QUE HISTÓRIA VOCÊ QUER CONTAR!

É indiscutível o valor de compartilhar o que sentimos! Sejam dores ou alegrias, dividi-las com alguém torna tudo mais fácil. Quando falamos especificamente da dor da perda de alguém especial, querido e muito amado, a oportunidade de escancarar tudo do que se sente torna-se imprescindível e vital. Falar, ou escrever, passa a ser um processo de debridamento da ferida, processo necessário para sua cura. No início fala-se de tudo, quantas vezes se fizer necessário, mas o tempo vai passando e sair por aí contando, de forma deliberada, os detalhes que o fazem sofrer, definitivamente não ajudará em nada e só fará com que a dor se torne ainda mais pulsante. Recomposto e ciente de si, faz-se necessário refletir e raciocinar. Como se cada palavra fosse cuidadosamente colocada frente a frente e o resultado fosse uma frase perfeita e clara. Por que dói tanto? É porque meus planos foram destruídos, ou o que eu acho que é certo não foi cumprido? É porque a saudade sufoca e por mais que eu compreenda e aceite, ainda dói? Falta de entendimento?

Agora faça-se a seguinte pergunta: como eu gostaria de ser lembrado? Pelas alegrias que proporcionei, ou pelas dores que causei? E aí chegamos à pergunta título deste texto: qual história você quer contar? Qual a história do seu filho?

Toda história de perda neonatal ou gestacional que li, começa com lindas introduções. Fala-se dos planos e expectativas, do quanto a gravidez foi desejada. Grande parte delas contam sobre a espera pelo dia do positivo que, muitas vezes se arrastou por meses, e demonstram a imensidão do amor envolvido antes mesmo do tão sonhado filho existir. E quando a segunda lista surge é uma explosão de sentimentos: felicidade, contemplação, amor, esperança! Uma reunião de bons sentimentos num único dia! Um dia apenas, e este bebê já foi capaz de transformar o seu mundo.

A história que Deus lhes escreveu começa…o final não será o que você espera ou sequer imaginou um dia! Para alguns durará semanas, para outros meses. Alguns verãorostinho dos seus bebês, outros não. O grande problema é que quando o final da história chega, você se esquece do início dela…

Você conta e revive os dias de dor e angústia, e todos se compadecem com isso, é fato. Ninguém te julga por desfiar sua tragédia particular…mas lembra que eu pedi para refletir sobre como você gostaria de ser lembrado? Chegou a hora de escolher como você se lembrará do seu filho!

Pense nas cores novas que seus dias ganharam, no amor que encheu o seu coração a ponto de parecer explodir! Nos novos caminhos que trilhou, na pessoa incrível que seu filho fez você se tornar. Na força que você descobriu que tem, na coragem de seguir em frente que te motiva a acordar todas as manhãs. Veja as escolhas que você fez e faz por ele todos os dias: você poderia desistir, mas ao se lembrar dele você continua! Você valoriza, agora, pequenas conquistas, valoriza minutos, gramas…consegue ver o amor na família, nos amigos e até em pessoas desconhecidas que vivem o que você viveu!

Pense em tudo isso quando for contar a história do seu filho! Imagine a felicidade dele ao perceber que é lembrado pelas alegrias que te causou e não pelas dores. Agora escolha: que história você quer contar?

Texto escrito pela nossa colunista mensal Ju Heck!

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