O nosso tempo

 

No dia 18/08/2016, há exatamente um ano, perdi meu filho.

Como forma de manter a memória dele gostaria de compartilhar o texto que escrevi no face no final do ano passado.
O NOSSO TEMPO
Quando fiquei grávida pela segunda vez li em algum lugar que a maternidade seria a experiência mais incrível da minha vida.
E de fato foi.
Em 2015, ganhei e devolvi meu filho para Deus.
Ouvi muitas vezes como consolo que com o tempo a dor passaria. Então desejei que o tempo voasse, queria dormir e acordar dali 6 meses, porque me parecia insuportável conviver com aquela dor.
Percorri muitos caminhos sombrios na tentativa de compreender o motivo de estar passando por isso. Caminhei pelo caminho da culpa, do não merecimento, da punição. Além de não trazerem meu filho de volta, pioravam ainda mais minha existência sem ele.
Com ajuda profissional de psicólogo, de pessoas que perderam entes queridos e graças à misericórdia divina, percebi que esse tempo era necessário para me despedir do Vitor. Para que esse vazio fosse substituído pelo amor infinito que temos cultivado por ele. Aí sim, o tempo que estava passando a conta gotas, voou.
O ano acabou e me trouxe a certeza de que somos pessoas muito especiais, que fomos escolhidos para sermos os pais do Vitor. Que muito a nosso contra gosto, não teríamos o tempo que imaginávamos, tivemos justamente os 9 meses da gestação da sua presença física. Entretanto, cada dia que passa estou mais convicta que o nosso tempo é o da eternidade.
Relutei em montar árvore de Natal, pois desejei muito estar nessa época com ele em meus braços. E mais uma vez me surpreendi, pois me senti inundada por um amor que me fortalece em dias mais improváveis.
Há pouco tempo ouvi uma mãezinha dizer que se levanta todos os dias e se arruma, pois sua filha assim gostaria de vê-la se estivesse viva. Sim, são coincidências que me assustam, me levanto todos os dias para a vida com a mesma sensação, de onde o Vitor estiver terá orgulho de nós.
Minha profunda gratidão ao meu grande companheiro, cúmplice, marido, o melhor pai que meu filho poderia ter: Vinícius. Aos nossos queridos pais, irmãos, afilhados, tios, amigos que nunca nos abandonaram e viveram conosco a emoção pela breve passagem do Vitor.
Às nossas pequenas sobrinhas Ana e Lulu por perguntarem genuína e insistentemente: “Cadê o VitoR?” (no mais legítimo goianês).  Mesmo com o visível constrangimento dos pais, vocês nos ensinaram que para atravessarmos o luto, o caminho a ser percorrido não era o do esquecimento. Tornar o nome do Vitor um tabu, esconder minhas lágrimas, como se a ausência delas traduzisse o meu não sofrimento, o não direito da licença maternidade, a ausência do nome da criança na certidão de natimorto e nos registros do cemitério onde foi sepultada, foram obstáculos e armadilhas que minha mente teve que driblar e entender que nada disso poderá apagar a existência dele. Obrigada queridas crianças por nos lembrar do grande amor que nos nutre e nos une, e que esse sim é o caminho.
E a você, querido filho, por ter nos escolhido, pelo tempo que esteve conosco e por transformar de forma tão incrível a vida do papai e da mamãe.
Obrigada, sobretudo, pela lição de brevidade da nossa existência aqui.
Receba nosso eterno e sincero amor,
Fabíola Fernandes Soares.
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2 comentários em “O nosso tempo

  1. Hj completa um mês que perdi minha filha Rafaela. Eu penso as mesmas coisas que vc pensou a um ano. Que tudo que aconteceu comigo foi um castigo… Eu estava tão feliz, contava os dias pro nascimento dela. Preparava as coisas do enxoval dela com tanto amor, e hj não a tenho mais… Doí, e como dói!

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  2. Tem vinte dias que perdi meu bebê com 39 semanas de gestação. Estou passando pelo mesmo processo ainda não me conformo com a perda. Esperei tanto por ele, meu Miguel.
    Tem dias que tenho vontade de gritar de tanta dor, mas tento esconder meu desepero dos meus filhos (um de treze e uma de quatro) e do meu amado marido que está me dando todo apoio, amor e carinho.
    Sei que ele também está sofrendo. Mas tá tão difícil.

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