Ainda tenho esperança!

Bem, é muito difícil estar aqui. Por isso solicitei o anonimato…

Vou tentar resumir ao máximo.

Era o ano de 2004, tinha apenas 21 anos de idade. Estava a poucos meses envolvida com meu segundo namorado, que devia ter na época uns 23 anos. Ele foi embora para o estado de Goiás e eu fiquei no Piauí, quando pouco tempo depois com a menstruação atrasada já sentia estar grávida, nem precisava fazer o exame, eu tinha certeza do que sentia. Veio o medo, a alegria, a tristeza. Eram muitos sentimentos entrelaçados. Eu era apenas uma menina, morando longe dos pais (eles no interior e eu na capital), estava na faculdade e apesar de todo o medo de enfrenta-los eu estava feliz e empolgada com o meu (que imagina) galeguinho dos olhos azuis igual ao pai, que chamaria Caio Henrique.

Alguns dias se passaram e eu não me contive, contei por telefone para minha irmã. Ela logo deixou claro o quanto eu sofreria “Você vai comer o pão que o diabo amassou”, ”painho vai lhe expulsar de casa” etc…

Já estava na hora de contar tudo e fui para o interior, no entanto meus pais e a família quase toda já estavam sabendo, inclusive algumas pessoas daquela pacata cidade (Minha irmã nunca foi boa em segredos). Então tudo o que ela havia me dito começou.

Eu não tinha ninguém ao meu lado, meu namorado longe, meus pais e irmãos contra mim..eu estava assustada. Meu pai conhecido na cidade preocupado com a sociedade; como assim uma filha, sendo mãe solteira?! Eles evangélicos bem religiosos e assíduos na igreja.

Imaginei que seria muito difícil para eles e para mim, mas nunca pensei que fossem tomar alguma atitude extrema. Eu me acovardei.

Uma amiga deles, enfermeira fez uma forma de preparar tudo.

POR FAVOR, NÃO ME CONDENEM. EU JÁ FAÇO ISSO A 12 ANOS E SEI QUE NUNCA IREI ME LIBERTAR. DEUS SABE O QUANTO SOFRO ATÉ HOJE.

Eu estava com 13 semanas de gestação, me convenceram que não havia nada formado, que eu não entendia.

Meu pai mandou me entregarem um celular para caso eu precisasse, e me deixaram trancada em um quarto apenas com essa enfermeira que me aplicou a medicação e disse o que aconteceria dali por diante (vou dar uma pausa, pois estou no trabalho e já chorando).

O tempo foi passando e eu só conseguia chorar e pensar em tudo (nem sei exatamente que tudo era). Algumas horas depois, eu tive diarreia e vômitos. Minha mãe ligou e perguntou: tá sentindo algo? E eu respondi: Ódio e nojo de vocês e de mim.

Se era um erro para eles eu estar grávida, mesmo assim não se cobre um erro com outro.

Após outras horas, comecei a sentir uma forte cólica, que me fazia rodar na cama, me contorcendo de tanta dor. Até que fui ao banheiro e nada saía, eu pedi pela morte várias vezes, me condenei naquele momento. Como o feto não era expelido, sentei embaixo do chuveiro, puxei meu filho para fora de mim, o abracei e chorei copiosamente e o sangue descendo ralo abaixo. Sem olhar joguei no vaso sanitário de dei a descarga.

Meu Deus eu era apenas uma menina, e matei o meu filho!

Aquela cena nunca sairá da minha mente, até hoje eu nunca consegui me perdoar.

Permaneci trancada no mesmo quarto por 15 dias, sem ver a luz do sol, fazia uma refeição diária com muita insistência da moça que trabalhava na minha casa, mandei recado por ela ao meu pai dizendo que eu precisava ir ao médico (eu nem sabia o que era curetagem, mas sabia que não podia ficar só por ali, tinha que haver um tratamento após). Ele deu como resposta, que eu “me virasse”. Minha mãe e irmã nada fizeram, a não ser jogar tudo na minha cara.

Voltei para Capital, e nunca mais fui à mesma. Perdi o período na faculdade, iniciei tratamento psicológico, fui internada numa clínica de restauração emocional por 30 dias, no estado do Maranhão. Meu relacionamento com meus pais nunca voltou a ser como antes. Muita coisa aconteceu que me faziam sentir sendo castigada por Deus a todo instante, inclusive o nascimento de meu primeiro sobrinho, pelos dias que o meu nasceria 30/09/2004, galeguinho dos olhos azuis e de nome semelhante ao que eu sonhava registrar o meu filho. Dentre tantas outras situações que o espaço aqui não permite.

Ano 2016, 12 anos depois, dia 14 de Agosto, aos 33 anos de idade, me surpreendo com meu segundo POSITIVO, a felicidade estava estampada no rosto de meu até então, namorado.

E eu?! Eu só conseguia chorar e sentir bastante medo. Ele queria me levar lá no interior para falar pros meus pais, me apavorei, senti medo e sem contar nada para ele do que havia me acontecido anos trás, me recusei. Eu tive pavor de tudo acontecer igual, mesmo já sendo mulher feita, amadurecida. Mas é algo interno difícil de explicar.

