Lívia e Isadora, amor infinito!

Meu nome é Beatriz, tenho 33 anos e sou advogada em Sorocaba/SP. Estou com meu marido há 6 anos e 1 ano e meio de casada.
A página no face, que não me lembro como cheguei até lá, tem sido minha companheira na solidão que é perder um filho…e vou contar minha história…
Após sonhar muito com a maternidade, engravidei em fevereiro de 2016. Com 6 semanas, acordei de madrugada para ir ao banheiro e estava completamente ensanguentada. Entrei em desespero, certa que tinha perdido meu amado bebê. Corremos para a emergência do hospital da cidade e após um ultrassom, o médico visualizou um saquinho gestacional e confirmou que aparentemente, estava tudo bem com o embrião, embora não fosse possível ouvir o coração pois era muito novinho.
Na mesma semana, fiz um ultrassom com meu médico e o embrião estava lá, com vesícula vitelínica, tudo certinho. Como continuei tendo sangramentos, fiquei de repouso e na semana seguinte, fomos repetir o ultrassom e, às 8 semanas, conseguimos ouvir o coração do bebê e para nossa grande surpresa, mais um embrião estava lá no fundo do útero… estávamos grávidos de gêmeos!
Meu marido quase desmaiou e eu, ria e chorava ao mesmo tempo. Uma mistura de sensações que eu não sei descrever até hoje!
Tive vários problemas no começo da gestação: descolamento parcial de saco gestacional, um coagulo entre a placenta e o útero, líquido estranho no útero, repouso, repouso e repouso.
Passadas as 12 semanas, após uma noite inteira de ansiedade, medo e preocupação, fizemos o 1º ultrassom morfológico e nossos bebês estavam perfeitos! Cada ultrassom era uma alegria enorme e esse em especial, mostrou cada detalhe dos bebês.
Com 14 semanas, descobrimos que o gemelar 1 era uma menina e na semana seguinte, que o gemelar 2 também era menina. Meu marido não cabia em si de tanta alegria, assim como eu e minha mãe. Nosso sonho estava se realizando e eu queria muito duas meninas. Lívia e Isadora, nossas princesas!
Fui comprando o enxoval; parte em lojas infantis e parte em brechó. Escolhemos um carrinho para gêmeos, berços, banheira…
Veio o ultrassom de 18 semanas, 2º morfológico – meados de julho de 2016, as bebês estavam lindas, espertas e saudáveis. Mas meu colo do útero encurtou, chegando a 1 cm e apareceu o “sludge”, que é como um barro dentro da bolsa amniótica da 1ª bebê. Sabendo da gravidade, corri para um médico em São Paulo para colocar um pessário (anel de silicone que é posicionado no colo do útero e internei para tratar o “sludge”, que é um indicativo de processo infeccioso. Tive alta sob a ordem de manter repouso absoluto, e só levantava para banho e necessidades.
Porém, em 06 de agosto, com quase 24 semanas, sentindo muitas cólicas intensas, fui ao hospital desesperada e descobri que estava em trabalho de parto prematuro. No ultra da emergência, descobrimos o falecimento da primeira bebê, nossa Lívia – cuja bolsa se encontrava o sludge, e uma grave infecção que quase me levou a óbito.
Do sábado para o domingo, após diversos médicos passarem pelo plantão, todos foram unânimes em dizer que a única possibilidade de salvar minha vida era induzir o parto e retiramos o pessário.
No domingo, com meu marido sempre ao meu lado, ás 20;30, dei a luz à Lívia e às 21:18, a Isadora veio ao mundo, num “parto normal” – se é que se pode chamar de normal um parto em que não se tem o bebê nos braços…
Lívia era minha cópia. Pele bem branca, queixo furadinho e com estrutura mais esguia. Isadora, mais robusta, completamente parecida com meu marido… só tinha as mãos e pés parecidos com os meus… uma linda boneca que só fui conhecer às 3 da madrugada, na Uti Neonatal. Nasceu bem, forte, cheia de vida, mas prematura extrema. Durou aqui conosco pouco mais de 12 horas.
Às 10 horas da manhã, a enfermeira veio me buscar no quarto para despedir da minha princesinha, que tinha acabado de partir.
Um buraco enorme se abriu no meu peito quando cheguei na UTI e estava meu marido sentado, com ela nos braços, chorando desesperadamente… a maior dor que eu já senti na vida. Despedi, naquela segunda feira fria, dos maiores amores que a vida já me presenteou.
Sou grata a Deus por me permitir essa experiência. Minha fé, kardecista, me ensinou que o desencarne é necessário para a evolução dos nossos espíritos; não sei o que foi combinado entre nossa família antes de virmos para a Terra, mas aceitei nosso destino sem questionar e sei que fui um importante instrumento de passagem para minhas lindas filhas. Sei também que hoje, elas estão bem. Busco incessantemente evitar o sofrimento, que poderia causar a elas sofrimento também… não me questiono ou me culpo por nada. Mas a dor… a dor da saudade, da vontade de tê-las aqui comigo, essa, não consigo fazer nada. Só chorar.
Estaríamos hoje perto de completar 37 semanas – 06/11, data em que elas poderiam nascer e vir direto para meus braços. Hoje, o que sinto é uma saudade enorme das sensações e planos que tinha. Hoje, tenho uma dor absurda no peito, mas um amor por elas que transcende a minha própria existência.
Acredito sim que terei outros filhos, talvez elas mesmas voltem para meus braços… e é nisso que eu me apego para continuar seguindo.
Sei que elas estão bem; eu também vou ficar.
 Depoimento enviado pela mãe Beatriz
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