Francisco: meu filho, meu anjo

fullsizerenderMeu nome é Ana Luiza, me tornei mãe do Francisco aos 24 anos. E fazem quase 10 meses que o meu pequeno foi morar ao lado do Senhor. Durante esse tempo não houve um dia se quer, que meu coração não se encheu de saudade. Houve um tempo em que a negação habitou o meu coração, eu não conseguia entender o “por que comigo”.  Hoje eu convivo com a saudade e com o desejo de ouvi-lo chorar, crescer e brincar.

Em setembro de 2014, o desejo de ser tornar mãe surgiu em meu coração. Como seria uma grande mudança, precisei de um tempo para me organizar. Até que em fevereiro de 2015, após voltar de uma viagem, parei de tomar contraceptivos. Não demorou para que Deus me abençoasse, e no dia 4 de maio as duas listrinhas apareceram em um primeiro teste de farmácia.  Um amor, um alegria, uma felicidade nunca sentida por mim antes e que eu jamais pensei que fosse capaz de sentir.

Os meses foram se passando e tudo corria normal. Até que no dia 16 de setembro, durante a realização do ultrassom morfológico o primeiro susto. O Francisco foi diagnosticado com PTC (pé torto congênito), e algumas outras questões foram levantadas: ausência de bolha gástrica e sua mãozinha não abriu durante todo o exame. Meu médico conversou com a gente e preferiu nos encaminhar para um especialista, um médico fetal. A partir desse momento, o medo e a preocupação tomaram conta do meu coração. Conversando com familiares, decidimos procurar outro obstetra, afinal uma segunda opinião era importante. No outro dia consultei outros dois médicos, um pediatra e outro obstetra, que disseram exatamente aquilo que eu queria ouvir “seu filho é saudável”. Meu médico antigo não desistiu de mim e me ligou, tentando me alertar que poderia ser algo sério e que seria melhor pecar pelo excesso. Com o coração assustado, eu não dei ouvidos a ele. Pouco tempo depois, comecei a sentir dores abdominais e o meu novo obstetra, disse que era apenas um desconforto em decorrência da gravidez, e por que tinha viajado no final de semana. Até que, ele disse o peso do meu filho. Mães de primeira viagem leem muito, pelo menos eu passei a ler absolutamente tudo sobre o assunto para conseguir proporcionar ao meu pequeno todo conforto do mundo. E o peso dele não era compatível com a idade gestacional dele. Pedi para que esse novo obstetra pedisse uma cordocentese, exame que o meu médico havia solicitado primeiramente. Ele relutou mas pediu. Ao chegar ao laboratório, os médicos que realizaram o exame acharam muito estranho minhas ultrassonografias não terem laudo. Apenas um detinha, o que o meu primeiro médico realizou. O exame demoraria 40 dias para ficar pronto. As dores foram se intensificando, não conseguia nem andar direito. Fui até o consultório do obstetra que estava me atendendo e ele me passou outro exame para fazer: cardiotocografia. Ao levar o exame de volta ao consultório, por telefone, ouvi dele: “o coração não está uma brastemp mas vamos  tocando”. Deixei o consultório completamente indignada. E liguei para o pediatra que me atendeu junto com esse obstetra, para que ele realizasse outro morfológico. Ao finalizar o exame, ele simplesmente disse: “seu filho é incompatível com a vida”. O mundo desabou sobre a minha cabeça, eu não sabia o que pensar, eu não sabia como agir e nem o que dizer. Alguns dias de escuridão tomaram conta de mim, até que eu decidi ligar para o meu médico. E ele prontamente me acolheu, ao realizar o ultrassom, detectou que eu estava com muito liquido amniótico e por isso sentia muitas dores, e mais, esse acumulo estava fazendo o meu pequeno sofrer. Rapidamente me socorreu e me encaminhou para a equipe de medicina fetal, para que o diagnóstico fosse realizado. Chegando a São Paulo, obtivemos o diagnóstico que confirmou a incompatibilidade do Francisco com a vida. Decidi seguir com a minha gravidez, mesmo sabendo que ele não sobreviveria. Optei por respeitar o tempo dele. Durante um mês e meio, a minha vida se resumiu em ficar deitada, apenas me levantava para tomar banho. E internar para retirada de líquido amniótico. Até que no dia 9 de dezembro de 2015, o meu pequeno descansou. Ao chegar em uma consulta, foi detectado que não havia mais batimentos cardíacos. E que o meu pequeno havia partido.

Após chegar do consultório, tomei um banho e escolhi a roupinha que ele seria enterrado e pedi para os meus pais escolherem um caixão branco. Pedi que a cesariana fosse realizada naquela noite para que pudesse acompanhar tudo. E assim foi feito. Os poucos minutos que ele passou em meu colo, ficou eternizado.

O Francisco tinha trissomia do cromossomo 18. Uma síndrome rara que torna os bebês incompatíveis com a vida, se nascem com vida, não sobrevivem muito tempo.

A solidão ainda aperta meu coração. Muitas noites acordo assustada, ouvindo um choro suave e o procuro. Não existe dor maior do que enterrar um filho. Toda mãe precisa de um tempo para digerir, o que estava ali e não está mais. E isso não tem haver com “não aceitar” e sim, com sentir saudades. Eu o carreguei durante quase 9 meses. Foi o meu peito que escorreu leite. Foi o meu colo que voltou vazio para casa.

Ser mãe, foi a melhor coisa que poderia acontecer em minha vida. É a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma mulher. E eu sou grata a Deus por essa benção. Eu não desejo a ninguém a dor de perder um filho. De desejar, amar e sonhar com um filho, e ele ir morar ao lado de Deus. Sei que foi o melhor para ele e que foi a vontade de Deus mas a saudade fica. Uma saudade que não tem dia e nem hora para acabar. Uma solidão e um vazio que nada preenche, que nada faz passar. Em qualquer lugar que estou, mesmo sabendo que ele está comigo, me falta um pedaço. Me falta o meu Francisco.

Meu filho, por mais que a saudade seja maior do que eu possa sentir, só estamos separados pelo tempo em que me resta na terra. Você está amparado e cuidado pelo meu Deus, pelo nosso Deus. E onde quer que você esteja, saiba que você é o maior amor da minha vida e que nada e nem ninguém vai te afastar de mim ou me fazer te esquecer

 Relato da mãe Ana Luiza Ligabô
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s