Um anjo chamado Leandro Miguel

Minha história é enorme, mas precisava desabafar…com pessoas que realmente soubessem o que estou sentindo, e não com pessoas que só sabem me dizer “ah eu não consigo nem imaginar o que você está sentindo” é isso mesmo só quem passou por uma perda de um filho irá saber como me sinto.

Meu nome é Lana, quero contar a minha história, contar o capítulo mais lindo da minha vida.

Sempre tive problema da síndrome do ovário policístico (SOP), mas isso nunca me impediu de sonhar em tentar engravidar. Em Janeiro de 2014 meu esposo e eu decidimos começar as tentativas para engravidar, tentamos por 2 anos e 1 mês, depois de ouvir que não poderia engravidar,quando eu já nem esperava mais, o meu positivo chegou no dia 15/02/2016 fiz o teste de farmácia e positivo, no mesmo dia fiz o de sangue e positivo, nossa nem acreditava, não sabia se gritava, se chorava, nunca tinha sentido uma felicidade tão grande, meu sonho estava ali em meu ventre…preparei uma surpresa para o marido e toda a família pois todos esperavam muito esse bebê, 1º filho, 1º neto, 1º bisneto, 1º sobrinho imagina só todos ficaram felizes com a novidade.

Com 10 semanas fomos fazer outra ultrassom, mamãe e papai ouviram seu coração pela primeira vez, que som mais lindo, papai ficou tão emocionado que esqueceu de gravar… era tão pequenino, mas já amava tanto.
Nossas preocupações começaram na morfológica de 1ºtrimestre a translucência nucal, fomos todos empolgados ver nosso bebê e lá o médico nos informou que eu tinha oligodrâmnio severo(pouco liquido aminiótico) o ILA(Índice liquido amniótico) era de 1cm, era tão severo que não era possível nem ver o bebê direito, e o médico disse que não tinha certeza, mas achava que o bebê estava com o abdômen aberto, Senhor naquela hora já estava desesperada pelo pouco liquido quando ele falou isso quase morri. Consegui retornar no mesmo dia com meu obstetra, ele me tranquilizou e pediu que fosse com outra médica fazer a USG para uma segunda opnião, gracas a Deus consegui marcar para o outro dia, lá ela nos disse que estava tudo bem que o bebê era perfeito, mas que seria uma gravidez complicada e de risco se o ILA não aumentasse, que o bebê não se desenvolveria normalmente que poderia vir a ter problemas já que o liquido ajuda na respiração e no sistema urinário, sai do consultório com medo afinal somos humanos, mas entreguei o bebê nas mãos de Deus, até então nem o sexo sabia, voltei com meu obstetra e ele me mandou diminuir o ritmo e ingerir bastante liquido, tudo que lia sobre como aumentar o liquido eu fiz, tudo mesmo… fiz tudo pelo meu bebê, mas o ILA não aumentava se mantia em 1,3 cm.
Apesar de todo cuidado e repouso com 20 semanas acordei e senti um líquido escorrer pelas minhas pernas, pensei que fosse xixi, mas quando andei mais um pouco sentir descer como se estivesse fazendo xixi, era a minha bolsa que tinha rompido, corri para o hospital e fiz uma USG as pressas e infelizmente era o que eu mais temia tinha acontecido minha bolsa tinha rompido, podia entrar em trabalho de parto a qualquer momento, eu gritava no hospital não queria perder meu bebê, ainda nem sabia se era menino ou menina não podia perder o meu amado bebê, o médico me internou me colocou no soro direto com Inibina para que prevenisse o aborto, e a todo momento o bebê era monitorado, ele estava vivo, a princípio o médico me disse que eu ficaria internada por 1mês, 2meses quanto tempo fosse preciso para segurar o bebê, mas fiquei somente 4 dias, se eu soubesse o que estava por vir, passaria até 4 meses internada pelo meu bebê.
Saí no sábado e na terça feira tinha a morfológica de 2º trimestre para fazer fiz e para a glória de Deus o bebê estava perfeito, gordinho e bem grandinho, e muitas tentativas mas ainda não sabia se era menino ou menina, mas o médico que fez a USG chutou que era uma menina, seria até então a Laura. Fui para casa muito feliz por saber que estava tudo bem e que até o ILA tinha subido para 5cm ainda muito baixo, mas de 1cm para 5cm já era uma vitória.
