Felicidade sem culpa!

Olá, agora sou eu !
Viu contar um pouco da história.
Nunca quis ter filhos nem casamento nem namorado … Mas uma determinada época da minha vida me envolvi com uma pessoa linda de coração. Disposta a me dar tudo que eu não queria … Nós éramos muito livres viajamos ,dormíamos onde dava..não tínhamos hora nem lugar pra nada ! Estilo deixa a vida me levar… Compramos casa ; e aí comecoiba cobrança por filhos ! Ele sendo filho único me envolveu no desejo dele. E eu embarquei.
Três anos se passaram em exames testes,tratamentos. Sai do emprego tentando encontrar na falta de stress a causa da infertilidade.Fizemos nossa primeira viagem pra Bahia na busca do nosso bebê de origem Baiana ..rs
E nada. Minha médica recorreu a um exame chamado Histerossalpincografia .
Um exame errado mas que depois de feito… Desobstruiu minhas trompas mas o bebê não vinha .
Passamos o ano novo de 2011dispostos deixar Deus agir e resolvemos não mais ficar na neura e deixar a vida andar… Em fevereiro de 2012 em pleno sambódromo minha amiga disse pra mim voce tá com cara de grávida! Como eu não menstruava devido a cistos resolvi fazer teste de farmacia que deu positivo. Em pleno carnaval achei uma clinica que funcionava no Centro da cidade e fui fazer a ultra.
De la o susto.
Eu estava grávida. De 5 meses! E era uma menina e dali mesmo eu já sai com o nome dela Maria Teresa .
Uma correria só neh.  Eu não tinha quarto pra ela ,enxoval ,nem o sentimento de maternidade.
Mas tudo seguiu. Nossos amigos que acompanhavam nosso desejo nesses três anos nos presentearam num churrasco de aniversário( eu faço em abril e marido faz em março) com tudo que era preciso. Um dia nao tínhamos nada no outro tínhamos tudo! Foi lindo e mágico.
Minhas Melhores amigas vieram pra minha casa pintaram ela toda de amarelo que pra mim é a cor mais alegre que existe. A família deu os móveis . E eu ficava tentando associar tudo aquilo na minha cabeça.
Morta de medo da maneira com a qual o neném deveria sair . . .
Eu estava sem plano médico por ter saído do emprego .Então fui fazer pré natal na rede pública .
Eis aí o meu erro .
O dinheiro que nos tinhamos em caixa ou ficava pra despesa da cesarea ou ficava pras primeiras emergências .
Optei por ficar pras emergências .
E aí no dia 28de junho eu me internei no hospital Carmela Dutra .
Com pressao alta, mas sem sinais de trabalho de parto
E do dia 28 ate dia 2 de julho o calvário.
Minha bolsa rompeu dia 30 de junho  no meio do horário da visita. Desci pra sala as 17h . E lá fiquei até dia 2 de julho às 11h em trabalho de parto.
Com 3 de dilatação.
Sendo inspecionada pelos médicos de plantão( havendo várias trocas) pelas turmas de residência . Assistindo vários nenéns nascendo  ,vendo o dia raiar e a noite chegar.
O combinado era da minha mãe assistir o parto mas meu marido insistiu e ficou ele .
No início eu o culpei achando que se minha mãe estivesse lá ela botasse a boca no trombone e eles me socorressem.
Daí perceberam o mecônio saindo entre os toques que eles tavam dando em mim .
E depois de uma hora e meia pra preparar a sala eu toda feliz pois meu sofrimento iria acabar .
Fomos pra sala.
Tomei a raquia , e segurei na mão do meu marido. Qdo ele apertou minha mão.
Eu vi os residentes me assistindo de fora da sala ( era um aquário ) com espanto ..chorando.. eu não ouvi o choro da minha bebé. E meu marido segurava firme ei perguntava pra ele oque tava acontecendo e ele embargado não dizia nada levantei meu pescoço quando eu vi os pezinhos da minha bebé…só os pes … branquinhos e enormes.
Meu marido disse que comecei a tirar os cateteres … eu sentia que eu tava indo no céu e voltava nao conseguia respirar direito , era uma respiração pela metade ofegante achei que eu tava morrendo .
Meu marido disse que foi preciso aplicacao de adrenalina.
Daí apaguei.
