Meu anjo e meus bebês arco íris!

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Eu estava tentando engravidar havia 1 ano e meio e descobri que tinha endometriose. Nesse ponto já estava sendo acompanhada por uma médica especialista em reprodução. Fiz a cirurgia e 3 meses depois estava grávida! Toda a família comemorou demais! Primeiro neto dos meus pais e dos meus sogros, um verdadeiro sonho sendo realizado! João Vicente estava à caminho!
Com 19 semanas de gestação fui fazer enxoval nos EUA. Lá peguei uma gripe bem forte. Imaginei que fosse pelo cansaço e mudança de fuso horário. Me poupei o máximo que pude, na volta a gripe piorou, mas eu estava voltando de férias e não me permiti ficar em casa de repouso. Duas semanas depois, com 21 semanas de gestação, parei de sentir meu menino mexer. Fui na obstetra e os batimentos estavam normais, ela pediu pra eu observar os movimentos mas não se preocupou e eu também fiquei mais tranquila. Dois dias depois encontrei uma amiga veterinária que faz ultrassom nos animais, não aguentei e pedi pra ela fazer um ultrassom pra ver meu bebe. Sei que a fiz passar por um momento muito difícil, ela me aconselhou a procurar minha obstetra porque não estava encontrando os batimentos.
Fui correndo para a emergência e lá foi diagnosticado o óbito fetal.
Nossa, não tenho nem palavras pra descrever o buraco negro que entrei naquele momento.
Os dias seguintes foram de muita tristeza, pouquíssimas horas de sono, muitas lágrimas… Indução de parto, dores físicas e emocionais. Meu marido foi meu porto seguro, ele não pode extravasar seu sofrimento porque eu estava extremamente fragilizada.
Entrei numa fase de luto muito difícil, voltei a trabalhar 15 dias depois e simplesmente chorava o dia todo.
Voltei a tentar engravidar 3 meses depois. Minha médica pediu pra que eu não esperasse muito porque a endometriose poderia voltar.
A cada teste negativo parecia que toda aquela dor ficava mais à flor da pele. Era uma confusão de sentimentos, muita culpa, a sensação de ter feito tudo errado, de querer voltar no tempo, de ter meu menino no meu ventre de novo. Voltei a fazer tratamento e descobri que estava com endometriose novamente. Minha única saída seria a fertilização in Vitro.
Fiz uma tentativa e deu negativo. A este ponto minha vida girava em torno disso, eu estava extremamente cansada psicologicamente, com hormônios à mil, meu casamento já estava no limite. Eu quis desistir de tudo, tentar ser feliz com meu marido ao meu lado e meu anjinho no céu. Cheguei a questionar a minha fé, afinal, por que Deus não queria que eu fosse mãe?
Mas meu marido foi um guerreiro, não me deixou desistir, teve fé, me encorajou e depois de alguns meses de tratamento pra melhorar as condições do meu endométrio (que pareceram anos) e muitas sessões de terapia, lá fomos para a segunda fertilização, sem muita esperança pois os embriões não estavam muito bons.
Uma semana depois da transferência eu sabia que estava grávida! O corpo fala!
Tive uma gestação de gêmeas de altíssimo risco em função de uma placenta prévia que me renderam 5 grandes hemorragias, mais uma restrição de crescimento de um dos bebês e, por fim, uma bolsa rota. Minhas meninas, Teresa e Joana, nasceram prematuras de 32 semanas de gestação. Após um mês de uti neonatal, pude trazê-las pra casa.
Nesse momento escrevo esse texto amamentando a minha filha que nasceu com 1,400kg com todo o amor que pode caber dentro de mim.
Descobri que Deus realmente escreve reto por linhas tortas. Uma gestação saudável que não deu certo e uma gestação com muitos riscos que terminou bem!
A grande lição que tirei disso tudo é que somos muito mais fortes do que imaginamos. Quando não temos mais forças pra lutar, a vida dá uma guinada e as coisas se ajeitam.
Não substituo meu anjo, pelo contrário, a nova gestação me aproximou mais dele, as lembranças boas e ruins me acompanharam. Hoje sei que ele está olhando pelas manas dele, e está vivo dentro de mim quando imagino como ele seria, como estaria hoje, como seria a minha vida se ele não tivesse partido.
Ainda com saudade e tristeza, mas com um pouco mais de paz.
Realto da mãe Paula Pinheiro
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3 comentários em “Meu anjo e meus bebês arco íris!

  1. Nossa Paula, me enxerguei no teu relato!! No momento estou passando pela frustração do resultado negativo… Já faz 1 ano e 7 meses que minha Helena partiu e eu não consigo engravidar!! Peço ao Pai todos os dias forças pra aceitar a vontade Dele e me questiono se Ele não quer maia que eu seja mãe!! Tem sido difícil e realmente como disseste, todo este período tem parecido uma eternidade!! Mas eu tenho fé e, teu depoimento me trouxe mais esperanças. Parabéns por tuas gurias!! Felicidades!!

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  2. Nossa Paula, me enxerguei no teu relato!! No momento estou passando pela frustração do resultado negativo… Já faz 1 ano e 7 meses que minha Helena partiu e eu não consigo engravidar!! Peço ao Pai todos os dias forças pra aceitar a vontade Dele e me questiono se Ele não quer mais que eu seja mãe!! Tem sido difícil e realmente como disseste, todo este período tem parecido uma eternidade!! Mas eu tenho fé e, teu depoimento me trouxe mais esperanças. Parabéns por tuas gurias!! Felicidades!!

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  3. Sinto muito pelo seu anjinho, mas como vc disse ele está lá do céu olhando por vcs. Ler sua história me dá mais um pouco de força para acreditar que tudo pode ficar bem. Que meu coração ainda pode ter paz. Fico feliz pelas suas filhas. Que Deus abençoe cada dia mais vcs. Minha história eu contei também aqui. Fique com Deus. Obrigada por compartilhar sua história, ela me ajudou muito.

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