Minha constelação de estrelas e de amor!

Minha constelação

Levei um tempo pra decidir contar minha história, porque é uma longa história de fato, mas hoje resolvi contar como recebi minha constelação de estrelas.

Nossa luta para engravidar começou 1 ano e meio depois de casarmos, a luta foi grande, 1 ano e meio entre parar de tomar o contraceptivo, fazer o tratamento e finalmente ver o tão esperado positivo , era uma alegria imensa finalmente completar nossa família. A gestação corria bem, fizemos todo o pré-natal direitinho, começamos o enxoval com cautela porque nosso bebê ainda não se mostrava, uma ultra depois da outra e aquelas perninhas teimavam e permanecer fechadas,  quando no dia 21 de maio de 2013 com 22 semanas a bolsa rompeu, fiquei internada por 15 dias e no dia 04 de junho de 2013  com 24 semanas nasceu de parto normal nossa Valentina, uma bebezinha linda, tão miudinha, o pai firme e forte ali do meu lado segurando minha mão olhou nos meus olhos com um olhar que misturava alegria e medo e me deu forças, ela recebeu os primeiros atendimentos e foi imediatamente para a uti neonatal. E devido a sua prematuridade mesmo com os cuidados da uti no dia seguinte nossa pequena valente se foi, nosa primeira estrela estava no céu. Passado o desespero da perda fomos investigar o que havia acontecido, descobrimos que uma bactéria (uma danada chamada estreptococos) havia causado o rompimento da bolsa e como agravante descobrimos que eu portava a trombofilia. O luto foi e ainda é um processo difícil e doloroso e para conseguir me recuperar iniciei um tratamento psicológico. Passado 1 ano, nossos corações estavam mais calmos, o médico disse que tanto para o estreptococos quanto para a trombofilia havia tratamento, então no meio de 2014 resolvemos engravidar novamente, afinal aquele sentimento de vazio de que faltava alguém só aumentava, iniciamos novamente o tratamento para engravidar e em outubro de 2014 nosso esperado positivo, quanta alegria e medo ao mesmo tempo, então iniciei o tratamento para trombofilia, como a gestação era considerada de alto risco fizemos o acompanhamento com um obstetra especializado na capital de MS pois moramos no interior e sabíamos que numa cidade com mais recursos se acontecesse alguma coisa estaríamos melhor assistidos. Logo no segundo ultra nosso bebê todo exibido se mostrou um menininho.  O obstetra solicitava vários exames, eu tomando aquela injeçãozinha diária de anticoagulante que enchia meu coração de esperanças a cada caixa finalizada. Passadas as 24 semanas começamos o enxoval dele, quando nos aproximamos da 26ª semana o obstetra por desencargo de consciência solicitou o exame para detectar o estreptococos e a temida bactéria apareceu novamente, o medo e a angustia tomaram conta do meu coração, nesse momento por recomendação do médico eu já estava morando na capital com minha mãe, o obstetra fez o tratamento de praxe mas a bactéria era tão agressiva que com 28 semanas  e pouquinho a bolsa rompeu novamente, mais uma agonia estava começando, fiquei internada 4 dias com a bolsa rompida e de uma febre veio a urgência do parto, como na capital não tinha uti neonatal disponível me encaminharam pro interior onde o obstetra encontrou uma vaga. Fui encaminhada a uma médica muito atenciosa e que atendeu meu pedido de parto natural, durante o trabalho de parto a enfermeira detectou sofrimento fetal e foi necessário intervir, então com 29 semanas de gestação no dia 05 de abril de 2015 num domingo de páscoa meu Bento nasceu de cesariana e meu marido ali do meu ledo firme e forte acompanhando tudo, os médicos iniciaram os primeiros atendimentos ali mesmo no centro cirúrgico e nosso Bento foi encaminhado para a uti neonatal, mas devido a agressividade da bactéria nosso filho não resistiu e no dia seguinte nos deixou, nossa segunda estrela foi para o céu, eu ainda permaneci uma semana internada por conta da gravidade da infecção mas como não era a vontade de Deus que eu partisse  me recuperei e voltamos pra