Acordei numa sala fria . Eu sem sentir meus órgãos todos ja havia se passado umas dez horas. Minha mãe tava lá me olhando e só me disse :
Se eu pudesse trocar de lugar com você eu trocaria .
E ai choro
Lembro que qdo eu percebi que tudo estava acontecendo .
Fechei meus olhos e pedi a Deus que quando os abrisse de novo que ele voltasse a fita .Que ele mudasse aquele fato….
Que eu não merecia e que ele fosse justo comigo.
Mas não foi assim …
Era verdade. Meu bebê não sobreviveu.
Fiquei no mesmo quarto com Mães e seus bebês no colo.
Enfermeiras que não sabiam do ocorrido me perguntavam sobre o bebê .
Alguns curiosos do hospital iam lá me olhar.
Equipe de jornal foram ao hospital. Mas não pude falar nada com medo de represália pois eu estava com cefaleia e fique no hospital por mais uma semana.
Me recusei a doar leite pois eu não queria sentir mais nenhuma dor naquele hospital.
O diretor do hospital se propôs a fazer o enterro em troca de não denuncia.
Mas meu marido fez a denúncia correu atras de papelada vestiu nossa neném e fez o enterro.
Eu não pude ir …
Estava práticamente drogada na cama com a cefaleia os seios inchados. Ponto aberto. Sonda …
E aí minha família consegui passagens pra que a gente fosse passar 15 dias em Brasília na casa dos parentes. Nossa viagem foi remarcada por duas vezes pois precisavamos de autorização da médica pra viajar.
Eu não queria voltar lá mas tive.
Autorizacao dada fomos e lá ficamos com o carinho de todos que nos amavam.
Foi difícil . Mas foi melhor que voltar pra nossa casa amarela de braços vazios.
Enqto isso os vestígios de que a casa receberia um bebê foram sendo retirados.
Ficaram uma mala rosa com tudo. Em cima do armário. Uma comoda vazia. Um berço vazio. E paredes amarelas .
Voltei.
Logo tratei de pedir ao montador que visse desmontar tudo. E ele veio. Tadinho sofreu também .. mas eu consegui dizer a ele que ele voltaria em um ano pra remonta lo .
E isso aconteceu. 😄😍
E daí até hoje fases de luto.
Entrei em grupos de ajuda. Ate criar o FSC .
Que surgiu da necessidade de um lugar que cultivasse em mim alguém que eu era. Que eu tinha sido.
Eu nao era a pessoa que não se levantava da cama. Que nao comia. Que não via a Luz do Sol. Que não se comunicava.
Minha mãe mil vezes me dizia que estava me perdendo.
Agradeco as minhas amigas que não desistiram de mim. Que vieram e me arrastaram pra minha primeira saída noturna. Que me vestiram de amarelo me passaram batom perfume e me aguentaram na mesa aos prantos bêbada.
Agradeço ao meu ex chefe que me seguindo no Facebook  e vendo que eu não estava bem me recolocou na empresa que ele estava e me disse que ali era meu Recomeço também.
Agradeço a todos que diariamente me ajudavam no meu resgate de mim mesma…
E aí surgiu o FSC .
Minha mãe me dizia .
Essa é sua história. Ninguém pode vive lá por você.
Se erga. E viva um dia após o outro.
Aguarde o tempo do seu conforto seja forte .
Mas não tenha culpa em sorrir.
Você sempre foi alegre. É sua característica.
Não se perca.
E aí eu tô aqui… Enfrentando minha dor .
Mas passando tudo que aprendi.
Hoje eu sou muito feliz de ter mudado minha história  . De ter me permitido. De ter optado pelo Recomeço.
De ter acreditado que era possível seguir.
E toda felicidade que eu sinto hoje mesmo com toda dor que um dia eu já senti mas que aprendi a conviver seja plantada e sirva de inspiração pra vocês.
Sou muito agradecida a vida pelas oportunidades de Recomeço.
E sempre só dependeu de mim .
Desculpa a historia longa…fui lembrando e  escrevendo.
#FelicidadeSemCulpa
Obs.  Apos seis meses engravidei naturalmente. Descobri com poucas semanas. Mas tive meu parto cesarea. Com médica muito atenciosa. Entre a depressão e maus da gestação chegamos ao final. E hoje eu vivo o terceiro ano de boas vindas do meu bebe arco íris. Minha Teresa Vitória que me salva todo dia

Depoimento da mãe Tatiana Nogueira

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