Nossa história de amor com Gael!

Pensei que nunca me recuperaria, pensei que nunca voltaria a sorrir ou a pensar em coisas boas na nossa vida, a cura acontece a cada dia, a cada segundo eu diria, mas não é completa, falar de você ainda me mareja os olhos e uma dorzinha lá no fundo ainda persiste em pulsar, não é um peso, não é ruim, é a saudade de tudo que vivemos e que não vivemos, é um resquício de dúvida de como tudo poderia ter sido independente da sua limitação física. Foi dilacerante ouvir que você não tinha condições de vida soubemos do seu problema com 12 semanas de gestação e tivemos a indicação de interromper o que nunca foi uma opção para nós, ter que lutar a cada consulta a cada exame contra todos que nos diziam que o aborto era o indicado era doloroso demais, sempre acreditamos que as coisas poderiam mudar e que teríamos você não importa pelo tempo que fosse, foram 28 semanas e 4 dias dentro de mim e segundos com você fora mas que foram o suficiente para eu te guardar em meu coração e em minha memória para sempre. Só eu e você sabemos como tudo realmente aconteceu, como foram os meses, os dias, os minutos e até cada segundo que vivemos juntos e o quanto tudo valeu a pena para nós seus pais e tenho certeza que para você também.

Aprendemos a amar sem medidas, sem rótulos, e entendi o que o amor de mãe é capaz de fazer.  As pessoas me questionavam muito sobre eu correr riscos gerando o Gael, realmente assumi alguns devido à problemas que tive no decorrer da gravidez, mas tudo para mim era tão fácil, tudo tão leve que nunca os enxerguei como riscos, só pensava no meu filho e sabia que nada do que vivesse seria demais para mim, sabia que podia suportar e enfrentar qualquer coisa para ter meu filho nos braços. O difícil mesmo foi o depois, foi deixar ele partir, foi enfrentar a vida sem ele, foi fazer o sepultamento e ver que tudo ao meu redor era igual só eu não era mais a mesma porque um pedaço de mim tinha ido embora, aquela vontade imensa de gritar “perdi meu filho as coisas não podem continuar como são”, a crueldade das pessoas quando falavam que eu era nova que teria outros filhos mas o que elas não sabem é que um filho não substitui o outro, as frases feitas do tipo: “foi melhor assim você e ele sofreriam muito” nenhum sofrimento pode ser maior que o de uma mãe que perde seu filho e a saudade que nunca passará.

Sair do luto à luta não foi uma tarefa fácil, decidir nos dar  uma nova chance, um novo filho nosso bebe arco iris, deixar os medos e as inseguranças para traz é encarar tudo com o peito aberto, mas era preciso continuar, quando se chega ao fundo do poço a única alternativa é subir e voltar, sabíamos que estava na hora, que esperar para nós seria quase um desistir, e foi tudo muito rápido não houve um planejamento, descobrir a gravidez do segundo filho foi sentir de novo aquele amor que não cabe no peito, foi lembrar a luta do Gael pela vida e o quanto crescemos por um dia fazer parte dessa sua jornada. A chegada do Augusto que será em breve com certeza nos trará uma mistura de sentimentos onde o amor sempre irá prevalecer, mas temos certeza que assim como o Gael nos mandou seu irmãozinho para nos trazer muita felicidade também continuará sendo nosso Anjo da Guarda por toda a vida!

Tatiane 31 anos  e Flávio 37 anos – pais do anjo Gael diagnosticado com anencefalia chegou e partiu em 01/12/2014 e pais do Augusto que chegará em outubro/2016

Grata
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