A história de Priscilla Ester

saudade (4)

 

Com 40 semanas (dia 21 de maio) fui ao hospital Ruth Cardoso para acompanhar a gestação, após uma avaliação me liberaram, pois não tinha dilatação o suficiente e pediram para retornar no domingo se as dores não voltassem antes.

Retornei para avaliação e com o mesmo resultado sem dilatação mas agora em mãos com o papel para internação na segunda feira para indução de parto. Após dar entrada na minha internação na segunda-feira começaram o trabalho de indução com comprimido no colo do útero, de segunda a terça-feira foram 6 comprimidos sem resultados para o parto normal.

Já na quarta-feira a enfermeira fez o exame de CO e constatou que os batimentos cardíacos da bebê estavam baixos e imediatamente me tiraram do soro e me disseram que pela manhã a médica me avaliaria para uma cesariana.
Desde então fiquei em jejum, a médica Dr. Ana disse que minha bolsa havia rompido, mas eu não havia perdido líquido que fosse de uma bolsa rompida. Eu sentia a bebê sofrendo! Deixaram conversar com meu esposo e falei pra ele nossa bebê esta sofrendo as contrações continuam de 1 em 1 minuto e nada de dilatação. Era 14h30min e de tanta insistência minha para realizarem o exame de CO pra ver como estavam os batimentos cardíacos do bebê, me colocaram de costas para o aparelho e em menos de 2 minutos me tiraram do aparelho, pois os batimentos cardíacos estavam baixos, me tiraram do soro e me levaram para sala de cirurgia para fazer uma cesárea de emergência. Mas sem me dizer o motivo, a cesariana só seria possível por volta das 17:00 e fui para cesárea às 15:00.
Jonathan (esposo) assistiu o parto e quando retiraram a bebê estava toda suja de fezes e seu choro foi bem fraquinho imediatamente a levaram para o oxigênio pois havia aspirado o próprio fezes “mecônio”.

Fiquei na sala pós parto 3 horas até a anestesia passar e ir para o quarto e nesse período a pediatra veio conversar comigo com a explicação que meu bebê havia comido fezes e desde o nascimento estava no oxigênio para recuperação, estava com dificuldade de respirar sozinha e nesse momento me levaram até a bebê em uma incubadora pra eu ver, eu estava anestesiada sem poder me mexer só consegui a ver de longe. Não peguei minha filha no colo em vida!
Fui para a maternidade, recebi visitas e até então as notícias sobre meu bebê era que ela continuava no oxigênio. Logo após recebi notícias que minha bebê estava encubada respirando através de um respirador e com antibióticos, a situação muito grave. Quando ela completou um dia de vida a situação piorou e com isso o aumento de medicação, desde de adrenalina para ficar sedada até todos os tipos de drogas “medicações”, pois não sabiam o que ela tinha realmente.
O diagnóstico era hipertensão pulmonar pelo fato de comer fezes na barriga, em momentos ela estava instável outros não. No dia seguinte faltou o ar comprimido devido a manutenção, que estavam fazendo pelo menos foi o que nos disseram e depois falaram que a pessoa responsável por isso estava de folga e havia levado a chave de onde é liberado o ar comprimido. E que para resolver a situação demoraria 20 minutos, Se passaram 40 minutos para resolver o problema e trazerem um cilindro de oxigênio para dentro da UTI da Neo, enquanto isso as enfermeiras bombearam oxigênio manualmente.
Nosso bebê começou a piorar e na madrugada teve uma parada cardíaca. Depois de 3 dias trocaram toda medicação, afinal o quadro não havia obtido resultados e com a troca de medicação nossa bebê parou de urinar e a saturação do oxigênio do corpo não passava de 80, 60, 50 tendo períodos que chegou a 15…. Com toda essa situação no 6º dia ela piorou ainda mais, seu coração chegou a 23 BPM estava morrendo e a circulação do sangue já não havia mais. Foi muito triste fiquei com nosso bebê desde das 13:30 até a hora do seu falecimento às 16:00 pegando na sua mãozinha e falando com ela, antes isso não era possível, pois nossa bebê estava o tempo toda coberta nos olhos e com os ouvidos tampados.

Após 6 dias de vida ela veio a falecer (31/06).

Causa da morte no óbito foi FALENCIA MULTIPLA DOS ORGÃOS, HIPERTENSÃO PULMONAR GRAVE E ASPIRAÇÃO DE MECÔNIO- SOFRIMENTO FETAL AGUDO

Foi o que aconteceu comigo, me sinto impotente diante disso tudo, tive uma gestação tranquila sem nenhum tipo de infecção ou coisa parecida, peguei minha licença maternidade no 8 mês de gestação pois queria lavar passar organizar tudo para chegada da nossa princesinha, casei em fevereiro de 2015 e em junho decidimos ter nosso bebe e dois meses depois já estava gravida, já tenho dois filhos do primeiro casamento uma princesa de 17 anos e um principe de 8 anos, minha filha não mora mais comigo desde quando me casei se apaixonou e foi viver a vida dela mesmo com muita dor no coração deixei ela ir pois tudo que fiz não a impediu de fazer isso, e Deus me presenteou com uma princesa e me senti a mãe mais feliz do mundo pois sentia muito a falta da minha filha mais velha.

Desejamos e esperamos anciosos pela chegada da nossa princesinha Priscilla Ester esse foi o nome que demos  a ela, ficávamos irradiantes quando faz imos as ultrassons e em uma delas nossa princesa até sorriu.. Ainda não consegui sorrir e dormir sem culpa, se tivesse pressionado e exigido mais das enfermeiras talvez nossa filhinha estivesse aqui, um pedaço de mim foi arranco não pude ouvir seu choro nem ao menos ve la quando nasceu só a tive em meus braços quando já estava morta, ela nem pode sentir meu cheiro e eu  dela, não pude vesti la ou ao menos trocar sua fralda. Tudo isso dói demais..

Aprendi a ama la desde o ventre, foi difícil guardar suas roupinhas desmontar seu berço me adaptar ao mundo sem sua presença. Sei que o Senhor  me deu e o Senhor a tomou louvado seja o nome do Senhor, Deus A AMOU MAIS QUE EU por isso a levou.

Sonho em ter outro filho pois meu esposo só tem esse bebe que perdemos.

Minha esperança esta em Ti Senhor  e agradeço a Deus por ter me dado forças e continua me dando forças para suportar essa perda, fico olhando meu filho de 8 anos e fico pensando se tivesse perdido ele pois quase o perdi também, mas Deus foi tão misericordioso comigo pois naquele tempo eu não estava preparada para uma perda.

Relato da mãe Solange Almeida

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