O Fim!

Mãe, chegou a minha hora de partir. Vou-me embora. No claro-escuro da madrugada solitária, quando estenderes os braços, procurando seu filho no berço, eu te direi: O filhinho não está mais aqui… Vou-me embora, mamãe.
Eu me transformarei em delicada brisa e acariciarei os teus cabelos. Serei as ondulações da água em que tomas banho, e te darei muitos e muitos beijos.
Nas noites de tempestade, quando a chuva repicar nas folhas, da cama ouvirás o meu sussurro e o meu sorriso brilhará com os relâmpagos através da janela aberta.
Se estiveres deitada, pensando em teu filhinho noite adentro, das estrelas eu cantarei para ti: “Dorme, querida mãezinha, dorme!” Virei nos raios do luar, ficarei sobre a cama e me aconchegarei ao teu peito enquanto dormes. Eu me transformarei num sonho e através das frestas de teus olhos escorregarei de mansinho até o teu mais profundo sono. Quando acordares assustada, olhando ao redor, eu sairei voando para a escuridão, como um inseto brilhante.
Na grande festa de Puja, quando as crianças do vizinho vierem brincar em casa, eu estarei flutuando na música da flauta e ficarei o dia inteiro batendo em teu coração. Titia virá da feira com presentes e perguntará: “Minha irmã, onde está o menino?”” Então, mãezinha querida, tu lhe dirás docemente: “ Ele está na pupila dos meus olhos, está em meu corpo e em minha alma”.

Do livro A Lua Crescente, de autoria de Rabindranath Tagore.

Relato da mae Ina Guacira Camargo

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