Anjinho Rafael!

Não temos controle sobre as surpresas da vida…Meu anjo Rafael

Em 2012, já com uma filha de 2 anos e quatro meses, descobri que estava grávida novamente. Fiquei bem feliz, pois o bebê nasceria em dezembro, mês em que minha filha mais velha faria três anos, diferença de idade perfeita, segundo meus planos de vida. Mas quando tudo parecia estar de acordo com meu ideal de perfeição, Deus me mostrou, de forma muito dolorosa, que os planos são Dele e não nossos… Com 13 semanas de gestação, ao fazer o ultrassom da translucência nucal, meu médico diz que há algo diferente. Naquele dia 18/06/2012 minha vida começou a ser transformada. Depois de consultar um outro médico, por indicação do nosso obstetra, fomos informados de que nosso menino não nasceria e que, muito provavelmente, a gestação logo seria naturalmente interrompida. Consultamos outros dois médicos de Joinville que nos confirmaram o quadro. Então aguardamos. Tentamos seguir nossas vidas normalmente, dentro do que nos era possível. Meus pais vieram para nossa casa, para nos ajudar com as tarefas e com nossa filha, além do apoio psicológico. Alguns dias eu nem conseguia sair do quarto, de tanta tristeza. Me esforçava para estar “inteira” no horário em que minha filha chegava da escolinha.

Mas os dias foram passando, passando e eu, já com 23 semanas de gestação, bebê ativo, chutando, fui alertada pelo meu médico de que deveríamos fazer o exame do cariótipo para sabermos a causa do problema. Então, fomos a Curitiba (moramos no interior do Paraná), fizemos o exame e no dia 11 de setembro o médico da clínica me ligou para dizer o resultado: nosso menino Rafael era portador de uma trissomia do cromossomo 8 (Síndrome de Warkani). Quando, naquela mesma semana, fomos ao meu médico para que ele nos explicasse melhor sobre essa anomalia, constatamos que nosso bebê estava em óbito. Deus me perdoe mas, naquele momento, senti até um alívio, pois há três meses eu esperava por aquele dia anunciado pelos médicos. A aflição que eu tinha no meu peito à espera daquele dia me consumia a cada hora. De um jeito ou outro, aquela situação iria terminar…

Como não entrei em trabalho de parto, tivemos que induzir o parto normal, indicado pelo meu médico. Passei as dores de um parto induzido e, ao final do procedimento, não tive meu bebê nos braços. Não o vi pois, como ele já estava em óbito há alguns dias e tinha uma anomalia física, achei melhor, na hora não vê-lo. Só eu sei o quanto isso me afligiu nos meses seguintes, por pensar que rejeitei meu filho, mas hoje já me absolvi dessa culpa.

Chegar em casa sem meu filho foi uma grande dor. Nos dias seguintes, mal saí do quarto. Meus pais e minha irmã, juntamente com meu marido, assumiram os cuidados da minha filha e os meus, claro. Tive direito a 30 dias de licença no trabalho. Uns acham pouco, mas acho que a volta foi importante para que eu seguisse com a minha vida.

Achei que ficaria bem mas, depois de alguns meses, precisei recorrer à ajuda psicológica e foi ótimo. Me fez muito bem.

Depois de dois anos do ocorrido, a minha vontade de ser mãe novamente superou meus medos. Consultamos um geneticista, que nos explicou que o que aconteceu foi um acidente genético, que não existe nada de hereditariedade nesse caso. Assim, disse ao meu marido que queria tentar mais uma vez e que estava disposta a assumir os riscos de uma nova gestação. E então, em agosto de 2015 descobrimos nossa nova gestação. Quem já passou por uma perda sabe que o medo é companheiro em cada instante, apesar de sabermos que uma gestação não é igual a outra. E às 16 semanas, descobrimos que teríamos mais uma menina! Que felicidade! Mas não pensem que, por tudo que havíamos passado na segunda gestação, não aconteceria nada na terceira: aos quatro meses e meio de gestação, tive uma ameaça de aborto. Causa: placenta prévia total. Após repouso absoluto de quase quatro meses, às 37 semanas, novamente sob os cuidados perfeitos de meus pais e irmãs, nasceu nossa Melissa, linda, perfeita e saudável. Porém, pela posição de minha placenta, na retirada da bebê, minha bexiga estourou. Transfusão de sangue, vinte dias de sondaMas tudo valeu a pena. Hoje estou com minhas duas princesas. Sem meu gurizinho, mas aceitei a vontade de Deus.

Não tem um só dia que não pense no meu filho. E nas datas que envolvem todo o processo (dia que descobrimos o problema, data do parto, data prevista para o parto, caso tudo tivesse transcorrido conforme minha vontade) eu revivo tudo, mas com menos dor. Amanhã, dia 19/09, volto ao trabalho depois de minha licença maternidade, justamente quatro anos após o parto do meu filho Rafael (dia 19/09/2012). Será que isso quer dizer algo? Renascimento? Recomeço? Não sei, Só sei que o tempo realmente não apaga nada, mas ameniza quando estamos dispostos a seguir em frente.

Não sou uma pessoa propensa à vitimização. Jamais me questionei o porque disso ter acontecido comigo. Acredito que a pergunta que devemos nos fazer é por que não conosco. Não sou melhor que ninguém para que nada de ruim aconteça comigo. Mas confesso que não foi fácil. Não é fácil. Mas quem disse que seria? Viver é correr riscos e quando decidimos ser mães não temos a noção de que, realmente, ter filhos é ter o coração fora do corpo. Estejamos preparados e que Deus proteja e abençoe nossos filhos.

Depoimento enviado pela mãe Camila

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s