nossa casa com os corações e os braços novamente vazios. Eu me perguntava como Deus podia permitir tamanho sofrimento para uma mãe e um pai. Como foi difícil entender e aceitar, a gente perde a fé, perde a vontade de viver, se sente um vaso quebrado. O tempo e a terapia estavam dando conta da dor e do sofrimento tanto pra mim quanto para meu marido que dessa vez também recorreu a terapia. Nós então decidimos não tentar outra vez, pois descobrimos nesse meio tempo que tenho lúpus e ainda tinha aquele medo irracional de passar por tudo outra vez e o medo que ele tinha de me perder como quase aconteceu eram maiores do que nosso desejo. Nossos corações estavam em processo de aprendizado, mas Deus que tem suas próprias regras resolveu nos pregar uma peça, sem nenhum tratamento e apenas 9 meses depois da partida do Bento numa ultrassom de rotina ele estava lá, um bebezinho, como assim? eu me perguntava, com toda a dificuldade para engravidar, sempre tomando muito cuidado, numa única e derradeira vez sem o preservativo… foi uma mistura de todos os sentimento, medo, surpresa, angustia, amor, alegria e no coração a certeza de uma nova chance, uma menininha que logo nos primeiros ultrassons já se mostrava, nossa Aurora estava a caminho e dessa vez todas as medidas estavam sendo tomadas, decidimos fazer o tratamento na cidade em que moramos porque as viagens intermináveis eram muito cansativas. O obstetra muito cuidadoso fazia consultas e ultrassons de duas e duas semanas, exames para detectar o estreptococos também se tornaram rotinas, tudo estava perfeito, a gestação ia bem, nada de bactéria, as doenças controladas com injeção e medicação diárias, sabíamos que pela minha condição de saúde a Aurora nasceria prematura então o obstetra fez todo o tratamento com corticoides para os pulmões da minha pequena, passadas as 29 semanas nos permitimos sonhar, fizemos todo o enxoval, pintamos o quarto e até um ensaio fotográfico nós nos permitimos, afinal estava tudo bem, quando numa sexta feira completando 34 semanas o médico veio com a boa notícia que se nossa filha nascesse a partir daquele momento nada de uti neonatal pra ela. Foi um alívio ouvir aquelas palavras, ela estava salva… então mais uma vez a bolsa rompeu, no dia 11 de setembro de 2016 com 34 semanas e dois dias eu entrei em trabalho de parto, como a Aurora estava alta ainda, e a dilatação estava demorando o médico por precaução resolveu partir para cesária. Meu marido firme e forte do meu lado acompanhando mais um parto, de repente quando o médico abre a barriga encontra o peritônio cheio de sangue, algo estava errado, o útero havia rompido nos breves momentos entre a anestesia e o corte. Rapidamente ele tirou minha filha e eu não escutei o choro, ele correu com ela pra fazer o coração voltar a bater, ela havia sofrido uma parada cardíaca, e depois outra e depois outra, até que duas horas e meia depois,  entre paradas cardíacas e respiratórias nossa terceira estrela se foi. E se não fosse a astúcia do médico em fazer a cesária eu também teria partido. Nossa Aurora se foi e no lugar dela se instalou novamente aquele vazio velho conhecido e agora maior e mais devastador do que nunca. Hoje ainda sentindo pela terceira vez a maior dor do mundo me pergunto o que Deus quer de nós? A nossa jornada até nossas feridas tão constantemente abertas se fecharem, que nossos corações possam entender e aceitar os desígnios de Deus será longa e dolorosa, encontramos no nosso amor infinito que nutrimos um pelo outro a força para continuar. Que nossas estrelas brilhantes no céu saibam que nesta Terra existem uma mãe e um pai que os amam do tamanho do infinito que lhes amou desde o primeiro positivo e que um dia nos encontraremos e finalmente poderemos tê los em nossos braços.

Priscila Colombo e Emerson Farias pais de uma constelação de estrelas.

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2 comentários em “Minha constelação de estrelas e de amor!

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