Amar à distância 

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Boa tarde. Meu nome é Lueci Ferreira, tenho 35 anos uma filha Gabriela e um anjo João Pedro.

A história do JP começa em 2014 quando engravidei do meu príncipe, eu,  meu marido e minha filha Gabriela estávamos entusiasmados. A minha filha na altura tinha 4 anos ficou confusa, mas tudo foi questão de fazer contas……pois ela queria uma mana para brincar de “boneca “….mas quando percebeu que um menino iria ser diferente ia ter que experimentar outras experiências (carros, super heróis etc).
Tudo um sonho. Com 38 semanas estava no shopping com meu marido quando comecei a sentir as contrações, tudo muito bem. Liguei para o médico e mandou me ir para o hospital. Logo que cheguei já estava em trabalho de parto com 4 dedos de dilatação. Em 1 hora e 45 minutos João Pedro nasceu com 2,890kg 48 cm…..perfeito.
Nasceu a 19 de Julho de 2015
Fui para o quarto. Estava tão feliz que não parecia que tinha acabado de ter um parto. No dia seguinte os médicos  (ginecologista e pediatra) deram nos alta. E fomos para casa. Passado 1 semana começaram as cólicas. Até então tudo bem. Mas o meu filho não estava bem, sentia no choro um desconforto. Fui a outro pediatra e mais uma vez era somente cólicas.
Passada 3 semanas (1 mês de vida) não estava suportando a ideia do meu filho estar sempre a chorar fui a outro pediatra e este disse me que estava tudo bem saudável que o JP estava a engordar bem e que era somente cólicas. Chegou o fim de semana e nele o meu cansaço e como todo ser humano em pressão, sobrecarreguei meu marido e acabamos por ter uma discussão com divórcio e mais algumas coisas. Explodi.
Chegou segunda feira dia 24 de Agosto de 2016, meu filho estava com 1 mês e seis dias. Estava em casa com meus filhos e surpreendentemente JP adormeceu depois do almoço durante 2 horas. Pensei: “será que esta a começar a ser adaptar ao leite?”
Entretanto recebemos uma visita de um casal amigo no qual o JP tinha voltado ao mesmo. Chorava muito e não conseguia estar tranquilo. Entretanto este casal quis levar a minha filha para passar a noite em sua casa e assim foi.
O meu marido devido a discussão que tivemos no fim de semana acabou por ficar com ele um pouco antes de lhe dar banho. Quando dei o banho começou a chorar mais forte e estranhei. Fui dar de mamar e ele se acalmou. Mas algo estava estranho. Ele estava gelado. A cabeça muito fria. Achei que era ar condicionado e desliguei. Entretanto quando acabei de dar de mamar meu marido ficou com ele no colo. E eu adormeci. Logo a seguir meu marido acorda me a dizer que o menino não estava bem. Fomos a correr para o hospital mas já não havia nada a fazer. Meu filho já não estava comigo. Ainda entrei para as urgências com esperança mas foi inútil.
Nenhum dos médicos souberam me dizer o que tinha acontecido. Esperei 5 meses para ter a autópsia e descobrir que meu filho nasceu com um volvo (nó) intestinal que não é detectável. Somente sabe se que existe quando é aberto por algum motivo.
Neste dia meu filho morreu a segunda vez. Se já me culpabilizava fiquei pior. Mais revoltada. Mas meu anjo escolheu me para me ensinar que devemos amar mesmo estando tão longe.
#prasemprejp

Luecy também escreveu outros textos para seu filho JP depois que ele se foi. Aproveitamos para dividir com vocês alguns deles abaixo:

  1. Este foi no dia 25 de Agosto de 2016 (1ano sem meu João Pedro)

Para meu anjo
Mais uma data e nela o vazio.
Os dias passam e neles o pensamento procura te, e nessa imaginação consigo ver te, e em menos de segundos a realidade cai sobre mim e por mais criatividade que possa ter não consigo enxergar o que não vivi.
Os teus passos, tua voz, e esse vazio não irá me abandonar. Poderá esse vazio fundir se com a saudade e diminuir a dor? Não. Essa é a única resposta. Pois todos os dias eu acordo pensando em ti.
Onde for, por onde andar te levarei sempre no meu olhar, em cada sorriso e em cada lágrima. Por muito que seja insuportável a dor e por saber que a saudade é  um sentimento lindo somente na poesia, porque na realidade arde e queima, mesmo assim procuro o arco-iris no meio da tempestade. Esse arco-iris chama se Gabriela.
Nos meus sonhos vou te buscar “burracho”…….

        2. O texto que segue é do dia que nasceu 19 de Julho

Chegou, hora exata 1:54, há 1 ano estava contigo nos braços. Hoje as palavras são tão poucas e vazias, não dá pra entender.
Todos os dias saio da sombra a procura da luz. O medo cresce, o tempo afasta mas aproxima. Procuro entre as nuvens negras da tempestade o arco-íris.
E a vida segue sem porquês, mas com a culpa que irei carregar nos braços com o colo vazio. Me perco no mundo real e no que invento para ultrapassar. Revivo cada momento, cada dor e cada angústia.
Vou reescrever minhas memórias, vou reinventar meu eu todos os dias, foi e será a minha luta diária.
No meu sorriso  tem um pouco do que deixaste, nas minhas lágrimas está tudo o que és pra mim.
E assim continuarei sorrindo e com a alegria de saber que escolheste me para o papel mais importante da minha vida.
Nunca esquecerei o dia que me encontraste e o dia em que me deixaste.
São lembranças que dói e fazem sorrir……..
Tenho saudades do que ficou por viver.

       3. Segue mais um que me faz chorar muito……

É da semente do amor que floresce a saudade…

É da colheita do fruto que surge algo que chamamos de laços.

E é quando a vida os desata que chamamos de perdas.

Perdas irreparáveis.

Perdas que não tem nome.

Dor que dói só de pensar.

Dor que um dia ouvi ser equiparada a um parto inverso.

Devolver o filho. Sem ao menos nos perguntar se damos essa permissão.

Lágrima que não sai. Choro que nos falta o ar.

Medo de viver.

Medo que o medo nunca saia de nosso coração.

Medo do medo.

Vontade louca de voltar segundos, ou talvez milésimos atrás para ter a certeza que não ficou nada por fazer ou que pudesse ter feito.

Mas nada é possível.

O chão é roubado, o coração parece parar, e borboletas voam angustiadas pela nossa alma.

O sonho de que tudo seja mentira. Que a notícia recebida foi engano. Que o nome dito era homônimo.

A mentira se faz verdade.

O nome querido pensado com tanto carinho antes mesmo do nascimento da melhor forma possível já imaginando as alcunhas (apelidos).

As mãos que já procuravam o rosto ou até mesmo a sua refeição.  De todo o meu coração partido quero agradecer a todos em terem repartido comigo a dor que não é possível descrever.

Ao meu querido e amado João Pedro eternas saudades.
Obrigado é  a única palavra que posso dizer.

Os olhos ainda choram a tua ausência.
Vai com deus meu borraxinho

Relato da mãe Luecy Oliveira

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