Meu arco íris Matheus

Eu ouvi falar sobre os bebês arco-íris a cerca de 5 anos atrás, quando cheguei para minha terapia e disse para a minha psicóloga que eu estava grávida. Meu arco-íris se chama Matheus, hoje tem quatro anos.

Matheus foi um bebê muito esperado e desejado por nós. Antes de ele chegar, fui presenteada com o Arthur, um bebê nada planejado e que me ensinou a amar como uma mãe, a esperar com uma e como dói ser uma. Foi uma gravidez tranquila a de Arthur, não houve grandes mudanças em minha rotina em função da gestação, meus exames estavam normais, e eu estava radiante com a chegada daquele novo ser.
Havia terminado de decorar o quartinho de Arthur, roupinhas já estavam separadas para lavar, pesquisando o que levar ou não na mala da maternidade e de repente à noite, percebi que ele não havia mexido. Arthur sempre foi bem ativo na barriga, nos últimos dias havia mexido menos que o normal, achei que fosse pelo espaço está menor.

Corremos para o hospital, e não haviam mais batimentos, os médicos procuraram por mais de 1 hora e nada. Eu não aceitava aquilo, fui a mais 2 clínicas e nada … Então, veio a parte mais difícil, ir para casa e esperar para amanhecer e ter uma cesárea, ou ir para o hospital e induzir um parto. Eu queria sentir ele de alguma forma, então induzimos o parto. Um parto difícil, dolorido fisicamente, e emocionalmente não há palavras que possam descrever. Ele já tinha partido a cerca de 5 dias, minha pressão que antes estava bem, aumentou de uma hora para outra e eu não percebi mudança alguma, e então perdemos.

Despedir-me do meu filho, foi à parte mais difícil de toda minha existência. Eu me revoltei, me culpei. Logo vieram os julgamentos, pessoas me culparam, pessoas falaram que eu deveria parar de me lamentar. Mas ninguém sentia o que nós estávamos sentindo naquele momento.

Eu senti a necessidade de ter outro filho. E resolvemos tentar, fiquei 1 ano fazendo controle da pressão, quando finalmente sentimos seguros, veio o meu príncipe Matheus.

Matheus não foi uma válvula de escape, não veio substituir o Arthur, não veio tampar buracos. Veio salvar a minha vida, me dá vontade de continuar a viver, de continuar lutando, de querer planejar uma vida melhor, de lutar por um mundo melhor.

Hoje eu tenho mais dois filhos. E ás vezes eu olho para eles, e eu sinto a falta do 3°, do meu primogênito, e então eu choro e não consigo entender como felicidade e tristeza/saudades conseguem está mais uma vez unidas. Como no dia que passei por um PN para trazer ao mundo o corpo de Arthur, nascimento e morte unidos por uma fração de segundos. Meu corpo estava liberando uma quantidade enorme de hormônios do amor, e eu só conseguia sentir uma tristeza fora do comum, é você receber e ao mesmo tempo ter que se despedir.

Nós não superamos a perda de um filho, nem mesmo com a chegada de outro, e outro, e outro e quantos outros vierem após esse. Mas um arco íris chega, e por alguns instantes colorem nossas vidas, então passamos a viver com dias coloridos e no meio de alguns desses dias surgem novamente àquela neblina, àquela dor gigante, aquele choro. E você pensa : É! Eu estou com saudades do Arthur.

Depoimento enviado pela mãe Izabelle

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Um comentário em “Meu arco íris Matheus

  1. Passei por esse mesmo sofrimento a um pouco menos de 30 dias… Com essa mesma história, gestação maravilhosa, pressão alterou sem sintoma e a descoberta depois de 5 dias da ausência dos batimentos cardíacos, já estava com 35 semanas… Hoje estou entorpecida, a ausência de minha Laurinha ainda machuca muito, Mas tenho fé q ficará apenas a saudade.

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