Após alguns dias, tive sangramento entre 24 a 30 de agosto, usando Utrogestan, tentava segurar meu segundo filho, era mais um castigo em minha vida, todo aquele sofrimento, pedindo a Deus: Senhor Tu me sustentou até aqui, não deixa eu perder meu filho. Usava a hastag nas minhas postagens #seagrudamolequim.

Quando já estava decidida que não deixaria nada me amedrontar, mandei mensagem contando pra minha mãe, inclusive que precisava de repouso, pois estava com ameaça de aborto. E ela conseguiu mais uma vez me derrotar.

Eu lia aquelas palavras, dizendo que me ensinou a seguir por um rumo e escolhi outro; perguntando de quem era o filho; com quanto tempo eu estava de caso com esse homem; que agora eu iria saber o peso e trabalho de ter um filho.

Eu respondi: Se a 12 anos atrás, eu tivesse sido mãe, hoje minha vida seria totalmente diferente, problemas todos nós temos, mas tenho certeza absoluta que por amor ao meu filho eu teria vencido na vida.

Poucos dias depois veio à confirmação que eu temia, perdia mais um filho. A dor é imensa.

Mandei mensagem contando para minha mãe e ela disse: “valha”! Foi a palavra de consolo dela.

Meu namoro desgastou, e eu sei que a culpa é minha. Pois eu fiquei extremamente nervosa e estressada, me sinto uma frustrada, desamparada pelas pessoas que mais deveriam estar comigo lá em 2004 e agora em 2016.

O aborto espontâneo foi pelos dias 24 a 25 de agosto e hoje 17 de outubro de 2016 ainda não menstruei, fico tentando não imaginar uma outra possível gravidez por ter medo, mas no fundo no fundo, eu queria sim estar novamente esperando um filho, porque eu não posso deixar essa esperança morrer, mesmo que meu namoro tenha acabado.

Sei que o intuito do grupo é ajudar mulheres que sofreram percas não intencionadas, mas por favor entendam que naquele ano eu não entendia muito da vida e fui submetida a fazer o que fiz, obrigada a tomar aquela decisão sem nem ter tempo para pensar em nada.

Deus sabe o quanto sofro até hoje, ninguém nunca perguntou como me sentia, o que eu queria, e nem como estou após tudo. Nem mesmo meus pais.

Para algumas pessoas, parece ser tão simples.

Ouvi pessoas falarem que como nem nasceu, a dor é menor. Que por eu ter estado apenas por 4 semanas de gestação era normal e que não tem a ver com a perda anterior.

Mas na minha cabeça, só pode ter sido castigo.

Hoje (17.10.2016), acordei chorando decidida a procurar ajuda, e quando me deparei com esse site e fanpage, na mesma hora pedi informações de como enviar meu desabafo (Meu primeiro passo em busca de libertação).

Somos autores de nossa história. Que Deus possa a cada dia estar olhando por nós, nos confortando, e nos abençoando.

Que nossos filhos, que agora brilham no céu possam estar olhando por nós.

Que Deus e o meu anjo tenham me perdoado.

Tristemente, uma mãe (Sim, eu me sinto mãe).

P.S. Queria muito ter mais espaço para relatar tudo, mas não quis deixar muito cansativo, além de que sempre é tão ruim lembrar os detalhes.

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2 comentários em “Ainda tenho esperança!

  1. Querida, nosso Senhor e um Deus de amor e misericórdia…se você está arrependida de coração e percebemos que sim, vc está, então siga sua vida…busque tratamento psicológico, grupos de apoio pró-vida, e principalmente busque Deus.
    Porque somente Ele pode te curar.
    Seus anjinhos estão ao lado de nosso Senhor Jesus Cristo e com toda certeza um dia vocês se reencontrarão na morada Celeste.
    Eles estão bem! O mais importante aconteceu: você se arrependeu e pediu perdão a Deus!
    Jesus não condenou a adúltera. Ele disse: “ninguém te condenou. Nem Eu. Seus pecados foram perdoados. Vá e não peques mais.”
    Siga em frente minha quarida. Faça sua vida valer a pena, o Senhor sempre nos dá a oportunidade de recomeçar.
    E você disse sim a vida na segunda gestação. Mas por motivos que só o Senhor sabe, esse anjinho foi viver no paraíso… siga em frente minha querida… um forte abraço e fique na paz de Cristo!

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  2. Querida Deus já perdou vc a muito pois ele e sabedor quem foram os verdadeiros pecadores dessa sua história vc e mãe sim de anginho que olha por vc e todos nós ,vc e feliz que pode engravidar perdeu seus angunhos mais vc foi mãe eu querida sempre tive esse sonho e nunca pode ser realizado nasci totalmente estéril sonhei varias vezes ver minha barriga crescendo eu com meu anginho nos braços mais esse sonho não se realizou hoje na terceira idade viuva sem ninguém que possa falar esse e meu filho que gerei e pari ,fora as piadas maldosas que sofri ao longo da minha vida como de figueira do inferno que não dá frutos sinta-se abraçada por todos e por mim seus anginhos estão guardando vc e vc vai realizar seu sonho fé força não deixa ninguém acabar com seus sonhos bvju forte

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