“Eu espero que não aconteça no meu plantão…”.

Quem nunca refletiu ou verbalizou a frase: “eu espero que não aconteça no meu plantão”. Acho válido destacar, que não estou generalizando. Cada caso é um caso, assim como cada profissional tem o seu jeito e suas vivências. Mas tal situação me chamou completa atenção durante minha atuação no hospital. Se eu fosse contar quantas vezes ouvi esta frase, perderia as contas.

Além disso, em minha pesquisa encontrei diversos estudos em que profissionais relatavam sobre a angústia ou medo de que ocorressem óbitos durante seu horário de trabalho. Estranho, não é mesmo? Afinal, esse é um risco que se corre dentro do hospital.

Infelizmente nossas expectativas transcendem a realidade vivida. Somos orientados a cuidar do outro e consequentemente, desejamos promover a cura daquele bebê que vai nascer, que se encontra na UTI Neonatal ou que possui risco de vida. Mas infelizmente, existem situações em que a morte é inevitável.

Não existe uma receita ou equação para lidar com o óbito no nosso plantão. É evidente que precisamos estar preparados para lidar com as perdas que possam surgir diante de nossa atuação. Mas para que isso aconteça, é preciso tomar conhecimento do nosso papel. Recentemente, tive a oportunidade de assistir uma palestra do Professor Alfredo Simonetti e suas palavras me fizeram refletir sobre o nosso real papel dentro do hospital.

 

“Curar sempre que possível, aliviar quase sempre, cuidar sempre” (Hipócrates).

Outra forma de capacitar o profissional a lidar com a morte, seria a reformulação da grade curricular nas faculdades. Eu por exemplo, ouvi sobre a morte e o morrer em apenas um semestre da faculdade. Para finalizar, destaco uma reflexão da médica Claudia Burlá, segundo ela ao entrar em contato com este tema e abordar ele com o outro, se faz necessário:

 

“Pensar sobre a nossa própria finitude. A nossa vida é finita e é muito difícil pensar sobre isso. Quanto mais claro isso for para nós, melhor a gente aproveita a vida. Você só vai estar preparada para conversar com o outro, se isso estiver muito claro para você”.

 

 Vanessa Petito

 

 

 

 

 

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