Desabafo

Este texto é para você que convive, eventual ou rotineiramente, com alguém que, como nós, passou pela tragédia de perder um filho.

É uma tragédia sim. Mas não, não somos trágicos, muito menos eternamente tristes! Queremos continuar nossas vidas, seguir em frente, mas com certeza isto será bem mais difícil e exigirá muito mais esforço, fé e coragem se nos compararmos a você. Mas nada é impossível e com a sua ajuda tudo fica mais fácil!

E como ajudar? Fácil: basta se lembrar de que nós continuamos os mesmos! Gostamos de boa companhia, queremos nossos amigos conosco, precisamos de dias divertidos e leves. Nossos valores mudaram, damos muito mais importância às coisas simples da vida, aos pequenos momentos, logo, não será preciso grandes esforços para nos agradar.

Nunca faremos nada contra nossa vontade! Nunca procuraremos o que nos faz sofrer…já temos sofrimentos inevitáveis o bastante, entenda isso.

Logo, se você nos encontrar numa festa de criança, cheia de bebês, rodeados de casais grávidos, não precisa se assustar, ou pior, ficar de longe, com medo de que ao puxar assunto desfiaremos nosso drama pessoal. Se saímos de casa é porque estávamos cientes do que encontraríamos e só nos dispusemos a ir porque estar ali nos faz mais bem do que mal. Não nos isole ou finja que não estamos ali: isso sim nos arrasa!

Outra coisa que se faz necessário saber: nosso filho tem um nome, escolhido com muito carinho…você não imagina como é bom ouvi-lo sair de outros lábios também. Isso nos dá a sensação de que ele ainda faz parte da vida de outras pessoas e não só da nossa. Gostamos de falar sobre ele, dividir as experiências da gestação, lembrar dos nossos planos, dos nossos sonhos, dividir com vocês o amor que não podemos mais dividir fisicamente com ele. Não precisa mudar de assunto quando um de nós disser que passou pelo mesmo que você, mesmo porque isso não fará você passar pelo que passamos. É só uma forma de nos sentirmos pais também. Caso seja um dia difícil e tocar no assunto nos deixe triste, acredite, nós falaremos. Então pergunte, interesse-se, aja como se nosso filho estivesse aqui porque é assim que o sentimos.

Agora, nunca, nunca mesmo, reclame da vida de pai ou de mãe para um de nós. Sabemos que a tarefa é árdua, estressante muitas vezes e que está bem longe da fantasia pregada por aí. Sabemos que muitas mães adoecem com a mudança de rotina (ou falta dela), mas nada se compara à dor de perder um filho. Nós daríamos tudo para estar no seu lugar, mas duvidamos que você trocaria a sua dor por um milésimo da nossa.

Enfim: faça-se presente, pergunte, chame para sair, mande uma mensagem, ligue! Continuamos aqui, embora faltando um pedaço, mas cheios de vontade, e precisando, seguir em frente.

Texto da nossa colunista Ju Heck

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3 comentários em “Desabafo

  1. “Não nos isole ou finja que não estamos ali: isso sim nos arrasa!” Isso, exatamente isso, acho tão desnecessário, mesmo quando não tivemos filhos ainda, parece que somos ETs e não podemos mais nos relacionar com as pessoas que tem filhos… Vocês são mães que perderam seus bebes, mas continuam aqui, vivendo um dia de cada vez!!

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