Entrevista pai de anjo – John Zechner

 

Quebrar o Luto Paterno, como forma de homenagear os filhos e quebrar o tabu sobre o direito de falar do tema.

Digo “Direito”, pois muitos pais não sentem que tem este direito, por achar que a dor da mãe é imensuravelmente maior que a deles.

Sofrem calados por dois motivos (isso na minha percepção): o da perda em si e o fato de se reconstruir mais rápido do luto, que o deixa se parecer como insensível e isso os leva a crer que seus pares ficarão tristes por esta dor passar tão rápida.

 

Contem um pouco da história da perda gestacional. Como aconteceu?

R: Apesar de já ser pai de 3 e saber como é. Vanessa tinha esse direito e assim resolvemos partir para essa grande aventura. Tudo maravilhoso nos primeiros 5 meses. Festa, planos, nomes e demais afazeres. Porém o sexto mês nos reservou uma “surpresa”, que na realidade sabíamos da possibilidade de acontecer, que foi e pré eclampsia. Mas não sabíamos que ela viria tão forte e avassaladora, que em uma semana colocou fim na nossa aventura de sermos pais do Klaus. Foram dias de muita tristeza ver minha esposa assim. E mais triste ainda depois da perda. Pensamentos dos mais diversos passam pela nossa cabeça. Perguntas e respostas desencontradas. Às vezes a reposta era a pergunta. A pergunta era teoria. A resposta a conspiração……… No final de tudo, só o tempo, caminhando no seu “tic-tac” nos dirá algo, se quisermos e estarmos preparados para entender a sua mensagem.

 

Como você chegou até o grupo Do Luto à Luta? Como soube da nossa existência?

R: Foi minha esposa que soube do Grupo e me contou que tinha entrado no mesmo.

 

Você acredita que estamos fazendo um trabalho de educação para a morte? De que forma?

R: Como eu falei no nosso encontro certos povos estão habituados a lidar com a morte, pois falam dela abertamente, como sendo uma coisa normal (e é). Eu cresci ouvindo falar sobre a morte. O trabalho de vcs está nessa linha, mas precisa seguir uma vertente que consiga atingir todos de uma forma que a perda seja vista como um caminho natural da nossa existência. Falar sobre a perda é interessante e necessário, mas também é preciso que se trilhe um caminho comum. Uma linha em que, principalmente as mães, vejam que a sua perda não foi castigo e sim algo que todo ser está sujeito. Podia-se trabalhar mais ludicamente este tema.

 

Qual o seu maior interesse e motivação no nosso projeto?

R: Poder colaborar, deixando o caminho e o fardo mais leve para as pessoas.

 

De que forma acredita que está beneficiando e sendo beneficiado pelo projeto?

R: Beneficiando, ainda não sei. Pois não sei como foi a repercussão da minha fala no encontro.  Beneficiado. Que aumentou a minha certeza do que eu já sentia sobre perdas.

 

De que maneira acredita que a nossa parceria pode contribuir para um maior cuidado com a perda gestacional?

R: Pois é… poderia contribuir se fosse possível tentar trabalhar a perda ainda antes dela acontecer. Em casos graves, trabalhar com os pais sobre a possível perda. E depois continuar o trabalho no Grupo. (coisa de doido, mas é assim que eu vejo).

 

O que diria aos pais que acabaram de vivenciar a perda gestacional?

R: Que a vida tem seu caminho, que tudo tem um propósito (mesmo que incompreensivo numa boa parte da nossa vida). E que temos que extrair da perda, o que ela quer nos mostrar.

 

John

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