Perseverança

 

Meu nome é Simone e estou bem próximo de completar 40 anos.

Tive 6 gestações, sendo apenas 2 bem sucedidas.
Minhas perdas começaram bem cedo.
Aos 22 anos, recém casada, perdi meu primeiro filho. O médico me disse o que todos dizem a todas as mulheres que perdem sua primeira gravidez: ” isso é normal acontecer..é a seleção natural da vida; vai ver tinha algum defeito e o seu corpo o rejeitou”.
Assim, sem nenhuma causa aparente, e sem nenhum exame, a vida seguiu.

Aos 24 anos, novamente engravidei…medo, alegria, suspense, euforia… Mas logo veio a cólica, remédios antiabortivos, repouso, e nada…medo de ir ao banheiro, sentar no vaso. E o que eu temia aconteceu: sentei no vaso sanitário e lá se foi meu bebezinho…. Depressão,  sensação de abandono, de incapacidade, luto. E a vida seguiu.

27 anos, terceira gravidez. Medo de novo, felicidade outra vez, planos tímidos por causa do medo…ao contar à obstetra meu caso de abortos repetitivos, ela foi a primeira e única em se interessar pelo quadro e pedir um exame simples de sangue que detectou o citomegalovirus, um vilão para as gestantes. Mais medo ao pesquisar sobre o super vírus. A gravidez foi avançando,  o tempo foi passando, e ela foi crescendo,  a linda Sophia. Essa veio pra ficar. Lutou e conseguiu vencer a barreira do primeiro trimestre e assim foi vencendo mês a mês. Agora era esperar que nascesse com saude e sem as anomalias que o citomegalovirus pode causar. Enfim, deu tdo certo.

29 anos, quarta gravidez.  Agora já sabíamos do citomegalovirus,  e o medo foi ainda maior. Ainda amamentava a Sophia, e por causa dos bebês, que eram gêmeos, tive que interromper a amamentação.  Estava superfeliz com os gêmeos,  mas durou pouco. Numa ultra-sonografia de rotina, observou-se que um dos bebês havia aderido à parede do útero, e morrido.  O outro bebê tb já não mais vivia. Nessa época morava em São Paulo.  Não acreditei e não queria curetar. Então viajei até o meu estado natal, o ES,  para que o médico que acompanhou a gestação da Sophia pudesse confirmar o fato. Ele confirmou e eu ainda assim não acreditei. Procurei outro local para refazer o exame já com um aborto retido há mais de mês. Fato novamente confirmado, e eu, que esperava um milagre,  um batimento cardíaco, me rendi a mais uma curetagem.

30 anos, quinta gestaçao, quarto aborto. Estava trabalhando, de pé atendendo uns advogados no balcao da vara onde eu trabalhava em Cotia, São Paulo,  quando desceu uma bola de sangue que logo chegou ao chão…Era o fim de mais uma alegria. A depressão veio, mas com com uma criança pequena, não pude ser vencida.

33 anos, já nem esperava mais nada do meu útero… Veio a Rebeca.  Citomegalovirus me assustando de novo.  Gripe h1n1 no sexto mês de gestação. A menina só foi ganhar nome e enxoval quando estava quase nascendo, tamanho era o meu medo de lidar com a perda mais uma vez. Mas nós vencemos e aqui está a nossa história, bem resumida,  é claro.

Ainda choro por eles, ainda penso neles…

realto da mãe Simone Teixeira dos Santos

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