Fui para casa, repouso absoluto já que a bolsa já tinha rompido e eu perdia líquido constantemente. Foram tempo turbulentos e nem imaginava que o meu bebê na verdade era um lindo menino, passaram – se as semanas toda semana era uma vitória, imaginem só que comprei todo o enxoval rosa, tudo em uma quarta feira dia 27/07/2016, nesse dia me lembro que já não me sentia bem, tinha acabado de completar 28 semanas, no dia seguinte 28/07 tive que ir ao INSS pois precisava dar entrava no benefício já que precisava me afastar do trabalho pela gravidez de risco, naquele dia passei muito mal, um sufoco no INSS saí de lá e nem consegui ser atendida,vim para casa e depois do almoço comecei a sentir dor, que vinham das costas e endurecia a barriga corri para o hospital e lá me passaram buscopam, nem me fizeram toque nem nada, fiz só um exame que constatou que estava com infecção urinária o meu médico me liberou com receita e me mandou ir pra casa, e disse que a dor passaria quando começasse a tomar o remédio para tratar a infecção, tomei o remédio e jantei tomei um banho relaxante, mas assim que me deitei para dormir o efeito do buscopam tinha passado e as dores voltaram mais fortes,mãe de primeira viagem nem imaginava que ali já estava com as contrações, não estava aguentando isso era de madrugada, fui ao banheiro e vi que estava perdendo sangue acordei meu esposo e falei que precisava ir ao hospital pois estava com dor e sangrando, fomos as pressas liguei pro meu obstetra e avisei que estava indo para a emergência e que não estava bem, chegando ao hospital comecei com a Inibina e tomei mais uma dose de buscopam, mas a uma altura dessas já não fazia mais efeito não estava na minha hora, mas já estava na hora do meu bebê vir ao mundo, as contrações já estava ritmadas, me levaram para um quarto e lá que passei raiva pois os enfermeiros que me atenderam diziam que eu precisava me acalmar, e eu gritava dizendo que meu bebê estava nascendo e ninguém parecia me levar a sério, diziam que ele não ia nascer que era coisa da minha cabeça, ouviram o coração do meu bebê estava forte e batendo, e eu com dor, quando estava só eu e meu esposo no quarto senti que o bebê ia sair, pedi ao meu esposo que chamasse a enfermeira ele foi lá, e que raiva ela só repetia que não podia fazer nada que tinha que esperar meu médico que até então nem sinal dele, ela saiu do quarto novamente dizendo que ia ligar pro meu médico nessa hora disse ao meu esposo ” Leandro tira a minha calça que o bebê vai nascer.” só eu e ele naquele quarto só deu tempo dele tirar minha calça e o bebê já foi saindo, as 5hrs da manhã do dia 29/07/16 nascia meu milagre, nessa hora ninguém estava lá, nem enfermeiro, nem médico uma negligência enorme nem o médico de plantão foi me atender… meu esposo correu atrás de uma enfermeira que nos atendesse, quando ela viu meu bebê na cama, eu fiquei tão feliz e assustada ao mesmo tempo, estava louca para ver meu bebê, mas sem forças não conseguia nem me levantar, só perguntava a ela se era menina mesmo, ela sem nenhuma humanidade, me disse: ” ai, Lana não olha que já nasceu morto”, mas como se ela tinha acabado me ouvir os batimentos e estava tudo bem,meu Deus que pesadelo eu só gritava, não não não…meu bebê não morreu, ela cortou o cordão umbilical e o meu bebê chorou, nosso que alegria, que bênção, ela correu para atender o meu bebê e pedi que meu esposo corresse atrás da enfermeira e acompanhasse nosso bebê de perto, meu obstetra finalmente chegou, ele me levou pra sala de cirurgia para retirada da placenta que não tinha saído, tive que fazer uma curetagem. Até então não sabia de nada da situação do bebê inclusive não sabia que era um lindo menino, na sala de cirurgia perguntei a enfermeira se ela sabia da minha menina, ela me respondeu menina? seu bebê é um lindo meninão, ali eu descobri que era o meu Leandro Miguel, o homenzinho da minha vida com 1,020 kg e 33cm  que recebeu o nome do papai e do bisavô, nada mais importava queria saber se ele estava bem, se iam transferí-lo para UTI, porque infelizmente no hospital que estava não tinha UTI e ele precisava ir para a UTI para engordar e aprender a respirar sozinho, sabíamos que não seria fácil, mas a gente enfrentaria o que fosse pelo nosso Leandrinho.
Retornei ao quarto por volta das 10hrs da manhã só pensava em ver meu menino,como amava meu pequeno, o meu esposo Leandro me disse que ele era um menino lindo, ele estava la na incubadora lutando pela sua vida, no quarto meu esposo me disse que já estavam na batalha para transferir ele para a UTIneonatal, eu só queria ver ele, mas estava totalmente anestesiada por causa da curetagem que fiz, o meu esposo me informou que conseguiram a transferência dele e as 14hrs a ambulância chegou para levar ele para outro hospital com UTI, meu esposo foi acompanhando nosso precioso bebê, eu só queria ver ele, mas estava muito anestesiada e ele foi sem que eu pudesse vê-lo.
Passei a noite em um hospital e meu bebê em outro, que angústia só queria que amanhecesse para que eu pudesse logo ver ele, o meu Leandrinho, amanheceu o dia e ninguém me segurava naquele hospital sai de lá sem nem mesmo o médico me dar alta, fui até onde o meu pequeno estava, cheguei para visita e fui vê-lo, Meu Deus que coisa mais perfeita, chorei por ver tamanha perfeição, até o pézinho dele que era tortinho pela falta de liquido e espaço, até esse pezinho era a coisa mais fofa, tão pequenino quanto amor, e aquele chorinho, nossa… falei com os médicos que me disseram que ele estava bem respirando com o CPAP e que não precisaria ser entubado por estava reagindo bem, ao remedinho para o pulmão amadurecer, naquele dia mesmo trocamos todo o enxoval rosa, para tudo azul, tinha que preparar tudo para quando meu príncipe viesse para casa.
