: sentir meus
bebês, Lucas e Gabriel crescendo, se mexendo dentro de mim, junto com
o medo de perdê-los,  somado a isso a falta da presença física da
Lara. Um amor que só cresce e uma dor que permanece! Ahh como é
difícil!
Aprendi a guardá-la e a mantê-la viva dentro do meu coração, mas para
isso lembro sempre dela, tento imaginar como estaria agora e como
seria a espera de seus irmãos junto com ela, mas vejam o quanto tudo
se mistura, se embola, pois muitas vezes quando sinto eles se mexendo,
lembro dela, quando vou comprar roupinhas ou refazer o enxoval, lembro
dela, uma lembrança triste e ainda difícil… tudo que ela nunca
usou… O “material” se mistura com tudo o que já construí de mais
bonito para a minha filha nesse novo lugar que ela ocupa dentro de
mim, e assim travamos uma luta diária. A dor continua aqui, tinha
aprendido a conviver com ela, mas agora parece que volta
incontrolável, coloco a culpa nos hormônios da gravidez, mas sei que
não é só isso! Sim, admito, SINTO FALTA de você nos meus braços minha
pequena! E junto vem uma culpa enorme, pois não quero que meus filhos
sintam essa dor e essa tristeza, mas essa sou eu, mãe da Lara, do
Lucas e do Gabriel, não posso e não quero fugir disso. Amo muito os
três, muito mesmo! Um amor gostoso que acalenta os momentos de
desespero, de dor, de angústia, de ansiedade e de medo! Um medo enorme
de perdê-los que provoca uma neura, pois preciso sentí-los mexendo, é
o que momentaneamente me tranquiliza. Converso e peço sempre que me
entendam. Que me entendam também todos que me cercam, entendam que eu
amo meus filhos, todos eles da mesma forma, e cada um tem seu devido
lugar no meu coração, nenhum consegue substituir o outro!
Definitivamente não! Por mais que todos digam: “estou muito feliz por
você”… Não consigo sentir o mesmo, felicidade é algo muito complexo,
para mim um estado permanente de alegria. E eu não me sinto assim…
Tenho momentos de alegria, que só acontecem hoje, pois consegui
retomar minha vida e entender que ela, a alegria, precisa fazer parte
da nossa caminhada, mas pensar em felicidade é negar que ainda carrego
comigo uma dor absurda e uma tristeza imensa! Esquecer minha Lara,
para mim, ainda é assustador, apavorante… Hoje parece que só eu
lembro dela, e preciso entender que será assim para sempre, nunca vou
esquecer. Só peço que as pessoas que me cercam não me forcem a nada
que eu ainda não consiga fazer, que não me julguem, que tentem se
colocar no meu lugar… Só peço mais empatia e mais amor por favor!
E aí você pode estar pensando, mas cadê a Fé dessa menina, Deus foi
tão bom que a presenteou com mais dois filhos para ela esquecer da
filha que perdeu, e olha que nem deu tempo de se “apegar” tanto,
imagine se tivesse perdido um filho adolescente, não seria muito pior?
Eu vos digo: a minha fé em Deus é o que me mantém de pé e o que me faz
escrever tudo isso para que você leia e entenda que uma mãe sofre a
perda de um filho, independente da forma de sua partida! Eu creio
neste Deus misericordioso e bondoso, que nos permite vivenciar
desafios para que possamos trabalhar nosso crescimento moral e
espiritual, e é isso que tento fazer todos os dias, pois só assim
alçaremos a verdadeira felicidade!

Depoimento escrito pela mãe Luciana Krull

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Um comentário em “Um arco-iris entre o amor e a dor!

  1. Como me identifiquei com o seu relato… Pedi a minha filha ano passado com 32 semanas de gestação, hoje faz exatamente um ano e hoje completei 34 semanas de gestação da minha Cecília, o meu arco-íris. Todos os medos que você relata e a insegurança também vivo, basta ela mexer diferente na barriga e pronto! Parece que o meu mundo vira de cabeça para baixo. Essa mistura de sentimentos é tão forte que chega a faltar o raciocínio lógico para as mínimas situações do dia a dia. Sempre que fico triste ou com saudade de tudo que não vivi com a minha Lavínia eu coloco pra fora, converso com meu marido ou com os amigos mais próximos, choro, faço uma prece… faço qualquer coisa, mas não guardo o sentimento. Só consegui começar a curtir essa gravidez após as 20 semanas quando Cecília começou a mexer, então comecei a entender que era outra história, mas confesso que não é um processo fácil.

    Que os seus filhos venham ao mundo cheios de saúde e que você possa dar pra eles todo o amor que daria para Lara se ela estivesse fisicamente entre nós.

    Abs,
    Alyne

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