A MORTE NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL: UMA REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA BRASILEIRA SOBRE OS IMPACTOS DA MORTE PARA A EQUIPE DE SAÚDE

Ao falar em UTI, geralmente é feito uma analogia com palavras negativas, como sofrimento, dor ou até mesmo morte. Em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal o objetivo não é o fim da vida, mas sim, o inicio. Embora a tecnologia nas UTINS esteja cada vez mais avançada, proporcionando um espaço de vida aos bebês, existem casos que não importa o que faça, o óbito neonatal acontece. Em caso de perda na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, o foco do cuidado está diretamente aos pais que perderam seu bebê. Deixando de lado um elemento principal que também vivência esta perda: a equipe de saúde.

O interesse de investigar sobre o impacto da morte na UTI neonatal surgiu a partir de minha experiência na prática de aprimoramento em Psicologia Hospitalar, dentro da área da Saúde da Mulher, especificamente em Neonatologia e Obstetrícia. Percebe-se que a atuação do psicólogo na UTIN é algo novo e ainda em fase de adaptação. No acompanhamento diário em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal foi possível perceber que embora as situações de perdas façam parte de um ciclo da vida, raramente elas ocorriam. Além disto, percebe-se o empenho dos profissionais de saúde em auxiliar os recém-nascidos, bem como, seus pais.

Vale ressaltar, que era visível a intensa busca pela equipe da psicologia quando ocorria um episódio de óbito. A primeira perda neonatal em que pude acompanhar, tive uma sensação de pesar, mas ao mesmo tempo intrigante. Nas perdas seguintes, entendi que este peso era diretamente relacionado à sensação de angústia de toda equipe, inclusive a minha. Em um momento de perda, onde a equipe tem como função amparar os pais do recém-nascido que foi a óbito, vários sentimentos se manifestam, mas nem sempre podem ser expressos. A partir da experiência e prática vivenciada em alguns momentos como este dentro da unidade, foi que surgiu o interesse e questionamento sobre: como os profissionais de saúde se sentem diante de um óbito na UTIN?

Diante de minha pesquisa, pude perceber a dificuldade em que a equipe de saúde tem em lidar com a morte de um recém-nascido. Refletir sobre morte de um adulto já é suficientemente um assunto extremamente delicado, quando se trata de uma criança, é considerada até mesmo inaceitável, tanto pela dificuldade em enxergar tal acontecimento como parte de um ciclo natural da vida, quanto pela visão cultural em que você deve nascer, viver, envelhecer e morrer.

Ressalto que, houve dificuldade em encontrar referências que falassem especificamente sobre o tema, visto que, é um tema pouco estudado. Falar sobre a morte reflete nos profissionais os sentimentos mais profundos, e ao entrar em contato com tais sentimentos confirma a possibilidade da sua própria finitude e que ela pode se manifestar em qualquer momento da vida, o que pode justificar a escassez de artigos na literatura cientifica.

Minhas hipóteses foram confirmadas, em relação ao grande impacto que a morte causa para equipe de saúde, bem como o despreparo e falta de auxilio aos profissionais. Conclui que o profissional de saúde da UTIN não está preparado para lidar com a morte, seja por falta de investimento em sua trajetória acadêmica, pela falta de educação continuada, falta de sensibilização entre outros motivos. A partir disto, se faz necessário destacar o quanto é importante que os profissionais que atuam em casos de perdas estejam capacitados e que tenham sensibilidade para lidar com a perda neonatal e com os familiares envolvidos.

Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir.

Rubem Alves

Vanessa Salheb Marinho Petito

Psicóloga pela Universidade da Amazônia – 2015

Especialização em Psicologia Hospitalar, voltada para Saúde da Mulher (Obstetrícia e Neonatologia) pela Universidade Estadual de Campinas – 2016

Especialização em Programa de Saúde da Família pela Estácio de Sá – Previsão de conclusão 2017.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s