Saudade

E então a saudade chega… Como vilã implacável, ela fere, machuca, aperta o peito com toda a sua força. Bate tão forte ao ponto de sentir minhas forças se esvaindo. Apanho mesmo. E pensar que ainda tenho uma vida inteira para sentir saudade…

Sinto cada célula do meu corpo revirada por ela, então eu choro, grito: quero você de volta! Por que tinha que ser assim? Porque é assim!

E quando o choro acaba, as lágrimas secam e os soluços silenciam, eu retomo as rédeas da minha história. E só aí percebo que não posso mais continuar caminhando dando as costas pro futuro e olhando só o que passou. Preciso viver o presente e aceitar o que tenho, ou o que ficou. Não dá mais para brigar com a vida – isso cansa – nadar contra a corrente requer esforço demais.

Resolvo dar as mãos para a saudade e não lutar mais contra ela.

Não é questão de conformismo, ou aceitar porque tem que ser assim…é muito mais que isso: é entender. É humanamente impossível, no momento mais devastador da minha vida, enxergar a dor como benção modificadora. Olhar para a estrada da minha existência e pensar que caminharei por ela sem uma parte de mim é difícil demais. Não dá para mudar de um dia para o outro. É aí que entra o tempo…pulsando junto com o bater do meu coração, vai aliviando cada pedacinho machucado do meu ser. E junto com ele, vem a vontade de entender…

Quando se tem a saudade como parceira de vida, os dias tornam-se mais longos e encará-los requer muita força. É uma luta constante entre seguir em frente e a vontade de voltar no tempo: passado, presente e futuro lutando entre si. Mas aí tem a esperança, companheira amorosa dos meus dias, que mostra a grandeza do presente, da oportunidade diária de transformação, e assim, consigo vislumbrar o futuro, um futuro melhor!

Começo a enxergar o processo doloroso como oportunidade de me transformar e passo a ver a saudade como o “sentir falta”: a doce lembrança de um amor que teve início em um momento específico, mas que se eternizou. É O AMOR QUE FICA!

E assim, de mãos dadas com a saudade vou seguindo, de dia em dia, um passo de cada vez. Porque o amor ainda é maior do que qualquer falta.

Texto escrito pela nossa colunista Ju Heck

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