Mais amor com a minha dor, por favor!

Gostaria de parabenizá-los pelo lindo trabalho. Acompanho vocês pelo blog e é muito bom saber que aquilo pelo que passamos, nosso luto, pode ser compartilhado em um ambiente de compreensão e acolhimento.  Gostaria de compartilhar um pouco do que tenho vivido nos últimos meses.
Ano passado passei por duas perdas gestacionais, ambas ainda no primeiro semestre da gestação e o blog Do luto à luta é uma das poucas coisas que me trazem acalento.
Acredito que a solidão é um dos fatores que mais contribuem para que seja tão difícil recomeçar. Digo isso porque precisamos de mais tempo para viver nosso luto e acabamos sendo obrigados a engoli-lo, a chorar nossos bebês sozinhos, na calada da noite, pois a vida, as pessoas, parecem estar sempre nos apressando e nos dizendo “parte para outra”, “a vida continua”, “ficar pensando nisso te faz mal”, quando tudo que precisamos é pensar, e muito, no que nossas gestações representaram para nós, sem pressa, sem tempo determinado para parar. Como posso, pois, seguir em  frente, deixar para lá, partir para outra, se o que enxergo são planos frustrados, vida interrompida, sonhos convertidos em pesadelo? Queria poder chorar sem ser julgada, sem ser chamada de ingrata, sem que comparassem minha dor com a de alguém que tem “problemas muito maiores”. Por favor, me deixem chorar meus bebês! São meus filhos, não poderei vê-los crescer, tornarem-se gente grande. Nem por isso deixo de ser grata a Deus por tudo que tenho, por todas as alegrias e tristezas que pude sentir e pelas transformações por que passei e me fizeram ser o que hoje sou. Não acho justo que comparem minha dor com a de outrem. Ela é minha, preciso senti-la, só eu posso senti-la e meu recomeçar depende disso.
Já quis escrever um depoimento que confortasse corações como aqueles de muitas mães de anjo que me acalentaram em tantas ocasiões e, por isso mesmo, não entrei em contato antes para compartilhar um pouco da minha experiência. Mas tudo que posso agora é desabafar um pouco, tornando mais leve a dor da saudade com a qual ainda estou aprendendo a conviver.
Abraço para todos vocês,
Relato enviado pela mãe Renata
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Um comentário em “Mais amor com a minha dor, por favor!

  1. A gente so sabe o que é perder um filho que ainda nem nasceu quando sente na pele. Antes da minha perda eu sentia pelas minhas conhecidas que tinham perdas gestacionais, mas não passava disso, dois dias depois ja nem lembrava mais do ocorrido na vida delas e pensava: logo logo ela engravida e fica tudo bem… Mas tão logo aconteceu comigo, eu passei a ver de forma diferente esse momento tão dolorido. Sinto muitíssimo pela sua dupla perda e ao mesmo tempo sei que Deus está cuidando de ti e do seu coração que tem revivido a perda de mais um filho. Não tenho pena de vc, nem de mim que também passei por isso uma vez, tenho a plena certeza de que a nossa vez de segurar O nosso bebezinho no colo chegará e temos que ser gratas a Deus pelos dons que recebemos, ser mãe de anjo talvez seja um grande dom! Cuide-se!
    Deus te ama.

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