A médica disse que o Leandrinho só precisava melhorar a respiração e engordar para vir pra casa, ela disse que no outro dia ele ia começar a tomar seu leitinho,nossa não via a hora de amamentar meu amor, sei que seria muito difícil, mas faria tudo por ele, passou dia 30, dia 31 ele bem, no dia 01/08 fui para visita de manhã e demorou muito e as médicas não deixavam nem eu e nem as outras mães entrarem, ninguém sabia o que estava acontecendo,até que a médica veio e me disse que meu Leandrinho não estava bem e que precisava ser entubado e que ele não ia começar a mamar naquele, que sufoco, meu Deus, saí de lá sem ver meu pequeno, que aflição, fui pra casa mas com o pensamento nele, cheguei em casa, mas minha cabeça não saia do meu Leandrinho, falei com Deus naquele momento e disse ” Senhor meu menino, está em suas mãos sempre esteve, por isso Pai te peço que meu Leandrinho não sofra e que se alguém tiver que sentir dor que seja eu, mas que ele não sinta nada, nenhuma dor, nenhuma dificuldade, Senhor sei que és poderoso e que seja feita a Tua vontade e não a minha, mas que ele não sofra”
Voltei ao hospital as 16 hrs, me lembro cada detalhe daquela tarde, abriram a porta da UTI e já vi ali que meu pequeno não estava mais no seu cantinho, mas até ai tudo bem imaginei que tivessem mudado sua incubadora para outro lugar, a médica abriu a porta e chamou eu e meu esposo, naquele momento pensava que ela nos diria que ele tinha sido entubado, mas que estava tudo bem, mas não, naquele momento ouvimos a pior coisa que se pode dizer a um mãe e a um pai, ele teve 3 paradas e hemorragia no pulmão “seu bebê não resistiu” naquele momento senti meu corpo desabar, fiquei sem chão só sabia chorar e gritar chamando o nome dele, a médica me levou até meu Leandrinho, onde pude tocá-lo pela primeira vez, e pela ultima vez, peguei nele todo senti seu cheirinho… fiquei tão sem chão que não tive forças para pegá-lo no colo, fiquei em choque, me arrependo todos os dias amargamente por isso, por não ter pego ele no colo nem um pouquinho, não sei o que houve, ele estava lá tão quietinho, tão sereno, dormindo como um anjo de verdade, meu Leandrinho já estava no céu. Enterrei ele e o meu coração naquele mesmo dia.
Desde então tenho vivido um dia por vez, dia 01/09/2016 completou um mês que ele voltou para o Criador, não tem um dia sequer que não pense no meu Leandrinho, em como fomos negligenciados pelo o hospital que nos atendeu, como foi meu parto sem ninguém para me atender, a demora em atender o Leandrinho depois de nascido, sempre penso se ele estaria vivo se tivesse sido atendido rapidamente, como teria sido se tivesse tomado o corticóide para os pulmões do bebê, pedi tanto ao meu obstetra que me prescrevesse porque no fundo do meu coração eu sabia que não iria chegar aos 9 meses, falei tanto ao meu obstetra, mas ele não me ouvia, passo agora todos os meu dias pensando e me perguntando e se…e se…e se…
Perder o meu Leandrinho foi como perder um pedaço de mim, perder um pedaço da minha alma, a dor não passa, porém uns dias são mais fácies e outros mais difíceis, penso que se não fosse pelo meu esposo e pela minha família eu teria enlouquecido, que dor, que dor, que dor… ver suas roupinhas, ver meus seios vazarem leite sem meu Leandrinho, penso que tem dias que não aguentarei, pior de tudo ainda é ouvir as pessoas que falam tanto sem um pingo se sensibilidade, “ah você é nova, logo terá outro bebê” “ah poxa não foi dessa vez que você foi mãe, ou que o Leandro foi pai” “ah bola pra frente” pelo amor de Deus, calem a boca e deixem eu viver meu luto, não posso simplesmente virar a página e fingir que nada aconteceu, não preciso de ninguém me dizendo essas coisas besteiras, eu preciso de tempo, de espaço, percebo que as pessoas se incomodam com a minha dor, que se incomodam quando digo que não estou bem, como querem que eu esqueça tudo, que eu finja que está tudo bem, quando na verdade estou gritando por dentro, eu amei, eu amo e sempre vou amar meu Leandrinho, para essas pessoas simplesmente… calem a boca só isso… não digam que não sou mãe, que o Leandro não é pai….nós somos pais de um lindo anjo que olha por nós, todos os dias, um lindo anjo que cuida com todo amor de seus pais.
Nunca, jamais vou esquecer meu Leandrinho, sentimos tanta falta dele todos os dias, e ele precisou seguir um caminho no qual não podemos acompanhar, mas esperaremos ansiosamente e no tempo de Deus o dia em que vamos nos reencontrar.
Eu te amo meu filho, meu Leandro Miguel. Por toda a minha vida, irei te amar.
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